Minha Nada Mole Vida
23 Capítulo 21
Notas iniciais
Bella POV
Sabe quando você já está de saco cheio de uma coisa e não vê a hora de acabar com tudo?
É assim que eu estou.
Essa situação da Rosalie já estava passando dos limites, posso ter vivido uma época desse mesmo jeito, mas nunca passei dos limites ou fiz algo com que eu pudesse me arrepender depois.
Porque estou dizendo isso?
Simples!!
Ontem eu descobri que ela bebia até ficar bêbada e depois ia parar na cama com o primeiro homem que ela encontrasse. Atualmente quem vinha usando e abusando dela era o Joseph, um dos amigos do Jasper que eu sabia que estaria nessa festa de hoje.
— O que está acontecendo Bella? – Perguntou Edward apertando meu joelho enquanto dirigia até a festa – Você tá muito quieta pro meu gosto.
— Eu estava pensando nas coisas que eu descobri da Rosalie e pensando em como eu posso resolver isso.
— Você sabe o que eu penso, certo? – perguntou ele sério e me olhando de esgueira.
— Mas ela é minha prima Edward! – afirmei revoltada.
— E eu continuo achando que você tem que deixá-la seguir a vida dela sozinha, não se mete Bella é melhor, me escuta baixinha! – falou ele acariciando a minha coxa e sorrindo.
— Vou pensar! – respondi rindo.
— Eita mulher difícil essa minha! – disse ele revirando os olhos e rindo.
— Difícil, mas que você ama mais do que tudo que eu sei – respondi rindo e dando um beijo em sua bochecha.
— Você sabe que sim, gatinha! – disse ele se virando para mim e acariciando meu rosto enquanto o semáforo na nossa frente marcava o vermelho.
(...)
Edward que me desculpe, mas não vou perder uma oportunidade como essa para falar com esse maldito comedor de primas:
— Joseph! – chamei-o pelo nome me aproximando do balcão onde ele estava sozinho.
— Bellinha, tá gostosa hein! – disse ele alto e vindo me dar um beijo na bochecha.
— Obrigada! Mas eu queria conversar com você! – respondi conversando em um tom normal.
— Matar a saudade? – disse ele me abraçando pelo ombro, mas me afastei – O que eu te disse sobre isso Bellinha, tem que ser num lugar discreto, Edward está aqui! – após “gritar” isso ele começou a rir e eu acompanhei.
— Graças a Deus a minha sanidade ainda está em perfeito estado então meu bem, não, eu não quero matar saudade nenhuma! Porque eu tenho um homem incrível na minha vida – eu estava séria.
— Quem desdenha quer comprar! – respondeu baixo dessa vez e chegando mais perto de mim e eu novamente me afastei.
— Quero falar sobre Rosalie! – respondi séria.
— Ciúmes Bellinha? Não precisa! Você sabe que é única pra mim né?
— Joseph pára!
— Vem cá Bella, tudo bem! Eu te dou um beijinho então... – “gritou” ele tentando segurar minha nuca, mas fui mais rápida e me afastei novamente.
— Já percebi que não dá pra conversar com você... – resmunguei séria enquanto saia de perto daquele traste.
— Calma Bella! Ela não significa nada pra mim! Você que sempre vai ser minha mulher baby! – que homem ridículo!
Mal dei quatro passos e visualizei Edward parado, olhando na direção em que eu estava com Joseph de braços cruzados e expressão fechada. Quando ia me aproximar dele sua única reação foi negar com a cabeça e se afastar.
Não sabia o que estava acontecendo com Edward, mas preferi respeitar e me mantive afastada conversando com Alice e com outras pessoas que estavam alegres demais por causa da bebida.
Quem conhecia Edward bem percebeu que algo estava errado, pois nesses quatro anos em que estamos juntos nunca tinha o visto beber tanto quanto essa noite. Os comentários sobre ele eram maldosos, isso estava me magoando demais, era o sujo falando do mal lavado, pois a maioria das pessoas que estavam ali estavam perto de dar perda total de tão bêbadas que estavam, mas eu não podia deixá-lo passar vergonha, por isso resolvi ir falar com ele:
— Amor... – disse chegando perto dele – você não acha que está exagerando?
— Que é Bella? Vai ficar me controlando agora porra? – nossa porque ele está assim?
— Edward, eu...
