Minha Nova Razão
3 Brian.
– E então?
– O quê ? — respondi à Matt, já terminando de comer o meu quarto pão de queijo.
– O que achou do Brian ?
– Eu só troquei duas ou três palavras com ele Matt, nem reparei nele direito. — Isso era a mais devastadora mentira. Ok, eu confesso que ainda nem conheço o menino, mas só de olhá-lo já me senti assim... estranha. E ainda, curiosa.
– Bom, é verdade, mas creio que vá conhecê-lo ainda mais. Parece que ele vai ficar andando com a gente. E, pelo que eu conversei com ele, ele é um cara bem legal. Acredita que ele gosta das mesmas bandas que a gente ? — Matt disse com uma empolgação tão grande que eu ri. Ele sempre gostou de fazer novos amigos.
– Você não existe, Sanders! — disse em meio a risadas.
– Claro que existo Ferris, e te paguei quatro pães de queijo. Que tal a gente ir agora, antes que eu morra na sarjeta com apenas dezesseis anos ?
– Poxa, que namorado mão de vaca eu tenho, hein ? — disse à ele já me levantando, indo em direção ao pátio.
Ele veio atrás de mim, me deu uma piscadinha maliciosa e começou a correr. Eu entendi o recado, comecei a correr atrás dele, mas poxa, eu tinha acabado de comer quatro pães de queijo enormes. Ele soltou um \'\'Você é muito lenta, Ferris\'\', e então parou ao lado de nossos amigos. Eu estava ofegante, e quando cheguei, disse :
– Poxa Matt, eu tinha acabado de comer né!
– Larga de ser mole, vai! — ele disse rindo, fazendo todos os demais rirem também. Até Brian. Realmente, ele tem um sorriso lindo.
– Tudo bem, tudo bem, podem rir. Eu vou me vingar, tá ?
– Você nunca se cansa de ser rancorosa, né priminha ? — Ouvi a voz única de Jimmy atrás de mim.
– Aprendi com você, Sullivan. — Me virei para ele, que sorriu.
– Muito engraçada você, Ferris. — E então ele notou a presença de Brian ali. — Poxa, desculpa aí cara, só agora te vi. Meu nome é Jimmy, você é novo aqui, né ? — Ele disse, estendendo a mão para Brian. Meu primo era uma pessoa muito comunicativa. E, às vezes, educado.
– Não, tudo bem cara. — Brian respondeu, cumprimentando meu primo. — Prazer, meu nome é Brian, sou novo sim.
– O Matt está encarregado de ser o guia do Brian, sabia Jimmy ? — Zacky olhou para Jimmy e começou a rir.
– O quê ? Matthew Charles Sanders, o engraçadinho da turma, vai andar com Brian pra cima e pra baixo nessa escola de loucos ? Puxa, sinto te dizer meu amigo, – ele se virou para Brian — mas você está perdido.
Era incrível a capacidade do meu primo de colocar um sorriso em meu rosto. Não só no meu, mas de todos ali. Fitei Brian por alguns instantes, o vendo dar aquela risada alta e calorosa. E ficamos todos ali, conversando. Na verdade, eles estavam conversando, pois eu não prestei atenção em uma palavra do que meus amigos diziam. Eu estava tendo aquela sensação. De novo. Mas, desta vez, era diferente. Era como se a chegada de Brian mudasse alguma coisa em minha vida. Ele é só um aluno novo, e provavelmente seria amigo de todos ali. Não é nenhum bicho de sete cabeças, certo ? Antes que pudesse concluir meus pensamentos, o sinal soou alto nos dizendo que o atraso de meia hora para entrarmos na escola havia chegado ao fim. Nos direcionamos para a sala de aula, e percebi que Matt já estava mostrando alguns lugares da escola para Brian. Bom, a próxima aula era Português, minha matéria favorita. Acho que pelo menos agora, posso ser normal por cinquenta minutos.
- Anda, fala. — Valary disse, se virando para trás e não me deixando terminar o dever.
– Falar o quê ? — Perguntei, sem muita emoção.
– O que foi aquilo com o Brian na hora da entrada, Rachel ? E, antes que você se faça de sonsa, – ela deu um sorriso — eu sou sua melhor amiga e você não consegue mentir pra mim.
Droga, era verdade. Então ela havia percebido.
– Pra falar a verdade, eu não sei... — fui sincera, e então dei um suspiro.
– Bom, o que eu sei, — ela olhou para trás pra ver se os meninos estavam realmente concentrados nos deveres que o professor passou na lousa, e então abaixou o tom de voz. — é que você não parava de olhá-lo. Principalmente, quando ele sorria.
Naquele momento, odiei o fato de minha melhor amiga me conhecer tão bem. Abaixei a cabeça, tentando dar uma explicação para isso, mas não conseguia encontrá-la. Eu realmente estava olhando para Brian. Eu realmente queria saber o por quê de me sentir assim. Eu realmente queria saber quem era aquele aluno novo.
