Minha Ultima Canção
1 Capítulo unico
Notas iniciais
Amy:
Afastei um pouco as cortinas do palco e o observei juntamente de seus amigos. Ele estava tão lindo esta noite.
Abaixei o olhar enquanto soltava a cortina.
- Cinco minutos – falou Arme. Suspirei mais uma vez. – Há algo de errado Amy? – perguntou ela vendo-me meio pra baixo.
- Não é nada – sussurrei vendo-a erguer a sobrancelha para mim. – Ta... tem algo de errado sim... – suspirei profundamente – e se ele não gostar de mim?
- Posso não amar ninguém amiga, mas eu tenho certeza quase que absoluta que ele sente algo por você – falou ela confortando-me. – Você tem que se decidir, não há mais tempo. Ou canta a musica pra ele. Ou não.
Suspirei.
- Esta bem então – juntei toda a minha coragem e o meu amor e fui para o palco com o violão em mãos. Boa sorte pra mim.
Sentei-me no banco e ajeitei o violão em meu colo.
- Boa noite – disse a todos. Escutei todos dizerem boa noite.
Sorri assim que vi os olhos dele e de seus amigos voltando-se para mim. Calma Amy.
- Essa noite começarem com uma musica dedicada há alguém especial – sorri – e esse alguém esta aqui esta noite – olhei nos olhos dourados de Jin e o vi sorrir. Senti minhas bochechas esquentarem na mesma hora.
Puxei o ar com um pouco de dificuldade,abaixei a cabeça olhando para o microfone e logo comecei a tocar.
Quando eu era jovem eu vi
Meu pai chorar e amaldiçoar o vento
Ele quebrou seu próprio coração e
Eu assisti enquanto ele tentava remontá-lo
E minha mãe jurou que jamais
Nunca se deixou esquecer
E aquele foi o dia que eu prometi
Eu nunca cantaria sobre amor, se ele não existisse
Mas querido...
Ergui a cabeça para olhá-lo nos olhos. Podia jurar que vi algo brilhar ali.
Você é a única exceção
Você é a única exceção
Você é a única exceção
Você é a única exceção
Fechei os olhos imaginando o quão maravilhoso deve ser o seu beijo, seu toque o quão belo é o seu sorriso.
Talvez eu saiba que em algum lugar no fundo da minha alma
Que o amor nunca dura
E nós temos que arranjar outros meios de seguir
Em frente sozinhos ou manter a cabeça erguida
E eu sempre vivi assim
Mantendo uma distância confortável
E até agora eu jurei pra mim mesma
Que eu era feliz com a solidão
Porque nada disso nunca valeu o risco
Um sorriso brincou em meus lábios enquanto eu abria os olhos mais uma vez para encará-lo. Ele retribuiu o sorriso.
Mas você é a única exceção
Mas você é a única exceção
Mas você é a única exceção
Mas você é a única exceção
Respirei profundamente e voltei a cantar. O sorriso dele é majestoso, assim como seu nome.
Eu tenho um forte controle sobre a realidade,
Mas não posso deixar o que está aqui diante de mim
Eu sei que você vai embora pela manhã, quando acordar
Deixe-me com alguma prova de que isso não foi um sonho
Whooa...
Respirei calma e profundamente enquanto continuei a canta. Mais um vez nossos olhares se encontraram, mas dessa vez recusei-me a desviar. Quero guardar em minha memória o quão brilhantes são seus olhos.
Você é a única exceção
Você é a única exceção
Você é a única exceção
Você é a única exceção
Você é a única exceção
Você é a única exceção
Você é a única exceção
Você é a única exceção
E eu estou quase acreditando
Oh, e eu estou quase acreditando...
Passei os dedos umas ultima vez pelo violão antes de a musica acabar e eu ter de desviar o olhar.
Levantei-me do banco e curvei-me para o publico. Quando voltei-me para todos o vi levantar-se e me olhar. Virei-me e voltei para detrás das cortinas.
- Amy – gritou Arme acenando para mim e correndo em minha direção. – Você não acredita no que me aconteceu?
- O que? – perguntei.
- Eu to namorando – ela gritou. – O Ronan me pediu em namoro.