— Num enche o saco Bella!!! – gritou ele chamando a atenção de quem estava perto de nós — Você vai ter que ir pra sua casa hoje ou vai poder ficar comigo? – perguntou ele voltando a falar baixo.
— Vou poder ficar com você! – indo acariciar seu rosto, mas ele não me deixou nem encostar.
— Ótimo, hoje nós vamos ter uma conversa séria.
— Sobre o que?
— Você verá! – disse ele chegando perto de mim, me puxando pelo cabelo em direção ao seu rosto e me dando um beijo nada delicado, que acabou tão rápido como começou. Depois disso, Edward simplesmente se afastou indo em direção ao bar e me deixando sozinha.
Por mais que eu pensasse nas possibilidades nada me levava a entender o que estava acontecendo, estávamos bem, ontem a noite havia sido maravilhosa, eu tinha várias marcas pra provar e ele também. Hoje no caminho estávamos bem, ele estava carinhoso...
— Bella? – chegou minha amiga interrompendo meus pensamentos.
— Oi Alice!
— Está tudo bem? – eu queria saber isso.
— Não sei... – respondi depois de ficar um tempo olhando pra ela.
— Você e Edward estão bem?
— Não sei... – reafirmei triste com uma vontade de chorar
— Bella, porque vocês... – mas Alice foi interrompida por um Edward totalmente grosseiro.
— Alice do mesmo jeito que nós não se metemos no seu relacionamento com Jasper eu quero que você não se meta no meu com Bella! Estamos entendidos? – depois de dizer isso ele se virou pra mim e voltou a falar -Vamos embora Bella, não agüento mais ficar aqui nessa merda – e me arrastou pelo braço em direção a saída, sem me dar a chance de me despedir dos meus amigos.
No carro, o percurso foi totalmente silencioso, eu estava com medo e preocupada afinal Edward estava bêbado e dirigindo a quase 180 km/hora. A velocidade era tanta que em 20 minutos já estávamos estacionando na casa dele.
Quando entramos na sala, eis que o inesperado aconteceu e eu senti meu mundo ruir.
— E então Bella? – começou como quem não queria nada – Tem alguma coisa que você queira me dizer? – perguntou parado a certa distancia de mim, mas seu olhar era tão assustador que confesso que me deu medo.
— Não Edward, não tenho nada pra lhe dizer – respondi baixinho.
A cena seguinte fora ridícula, pois quanto mais ele se aproximava de mim, mais eu me afastava, parecia que estávamos brincando de pega-pega ou qualquer coisa do tipo, mas essa nossa digamos “perseguição” não durou muito, pois logo senti a parede ao lado da escada atrás de mim, Edward como ótimo jogador soube em encurralar direitinho.
— Quando você vai parar de mentir pra mim? – perguntou ele colocando os braços um de cada lado de meu corpo impossibilitando qualquer chance que eu tinha de fuga.
— Eu não estou...
— CHEGA BELLA!!!! – gritou ele me interrompendo, encostando o corpo ao meu e me segurando pelo cabelo. – O que você acha que eu sou, hein? – perguntou com uma voz extremamente assustadora. – Um idiota? Imbecil? Um PANACA? – voltou ele a perguntar olhando dentro dos meus olhos já que levantou minha cabeça através do puxão dos meus cabelos — Responde PORRA! – disse ele puxando ainda mais a minha cabeça para trás.
Eu não sabia o que fazer, Edward estava bêbado, descontrolado e contra mim, o seu aperto em meus cabelos estava machucando, eu não conseguia me soltar e sem me controlar comecei a chorar.
— Edward pelo amor de Deus me solta, você tá me machucando, não sei o que tá acontecendo meu amor...
— NÃO ME CHAME DE MEU AMOR!! – Gritou ele – Pessoas como você não amam ninguém...
— Edwa...
— Eu ainda não acabei!!! – me encolhi ainda mais na parede – Pensei que você ia mudar, até porque EU MUDEI POR VOCÊ!!!!! – no meio da gritaria de Edward ele começou a me chacoalhar e minhas costas batiam com força na parede. – Quatro anos!! Quatro anos sendo corno!! Sendo enganado, sendo feito de otário por uma vadia como você. – As palavras dele me machucavam mais do que a agressão em si. Nunca em minha vida imaginei que ia passar por isso.
— EU TAMBEM MUDEI!!! Pelo amor de Deus Edward você está me machucando, eu te amo...
