Seus olhos se abriram, arderam com a claridade e novamente se fecharam. Seu corpo não doía mais, sua cabeça nem ao menos latejava e as dores no ombro parecia sumir. Que merda, morreu e está no céu? Isso se passava na mente de Mike, enquanto o rapaz lutava contra seus próprios olhos para abri-los. Depois de uma luta contra seus próprios olhos e a claridade. Aqueles olhos puxados estavam abertos, encarando aquele teto branco. Um alivio. Não estava morto, estava em um hospital. Aquele quarto branco, aquela mobilha nova e bem cuidado. Era o convênio que havia feito a muito tempo para a família Shinoda. A claridade do sol adentrando a quarto, a cortina clara e transparente voando levemente com o vento fraco que circulava o ambiente aquela tarde. Dois aparelhos ao seu lado, aquele apito chato penetrando seus ouvidos, recebia sangue, recebia soro. Que merda, odiava aquelas coisas penetrada em suas veias. Com a calça do hospital, sem camiseta, o curativo no ombro com uma leve mancha de sangue, nada que o preocupasse. Ao seu lado, sua mulher, sua linda esposa. Deitada sobre o sofá, um olhar preocupado e cansado. Ainda não notará que o Marido já está acordado.
– Anjo... – Sua voz saiu seca, sua garganta ardeu. Que merda, a quanto tempo dormia.
– Vida... – Anna acordou, quase que pulando do sofá e voando para o Marido. A preocupação, as noites sem dormir. Finalmente teriam fim, pois os lindos olhos de seu marido estavam abertos.
– O que eu to fazendo aqui? Tira essas coisas do meu braço, doe. – Mike soltou um olhar de cão sem dono. Causando um sorriso bobo em sua esposa apaixonada.
– O senhor nem pense em tirar isso.
– Eu mal acordei e já ta brigando comigo? – Não era um começo de discussão, era uma pirraça de Mike.
– O senhor mal acordou e já esta reclamando? – Brincou Anna, tocando a ponta de seu dedo no nariz do rapaz e causando um sorriso no japonês. Tentou morder o dedo da esposa, mas acabou mordendo o ar e causando uma risada leve na moça a sua frente. A briga parecia não ter existido entre eles. As risadas, nem a preocupação de estar em um hospital, de acabar de acordar perturbava Mike, pelo contrario. O rapaz se sentia bem, muito bem.
Sua mulher se afastou, foi chamar o medico. Seus pensamentos voaram dali. Estava voltando a noite passada, por que forá tão esnoba daquele jeito, por que não se manteve calado e estaria ótimo. No momento, os fãs estão desesperados, querendo saber do seu estado. O pessoal da banda na loucura. E sua mãe, sua mamãe, como estará naquele momento? Seu coração tão frágil resistiu a tudo isso? Se quase enfartará com a noticia que o filho seria pai, imagina ao saber que o filho estava em um hospital.
– Shinoda. – A voz de Chester penetrou seus ouvidos. Por que mesmo sendo esnobe daquele modo, vivendo em um pé de guerra com Chester, o rapaz alto, careca. Com um porte físico perfeito para um homem de sua altura e idade, o corpo completamente coberto por tatuagens, alargadores com pelo menos 12mm. Com os olhos castanhos, no mesmo tom dos do Japonês deitado sobre aquela maca. – Você quer nos matar de susto? Por que faz isso? Aaah que vontade de te fazer dormir de novo. – Chester parecia nervoso, mas pelo contrario. Estava feliz por ver o melhor amigo acordado. Por mais que Mike fosse chato, metido e esnobe, Chester o amava, o amava como um irmão.
– Eu estou bem, muito obrigado. – Ironizou. – Quero comer...
– Paga uma coca pelo menos... – Brincou, causando um leve sorriso naquele lindo rosto de Mike. O corpo de Chester caminhou em direção do sofá, jogando levemente seu corpo sobre ele e encarando o japonês sobre a cama de hospital. Nos seus olhos via ternura e medo de perder Mike. Por mais que o japonês fosse daquele jeito, Chester o amava e não queria o fim do Linkin Park.
– Não fique me olhando assim, levei apenas um tiro. Não estou morrendo. – Mike encarava Chester. A Briga dos dois da noite passado parecia nem ter acontecido pelo medo que se tratavam bem ali dentro.
– Mas quase morreu? Tem noção do quanto ficamos preocupados?
– Foi mal...
– Foi mal? Só tem isso a dizer?
– Quer que eu diga o que? Me perdoe Chester Charles Bennington. Farei o Maximo de não levar mais nenhum tiro a partir de hoje, te prometo. – Ironizou.
– Não faça suas ironias agora Mike. – O Corpo de Chester saiu do sofá e caminhou pelo quarto do hospital. – Você quase nos matou do coração, a Anna ficou desesperada quando soube. Não pensou no pequeno Otis, você tem sorte que o garoto não entende dessas coisas. – Chester falava como se fosse pai de Mike, mas aquilo era apenas preocupação de amigo.
