Minha Perdição
24 Gerações
Pov. Astória
Voltamos para a sala de jantar que estava um completo silêncio que apenas era estragado pelo som dos talheres. Olhei para cada um daquela mesa a fim de decifrar suas expressões, porém não estava com cabeça para adivinhar aquilo que estava impossível, naquele momento minha única vontade era ir para meu apartamento, enfiar a cabeça embaixo dos travesseiros e não sair de lá pelos próximos meses.
Narcisa estava se acomodando em seu lugar de antes enquanto eu ainda continuava em pé pronta para sair correndo dali. Sentia o olhar de Draco queimar em mim, mas não dei brecha para ele falar algo por isso evitei seu olhar.
— Gostaria de agradecer pelo jantar mais já vou embora acho que já deu por hoje – disse sarcástica e destilando um veneno sonserino
— Se quiser voltar para nossa casa querida – minha mãe disse esperançosa – Já basta de ficar naquele apartamento Asty, sei que temos nossas diferenças mais sentimos saudades, eu sinto falta da minha outra menina.
— Espero que esteja sendo sincera porque se for só para que eu aceite toda essa loucura – disse elevando o tom de voz já sentindo minha cabeça latejar.
Minha mãe se aproximou de mim pegando em minhas mãos, pediu licença aos presentes e me levou até a sala como quando era criança e me comportava mal, sinceramente eu já estava farta de tantas conversas inúteis. Sentamos no sofá uma ao lado da outra, sinceramente eu já não tinha cabeça para discussões e se era isso que minha mãe procurava ela ia achar.
— Sei que nunca fui a mãe que você esperava mais isso não significa que meu amor por você seja menor do que o pela sua irmã – disse mamãe com a cabeça baixa – Eu só queria e quero que sejam felizes, que nunca se preocupem com nada e que tenham tranquilidade.
— E o amor onde fica nisso tudo, o companheirismo, a lealdade parece que essas coisas não são tão importantes para você né – disse cuspindo toda minha frustração – Eu não aceito isso, essa vida vazia que não sentimos nada, que só serve para mostrar aos demais o quanto temos e o quanto somos.
— Tudo isso você vai encontrar no homem que se casar, na casa a onde viveram, nos filhos que terão isso é consequência de se casar com inteligência visando o que ele pode te proporcionar – minha mãe respondeu tentando me dissuadir – Somos diferentes Astória e isso eu já percebi a muito tempo mais ainda que eu pareça a malvada da história muitas vezes a única coisa que eu sempre quis para vocês duas é que fossem felizes como eu fui e sou. Entende?
— Não sabia que era feliz – disse surpresa por ter ouvido algo assim da minha mãe.
— Não entendo seu tom de surpresa é claro eu sou feliz, eu amo seu pai, amo Dafne e você – disse quase ofendida – É obvio que nossa situação não está as mil maravilhas mais somos uma família e vamos passar por tudo isso juntos e de cabeça erguida.
Meus olhos se encheram de água quando por fim depois de anos constatei aquilo que estava bem diante dos meus olhos e apenas se camuflava com as brigas, cobranças, broncas e egoísmo, do jeito torto da minha mãe ela sempre e unicamente quis que fossemos felizes, que ninguém em qualquer circunstância nos depreciasse por nossas condições financeiras ou por nossas atitudes, que sempre estivéssemos a cima de qualquer um porque sempre poderíamos ter uns aos outros. Joguei-me nos braços da minha mãe e despejei tudo aquilo eu estava guardado dentro de mim desde que toda essa história começou, acho que entendi a frase de Narcisa dizendo que somos as mães que podemos ser. Senti minha mãe passando os braços a minha volta e alisando meus cabelos em um cafuné gostoso estava sentindo o sono chegando como um alívio quando sinto um peso se jogar em cima de mim.
— Dafne minha filha tome cuidado, você está grávida e pode quebrar sua irmã – disse meu pai sentando-se no braço do sofá – Espero eu esteja tudo bem agora mocinhas.
— Está sim papai fique tranquilo, só pelo fato da Dafne provavelmente ter quebrado algumas costelas minhas – disse me desprendendo do abraço e puxando Daf e papai junto.
— Espero que não esteja me chamando de gorda Asty porque eu estou carregando seu sobrinho/afilhado e é ele que me deixa mais pesada – disse resmungando – Aliás, se estavam em um abraço coletivo porque não nos chamaram assim ficaremos com ciúmes, né papai?
— Não é para tanto querida, agora estamos completos – disse papai apertando nossas bochechas – Vai voltar para casa conosco não vai Asty?
— Hoje ainda vou para o apartamento só para me despedir e amanhã já volto para casa – disse sorrindo – Quero que saibam que eu amo vocês demais e que nossas diferenças é o que nos une. Aiiiiiii Daf não acredito que vou ser madrinha do meu sobrinho estou tão contento por isso.
Rimos demais do meu ataque de euforia mais não nos desgrudamos por nada afinal família é isso um grupo de pessoas diferentes que encontram no amor mútuo uma forma de se unirem.
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