Minha Luz
1 Com Você
Notas iniciais
O sol aqueceu o seu rosto. Era tão quente e aconchegante que quis passar mais algum tempo ali. Pegou um pouco da areia a sua frente e soltou junto a uma rajada forte do vento. A praia estava deserta aquela hora da manhã. Passara a noite inteira ali, sentado, observando o mar que parecia ligeiramente agitado. Na noite anterior, Rin, o grande amor de sua vida, lhe segredou o namoro com Nanase Haruka, seu pior inimigo.
Nanase retirara-lhe o amigo anos antes e agora lhe tirara, novamente, o único que amou em sua vida. Fingira um sorriso e “comemorou” com Rin. Assim que o ruivo dormiu, saiu e foi a praia. O que chorou ali fora o suficiente para toda a sua vida! Nunca pensou que um dia sofreria o tanto que sofrera e que estava sofrendo. Nem mesmo quando Rin fora embora se sentiu tão só e tão perdido como se sentia agora.
Se ergueu e ao se virar esbarrou em alguém com um corpo tão musculoso quanto o seu. Por sorte, ou melhor, por pura resistência, conseguiu se manter de pé. Mas a pessoa não. Olhou para a areia e viu o melhor amigo daquele que mais odiava. Obviamente o odiaria também!
Makoto esfregou as coxas e riu baixinho. Yamazaki, distraído, bateu contra seu corpo e o derrubou. Mas este não parecia ter indícios de que pediria desculpas.
- Ah...! Me desculpe, Yamazaki-kun – disse e sorriu. Sousuke não pareceu se importar; estendeu a mão e o puxou. — Eu te vi aqui sozinho, então... então pensei em fazer companhia!
Makoto falara de forma tão simples e gentil, que a carranca construída por Sousuke desfez-se um pouco. Bagunçou os cabelos e suspirou pesadamente.
- Me desculpe também, Tachibana – murmurou cansado.
- Não tem problema – Makoto disse e sorriu novamente. Ele não se cansa de sorrir não?! — Parece cansado, Yamazaki-kun.
- Estou – respondeu friamente.
- Imaginei – Makoto resmungou. — Acredito que não vá querer ir para Samezuka agora, certo?
- … — Sousuke manteve-se em silêncio, durante um certo tempo, enquanto o encarava. — Tachibana, o que merda você sabe?!
- Sei que Haru e Rin estão juntos – Makoto respondeu prontamente. — E fico muito feliz por ambos. Mas imaginei que você não iria gostar disso.
- Você imagina coisas demais! — Sousuke sussurrou irritado.
- Quem sabe? — Makoto respondeu divertido. — Eu o vi enquanto corria. Passei aqui duas vezes e você continuou na mesma posição. Isso é preocupante, sabe?
- Só pra você... — resmungou mal humorado.
- Haha! — Makoto riu. — Está com fome, Yamazaki-kun?
Sousuke fora obrigado pelo jovem a fazer-lhe companhia enquanto tomava café. Fora praticamente arrastado e forçado a comer, mas estava aliviado. Estava com fome e estava muito cansado.
- Pode se deitar aqui, Yamazaki-kun – Makoto disse indicando-lhe a própria cama. — Irei a escola. Já avisei os meus pais, okay? Pode ficar aqui o tempo que precisar!
- Não vou ficar – murmurou após se sentar. — Vou dormir por alguns minutos.
- Se chegar com olheiras tão profundas, suponho que Rin irá desconfiar – Makoto disse e sorriu compreensivo. — Até mais!
Assim que saiu, Sousuke se jogou na cama e fechou os olhos, esperando o sono vir. Tachibana parecia ser o tipo de pessoa pacífica por fora, mas muito mais esperta e atenta do que a maioria...
Adormeceu pensativo e acabou por sonhar com uma estranha e tranquilizante luz. Estava morto?! Convenceu-se de que não e passou a gravitar em direção a luz. Ela adquiriu várias tonalidades, até que chegou ao verde. Gostava desta. Era ainda mais calma e bonita do que as outras; envolvia-lhe por inteiro, abraçava-lhe da forma que necessitava!
