Minha Nada Mole Vida
25 Capítulo 22 - Parte 2
Notas iniciais
POV Edward
É incrível como que um fato, uma atitude impensada pode acabar com a vida de uma pessoa. Isso aconteceu comigo e há exatos três meses eu parei de viver, sabe por quê?
Porque eu fui um burro! Um ignorante!
Porque eu não fui homem o suficiente para acreditar na minha mulher!
Hoje eu vejo quão absurda e imatura foi a minha atitude naquela noite, afinal, eu sempre soube do passado de Isabella, assim como ela sempre soube do meu, antes de nos conhecermos nenhum de nós dois éramos santos. Eu tinha essa consciência e ela também, mas a minha razão foi embora quando eu me descobri amigo de um menino que já tinha beijado a mesma boca que me pertence, há quatro anos, amigo esse que ainda desejava a minha mulher.
Eu sei que parece hipocrisia falar desse jeito, até porque eu convivo com meu irmão e ele também já tinha ficado com Isabella, mas a sensação era diferente, pois Emmett sabe da nossa história, sabe o que passamos e eu sei que ele jamais faria nada pra tirar Isabella de mim, porque ele quer minha felicidade e porque agora ele tinha sua família e estava muito feliz com seu novo estilo de vida. Mas o ciúme que eu sentia de Joseph era enorme e ele parecia não se importar comigo, pois sempre que nos encontrávamos e Isabella estava comigo, o infeliz ficava a encarando, a olhando com desejo, até hoje não sei se ela não percebia ou fingia que não via para não me deixar irritado e essa atitude dela me deixava feliz, pois ela me provava que eu era único para ela, fora isso, olhar não arranca pedaço, ele quer olhar, olhe! Mas quem come depois sou eu.
O problema de verdade era quando eu me encontrava sozinho com os meninos, seja em uma festa, barzinho, faculdade ou até mesmo no nosso futebol de sábado, pode parecer loucura, coisa da minha cabeça, espírito de perseguição sei lá, mas sempre que eu não estava perto e avistava de longe uma rodinha com os moleques conversando, quando eu me aproximava qual era o assunto? Isabella e eu!
Na minha cabeça eu imaginava que estava rolando um complô, um motim, sei lá, e isso me atordoou, mexeu com a minha cabeça, me abalou e consequentemente abalou o meu relacionamento, pois eu me tornei mais possessivo e ciumento do que já era. Por causa disso, passamos a brigar por tudo, ora era porque a sua roupa era curta ou sua roupa era justa ou porque ela sorriu para um amigo, até mesmo com o jeito dela se sentar quando estava de vestido eu implicava. Ridículo eu sei, somente hoje eu vejo que me tornei uma pessoa insuportável e mesmo assim, ela continuou comigo, firme e forte porque ela me amava e eu nunca irei me esquecer do dia em que ela disse isso pela primeira vez, foi quando tínhamos dois anos de namoro, estávamos na Flórida para a comemoração de quatro de julho e mesmo que eu ainda não tivesse ouvido um “eu te amo” vindo da boca de Isabella, eu sentia que seu “trauma” estava sendo superado aos poucos, pois ela já estava mais aberta comigo e demonstrava em atitudes o seu sentimento, mas aquela manhã tudo foi diferente.
Flashback on
Sabe quando você está dormindo e sente que tem uma pessoa te olhando?
Era exatamente isso que acontecia comigo agora, mas a preguiça de abrir os olhos era demais, pois eu estava acabado, afinal no dia anterior nós tínhamos saído para dançar e depois finalizamos a noite nos amando loucamente até pegarmos no sono quase ao amanhecer.
Quando me ajeitei para voltar a dormir eu comecei a sentir algo acariciando meus cabelos e imediatamente já sabia a resposta: Isabella.
A sensação dos dedos dela em mim estava tão gostosa que resolvi continuar a fingir que dormia, mas não consegui fazer isso por muito tempo, pois precisava olhar em seus olhos e quando o fiz ela tinha em seu rosto um lindo sorriso destinado a mim.
— Bom dia! – falei rindo também e lhe acariciando o rosto.
— Bom dia, Ed! – falou ela ainda me encarando.
— O que foi? – estava confuso.