– Olha Valary, já disse que não sei, não tem explicação... — não terminei de falar, pois o Professor Green andou até a minha mesa e me olhou feio. Val virou-se pra frente, e ele voltou-se para sua mesa. Tentei me concentrar nos deveres, em vão. Várias coisas ainda ecoavam pela minha cabeça, e parecia que eu ia explodir. O sinal então tocou, e nos dirigimos a próxima sala.
As aulas restantes passaram-se como se fossem um furacão, por isso, não demorou muito para chegar o intervalo. Eu estava descendo as escadas, com Valary e Michelle ao meu lado. Michelle, como sempre, falava de Zacky com um brilho nos olhos. Nos sentamos no banco perto do campus, (na verdade, nós sempre nos sentamos ali) e poucos minutos depois avistei os meninos vindo em nossa direção.
– Olá, minhas babys. — Johnny chegou todo sorridente, e sentou-se de frente para nós. Depois sentaram-se Matt ao meu lado, Jimmy e Zacky do lado direito de Johnny e Brian do lado esquerdo, respectivamente.
– Hum, qual o motivo desse sorriso, Johnny ? — Michelle perguntou, num tom de provocação.
– Vocês ainda não souberam ? — Zacky nos perguntou, e balançamos a cabeça negativamente.
– Ele tá caidinho pela Lacey Franklin, do 2ºB – Jimmy respondeu, fazendo o rosto de Johnny corar.
– Johnny, você sabe de quem a Lacey é amiga, não é ? — Valary disse, e, se ela não tivesse dito, eu não teria me lembrado. Preferia não ter lembrado, na verdade.
– Ora, a Lacey não é igual à Melissa Bianchi, não mesmo.
– E quem é Melissa Bianchi ? — Brian perguntou num tom baixo.
– Ela é uma vadia. — Val respondeu.
– Na verdade, – Matt complementou – ela é mais uma daquelas meninas riquinhas, que se acham melhor do que os outros. Metidas, oferecidas, e por aí vai.
– Ou seja, uma vadia. — Val sorriu e me fez rir.
– Rach, você não ia passar na biblioteca pra pegar aqueles livros pro trabalho de Literatura ? — Michelle me perguntou.
– Aé, verdade! Já volto, gente. — Eu disse me levantando, mas Matt me puxou e me deu um selinho. Não sei bem o por quê, (já estou ficando cansada de ter sensações e nunca ter um porquê para elas) mas me senti estranha fazendo isso na frente de Brian.
Nós tínhamos um horário para ir na biblioteca da escola, e ele já estava se esgotando. Barganhei um pouco a bibliotecária, uma senhora que aparentava ter uns setenta anos, e ela me deixou entrar, desde que fosse rápido. Dez minutos depois estava saindo de lá, com os sete livros que precisaríamos para o trabalho. Na verdade, eu estava checando para ver se havia pego todos eles, e por isso não prestava atenção no caminho que percorria. Só senti que esbarrei em alguém, e todos os livros foram ao chão. Achei ridícula aquela cena de filme, e a pessoa em que eu esbarrei só faltava ser um garoto lindo que ia me ajudar a pegar os livros. E era.
– Desculpa Rachel, eu estava te procurando na verdade, mas sabe como é... — Brian disse, preocupado.
– Não, tudo bem. — Respondi sem graça e me abaixei pra pegar os livros.
Senti minhas bochechas corarem ao ver ele me ajudando e me entregando os livros restantes. Ele sorriu, e como se fosse automático, sorri de volta. Ficamos intermináveis segundos assim, quando me toquei o que estava fazendo, e me levantei. Ele fez o mesmo, e então perguntei :
– Você disse que estava me procurando... Pra quê ?
– Ah, sim. Eu tenho que entregar este papel para a coordenadora, mas não faço idéia de onde seja a sala dela. — Ele riu. — Matt me disse pra eu seguir as escadas e encontrar com você no corredor para me ajudar, mas, acho que acabei te atrapalhando. Desculpe.
– Foi um acidente Brian, não se preocupe. — Eu sorri para ele, que olhava diretamente em meus olhos. — Se você me ajudar com esses livros, posso te levar à sala da coordenadora sem problemas.
– É pra já! — Ele disse, pegando a maioria dos livros que estavam em minhas mãos e me seguindo até à sala da coordenadora.
Seguimos o caminho em silêncio, não havia muito o que dizer, na verdade. Quando chegamos, ele entregou o papel à coordenadora e voltamos ao campus, ainda em silêncio.
– Bom, obrigado pela ajuda, Rach. — Ele sorriu, me entregando os livros.
– Não há de quê, Brian. — Sorri de volta e fomos andando em direção aos nossos amigos.
O resto do dia passou voando. Cheguei em casa e me dirigi a única coisa que conseguia tirar toda aquela tensão que eu tinha : meu piano.
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