Um estalo e seu corpo todo fora arremessado para longe da luz. A forte luz do quarto queimou-lhe os olhos ao abri-los. Esfregou-os e bocejou, procurando saber onde se encontrava. Durante cinco segundos, se esquecera completamente de tudo; seus problemas, seu amor não correspondido e a estranha luz verde.
- Yamazaki-kun? — a voz doce, mas ainda assim inconfundivelmente masculina, de Makoto o despertou por completo e ele se lembrou novamente de tudo. Fechou os olhos e suspirou profundamente. — Você está bem? Está sentindo algo?
Makoto dizia de forma ironicamente assustada. Porque alguém se assustaria tanto por um conhecido? Abriu os olhos novamente e encarou a figura a sua frente. Makoto estava enrolado, da cintura para baixo, em uma toalha verde; o corpo ainda molhado e uma expressão assustada. Sousuke o encarou profundamente, chegando a deixá-lo constrangido, até que por fim passou os olhos por todo o quarto bem organizado.
O notebook próximo ao travesseiro estava desligado. Observou também o uniforme limpo do rapaz em um cabide na parede atrás de si. Reparou também em uma pequena plantinha ao lado do notebook. Estava ainda bastante pequena, mas com o aparente cuidado que recebia, em breve estaria maior. Passou as mãos, delicadamente, pelo edredom macio e ainda quente; gostou da sensação e sorriu um pouco.
- Ah! Que alívio... — Makoto murmurou e pegou uma outra toalha.
- Hum? — Sousuke resmungou confuso.
- É só que... eu não o vi dar nenhum sorriso desde que o vi – Makoto disse. — É bom que sorria um pouco.
- Tachibana... — Sousuke murmurou. — Você é um completo idiota!
- O quê?! — Makoto disse nervoso. — Que maldade, Yamazaki-kun!
- Tch – Sousuke estalou os lábios e virou o rosto. Encarou, com grande espanto, o relógio em cima da cômoda. — Merda!
Já passava das sete da noite! Sousuke se ergueu, pegou o uniforme e abriu a porta. Saiu rapidamente, despediu-se da família e agradeceu a breve estadia.
- Yamazaki-kun! — Makoto gritou ao vê-lo fechar a porta. — Eu acabei de ligar para o Rin! Ele já resolveu seu problema, mas estava preocupado com você.
- Certo – Sousuke disse. Duvidava da preocupação do amigo, mas não entraria em detalhes. — Obrigado.
- Não tem de quê – Makoto respondeu sorrindo. — Eh... Yamazaki-kun...?
- Sim? — disse distraído.
- Pode correr comigo? — Makoto perguntou após um longo gaguejar. Era até bonitinho ver ele corando...
- Desculpa?
- É que... Haru... Haru parece ter se esquecido de mim – Makoto disse tristemente. — Nós costumávamos correr juntos, mas desde que Rin e ele passaram a namorar Haru só se encontra comigo na escola.
- Está se sentindo sozinho? — Sousuke sussurrou. Sua voz estava bastante rouca e compreensiva.
- Um pouco – Makoto disse e sorriu dolorosamente.
- Bem, pra mim isso não é um problema – Sousuke respondeu. — Só vamos até um pouco mais perto da Samezuka.
- Certo! — Makoto concordou alegremente. Sousuke, após um breve aceno, começou a correr.
- Tachibana é mais idiota do que eu pensava – murmurou com um breve sorriso.
- Sousuke! Onde esteve?! — Rin gritou irado.
Acabara de chegar na Samezuka e fora recebido com esse grito. Que merda de recepção, não? Rin estava tão vermelho quanto seus cabelos e isso não passou despercebido aos olhos do moreno. Sousuke riu discretamente e passou direto pelo amigo, caminhando rapidamente até o quarto de ambos.
- Não sei bem onde estive – Sousuke murmurou após o banho. Rin o encarou confuso, agora mais calmo. — Me diz uma coisa: Qual é a do Tachibana?
