Algum dia você me chamou de maluco

Sem noção, sem perspectiva, sem futuro

Quando andava ali, encima do muro

Querendo ser, para sempre, um maluco

Naquele dia, você me negou a tudo

Enquanto, como eu, ainda olhava

As vozes, os medos, o mundo e o fundo

E todo aquele mundo desejava

Algum dia, declarei que sou um maluco

Me soltei de você e caí no mundo

Conheci as vozes, medos, fundo de tudo

Você continuou alienado, mudo

Desejando ter ali algo do mundo

E eu lhe pergunto, quem hoje é maluco?