Noite

"Bem-vindo de volta irmão!"

"Maika." — digo enquanto olho para cima da porta com ela meio-aberta.

"Sim?"

"Por que tem um balde em cima da porta?"

"Q-Que estranho, né...?"

"...Ele não estaria cheio de carne?"

"E..Eh? N-Não acho que isso faria sentido irmão..."

Ela é tão transparente. E ela espera que o balde caia em cima de mim e a carne atravesse a minha pele até o meu estômago?

"Não vai abrir a porta totalmente, irmão?"

"Não. Eu vou dormir fora hoje."

"O quê...?" — ela fica triste.

"Não tem como entrar aqui, então eu vou ter que dormir em outra casa."

"Não... Não irmão, não! Por favor!" — os olhos dela começam a encherem-se de lágrimas.

"Então tire o balde para que eu possa entrar."

"Eu... Eu... Não consigo alcançar!"

"E como você colocou ele aí em cima?!"

"Eu não me lembro..."

"Hee...? Como assim? Bem... Vamos fazer o seguinte. Você é leve, então consigo te erguer para que você pegue o balde com as mãos."

"S-Seu pervertido!"

"Pervertido?"

"Sim, irmão pervertido!"

"Mas eu só pedi para que eu te erga para você pegar o b-"

"Está tudo bem! Eu sei que você é pervertido... Eu te aceito assim como você é." — diz ela em tom de compaixão.

Por algum motivo eu me sinto levemente humilhado.

"Bem, venha cá Maika."

"M-Mas..."

"Maika, aqui fora está frio e estou cansado do trabalho de hoje."

"T-Tudo bem! Poxa! Se você insiste tanto, irmão pervertido..."

Como a porta está só meio-aberta, não consigo ver muito bem a Maika. Com um pouco de dificuldade consegui segurar ela com as mãos e ergue-la.

"E... então Maika? Já conseguiu segurar o balde?"

"Q...Quase! Estou quase lá, irmão!"

"Você é leve, mas a porta está machucando os meus braços!"

"Espera só mais um pouco... e... consegui! Pronto irmão! Conseguimos!"

Abro a porta, ainda erguendo a Maika.

"Obrigado Maik- O-O-O que você está fazendo?! Está só de toalha?"

Eu vi! Eu vi tudo!

"E-Eu falei que você era pervertido!"

"Por que não me avisou de forma clara?!" — digo enquanto olho para baixo.

"Você viu?"

"Sim, tudo."

Ela fica extremamente envergonhada.

"I-Irmão idiota! Pervertido! Tarado!" — ela começa a se mexer e balançar.

"Ei, Maika, não se balance tanto ou você vai cai- Aah!"

Ela cai em cima de mim bom o balde de carne e há carne espalhada por todo o chão e em cima de nós.

"Ai ai ai... Você está bem, irmão?"

"S-Sim... Você não se machucou?"

"Não, você amorteceu a minha queda."

"M...Maika."

"O que foi, irmão?"

"Cadê a sua toalha?"

"Hm... Minha toalha?... Ah! Está ali, enganchada na maçaneta da porta."

...

"Kyaaah! Pervertido!"

Haa... O Destino está me provocando?