— CALA A BOCA SUA VADIA! – disse ele dando um tapa tão forte em meu rosto que a força somada com a surpresa me fez cair no chão – você achou o que hein? Que ia me fazer de otário até quando? – disse ele me dando mais um tapa forte – EU TE AMAVA SUA VAGABUNDA!!!!!!!!! – gritou ele me batendo novamente.
— PÁRA!!!! EDWARD PÁRA!!! – eu gritava desesperada e como uma ultima alternativa de fuga lhe acertei um chute no meio das pernas e corri quando ele caiu, mas a recuperação dele foi rápida e antes que eu pudesse chegar na porta da casa ele me alcançou pelos cabelos e me jogou novamente no chão.
Quando dizem que ao beber o homem fica ainda mais forte é a mais pura verdade e outra coisa posso afirmar é que alem de mais fortes eles ficam cegos, descontrolados. Não conseguia reagir, até porque parece que o chute que eu dei nele havia piorado toda a situação, sendo assim, não tinha como eu me defender, fora que meu corpo doía e Edward não esboçava nenhum sinal de que iria parar, até que a porta da sala abriu e um grito tomou conta da sala:
— O que é isso? – perguntou Esme horrorizada vindo em nossa direção tentando tirar ele de cima de mim – Carlisle! Por Deus, ajuda aqui! PARA EDWARD!
Quando eu senti Edward ser tirado de cima de mim, eu me senti segura e protegida. Ao levantar um pouco o meu tronco consegui avistar Esme perto e eu fiz uma coisa que eu nunca imaginei que faria, antes de permitir que a minha consciência se esvaísse:
— Obrigada Esme! – sussurrei com dificuldade e então finalmente tudo se apagou.
Esme POV
Eu sou uma pessoa que tem um orgulho sobrenatural de tudo o que tem na vida. Meus pais me ensinaram desde pequena que a base da sua vida tem que ser a família, por isso eu procuro seguir esse ensinamento diariamente, tanto que as razões do meu viver são Carlisle, Emmett e Edward, por eles eu faço tudo, não existe dentro de mim limite para todo o amor que eu sinto por eles, tanto que no momento em que Edward a quatro anos atrás chegou todo sorridente em casa jogando a bomba de que ele estava namorando eu me transformei e a minha meta era acabar com aquele romance de qualquer maneira, não só por ciúmes, mas também porque eu percebi que ela não era a garota ideal para meu caçula.
Contra a minha vontade e como querendo provar que eles se amavam de verdade continuaram com namoro, quatro anos juntos, atualmente eu acho que já estou conformada em saber que novamente irei perder um filho para uma mulher, mas Edward era mais ajuizado, pelo menos namoraram por muito tempo, não fizeram um filho logo de cara e foram obrigados a se casar.
Mesmo sendo arisca eu sei dizer que meu filho mudou muito com Isabella, por causa dela, ele estava mais doce, mais simpático, deixou de ser namorador, ele se firmou na vida, uma coisa que eu me orgulhava de meu filho é que ele sabia lutar pelo que ele queria e como ele me disse milhares de vezes ele queria Isabella para sempre e ele a teria.
Justamente por isso que eu não estava preparada para a cena que estava diante de mim, o que é isso? Edward estava espancando Isabella bem no meio da minha sala e falava horrores, coisas que nenhuma mulher deveria ouvir da boca daquele que jurava que a amava.
— O que é isso? – gritei horrorizada com a postura que eu nunca havia visto Edward adotar, mas parece que ele não me ouviu diferente de Isabella que parou de gritar por socorro, mas continuava a implorá-lo com os olhos – Carlisle! Por Deus, ajuda aqui! PARA EDWARD! – Corri em direção a seção de espancamento para tentar tirá-lo de cima dela, mas estava impossível então eu tive que recorrer a Carlisle que estacionava o carro na garagem.
Quando meu marido entrou ele pareceu não acreditar no que via, tanto que demorou a se mover e vir me ajudar. Nós dois juntos, depois de alguns segundos conseguimos afastar Edward de cima dela, mas ele parecia que estava cego e fazia de tudo para voltar para cima da menina que no momento em que se viu livre dele olhou em meus olhos e murmurou um “Obrigada” antes de cair sem consciência no chão de minha casa.
Nunca imaginei na minha vida que um dia eu poderia sentir raiva de um filho como no momento eu estava de Edward. O que ele fez é desumano, ela parecia um animal raivoso que inclusive até agora não estava contido.
