Minha Querida Jane
1 Charles
Notas iniciais
Acharam que eu deixaria vocês sem Jane e Charles? De jeito nenhum!
Mas terão de me perdoar se ficar estranho, nunca pensei em escrever sobre os dois! rs.
ATENÇÃO! Acho que o relacionamento deles é MUITO mais tenso que o de Darcy e Lizzie e levarei minha crença a sério!
Aproveitem! ♥
Annie F.
Os olhos de Charles doeram à luz do dia.
Levantou o tronco, esfregou os olhos, atordoado, confuso, sem se lembrar muito bem de onde estava.
Os lindos olhos de Jane pairaram em sua cabeça e ele subitamente recordou. Ah, estivera com ela!
Ao tatear os lençóis ao lado, nenhuma surpresa: vazios.
– Por que sempre se vai antes do amanhecer?
Mas ele sabia por que e justamente por isso fingia não lembrar. Era doloroso demais, incompreensível em muitos momentos.
Colocou um short e foi até a cozinha preparar um lanche.
Cortou algumas fatias de frutas, separou um pão e geleia. Encheu um copo com leite e, ao jogar a caixinha no lixo, percebeu as bitucas de cigarro.
– Ah, Jane, sempre fumando.
Era um hábito que o horrorizava. O que fazer, porém? Estivera à mercê dela todos estes anos, dançando entre idas e vindas, tentando ganhar seu perdão, mas nunca conseguira. Como iria exigir que Jane parasse de fumar?
Suspirando, comeu uma fatia do pão e olhou para longe, o pensamento tão distante quanto ele. Amava Jane com todas as suas forças e sabia que ela também deveria amá-lo, do contrário não ficariam juntos uma única vez.
Jane, porém, nunca mencionara qualquer sentimento. O que sempre a trazia até seu apartamento era sexo, e aquilo não era suficiente para mantê-la ali até a manhã seguinte.
Charles guardava um anel que comprara há dois anos, um impulso corroendo seu peito. Depois de tanto tempo de conhecimento e de entendimento, não havia dúvidas de que ela era a mulher de sua vida. Se pudesse ao menos perdoá-lo...
Suspirando, parou de pensar nestes assuntos e foi se trocar. Havia muito no que trabalhar naquele dia.
_____
Mais tarde, naquela noite.
– Jane — suspirava Bingley enquanto a beijava. — Eu a am...
– Não diga, sinta. — E colocou um dedo em seus lábios.
Charles a soltou.
– Eu... Eu não aguento mais. — Sentou-se na cama e colocou a mão no rosto.
As feições dela eram inescrutáveis.
– Não aguenta mais? Este sempre foi o combinado, nunca lhe dei outras esperanças.
– Exatamente! — E bateu as mãos no lençol, uma impaciência frustrante crescendo em seu ser. — Não sei mais o que fazer. Concordei com este arranjo porque a... tenho sentimentos por você, porque quero conseguir seu perdão, mas simplesmente não consigo. Não chego nem perto!
Jane cruzou os braços e se postou na frente dele.
– E o que quer, Charles?
O rapaz levantou os olhos tristes.
– Nada mais. — Beijou-lhe as mãos. — Não quero tê-la pela metade, Jane. Isto está acabado.
A moça certamente ficou surpresa. Acostumada às passarelas, disfarçou do melhor jeito que pôde, ajeitou suas roupas e foi embora.
O coração de Charles estava partido, mas ele não voltaria atrás.
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