- Huh? Se encontrou com Makoto? — Rin perguntou. Sousuke assentiu. — Bem, Makoto é... é... um tanto calmo, certo?
- Sim, sim! Mas eu digo, além da sua personalidade! — Sousuke enfatizara o “além da sua personalidade”. — Ele tem sentimentos pelo Nanase?
- Você está maluco, Sousuke?! — Rin gritou desesperado. Toda a sua ira havia voltado, dessa vez com força total. — Não tem como Makoto gostar do Haru!
- Ora, porque não? — perguntou enquanto deitava-se. — Acha que um amigo não pode se apaixonar pelo outro? Eu não sei se você percebeu, mas esse seu círculo de amizade se resume a homossexuais! Inclusive você!
- Eu não sou gay! — Rin exclamou. — Eu só...
- “Só se apaixonou por outro homem?” Corta essa, Rin – Sousuke disse debochado.
- Calado! — Rin gritou. — Você fala isso, mas você também é gay!
- “Também”? — disse debochado. Rin corou até as orelhas. Sousuke gargalhou. — Sim, eu sou.
Admitiu sem hesitação. Não poderia negar algo tão verdadeiro mais. Rin até mesmo se surpreendeu e acabou não conseguindo falar mais nada. Durante a noite, Sousuke dormiu profundamente, ainda que tivesse passado o dia todo na casa de Tachibana.
Nos dias seguintes, seus encontros matinais com Makoto foram se tornando cada vez mais prazerosos. Conversavam, corriam e, as vezes, brincavam um com o outro. Era como estar com Rin só que com uma personalidade mais doce e gentil. Sentiu-se tão bem próximo a Makoto que não se importou quando o mesmo lhe pediu para correr todos os dias com ele! A intimidade já estava tanta que já se chamavam pelo primeiro nome!
- Sousuke-kun? — Makoto chamou-o.
- Sim? — respondeu distraído. Desamarrou os tênis e entrou na casa de Makoto, já sentindo-se em casa.
- Haru está aqui! — Makoto exclamou, mas já era tarde demais.
Haru, sentado na cama do jovem, não se surpreendeu tanto quanto Sousuke. O mais alto estava completamente abalado, não sabia o que fazer! Foi preciso a ajuda de Makoto, com um leve tapa em suas costas, para que voltasse a respirar. Mas... mas o que sentia não era ódio e nem aversão. Era algo mais... embaraçoso!
O que sentira por Nanase até alguns dias atrás era passageiro. O que sentia agora parecia ser ainda pior. Ciúmes! Estava sentindo ciúmes dele... Nem mesmo quando soube da relação de Rin e Nanase se sentiu daquela forma, embora sua raiva fosse crescente. Porque estava no quarto de Makoto? Não o havia abandonado?!
- Hey, Makoto – Sousuke sussurrou. — Não vou ficar aqui.
- Hã? Porque? — Makoto perguntou de forma inocente.
- Não vou ficar aqui enquanto ele estiver aqui – Disse mais alto dessa vez. Encarou Makoto intensamente antes de se virar e sair, batendo a porta de forma nada educada.
Makoto nada pode fazer diante do surto de Sousuke. O rapaz saíra da mesma forma que entrou, rápida e bruscamente. Entendi o porque de não gostar de Haru, mas deixar explícito assim? Seria muita falta de consideração, certo?
- H-Haru...me desculpe por isso – Makoto disse constrangido.
- Deveria ir atrás dele – Haruka murmurou após um tempo. Entendia como Sousuke se sentia, mas tinha uma leve impressão sobre ele...
- Acha mesmo? Se importa se eu for? — perguntou comovido.
- Vai – Haruka disse e deixou um sorriso mínimo em seu belo rosto.
Makoto sorriu para ele e correu. Bateu a porta, gritando um pedido de desculpas e seguiu correndo pelos arredores. Não o encontrou pelas ruas, então resolveu procurar na praia.
- Tão previsível... — Makoto murmurou rindo.
