Minha Querida Caridade

1 Minha Caridade - Único


Notas iniciais
Espero que gostem da história! Foi feito com muito cuidado e me fez shippar esse casal impossível! Espero que curtam... De verdade!Boa Leitura!

― Avada Kedavra!

Snape respirou fundo. Precisava manter o controle, aquilo era essencial naquele momento. Aquela era apenas mais uma consequência de seus atos, e dos atos do odiado bruxo, que naquele momento se encontrava ao seu lado. Mas era um sentimento forte. Era quase impossível não olhar para o corpo vazio que jazia a sua frente.

“Ele a matou por minha causa” Snape pensou. “Não! Ninguém sabia! É impossível!”

Mas o Lord das Trevas sabia. Nada passava despercebido por ele. E Severo sabia aquela era a forma perfeita de amedrontar e testar sua lealdade. Mas do que adiantava tudo aquilo? Seu segundo grande amor estava morto. Suas esperanças, alegrias e satisfações ruíam a cada minuto. Mas se deixar levar pelas emoções não era algo que ele faria.

― Severo, tem certeza que é seguro? ― Caridade perguntou trêmula, embora continuasse agarrada ao braço do amante. ― Ele pode nos descobrir.

― E o que ele poderá fazer? ― o homem perguntou. ― Enquanto estivermos juntos nada poderá nos atingir. Nosso amor será nosso escudo e nossa força será nossa arma.

Caridade sorriu.

Aquilo era bom. Snape confiava nela, ele a amava. Não tanto quanto amou Lily, mas um amor forte o bastante para que pudessem enfrentar o inimigo desafiador que estava por vir. Aquele sentimento era inesperado. Nunca se poderia imaginar que algo daquele tipo havia realmente acontecido. Aqueles dois haviam se amado de uma maneira linda e inesperada.

Eram lembranças daquele dia que Snape queria guardar consigo. Ele queria lembrar-se da maravilhosa sensação de ver o lindo sorriso de Caridade. Sua Caridade. Aquela pequena frase lhe fazia tão bem. Eles haviam tido um sonho, um planejamento para toda a vida. Iriam viver juntos após o término da guerra. Severo estava determinado em ter um recomeço. Esquecer Lily e viver sua vida ao lado de Caridade.

Mas sonhos e planos podem ser destruídos. Eram como papéis consumidos pelo fogo. Não restavam mais nada, apenas cinzas, restos mortais do que um dia havia sido algo vivo. Snape queria ser água, apenas para apagar o fogo que consumia tudo em seu caminho. Mas aquela não era sua função.

Praguejava mentalmente contra todos os presentes. Todos eram culpados. Riam de sua Caridade. Ela apenas tinha uma ideia. Ideia que no início lhe pareceu um pouco ridícula, mas aos poucos, enquanto se aproximava daquela linda mulher, Snape percebeu que bruxos e trouxas podiam se amar.

Aos poucos ele percebeu quem realmente era Lord Voldemort.

Um menino que queria atenção. Uma pessoa tomada pelas trevas, pelo ódio formado pela solidão. Não era ódio que Severo sentia dele. Era pena. Aquele homem não havia tido a chance de amar, não tinha tido a chance de ser amado. Pessoas como ele mereciam sua pena. Caridade tinha razão. O ódio e a solidão tornavam as pessoas vulneráveis às trevas.

Para Snape não havia mais motivos para viver. Queria se ver longe daquele mundo. Estar em algum lugar perto de sua queria Caridade. Mas ela havia ido para o céu, enquanto ele provavelmente iria para o inferno. Havia feito coisas terríveis, não acreditava que Deus seria clemente o bastante para mandá-lo ao céu.

Mas nem ao menos sabia se acreditava de verdade em Deus. Deveria? O quão bom ele havia sido? Levar seus dois amores não lhe parecia uma bela demonstração de amor. Mas realmente não sabia em quem confiar. No homem que havia matado, no homem que havia matado seus amores, ou, nos homens que viviam da ignorância.

***

Mais tarde daquele mesmo dia, quando todos já haviam deixado a sala e a cobra Nagini já havia jantado, Snape se aproximou do corpo mutilado de Caridade Burbage. Toda sua beleza havia sido retirada, todo o seu encanto havia desaparecido. Havia apenas um corpo feminino sem vida, sem cor.

Severo lembrou-se do primeiro beijo entre os dois.

Era uma noite de natal. A neve caia sobre o castelo e seus jardins, deixando-os encantadores. Snape e Caridade já haviam trocado olhares furtivos em outras ocasiões, mas aquela era uma ocasião importante. Severo havia convidado-a à sua sala. Estava decidido que aquela mulher seria sua.

E assim foi. Snape se declarou e a beijou. Um beijo quente e urgente. Vários sentimentos misturados em um único momento. E em poucos minutos eles se juntaram em um só ser. Um desejando cada vez mais o outro, não havia obstáculos, não havia mundo. Havia apenas dois amantes.

E enquanto Severo se lembrava disto, uma pequena lágrima solitária escorreu de seus olhos. Aqueles homens de preto estavam errados. Amar era algo bom, fortificava a alma, dada luz as trevas. Curava doenças e acalmava o coração.

Amar não o tornava fraco. Amar o fazia invencível.

Notas finais
E ai? Gostaram? Mereço comentários? Eu adorei escrever e espero que tenham gostado de ler... Em breve eu vou postar uma história Finnick/Anne!^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!