— Nada! – disse ela desdenhando – eu estava só te admirando – depois de um tempo ela voltou a falar – eu estive pensando em várias coisas e eu queria te contar uma descoberta que eu fiz – disse ela olhando dentro de meus olhos de uma forma tão intensa, que pode parecer boiolice, mas me deixou emocionado e preocupado ao mesmo tempo, afinal, nunca soube o que se passa pela bomba relógio que é a cabeça dela.
— Fala! – falei tentando mostrar confiança.
— Eu penso em você o tempo todo, eu quero ficar com você o máximo de tempo que eu consigo, eu sonho com você direto, os melhores momentos que eu vivi até hoje você estava comigo, eu nunca senti por ninguém o que eu sinto por você – depois de uma pausa pra respirar ela voltou a falar – eu demorei muito tempo pra entender o que era isso que eu estava sentindo e hoje eu posso te dizer que eu acho que é amor – finalizou ela me dando um selinho.
— Você acha que é amor? – perguntei feliz da vida.
— Não! – meu sorriso diminuiu – Eu tenho certeza! – disse ela pulando em cima de mim – Eu te amo Edward Anthony Cullen! Desculpa por demorar a dizer isso. – disse ela me beijando.
— Você não sabe o quanto eu esperei para ouvir isso! – disse feliz da vida me virando sobre ela e a fazendo minha de novo
Flashback off
Dois anos podem ter se passado, mas eu sei que Isabella continua a me amar, por causa das atitudes dela perante o meu comportamento recente em relação ao nosso namoro, se ela não me amasse para que me chamaria sempre para discutirmos a relação? E quando isso acontecia, eu provava para ela novamente o quão idiota eu era, pois eu odiava isso, assim como todos os homens e eu sabia que o problema não era ela, mas eu não tinha coragem de admitir mesmo quando me colocava contra a parede com aquele jeito petulante que ela tem e que me conquistou desde o inicio. Como eu diria pra minha mulher que eu estava com ciúmes de quem ela foi um dia? De quem ela teve um dia?
Não tinha como!
Apesar desses imprevistos conseguíamos levar nossa vida e uma coisa eu te garanto, sexo de reconciliação é o melhor sexo que existe.
Não vou mentir que não brigávamos, afinal, somos Edward Cullen e Isabella Swan, duas pessoas iguais, cabeças duras, ciumentos e de temperamento forte. Em minha opinião, uma briguinha aqui, outra ali, serve para apimentar a relação. Mas de qualquer forma isso não importa, o que importa é que estávamos cada vez mais unidos, com planos e metas traçados para nosso futuro juntos.
Lembro-me de pensar que há três meses a minha vida era perfeita, como sempre sonhei, tinha uma mulher que eu amava de verdade e era retribuído, tinha um emprego bom, um apartamento, um carro e estudava em uma boa faculdade. Minhas metas estavam realizadas, só precisava mantê-las e fazê-las prosperar, mas nem tudo é perfeito, eu sou humano, eu sei. Por isso erro como todos, mas não consigo me perdoar por ter acabado com aquele com meu futuro em uma única noite de insensatez.
Logo que chegamos à festa de Jasper eu percebi que o clima estava estranho, meus amigos estavam receosos e eu sabia que Isabella estava decidida a tirar Joseph de perto da vaca da Rosalie, sim eu a chamo de vaca, porque para mim, uma prima que praticamente se joga em cima do namorado da outra merece esse nome. O clima estava diferente e eu idiota me deixei levar, deixei o ciúmes prevalecer, hoje eu vejo o quão burro eu fui, porque nunca Isabella flertaria com outro cara, ainda mais na minha presença, mas tudo bem errei, errei feio e estou pagando um preço muito mais alto do que um dia eu iria imaginar.
Parece brincadeira, desculpa de bêbado, mentira, não sei, vocês podem pensar no que quiser, mas eu não me lembro do que aconteceu naquele dia fatídico, parece que não era meu corpo, que não era eu.
É possível uma pessoa simplesmente apagar de sua mente a maior cagada que ela fez na vida?
Eu não acreditava nisso, assim como minha família também não, por isso, num puro ato de desespero resolvi ir pedir ajuda a um profissional, pois em minha mente eu pensava que se eu soubesse o que tinha acontecido, eu poderia explicar para a Bella e ela me perdoaria, mas e a coragem para expor a um estranho o pior momento da minha vida?