Correu pela areia e logo o alcançou, sentando-se ao lado dele. Sousuke o encarou por um breve segundo antes de sorrir. Makoto sorriu também, divertindo-se com a expressão engraçada de Sousuke. Ambos passaram a rir um do outro; um rindo por nada, o outro por pura inocência. Sousuke segurou a mão de Makoto ao seu lado e a ergueu.
- Veio me procurar? — perguntou e se deitou na areia quentinha.
- Sim – respondeu. — Minha mãe estava brava. Deveria voltar e pedir desculpas.
- Eu o farei. Em breve – ele disse e ficou em silêncio.
- Sousuke-kun...achei que estivesse um pouco mais calmo quanto ao Haru – Makoto disse e se deitou ao lado dele.
- Depende – Sousuke resmungou. — Depende muito da situação...
- Que situação? Haru ficou ofendido! — Makoto disse seriamente.
- Aquele cara sente alguma coisa...? — disse e riu. Makoto não riu. Não achou engraçado.
- Ele sente sim! — exclamou e se sentou. — Sousuke-kun, tenha um pouco mais de consideração. Sei que não gosta de Haru, mas ele é um amigo importante pra mim! Então peço que não o destrate!
- Makoto! — Sousuke exclamou e se sentou. Parecia bastante irritado. — Eu perdi meu amigo por causa dele! Rin nem tenta conversar mais comigo! Deveria entender, já que ele te fez o mesmo!
- E eu entendo! — Makoto disse firme. — Entendo perfeitamente. Até porque, se eu fosse seguir a sua lógica, Rin estaria no topo da minha lista negra! Já que foi ele quem tirou o Haru de perto de mim, não é?
- … — Makoto usava a ironia, coisa que nunca o vira fazer.
- Sousuke! — Makoto exclamou ainda mais sério. — Tenha consciência dos seus atos! Independente de quem seja! Haru, Rin, Nitori ou o Capitão Mikoshiba! Todos eles tem sentimentos! Mesmo que não demonstrem ou exponham demais, eles sentem dor sim! Sentem a dor da rejeição! E é isso o que você está fazendo com Haru.
Sousuke não encarou Makoto. Não sabia se sentia vergonha por seus atos imaturos ou se tentava argumentar com o garoto. Mas sentia que se fizesse isso, perderia; em ambos os casos. Envergonhar-se e pedir desculpas ou argumentar e perder mais um amigo? Feriria seu orgulho de qualquer maneira!
- Sousuke-kun – Makoto tornou a chamá-lo, docemente agora. — Não quero que fique bravo comigo. Nem com Haru e nem com Rin. Só quero que você seja mais sensível...
- E é por eu ser sensível demais que eu acabo desse jeito! — Sousuke exclamou.
As lágrimas escorreram novamente de seus olhos. Makoto sorriu e se aproximou dele, secando cada uma das lágrimas que desciam pelos tristes e machucados olhos azuis.
- Não precisa chorar – Makoto sussurrou. Sousuke soluçou e se deixou encostar no ombro do garoto.
Permitiu-se absorver a sensação de estar, pela primeira vez, tão perto de Makoto. Ele exalava um gostoso e doce perfume, o qual não pode identificar. Tinha os ombros fortes e confortantes, tinha o que mais precisava naquele momento! Empurrou Makoto, fazendo-o se deitar, e deitou-se perto dele novamente.
- Vou me desculpar com seus pais, com Rin e com Nanase – Sousuke murmurou.
- Não se obrigue a isso – Makoto disse e fixou seu olhar no céu estrelado. — Pior que não se desculpar, é fazê-lo com culpa e cheio de obrigação.
- Você está sendo meio contraditório – Sousuke disse fazendo-o rir um pouco. — Não está me obrigando. Faço-o porque quero.
- Tudo bem então – Makoto murmurou. — Vai voltar para Samezuka?
- Sim. Rin vai me encher o saco se não voltar! — resmungou. Makoto riu.
- Então deveria ir – disse e se ergueu. Puxou Sousuke e sorriu compreensivo para ele.