Sem pensar no que estava fazendo me intrometi entre Carlisle e ele que havia acabado de ser jogado no sofá e lhe deferi um tapa no rosto, para horror dos dois. Para você ter noção do estado que meu filho se encontrava ele levantou a mão para revidar, mas meu grito o parou:
— O QUE É AGORA EDWARD? ALEM DE SER COVARDE DE TER FEITO O QUE VOCÊ FEZ COM A SUA MULHER TAMBÉM VAI AGREDIR A SUA MÃE? – Edward espantado, abaixou a mão, assim como a sua cabeça e se sentou no sofá, aproveitando o momento de fraqueza do meu caçula pedi para Carlisle levar Isabella para algum quarto, que não seja o do Edward, para depois decidirmos o que iríamos fazer.
— ELA É UMA VADIA! VACA! TRAIDORA! – me surpreendeu Edward gritando depois de uns minutos calados e tentando se levantar.
— CALA A BOCA EDWARD! – gritei lhe dando outro tapa no rosto, só Deus sabe o quão doloroso isso é para uma mãe como eu. – Agora você vai para o chuveiro pra ver se você volta a ser meu filho e deixa de ser esse animal. – disse virando as costas com os olhos marejados – Eu só te digo uma coisa Edward, eu estou extremamente decepcionada com você, nunca esperei em toda a minha vida ver você agir assim, porque você não foi criado para isso. Espero também que você seja forte ou que Isabella realmente te ame demais, porque sinceramente, eu tenho quase a certeza absoluta de que você acabou de perder a mulher que você gritava para o mundo inteiro que era a mulher de sua vida. – sem dizer mais nada, segui para meu quarto e minutos depois ouvi a porta do quarto de Edward ser batida, sinal que pelo menos ele havia me obedecido.
Bella POV
Dor!!!
Vazio!!
Tristeza!!
Humilhação!!
Eram os sentimentos que habitavam dentro de mim, Edward me machucou com suas mãos, mas me matou com suas palavras.
Traição!
Óbvio!
Ele escutou tudo o que o Joseph disse e não ouvia as minhas respostas, por isso entendeu tudo errado! Por isso ele se afastou quando eu tentei me aproximar, por isso ele começou a beber e por isso eu paguei o pato!
Aos poucos a minha consciência voltava e me vi deitada em uma cama confortável, no escuro e sozinha, como sempre devia ser, eu disse que nasci para ser sozinha, não sei como Edward conseguiu me convencer a ir contra o meu destino.
Força pra levantar eu não tinha, pois tudo doía, me mexer e até pensar era dolorido, mas eu não podia ficar o tempo todo nesse lugar e se Edward aparecesse?
Foi nessa hora que me lembrei de uma coisa, meu celular estava no bolso, precisava de ajuda, precisava dele, meu porto seguro, meu irmão, meu amigo. Após chamar duas vezes ele atendeu todo feliz:
— Au au safadinha!!! A festa não tava boa não? – terminou a frase rindo.
— Jake? – disse com a voz fraca, porque sim, até falar doía.
— Bella? – ele ficou sério na hora – O que aconteceu? Bella você tá bem? Onde você tá? Cadê o Edward?
— Jake, vem me buscar, por favor! – disse ainda fraco.
— Aonde você tá?
— Na casa do Edward!
— E porque ele não te trás pra casa?
— Por favor? – pedi voltando a chorar.
— Safadinha, to indo amor, não se preocupe, beijos. – não tive tempo para responder, desliguei o telefone rápido, pois escutei a porta do quarto sendo aberta. Pela luz que entrava do corredor pude reconhecer a silhueta de Edward e antes que ele acendesse a luz resolvi fingir que estava dormindo, mas não adiantou, pois mesmo assim ele se aproximou da cama.