Quando completei um mês de sofrimento, resolvi me reerguer e lutar para ter minha mulher de volta.
FLASHBACK ON
Fazia uns dez minutos que eu estava deitado no divã da doutora Jones e não tinha coragem de relatar o porquê eu estava lá, pois até hoje eu não tinha aprendido a lidar com a vergonha dos meus atos e não me conformava do fato de não saber o porquê eu fiz isso.
— Senhor Cullen, se você não falar nada vai ser difícil! – falou a doutora em um tom profissional – você não precisa ter vergonha, não estou aqui para lhe julgar e sim para lhe ajudar.
Depois disso fiquei mais encorajado e comecei a relatar a minha vida com Isabella para ela, de forma resumida, claro. Afinal passamos quatro anos juntos, até que chegou o momento da minha desgraça:
— No dia dessa festa as coisas estavam estranhas, eu tinha um pressentimento ruim, sentia um ar pesado, mas nunca imaginei que o problema era eu, que aquilo que eu sentia vinha de mim. Doutora, eu nunca pensei que eu seria capaz de acabar com o meu sonho, com a minha vida – nessa hora já não estava mais sentado no divã – você não sabe o quão difícil foi ouvir dela que ela não me queria mais, que eu não a fazia feliz. Essas palavras foram como se ela tivesse cravado uma faca em meu coração e o partido ao meio, mas sabe qual é o pior de tudo? – após ela negar com a cabeça voltei a falar – O pior de tudo é que eu sei que ela está certa, porque eu simplesmente fodi com tudo! – depois de um tempo voltei a falar sem graça – Desculpe pelo palavrão.
— Senhor Cullen, o que você acha que fez você agir de tal maneira?
— Não me lembro doutora – falei derrotado voltando a me sentar no divã – é como se tivessem me vendado, eu me lembro de uma gritaria, depois em me lembro de estar no banho e quando voltei para meu quarto estranhei não ver a Bella na minha cama, então fui procurá-la nos outros quartos e quando a achei, que a vi machucada, acuada, com medo... eu me senti o pior homem da face da terra... – não consegui disfarçar as lagrimas que se formaram em meu olho.
— Isso já tinha acontecido antes Senhor Cullen? – perguntou ela anotando em sua prancheta.
— NÃO! – quem essa mulher pensa que eu sou?
— Calma, só estou tentando entender tudo bem? – assenti lentamente com a cabeça – O senhor apresenta quadros de epilepsia? – neguei com a cabeça – teve um trauma grave na cabeça? – neguei novamente – Já teve delírios? Alucinações talvez? – neguei de novo, essa mulher está me assustando – Apresenta algum distúrbio de comportamento já diagnosticado?
— Não senhora, mas aonde a senhora quer chegar?
— Senhor Cullen, eu vou pedir para o senhor fazer uns exames para mim e eu gostaria que me trouxesse o quanto antes, ok? Eu quero que você faça uma tomografia e um eletroencefalograma, assim que você realizar os exames eu quero que marque novamente uma consulta e resolveremos isso, tudo bem?
— Eu estou doente? – perguntei assustado.
— Não acredito nisso, mas eu preciso ter certeza para confirmar meu diagnóstico.
— A senhora suspeita de algo?
— Sim! Além disso, eu recomendo que o Senhor não ingira mais nenhuma gota de álcool, pelo menos por enquanto pode ser?
— Claro, mas o que eu tenho?
— Pode ser que o Senhor tenha realmente algum problema neurológico ou o que o Senhor teve foi uma intoxicação alcoólica.
— O que é isso?
— A própria embriaguês.
FLASHBACK OFF
Não quis ser grosso, nem discutir nada, mas ir ao psicólogo só para descobrir que o que eu tive foi embriaguês é ridículo, porém por outro lado foi bom, pois eu descobri que essa história do blackout que eu tive é verdadeira, assim como isso justificou minha agressividade.
Uma coisa que eu aprendi nesses meus 21 anos de idade é que às vezes é preciso ser um homem de verdade e para isso devemos ignorar o nosso ego e admitir a derrota. É isso que eu fiz, eu errei e eu perdi, mas eu acreditava veemente que eu me reergueria, por isso que tomei essas atitudes, porque eu sabia que eu precisava corrigir tudo de errado na minha vida antes de ter a Bella de volta e o meu primeiro passo foi buscar entender o que aconteceu, depois dos exames que eu fiz foi diagnosticado que minha saúde mental é ótima e que realmente meu problema foi embriaguês, ou melhor, intoxicação alcoólica.