Num ato repentino, Sousuke o abraçou. Coisa que nunca havia feito nem mesmo com Rin! Makoto não estranhou o gesto e retribuiu com docilidade. Sousuke permitiu-se analisar melhor o físico de Makoto e espalmou as mãos no meio das costas do mesmo, que sequer se importou. Desceu um pouco as mãos para a cintura definida e ali permaneceu. Não perderia o amigo por conta de um briguinha... e sim por causa do assédio!
- Obrigado.
Sousuke fizera questão de sussurrar o agradecimento bem próximo ao ouvido do garoto. Makoto, mesmo que inconscientemente, arrepiou e não pode deixar de corar com isso! Gaguejou um pouco e balançou a cabeça positivamente. Devolveu o sussurro em um: “Por nada” e o soltou.
- Diga a sua mãe que peço desculpas – Sousuke gritou enquanto corria.
Após vê-lo tão longe, Makoto voltou para casa mais aliviado e também mais perturbado. Haru, quando o viu, não disse nada, desconfiava do que era, mas preferia ficar em silêncio.
O celular de Sousuke vibrou na mesa; pegou-o e leu a mensagem de seu mais recente amigo. Makoto convidava-o a passar o domingo com seus amigos num parque, pois não queria sentir-se só.
- Ei! — Sousuke disse irritado ao ouvir a voz de Makoto pelo telefone quando ligou para o mesmo. — Quer dizer que eu só sou companhia quando você está se sentindo sozinho?
- Hãn? Ah! Me desculpe, Sousuke-kun! Não foi isso o que eu quis dizer! — Makoto dizia desesperado.
- Makoto! — Sousuke exclamou. Riu um pouco da ingenuidade de Makoto e prosseguiu: — Eu irei. Onde devo esperá-los?
- Não teve graça... — resmungou. — Enfim, nos encontraremos no parque.
- Certo! Nos encontraremos lá! Até!
- Até breve, Sousuke-kun! — Makoto disse e desligou.
Makoto era deliciosamente fofo! Com um corpo tão grande quanto o coração, surpreendia cada dia mais Sousuke, que se deleitava com as expressões e conversas que mantinham. Saiu do dormitório e seguiu para o parque. Coincidentemente chegara junto com Nanase.
Ambos esperavam na portaria do parque, sequer se olhavam. Sousuke não sentia mais o tão temido ódio e muito menos ciúme.
- Oi – Haruka disse baixinho.
- E aí? — Sousuke murmurou um pouco desconcertado.
- Makoto te chamou? — Haruka perguntou após um longo minuto de silêncio.
- Sim – respondeu. — Afinal, ele ficaria sozinho.
- Yamazaki – Haruka repreendeu-o. — Nunca deixei Makoto sozinho.
- Não – Sousuke fora irônico. — Não... Makoto chegou a me pedir companhia!
- E isso é ruim? — Haruka disse e se virou um pouco irritado. — Makoto faz amigos muito facilmente. Não achei que ele se sentiria sozinho.
- Mas se sentiu! Assim como eu me senti! — exclamou aumentando o tom de sua voz. Usara um tom grave, afim de intimidar o moreno. — Rin me deixou! Assim como fez a alguns anos. Você está fazendo o mesmo com Makoto!
- Yamazaki! — Haruka gritou irritado. Suspirou, percebendo os olhares para si. — Yamazaki. Sabe que essa não foi a intenção de Rin, tal qual não foi a minha. Tente ser compreensivo.
- Eu estou tentando, Nanase – Sousuke disse e levou a mão a cabeça. — Estou tentando...
- … — Haruka passou a encará-lo, com sua habitual indiferença. — Você gosta do Makoto?
- Claro – disse desligado.
- Imaginei... — Haruka murmurou. — Makoto também gosta de você...
- É claro que sim! — Sousuke dissera. — Somos amigos.
- Ah! — Haruka exclamou. — Parece que você não entendeu.
- Entender? Entender o quê? — Sousuke perguntou.
- Sousuke-kun! — Makoto gritou sorridente. Ele corria alegremente em direção aos dois colegas e parecia bastante cansado. — Haru!
- Onde esteve? Já faz dez minutos que estou te esperando – Sousuke disse antes de se atirar dramaticamente nos braços de Makoto.