– Eu não tenho culpa de ter levado um tiro. – gritou já irritado com tudo aquilo. Por mais que a culpa tivesse sido dele, Mike não cederia e aceitaria as palavras de Chester. Sempre queria estar certo, sempre queria ser o certo. Por mais que estivesse errado, maldito orgulho.
– Eu te conheço Michael. Sei que você reagiu, não queria que levasse seu Iphone? É isso? Então toma. – Chester tirou seu celular do bolso e jogou na cama ao lado de Mike. Que apenas abaixou o olhar em direção daquele aparelho.
– Eu não ligo para porra de Iphone nenhum, eu posso arranjar outro. – Não foi esnobe, apenas disse a verdade.
– Então o que foi? O que fez agir feito um idiota no assalta? Seu orgulho? Sua dignidade? Queria ser um herói? VOCÊ ESTAVA SOZINHO IDIOTA, E ELE ARMADO, POR QUE NÃO FICOU NA TUA? POR QUE NÃO ENTREGOU O CELULAR E PRONTO? – Chester tocou com as duas mãos sobre a cama aproximando seu rosto no de Mike, um podia sentir a respiração do outro, se não fossem tão amigos, pensariam que os dois em poucos segundos se beijariam.
– Você sabe como eu sou. – O halito de Mike penetrou as narinas de Chester, não havia um cheiro lá muito bom, havia acordado e nem escovado os dentes havia feito. O deixando de mal halito e fazendo com que o tatuado se afastasse.
– Você sabe como eu sou. – Tentou imitar o amigo. – Então seu orgulho e dignidade vale muito mais que sua vida? Vale muito mais que ver seu filho crescer? – O lado paterno de Chester era alto demais, pois tudo que ele fazia sempre estava com seus pequenos em mente, por mais que tivesse bastante filhos, Chester não esquecia nenhum deles. Sempre tinha um espaço em especial para cada um em seu enorme coração. Sem mais e sem menos para nenhum deles. E vendo Mike daquele jeito, o fazia pensar em Otis, seu afilhado, tentando fazer o amigo acordar e ver que o filho é mais importante que toda sua dignidade e orgulho.
– Foi mal. – Mike nunca soube pedir desculpas. – Eu não pensei no Otis.
– Você nunca pensa nele.
– Não coloque palavras em minha boca Chester. Otis é meu filho, eu sei muito bem cuidar dele e dar atenção a ele.
– Cuida bem dele? Me diz uma vez que você saiu para se divertir com ele? Seu filho tem três anos e nunca foi visto nas ruas com você.
– Não posso ser uma pessoa reservada com a família?
– Ser reservado com a família é uma coisa Mike, não sair com o filho é outra. – Por mais que Mike odiasse aceitar as palavras de Chester e se dar por vencido, o amigo estava certo. Mike nunca saiu com Otis, sempre dava mais atenção a banda do que a própria família, onde vivia em guerra com Anna que passava a ligar para tudo aquilo e cobrar o marido.
– Você não sabe como minha família é. Você não estava comigo vinte e quatro horas por dia...
– Mas estou por pelo menos doze horas dele. – Chester se irritava com amigo, ele se preocupava com ele, queria o seu bem. Queria ele bem com a família.
– A Anna nunca reclamou nada...
– Não? Há não? Michael, eu sei que ontem você ficou todo nervoso com o pessoal da banda por causa dela. Sei que mal se concentrou no show por que discutiu feio com ela. Acha que eu não desconfiei de nada por você querer dormir no hotel com o pessoal ? Ainda mais estando tão perto de sua mulher. Mike você não passa uma semana longe dela, sempre viaja nas turnês pra poder passar uma noite com ela.
– ... – Um silencio havia em Mike.
– Me responda Mike. – Gritou.
– O que você quer de mim? Não consigo dar atenção ao Linkin Park, Fort Minor, Fãs, e Otis ao mesmo tempo.
– EU TENHO SEIS FILHOS MIKE, E NEM POR ISSO DEIXO DE DAR ATENÇÃO A ELES.
– Você é diferente.
– Eu não sou diferente, sou como você. – Seu tom de voz diminuiu. – É bom que você mude senhor Mike, o modo de agir com sua família e de ser. Ou serei obrigado a tomar atitudes. E você não vai gostar.
– O que? Vai me tirar da banda? – Se sentiu ameaçado.
– Não serei tão rígido assim. Mas vamos ter que botar alguém na sua cola.
– Um detetive? Não estou traindo a Anna, eu a amo e amo como nunca amei ninguém. Nunca faria isso com ela. Ainda mais com o pequeno Otis.
– Não estou falando de traição...
– Está falando do que então senhor Bennington? – Se ajeitou na cama, cruzando os braços e esperando a resposta do amigo.
– Estou falando que você sozinha por ai é um perigo para nós...
– Não vou matar ninguém.
– Está se fazendo de idiota Michael? – Chester encarou o amigo, tentando entender toda essa burrice do japonês.
– Seja mais claro. – Novamente esnobe e irritando o tatuado a sua frente.
– Estou falando de andar com segurança. Alguém que te proteja e não te coloque em risco. Sua vida em risco.
– Ficou louco? – Gritou.
Fale com o autor