Mesmo depois do diagnóstico eu continuei com as seções, pois não tinha mais ninguém para conversar, todos viraram a cara pra mim, pois minha família virou a cara pra mim, inclusive Jasper e Emmett tentaram me bater quando descobriram o que eu fiz. Se acostumar com a Senhora Jones foi fácil e quando não tenho tempo de ir ao seu consultório ela vem até aqui no meu escritório para termos nossa seção.
O meu segundo passo foi sair de casa, pois lá estava um inferno pra mim, porque além do fato de estar sendo ignorado e tratado com estupidez, toda vez que eu entrava naquela casa eu me lembrava do acontecido, assim como me lembrava dos nossos momentos bons e isso vinha me matando aos poucos. Não sei ainda se essa minha decisão foi a mais sensata a se tomar, mas as pessoas precisam evoluir, mesmo sendo complicado e a minha evolução deveria se iniciar comigo saindo debaixo das asas da minha mãe, porque mesmo eu tendo minha faculdade e minha estabilidade financeira, minha mãe me tratava como um bebê e eu sei que isso afetou de certa forma no meu relacionamento com a Bella. Doutora Jones me apoiou nessa decisão então fui morar no apartamento que um dia seria meu e de Bella.
Ficar sozinho não estava sendo uma maravilha para mim, como eu imaginava que seria, pois eu não parava de pensar nela, às vezes eu pegava meu telefone e discava seu numero na esperança de ela me atender, mas isso nunca acontecia, porém eu podia escutar sua voz através da mensagem da caixa postal do celular. Sempre me segurei para não falar nada, pois não queria estragar o espaço que ela me pediu, mas quando fizemos dois meses de separação não aguentei e deixei um recado:
FLASHBACK ON
Eu estava literalmente acabado, proibido de beber, morando sozinho, trabalhando feito um louco, me tratando com um psicólogo e ainda depende de uma mulher que me deixou há exatos dois meses.
Com meu novo numero de celular, sim, eu tive que trocar meu numero, pois eu destruí meu celular na parede um dia desses, eu sei que poderia revindicar o mesmo numero, mas decidi trocar para me livrar da minha família, que agora que saí de casa resolveu ter crise de consciência e voltaram a me perseguir. Outro motivo para troca de numero, era porque eu tinha esperança de que Bella me atendesse por não conhecer o numero, o que não aconteceu, ainda.
Deitado na cama, disquei novamente o numero dela, chamou, chamou, chamou até que:
—Oi, er... – risadas podiam ser ouvidas no fundo – pára Edward!— sussurrou ela longe do telefone tentando disfarçar, até que voltou ao aparelho — Oi! Você ligou para a Bella, não posso atender agora, mas você já sabe o que fazer né? Beijos...— sim eu sabia o que fazer e eu finalmente decidi agir...
— Er... Oi Bella – falei com voz de choro, mas tentei disfarçar – você sabe que dia é hoje né? Pois é, dois meses que eu te perdi meu amor, eu me sinto perdido sabia? Porque para mim a única coisa que importava era você, eu errei, eu sei e estou pagando esse preço – parei de falar para respirar – Sabe; eu só queria que um dia tudo voltasse ao normal, queria abrir os meus olhos e ver que tudo isso não passou de um pesadelo e quando eu olhasse do meu lado na cama você estaria lá, linda como sempre – ofeguei – tudo bem, eu ainda acredito que ainda temos chances e eu vou lutar até o ultimo minuto para ter você comigo de novo. Eu te amo Bella, te amei no passado, te amo no presente e apesar de tudo continuarei a te amar no futuro. – depois disso, desliguei o telefone e peguei no sono após chorar tudo o que eu podia e não podia.
