Minha Poesia
6 Capítulo 3
Notas iniciais
Riko correu pelo restaurante-cobertura até a sacada, se apoiando e respirando fundo. Não era possível. Ela havia sofrido todos aqueles anos porque sabia que não era possível. Um real sorriso ameaçava se forçar em meio a lágrimas enquanto a voz de Mika chamava sua atenção
–Riko! Eu sinto muito... Eu não sabia! Mesmo!
–Você também viu...?
–Sim... Eu juro que não sabia! – Mika soava sincera, porém não tão incrédula. – Eu não sei como acabaram as coisas entre vocês dois, mas eu juro que não teria te trazido aqui se soubesse que era o Night! Acho que o mundo é mesmo pequeno...
Riko já não queria mais saber das palavras de Mika. Ela havia visto a mesma coisa. Night. Vivo, respirando, andando por aí como um solteiro comum numa noite comum. Nada daquilo fazia sentido. Ela e Night não haviam terminado, ela o havia visto morrer. Não havia como ele estar vivo
–Mika-chan. O Gaku disse que é o seu favorito. Melhor ir antes que esfrie...
–Você!... – Mika respirou fundo – Acho que vocês precisam conversar. – Mika abaixou a cabeça e andou timidamente de volta a mesa
–Eu apostei com o Gaku que isso não daria certo.
–Ele sumiu... – Riko tinha um tom de completa falta de apoio – Dois meses depois que você desligou, o Gaku sumiu. Como se nunca tivesse existido... Só deixou o cartão da Kronos Heaven pra trás. Ele levou até os nossos anéis...
–Sim, ele achou que fossem ajudar...
–Quando? – A voz de Riko começava a ter consistência – Quando...?
–Há alguns meses. Eles quiseram fazer alguns testes mas... – Riko atingiu Night com um forte tapa – Mas eu voltei assim que eu consegui...
Tinha de ser um sonho. Mas era elaborado demais. Ela havia sonhado mil vezes com aquele momento e nenhuma delas havia doído tanto. Qualquer coisa que saísse da boca de Night demoraria muito para fazer sentido. Ela fez, então, a única coisa que faria sentido, e o beijou com volúpia.
Após alguns segundos de silêncio, Riko voltou a chorar. Mais do que antes. Não havia mais qualquer dúvida de que aquele era Night. A garota tropeçou para fora do restaurante aos poucos, chegando ao elevador, respirando fundo, se segurando nas paredes, e pulando na frente do primeiro táxi que viu.
Após quase ser atropelada, Riko entrou no veículo rosado e balbuciou o endereço de Soshi algumas vezes.
Soshi cozinhava calmamente, ouvindo o som delicado de um Vivaldi enquanto o vento soprava pela janela aberta. Tentava esquecer do que tinha feito. Tentava se convencer de que havia sido a coisa certa. Virou mais uma dose de gim entre um passo e outro da sua receita de pesto. A campainha irrompeu destruindo o equilíbrio de sua noite. Ele amaldiçoou o acaso por trazer um visitante, e amaldiçoou a vida ao abrir a porta.
–Não, Riko.
–Sai pra lá, Soshi. Eu preciso de uma bebida. – a garota o empurrou com força.
–O que você está fazendo aqui? – Soshi soava impaciente e contrariado – nós precisamos nos afastar por um tempo. Eu não posso te ver, é difícil. Você...
–Eu vi o Night. – Se fez um silêncio mortal. Quase um minuto. – Eu vi, eu falei, eu beijei. Se eu não estiver completamente enlouquecida... Ele voltou, Soshi...
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