— Amor? – sussurrou ele docemente acariciando meu rosto. — Bella, você está acordada amor? Por que não foi para o nosso quarto? – ele continuava a falar mesmo comigo “dormindo”, pelo cheiro, dava para perceber que ele estava de banho tomado, talvez seja por isso que ele estava sóbrio – Céus bebê – voltou ele a falar se ajeitando do meu lado na cama – eu nunca bebi tanto na minha vida como hoje, estava confuso e quando sai do banho e não te vi na nossa cama achei que tinha te deixado na festa acredita? Mas me diga uma coisa, como nós... – conforme ele ia falando a voz dele começou a diminuir e parece que pela primeira vez ele reparou nos meus machucados –Bella? – perguntou ele com uma voz assustada e me chacoalhando para tentar me acordar e a minha única reação foi gemer de dor – Bella, amor o que aconteceu com você? – não sabia o que fazer e comecei a chorar, levando assim meu disfarce para o ralo, só podia ser pegadinha essa atitude dele – Bella, quem fez isso com você? Meu Deus amor, você tá machucada, preciso te levar pro hospital! – não tinha forças pra falar nada, só chorava, chorava muito – Bella!!!! Pára de chorar amor vem cá! – Na hora que ele disse isso e tentou me pegar no colo, minha reação foi automática:
— NÃO!!! EDWARD PELO AMOR DE DEUS NÃO, DE NOVO NÃO! EU NÃO FIZ NADA EU JURO! – meu choro piorou.
— Bella, porque você tá falando isso pra... – ele mesmo se interrompeu como se tivesse se lembrando de tudo o que aconteceu – Meu Deus! Bella, não, por favor, não! Diz que não fui eu meu amor. – nisso os olhos dele começaram a lacrimejar – Diz Bella pelo amor Deus!! – ele estava ficando desesperado.
— Não posso! – respondi ainda chorando.
— Meu Deus, eu sou um monstro! Amor... – disse ele chegando perto de mim novamente, mas dessa vez eu me afastei – não precisa ter medo de mim, não sei o que aconteceu comigo, me perdoa meu amor, você sabe que eu sou louco por você, eu ouvi um monte de merda e isso ficou na minha cabeça, mas não por desconfiança em você, por raiva mesmo, porra, meus amigos não me respeitam sabe, falam da minha mulher na minha frente, dão em cima de você na minha frente e eu fiquei puto, então comecei a beber pra esquecer... e... e eu não acredito nisso. – disse ele deixando as lágrimas escorrerem, novamente ele tentou se aproximar de mim e eu me afastei, de novo – Meu amor, não precisa ter medo de mim Bella, eu juro, juro por tudo que você quiser, eu não sei o que aconteceu, mas lhe prometo que nunca mais vou beber assim na minha vida. Não posso, eu fui um monstro, eu...
— Pára Edward... – resolvi intervir, pois apesar de tudo eu estava com pena dele!
— Eu não posso te perder, eu... – mas ele continuava a falar desesperado.
— Eu quero sair daqui... – tentei novamente lhe chamar a atenção.
— ... te amo mais que tudo e... – mas novamente não adiantou.
— Edward...
— ... como pude chegar a esse ponto. Deus... preciso te levar ao médico!!
— A única coisa que você precisa fazer nesse exato momento é sair desse quarto agora, Edward! – falou uma voz vinda da porta que assustou a nós dois.
— Pai eu...
— SAI AGORA DAQUI EDWARD CULLEN! – gritou Carlisle sério.
— Não! Eu preciso levar a Bella...
— SAI!
— Pai eu amo a Bella e...
— AMA? – disse sarcástico e rindo sem humor – Como você é cínico garoto! – disse Carlisle levantando Edward pelo braço e o afastando da cama em que eu estava — Como você tem a coragem e a cara de pau de falar isso? – disse ele segurando a cabeça de Edward e a virando em minha direção — Olha o estado da garota! Edward nunca... NUNCA... se bate numa mulher, isso é um ato horrível, covarde...
— Eu bebi demais e...
— NÃO TEM JUSTIFICATIVA! Minha vontade Edward é de fazer a mesma coisa que você fez com ela em você! Eu não acredito nisso! Eu estou decepcionado, eu...
— Pai...
— Esquece meu filho, só... sai!
Edward sem dizer nada se afastou me olhando e deixou o quarto de cabeça baixa. Novamente meu coração se apertou diante dessa cena, por minha causa a família dele se voltou contra ele.
— Como você está minha filha? – perguntou Carlisle chegando perto de mim e acariciando minha cabeça com carinho.
— Estou bem – respondi por reflexo.
— Não precisa mentir! Eu sei que a ultima coisa que você está é bem.
— Eu... estou com dor, medo, confusa e sofrendo muito... Carlisle porque ele fez isso comigo? Eu...
— Shiii – disse ele me silenciando — Eu te entendo vem aqui! – e puxou para um abraço onde permitiu que eu chorasse e assim eu fiz até o momento em que escutei a campainha da porta!