Quando o dia seguinte amanheceu eu notei que meu celular tinha uma ligação perdida de um numero restrito e junto com ela havia uma mensagem de voz, mensagem essa que me fez ir ao céu e ao inferno ao mesmo tempo:
— Edward...— sussurrou meu nome – Não importa quanto tempo passe, mas certas palavras e atitudes jamais serão esquecidas... – ao escutar isso não aguentei e sucumbi novamente as lagrimas – Só...— depois de um tempo ela voltou a falar e eu percebi que ela também chorava –Dê tempo ao tempo, as coisas estão difíceis, tudo mudou, eu mudei, minha vida mudou, você mudou, tudo...— depois de uma pausa longa ela voltou a falar – vamos... er...não sei mais o que falar, então... eu... hã, é isso... — e desligou, ela simplesmente desligou, não disse um eu te amo, não disse um beijo, não disse nem tchau, ela desligou...
FLASHBACK OFF.
Nesse dia me lembro de ter ficado desesperado e infelizmente quando isso acontece as pessoas passam a acreditar no que querem, eu escutei essa maldita mensagem dezenas de vezes e não conseguia absorver nada, só que ela não me queria mais. Enlouquecido invadi o consultório da Doutora Jones e lhe mostrei a mensagem que ela havia me deixado e me lembro até hoje de suas palavras:
— Edward, nessa mensagem Isabella se mostra muito confusa e magoada ao mesmo tempo, ela está em um dilema, tem algo acontecendo na vida dela que tá influenciando nisso, ela mesmo diz, tudo mudou, mas em momento algum ela afirmou que não te queria mais, pelo contrário, ela pediu para que você desse tempo ao tempo...
Dar tempo ao tempo...
Porra!
Dois meses já não é tempo o suficiente?
Ninguém sabe o que eu estou passando, na realidade, nem ao meu pior inimigo eu desejaria isso, porque dói, dói demais, é como a faca que ela colocou em meu coração se aprofundasse ainda mais sempre que eu pensava nela e em toda essa situação. Eu sei que isso acontece porque eu tenho a consciência de que tudo isso que estou passando é culpa minha e é justamente essa consciência que está acabando diariamente comigo, estou tentando com todas as minhas forças seguir minha vida normal, estou indo para faculdade, estou indo trabalhar, mas quando chego ao meu apartamento, tudo desaba, literalmente sobre a minha cabeça e sinto a necessidade de ter ela comigo, então sem pensar me pego ouvindo a ultima mensagem que ela me mandou.
Lembro-me que teve um dia que a necessidade de vê-la estava insuportável então quando eu estava saindo da faculdade, eu desviei do meu caminho e fui para a faculdade dela para vê-la nem que fosse de longe. Não precisei esperar muito para vê-la saindo rodeada por seus amigos, mas ela estava diferente, não sorria mais como antes, estava mais pálida e seu corpo estava diferente, não sei, arrisco-me a dizer que ela engordou? Mas isso não importa; gorda ou magra ela ainda era a minha Bella e eu a queria demais.
Confesso que eu me sentia um doente, um psicopata, pois eu passei a ir quase que diariamente à sua faculdade para vê-la à distância e isso aplacava um pouco a minha saudade, a minha necessidade dela, mas como as coisas que são ruins sempre tendem a piorar, semana passada eu tive uma surpresa nenhum pouco agradável nessa minha escapada.
FLASHBACK ON
Tinha sido meu ultimo dia de aula na faculdade, estava formado, era um administrador já e poderia assumir o meu lugar na empresa da minha família, estava feliz e eu precisava ver a minha Bella, na realidade a minha vontade era de dividir com ela o sucesso dessa etapa concluída da minha vida.
Acompanhando ela durante um mês por pelo menos duas vezes por semana pude notar que realmente ela havia ganhado alguns quilos, mas isso a deixa ainda mais gostosa no meu ponto de vista, seus peitos estavam maiores e seu rosto mais cheio, assim como sua barriga.
Enquanto não dava seu horário de saída me distrai ouvindo musicas até que fui tirado abruptamente dos meus pensamentos por alguém socando a janela do meu carro. Quando me virei para ver quem era o imbecil quase caí para trás.
Jacob!
E sua cara não era uma das melhores, era nítida sua raiva, mas não sou um covarde então resolvi enfrentá-lo, fora isso eu sabia que o errado de tudo isso era eu, então reunindo toda a minha coragem abri a porta do meu carro e sai.
— Jacob – o saldei antes de tudo.
— O que você está fazendo aqui seu filho da puta? – não posso mentir e dizer que eu não esperava essa atitude dele, mas também não posso dizer que vou aceitar ser maltratado assim sem falar nada.
— Quem você pensa que é pra falar assim comigo em primeiro lugar? – falei tentando controlar minha voz.
