Dulce se sentira uma súbita e inconfundível frustração por ter feito tal coisa. Não poderia ser considerado arrependimento , pois a ruiva teria de assumir que não se arrependia do feito, mas algo lhe sufocava , algo lhe corroía, se sentira uma péssima pessoa por trair Pedro. Sim, teria traído Pedro, e como se já não bastasse, com Christopher ,aquele do qual jurou ódio, aquele “retardado convencido”, aquele seu irmão adotivo.

Mais um passo era suficiente para avistar Vera na cozinha, a mulher morena, estava se empenhando em alguma massa na batedeira e parecia vagando em seus pensamentos.

Dul: Vera eu queria conversar com vc.(se pronunciou entrando na cozinha)

Vera: Ah! Sim, o que eu poderia ser útil?(indagou enquanto ligava o forno elétrico)

Dul: Sobre..sobre..(inspirou todo o ar que fora capaz e o soltou gradualmente para que pudesse ganhar forças de se explicar) Sobre o que vc viu..(sorriu envergonhada)

Vera: Vc se refere a vc e o Christopher?(Dulce apenas assentiu) Não se preocupe com isso, eu não irei contar nada aos pais de vcs.(sorriu cativante) Eu já desconfiava que estava acontecendo entre vcs dois.(despejando toda a massa em uma forma já untada)

Dul: Não..(negou com a cabeça) Não existe nada entre a gente e que..(abaixou a cabeça, sem argumentos a serem usados em sua defesa)

Vera: Dulce(colocando a forma dentro do forno) Pensei que fosse do tipo de mulher que não se da ao luxo de desfrutar do prazer do amor, sem haver sentimento.

Aquilo teria sido uma golpeada certeira na “caixinha” de sentimentos de Dulce. Teria de admitir que vera tinha toda a razão.

Dul: É que..(foi interrompida)

Vera: (colocando a batedeira sobre a pia) Vc não precisa me dizer nada, ok?! Apenas reflita, se realmente não houve sentimento mesclado ao desejo, quem sabe?(deu os ombros)

Dul: Vera mas ele é meu irmão.(relutou se sentando sobre a cadeira)

Vera: Isso não os impede de nada.(se sentou na cadeira ao lado de Dulce)

Parecia que o dia estava a favor de Dulce, por mais inusitado que possa parecer, exclusivamente neste dia Christopher e sua pessoa não se esbarraram nos corredores daquela enorme e luxuosa casa, e a ruiva podia jurar não ter o visto saído de casa, o que viria a ser um tanto impossível.

E para sua total sorte, ou talvez nem tanta Pedro, apenas lhe mandava mensagens, o que fazia com que o coração de Dulce se tornasse mais apreensivo, precisava contar o que fizera com ele, e saberia que não haveria perdão, e não se sentia mal por isso.Fato que confrontava a mente de Dulce que estava disposta a obrigar seu coração se dispor a Pedro.

May: Por isso eu to dizendo isso.(revirou os olhos ajeitando sua franja com a mão)

Any: Vc ta dizendo que esta sendo monitorada por guardas?(franziu o cenho processando tal informação)

May: To(afirmou com a cabeça)Mas nada que eu não possa resolver.(se pronunciava enquanto entrava na sala)

Any: Pode?(voltou a indagasse confundido com os relatos de Maite)

Dul: Eu pensei que estivéssemos atrasadas.(entrou na sala, estranhando a ausência de boa parte dos alunos.)

May: E estamos.(revirou os olhos se direcionando ao seu lugar na sala) Mas que eu saiba quem esta faltando aqui é o Christopher, o Alfonso e o Christan(concluiu satisfeita)

Dul: O Christopher ta de suspensão.

May: Porque brigou por vc.(sorriu vantajosa) Eu sabia que um dia ele ainda faria aquilo com o Pedro.

Dul: Por que?(indagou em extrema curiosidade, se aproximando de Maite)

Any: Por nada(Se pronunciou antes que Maite , falasse algo a mais) Prossiga com sua linha de raciocínio Dulce.(Se sentou sobre a mesa)

Dul: (negou com a cabeça, sabendo que não iriam revelar aquele “segredo” a ela e se desvinculando daquele pensamento) Cadê o Alfonso e o Christian?

Any: Cara Dulce(sorriu cativante) Os meninos são muito unidos e quando um falta, os outros dois em protesto faz o mesmo, me entende?

Dul: É.Mais ou menos.(concluiu)

May: Era isso que esperávamos ouvir de vc.(disse certa)

Any: O que vc ta fazendo aqui?(apontou defasada a forma humana que acabara de surgir na porta da sala)

Belinda: Oi queridas(sorriu caminhando sobre um salto agulha, considerado alto, e um vestido desproporcional a uma sala de estudos) Acho que precisarei roubar a Dulce vcs por um minutinho.(sorriu sem graça)

Dul: Eu?!(arregalou os olhos temendo o evidente)