Graças a Deus, era Jake...
— Isabella, seu amigo está... – disse Esme entrando no quarto depois de alguns minutos e sem olhar pra mim.
— Vamos querida, eu te ajudo a descer. – disse Carlisle se levantando e me ajudando a fazer o mesmo, já que me levantar sozinha estava difícil, porque tudo doía, principalmente as minhas costas, braços, seios e infelizmente o rosto que foram as áreas em que ele mais me atingiu.
Quando passamos pelo quarto de Edward era possível escutar do corredor o seu choro, a sua revolta consigo mesmo e isso me deixou preocupada:
— Carlisle!
— Vamos Bella – disse ele me obrigando a voltar a andar – ele tem que enfrentar as consequências dos seus atos impensados. Nossa preocupação agora é com você! Vou lhe levar ao médico.
— Não! Realmente não precisa eu...
— Não vou discutir isso, nós vamos ao hospital! E ponto final. – disse ele encerrando o assunto sem permitir retórica.
Quando chegamos na sala encontramos um Jake impaciente andando de um lado para o outro e uma Esme pensativa sentada em sua costumeira poltrona.
— Jake? – chamei para atrair sua atenção.
— O que aconteceu? – na hora que ele me viu sua expressão ficou perplexa – Bella!!!! O que foi isso?
— Eu cai da escada Jake! – a mentira saiu da minha boca com a maior facilidade do mundo.
— Como assim você caiu da escada? – ele não acreditou em mim — Isabella? Vai mentir pra mim agora? – não disse?
— Eu. Cai. Da. Escada – falei pontuando cada palavra e deixando ele entender que eu não queria falar sobre o assunto agora.
— Você realmente não espera que eu acredite nisso, né? Cadê o Edward?
— Está no quarto! – respondeu Carlisle cético.
— Pois bem, espera um pouco aqui sentada Isabella – falou me tirando dos braços de Carlisle e me acomodando no sofá – que eu vou matar aquele playboy filho de uma puta agora! – disse ele indo em direção da escada, mas ele paralisou ao ouvir meu choro e correu em minha direção novamente. – Calma safadinha! – disse ele me acalentando.
— Me tira daqui! Por favor? – sussurrei em seu ouvido, mas acho que não baixo o suficiente, pois Carlisle interferiu:
— Não! Eu não sabia que ela tinha te ligado Jacob, mas nós decidimos antes de você chegar que Isabella iria para o hospital.
— Carlisle...
— Não Isabella, ele está certo! Eu levo Isabella no meu carro e acompanho vocês! – disse ele novamente para Carlisle que pegava a chave do carro e seguia em direção a porta com Esme em seu encalço.
No caminho Jacob não falava nada, mas pelo olhar e o aperto de suas mãos no volante, era perceptível que ele queria matar um e infelizmente esse um eu sabia que era o meu Edward.
Logo que chegamos ao hospital os médicos se assustaram com meu quadro, mas não me perguntaram nada, não ainda, pelo menos. Quando terminaram de fazer vários exames, liberaram a entrada de Jacob e dos patriarcas Cullen no quarto em que eu estava, porem mal meus “sogros” entraram no quarto, eles resolveram sair, pois o celular de ambos não parava de tocar e na minha opinião, isso somado ao constrangimento da situação era a oportunidade perfeita para sumir e eu acho que no fundo eu agradecia por isso.
— Você sabe que isso não vai ficar assim né? – perguntou Jake se aproximando da cama em que eu estava deitada.
— Eu to me sentindo péssima, Jake! – disse isso voltando a chorar e ele me abraçou para tentar me acalmar.
— Calma safadinha, isso não vai ficar assim, eu... céus, eu nem sei o que eu sou capaz de fazer se eu ver aquele playboy na minha frente! Foi ele não foi? Foi aquele filho de uma puta! – esbravejou ele saindo de perto da cama – Fala Isabella!
— Foi um mal entendido... ele tinha me dito para não chegar perto do Joseph, ele tinha me avisado, mas mesmo assim eu fui... e... – não conclui por causa dos soluços que me escapavam.
— E o que?