- Ah, Rin se perdeu e me ligou – Makoto disse e respirou profundamente.
- E porque não ligou pro Nanase? — perguntou descrente.
- Porque fui eu que o trouxe aqui – Makoto disse. — Aí eu fiquei com medo de que se perdesse novamente.
- … — Sousuke o encarou por um longo tempo antes de tentar conter uma risada. — MAMAkoto!
- Hã?! Sousuke-kun! — Makoto exclamou após entender o trocadilho.
Rei e Nagisa já haviam entrado no parque há um bom tempo, espantado Sousuke. Makoto e Haru entraram juntos, conversando; Rin e Sousuke ficaram um pouco para trás, em silêncio. Rin abriu a boca diversas vezes, mas parecia constrangido demais para falar alguma coisa.
- Diz logo o que quer dizer! — Sousuke dissera de forma irritadiça.
- Você é sempre tão direto, Sousuke... — Rin murmurou.
- Só fala – falou secamente.
- Você era apaixonado por mim? — perguntou e parou bruscamente.
Sousuke empalidecera. Como é que Rin descobriu?! Depois de tantos anos escondendo isso tudo tão bem... como é que ele soube?!
- Pela sua expressão, eu pareço ter acertado – Rin disse seriamente. — Diga-me, Sousuke! Diga-me a verdade!
- Ei, como soube disso? — perguntou ainda em choque.
- Haru me falou – respondeu. Como Nanase descobrira? — Sabe, Haru é quieto, porém observador. Ele me contou que você o tratou muito mal quando se encontraram na casa do Makoto.
- Me desculpe por isso – Sousuke disse cansado. — Estava irritado e com... ciúmes?
- Porque a dúvida? — Rin perguntou, estranhando.
- Bem... porque eu não sei que tipo de ciúme eu estava sentindo – Sousuke respondeu francamente. Poderia se abrir com Rin agora, certo? Seu amor platônico se fora, então...
- Como assim? Sousuke, seja mais direto! — Rin disse irritado.
- E-Eu... — gaguejou. — Eu fiquei com ciúmes do Nanase... por estar... na casa do M-Makoto...
Rin, aproveitando a confissão, tirou o celular rapidamente do bolso e tirou uma foto do amigo. Sousuke estava tão constrangido que sequer notou o flash que lhe iluminou o rosto.
- Essa é a primeira vez que eu te vejo vermelho... — Rin murmurou ainda em choque. Sousuke se espantou um pouco. — Isso é incrível! Você ainda está confuso, certo?!
- Tô confuso com essa tua frase... — murmurou.
- Cala a boca – Rin disse ainda com um sorriso. — Vou tirar o Haru de perto dele!
- E-Espera! R-Rin! — gritou, mas de nada adiantava mais.
Rin já se encontrava metros a sua frente, puxando Haru e indicando a companhia de Sousuke para Makoto. Obviamente, Makoto não se importava nem um pouco! Correu, distraído para perto de Sousuke e ficou por ali mesmo.
- Então, Sousuke-kun? O que devemos fazer? — Makoto perguntou olhando com certo desinteresse para os brinquedos.
- V-Você não me parece gostar desse tipo de coisa – Sousuke disse enquanto caminhava lentamente.
- E é justamente o contrário – Makoto disse e riu. — Eu gosto bastante, mas hoje não estou no clima.
- Que ir pra outro lugar? Aqui me sufoca – Sousuke disse se esgueirando pelas pessoas afim de conseguir passar e respirar um pouco.
- Por favor...
Conseguiu ouvir o último resmungo de Makoto antes do mesmo segurar-lhe a barra da blusa para não se perder. Sorriu, involuntariamente, com aquele pequeno e fofo gesto. Saíram do meio da multidão e foram para as barriquinhas, onde Sousuke em toda a sua “bondade” gastou o dinheiro que lhe restava, comprando comida e brinquedos.Mas não se importava. Nem um pouco. Fazia porque queria ver o rosto feliz do garoto. E isso... era bom, certo?
Notas finais
Beijos, Bunny ♥
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