- A... – sorri meio abobada – eu já sabia que ele ia te pedir em namoro – disse entre pequenos risos enquanto a via arregalar os olhos.
- E porque não me falou senhorita Amy? – perguntou em tom de repreensão.
- Porque ele disse que não era pra falar – sussurrei. Fixei meu olhar no chão – você tem sorte de ter alguém que te ame Arme.
- Na na ni na não – falou balançando a cabeça negativamente — não quero você com essa cara senão não lhe entregarei a carta que o Jin te mandou agorinha.
Fiquei surpresa quando a vi com o papel em mãos.
- Ah meu deus – disse pegando a carta das mãos de Arme. – Sera que...
- Talvez... eu não li – ela sorriu. – Vai abri logo, to curiosa.
Abri a carta devagar e retirei o papel. Eu não poderia dizer que a letra dele era bonita, porque na realidade letra de garoto nunca é bonita, mas eu gostei da forma como as letras encaixavam-se. Ficavam simplesmente perfeitas.
- Tudo bem... – disse puxando o ar e lendo alto o bastante para que apenas Arme escutasse. – Amy eu sei que o que você sente por mim é algo realmente forte. Sinto lhe dizer mas eu não sinto o mesmo... – senti lagrimas formarem-se em meus olhos - ... juro que se eu pudesse fazer qualquer coisa para não te magoar eu faria, mas acredito que o melhor para você seja que me esqueça. – Terminei de ler ainda não acreditando que ele simplesmente não sentia nada por mim.
Joguei o papel no chão. E sai correndo daquele lugar desprezível.
Jin:
A musica é tão linda, mas não tanto quanto a cantora. Realmente, eu estava apaixonado pela Amy, e aparentemente ela sentia o mesmo por mim.
Sorri com o pensamento enquanto caminhava para o lugar atrás do palco. Andei um pouco e logo avistei Arme abaixando-se para pegar algo. Ela parecia triste.
- Arme! – chamei-a. Ela apenas me olhou e virou-se de costas para mim recomeçando a andar. – Arme! – chamei-a de novo e corri em sua direção – espera.
- O que você quer? – gritou ela virando-se para me encarar.
- Calma, eu só vim procurar a Amy. Você a viu? Tenho algo muito importante para dizer a ela – falei.
– Se vi ou não, não é da sua conta. Já não basta o que você escreveu naquela carta? – gritou irando-se para mim.
- Hey, calma. E de que carta você ta falando? Eu não escrevi nada pra ela. – perguntei. Isso ta me cheirando a armação.
Ela jogou o papel na minha cara.
- Essa carta – ela me encarou nos olhos. – Francamente não sei como você ainda tem a coragem de vir aqui.
Peguei o papel e o olhei.
- Essa letra não é minha – disse. Realmente aquela não era minha letra.
- Como não? Esta assinada por você – vi a assinatura.
- Minha letra é completamente diferente desta, Arme – falei mostrando o papel.
- Entao isso so pode ser... – ela colocou as maos sobre a boca.
- Armação... – disse. – Onde a Amy ta?
- E-Ela saiu correndo daqui – sussurrou Arme. – Encontre-a logo Jin – pediu ela – tenho um mal pressentimento.
Corri para fora dali. Onde ela poderia estar?
Foi então que me lembrei que ela gostava de ir para o pequeno lago que cortava a praça principal da cidade.
- Se ela não estiver la eu não sei mais onde procurar – sussurrei enquanto corria para a praça.
Assim que me aproximei escutei gritos meio abafados.
- Amy!! – gritei.
Quando direcionei meu olhar para o lago foi apenas a tempo de ver que Amy deixar-se levar para o fundo da lagoa.
Corri em sua direção e joguei-me na lagoa com tudo. Estava noite e a água gelada, mas não me importava nada disso. Queria apenas que Amy estivesse viva.
Mergulhei fundo e nadei ate Amy. Assim que a tive em meus braço puxei-a para fora dali.
Deitei-a no chão seco, mas ela não respirava. Fiz respiração boca-a-boca e, aos poucos, ela voltou a respirar. Mas eu ainda sentia em meu peito que ela estava em perigo. Algo ruim vai acontecer.