— Quem eu penso que sou? – riu ele – essa é boa... quem eu penso que sou? – falou desdenhando para depois se aproximar ainda mais de mim como se quisesse me botar medo e me encarar de igual para igual – Eu sou o homem que diariamente vê o sofrimento da Bella, eu sou o homem que sabe de todas as merdas que ela ta aguentando por sua causa, eu sou o homem que ela pediu socorro quando você foi um covarde, eu sou o homem... – o interrompi para completar a sua frase, pois ele conseguiu me irritar, afinal quando dizem que a verdade machuca, bem, estão certos.
— ...Que não deve se meter entre eu e a Isabella!
— O que? – perguntou ele confuso.
— É isso ai Black, nunca ouviu que briga de marido e mulher ninguém mete a colher? Então, eu acho melhor você ficar na sua e deixar nos dois resolvermos nossos problemas em paz – nesse momento mesmo que discretamente era possível ver várias pessoas prestando atenção na nossa “conversa”.
— E sabe o que eu acho melhor, seu playboyzinho de merda? Eu acho melhor você entrar nesse carro metido a besta e sumir de perto da Isabella, senão eu mesmo te mato. – falou ele me ameaçando.
— Sério Jake? – agora o sarcástico fui eu – Você vai me matar por quê? Porque eu quero a mulher da minha vida de volta? Porque eu tenho a mulher que você queria para você? – tá não sabia o que estava falando, mas desde aquele dia a alguns anos atrás em que ele jogou uma cantada extremamente grosseira para cima de Bella eu fiquei desconfiado e agora por causa do jeito que sua expressão mudou eu acho que estava no caminho certo.
— Você não é bom o suficiente pra Isabella, se você fosse bom não teria feito o que você fez, se você fosse esse homem que você faz questão de mostrar que você é, não deixaria ela enfrentar sozinha as consequência de uma atitude impensada de vocês dois que querendo ou não ACABOU COM A VIDA DELA! – terminou ele gritando.
— Eu sei que eu errei, mas eu sou HUMANO PORRA! – gritei também – Errei feio e aprendi com esse erro, eu sei que agora eu nunca mais vou fazer algo parecido, por isso eu quero recuperar tudo o que eu tinha antes, eu nunca quis deixar a Isabella sozinha, ela que pediu esse maldito tempo...
— Também né – interrompeu-me Jacob sarcástico, mas ignorei e continuei a falar.
— Eu não sei que erro foi esse, me fala – estava praticamente implorando — me fala que eu serei o primeiro a correr pra ajudá-la, porque eu simplesmente amo essa mulher Jacob e não vai ser você, nem ninguém que vai me impedir de tê-la de volta, porque eu vou fazer o que eu posso e o que eu não posso para reconquistá-la...
— Blá blá blá... – me interrompeu Jacob ironicamente e mexendo as mãos abrindo e fechando.
— Escuta aqui seu filho da puta – me irritei e o agarrei pela gola da camiseta – é melhor você parar de me tratar como retardado, porque se você continuar assim, quem vai ficar retardado vai ser você depois que eu esfregar essa bosta que você chama de cabeça no assalto.
— Vem Cullen! – disse ele me dando um tapa na mão para soltá-lo e me empurrando pra longe – To louco pra te dar uma surra... – falou ele me desafiando.
Como não tenho sangue de barata parti para cima dele, mas antes que eu o alcançasse, fui interceptado por ela... Bella
— Não! – Bella entrou na minha frente e me segurou pelos ombros.
Na hora paralisei, tinha minha menina comigo de novo.
— Bella! – sussurrei extasiado – meu amor! – e acariciei seu rosto, pude perceber que ela gostou do meu toque, pois inclinou seu rosto ligeiramente na direção da minha mão – eu... a gente...
— ISABELLA SAI AGORA DE PERTO DESSE FILHO DA PUTA! – gritou Jacob vindo pra cima de nós dois.
— PARA JACOB! – gritou Isabella assustando todos nós e se virando – MAS QUE MERDA! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? – perguntou para ele e eu passei a segurar a sua cintura, pois parecia que a qualquer minuto ela voaria para cima do vira-lata, com as mãos em sua cintura pude comprovar que de fato ela estava mais avantajada, então não estava errado, ela realmente engordou.