— Eu não vi Edward perto e o Joseph ficava de gracinha dizendo que eu o queria, que eu tava com ciúmes dele e da Rosalie, que ele não podia fazer nada ali na frente do Edward, que tínhamos que ir pra um lugar escondido... Mas eu não me toquei, ele fala alto, praticamente gritava Jake e agora eu descobri que era pro Edward escutar e eu idiota respondia em tom normal, por isso Edward não escutava o que eu falava e ele entendeu tudo errado, bebeu demais e deu no que deu...
— Isso não justifica nada... – Jacob foi interrompido pela entrada de um casal de médicos no quarto.
— Boa noite! – cumprimentou o doutor que era um homem moreno de incríveis olhos azuis – meu nome é Dimitri, eu sou o médico responsável pelo seu caso e essa é a Jane – desse ele apontando para a loira que entrou com ele e acenou educadamente com a cabeça – ela também está me ajudando. O senhor se importa de se retirar para que eu possa falar a sós com a Srtª Swan? – perguntou ele educadamente a Jacob que estava relutante.
— Pode ir Jake! – disse apertando sua mão – aproveita e trás algo pra eu comer? To morrendo de fome! – conclui envergonhada, pois eu não sabia se eu podia ou não comer.
— Ela pode? – perguntou Jake aos doutores.
— Claro! – afirmou Jane sorridente – mas traga algo que não seja muito pesado, já está tarde, ela precisa dormir e não vai fazer bem... – após me dar um beijo na testa Jake preocupado se retirou do quarto sem mais falar nada.
— Como você está Isabella? – perguntou Jane se aproximando.
— Estou bem! – respondi automático.
— Isabella – se pronunciou Dimitri receoso – você tem algum namorado? – não entendi sua pergunta, mas mesmo assim assenti – É recente esse relacionamento? – aonde ele queria chegar?
— Não, estamos a quatro anos juntos – respondi confusa – mas doutor...
— Isabella – ele voltou a me interromper – no mundo hoje e sempre existiram mentes machistas que veem as mulheres como um ser submisso de suas vontades, que acham que as mulheres devem lhe servir e se isso não acontecer ela deve ser castigada, não importa se esse castigo for físico, psicológico ou até sexual, você me entende?
— Sim, mas... – agora quem me interrompeu foi Jane.
— Querida, infelizmente diariamente aqui em nosso hospital nós atendemos mulheres que foram vitimas de seus namorados, amantes ou maridos, pessoas que elas tinham confiança. – agora quem voltou a falar foi Dimitri:
— Estamos falando tudo isso com você, pois queremos saber se esse é o seu caso, pois atualmente existem leis que protegem as mulheres, você pode denunciar esse homem para a polícia e assim você ficará livre de toda essa triste realidade.
O que?
Espera, deixa-me ver se eu entendi bem, eles estão aqui para me mandarem denunciar o Edward?
Meu Edward?
Triste realidade?
Não! Isso não é uma realidade!
Foi um acidente!
— Doutor, eu entendo, eu sei que isso realmente acontece, mas eu quero deixar bem claro que esse não é o meu caso.
— Então como você conseguiu esses machucados? – perguntou ele cético.
— Eu... – mente Isabella, mente!! Pensa mulher! – eu... fui assaltada, isso! Eu fui assaltada perto da casa dos meus sogros, como meu namorado não estava em casa eles me trouxeram aqui! – boa Isabella.
— Aquele garoto é seu namorado?
— Não! Ele é meu irmão praticamente, meu namorado ainda não chegou, ou pode ter chegado e está lá fora, não sei...
— Você sabe que se você não reagir agora isso pode se tornar a repetir não sabe?
— Não vai! – afirmei rápido demais percebendo a burrada que eu fiz, por isso corei.
— Tudo bem Isabella, a vida é sua e você sabe o que faz, tudo bem? – assenti – agora vamos falar sobre você, apesar dos hematomas nos braços, costas e rosto você está bem, nada de grave lhe aconteceu, graças a Deus, claro que você vai sentir dor, mas nós vamos cuidar disso tudo bem? – assenti aliviada – Isabella, presta bem atenção no que eu vou lhe falar, foi por pouco, muito pouco que você não perdeu o bebê, então eu peço que você pense direito no que você vai fazer para decidir sobre o seu futuro, pois você não está sozinha, tem uma criança pequenina ai dentro de você! – após dizer isso ele se levantou para sair, mas eu o interrompi:
— Desculpa, mas como é que é? – eu estava confusa.
— Você está grávida Isabella e por pouco não perdeu o bebê!
GRÁVIDA? EU?
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