- Amy! – disse vendo-a abrir os olhos.
Amy:
- Jin – sussurrei vendo-o sorrir.
- Graças a deus que você esta bem – disse ele me abraçando forte. – Não sei o que faria da minha vida se você morresse.
- E-Eu pensei q-que v-v-você.... – ele apenas negou com a cabeça.
- Eu te amo Amy, sempre vou amar – confidenciou-o.
- M-Mas e a c-carta? – perguntei em um sussurro.
- Não era eu, juro – falou ele me olhando nos olhos.
Sorri fraco enquanto sentia o frio apoderar-se de meu corpo. Acariciei seu rosto de leve.
- Você esta fria de mais – disse ele colocando sua mão sobre a minha.
- Eu sei – sussurrei acomodando-me em seu colo e fechando os olhos.
- Amy, Amy, Amy... – escutei-o dizer meu nome desesperadamente enquanto a escuridão e o frio tomavam conta de mim.
Eu sentia meu corpo tremer. Sentia o frio dominar mais meu corpo a cada instante. Horas poderiam ter se passado sem que eu percebesse.
Escutei varias vozes ao meu redor. Não consegui reconhecer nenhuma.
- O que esta acontecendo? – perguntei em um fio de voz.
Sem resposta.
Minha cabeça doía, meu corpo doía.
A escuridão tomou conta da minha visão. Por um breve momento eu pensei que havia morrido e que daqui a pouco um anjo com asas macias como nuvem iria aparecer de um clarão na escuridão e me levar pro céu. Foi então que lembrei-me de meus pecados, minhas mentiras. Provavelmente um demônio vira e eu irei pro inferno.
Mas nenhum dos dois veio. E a escuridão permaneceu. Fria e solitária.
Muito tempo passou-se. Pensei serem ate mesmo anos. Foi então que consegui abrir os olhos, mas ainda sim sentia o frio em meu corpo.
- Sinto muito rapaz... – disse alguém.
Lentamente abri os olhos e vi dois vultos a minha frente.
- Q-Quem s-são vo-vocês? – perguntei quase sem voz.
- Amy! – falou alguém. Essa voz eu reconheceria em qualquer lugar.
- J-Jin? – perguntei para realmente ter certeza.
- Sim, sou eu – escutei-o falar e logo senti-o apertar minha mão. – Sente-se melhor?
- E-Eu ainda e-estou com frio – sussurrei encolhendo-me um pouco. – Porque estou com tanto frio?
- Você esta com hipotermia – falou um homem de jaleco branco se aproximando de mim. – Sinto informar, mas você não sobrevivera por mais que hoje.
Senti lagrimas escorrer por meu rosto e o aperto em minha mão ficar mais forte. Virei o rosto e vi pela janela envidraçada que nevava do lado de fora.
- S-Se vou m-morrer m-mesmo quero, p-pelo menos, ver u-uma ultim-ma vez a n-neve caindo – disse virando-me para Jin.
Ele fechou os olhos e vi que lagrimas escorreram por seu rosto.
- Por favor – pedi.
- Esta bem – disse ele enrolando-me no cobertor e me levando para fora do quarto nos braços.
Fomos para o pátio do hospital. Haviam vários bancos nele e um cerejeira que recentemente perdeu suas flores.
Ele sentou-se em um banco próximo da arvore e colocou-me em seu colo. Ele esta tão quente.
- Eu te amo – sussurrou ele aproximando nossos lábios.
Nosso beijo foi tão calma e perfeito quanto cada pequeno floco de neve que caia.
- Eu te amo – sussurrei de volta encolhendo-me em seu colo e apoiando a cabeça em seu peito já fechando os olhos.
- Esse é o momento mais feliz da minha vida – sussurrei sentindo-o me abraçar forte. – E-eu so queria que ele pudesse durar m-mais – falei com lagrimas nos olhos.
Senti as lagrimas dele pingar em meu rosto enquanto me abraçava cada vez mais forte.
- Eu te amo – sussurrei sentindo o frio me dominar cada vez mais e novamente a escuridão apoderar-se de mim.
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