— O que eu estou fazendo aqui Isabella? – falou ele inconformado – Eu vim te buscar como toda quinta feira eu faço. – ela parou para pensar um pouco e se virou pra mim séria se afastando.
— E você? O que está fazendo aqui?
— Eu... eu vim te ver! Eu precisava te ver! – falei abaixando a cabeça.
— Você é um doente Cullen!
— E você quer viver uma vida que não é sua! – contra-ataquei através das costas de Bella.
— Mas você é um... – disse Jacob chegando mais perto de Bella enquanto eu tentava ultrapassar a barreira que ela fazia com seu corpo para nos separar.
— PARA OS DOIS! – gritou ela histérica para depois completar sussurrando e começando a chorar – mas que porra, viu! – a cena não era bonita, mas eu achei muito fofo o modo como ela bateu os pés no chão como se tivesse sapateando ao terminar de falar.
— Bells! – tentei abraça-la, mas ela me empurrou.
— Sai Edward! – quando ela fez isso Jacob abriu um amplo sorriso que aumentou ainda mais a vontade que eu tinha de socá-lo.
— Vem Safadinha, vamos almoçar – disse ele estendendo a mão para ela e me encarando.
— Sai daqui você também seu idiota, eu já te disse uma vez e volto a repetir, minha vida, minhas escolhas, meus problemas e meus erros! Eu não admito que você tente resolver as coisas para mim, é difícil de entender isso?
— Mas Bells... – tentou argumentar ele.
— Quer saber de uma coisa? Eu quero que vocês dois se deem a mão e vão para o quinto dos infernos juntos! – após dizer isso ela saiu batendo o pé e entrou em um carro que eu não sabia que ela tinha.
FLASHBACK OFF
Ter Bella na minha frente, cara a cara naquele dia mexeu demais comigo, não sei por que, mas meu espírito protetor aumentou com a minha “gordinha” nos braços, céus se a Bella sonhar que eu estou a chamando assim ela me esfola vivo.
Depois da sexta passada, não tive tempo para ir vê-la, essa semana passou rápido demais, minha vida aqui na empresa atrapalhou meus planos, afinal o recesso do natal estava chegando então tínhamos que adiantar tudo porque depois seria só em janeiro.
Eu sentia que a Bella precisava de mim, primeiro porque ela de certa forma me disse isso ao telefone, segundo Jacob me disse e terceiro meu coração me dizia, mas eu não fazia ideia do que estava acontecendo, porque ela me excluiu de sua vida sem dó nem piedade.
Céus olha a minha situação, hoje, sexta-feira, quase dezoito horas, eu aqui nessa empresa com milhares de coisas pra fazer e tinha que ir embora correndo, pois ainda tinha a consulta com a doutora Jones, mas não podia sair sem terminar as minhas coisas que eu estava sem cabeça nenhuma para fazer, por quê? Simples, estava pensando em Isabella...
Quando finalmente consegui me concentrar o tempo passou rapidamente, o relógio já marcava dezenove e trinta e eu ainda aqui, conclusão? Perdi minha seção, não posso me esquecer de ligar pra doutora pra me desculpar, mas decidi fazer isso da minha casa, estava de saco cheio de ficar aqui.
Despreocupadamente e ainda assim com pressa, desliguei o computador, comecei a arrumar minhas coisas em cima da mesa e me levantei para vestir meu blazer. Quando estava com a mão em minha pasta o telefone da minha mesa começou a tocar histericamente:
— Puta que o pariu, era só o que me faltava – resmunguei pra mim mesmo – Fala Diana! – falei assim que tirei o fone do gancho.
— Senhor Cullen, eu... eu... – ela começou a gaguejar me deixando preocupado.
— Está tudo bem Diana? Aconteceu algo?
— Sim – parou para respirar e voltou a falar – ela... ela está aqui Doutor – quando ela disse isso eu paralisei, pois eu podia ver através das persianas a mulher que estava na minha recepção – e disse que gostaria de falar imediatamente com o Senhor – e completou sussurrando – eu acho que é grave.
— Tudo bem Diana, calma, pode mandá-la entrar e assim que ela fizer isso você está dispensada. – falei desligando o telefone com o coração e a adrenalina a mil.
Minha cabeça entrou em pane e a única coisa que eu conseguia pensar era:
“O que essa mulher está fazendo aqui?”
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