Minha Flor-de-lis
11 Erva Venenosa
Notas iniciais
POV Autoras
Em um beco escuro com cheiro de lixo podre e fumaça de cigarro predominava e o som de um sapato alto batendo no concreto.
–Oi! Garota. – um homem careca e bombado segura a garota de cabelos verdes pelo braço.
–É desse jeito que tratam sua “Lady”? – ela mostra a erva daninha em seu braço fazendo o homem solta-la
–Tsutaouroshi-sama , estávamos a sua espera , espero não ter a ofendido.
–Pegaram os demônios do Amaimon?- ela disse enquanto o homem a guiava até a sala de reunião da gangue
–Sim , milady. – ele oferece um lugar para ela se sentar. – seu filho é muito protetor com a irmã quase estragou nosso plano.
–Ele fazia isso deste que essa peste estava em meu ventre , sempre a protegendo dos meus planos de dominar Vera Cruz e espalhar o caos.
–Então e esse plano , Milady? – ele deu uma pausa- como vamos dominar a vera cruz?
–Os demônios de Amaimon irão distrair os exorcistas enquanto vamos para o subsolo que tem o portal para o Vaticano. – ela mostra o mapa de Vera Cruz – se dominarmos o Vaticano tudo estará sobre meu controle , aliais o Vaticano é o centro de tudo isso , se conquistarmos o centro eles não terão chances.
–Mas a vera cruz japonesa tem os filhos de Satã e a filha do senhor do fogo?
–Posso acabar com eles em minutos aliais eles não machucariam a preciosa Miya.
–MÃE! DEIXA ELA IR! – a voz de Amaimon ecoa pelo local.
–Merda, ele acordou.
–Traga-o para mim! – sua voz soou autoritária.
O Homem desce em uma escada enferrujada e volta com Amaimon acorrentado e machucado.
–Por que gosta tanto dessa hospedeira? – ela olha seria para o filho.
–Como você tem coragem de chamar sua própria filha de hospedeira! – ele cospe sangue no chão – me deixe falar com ela só por um minuto, por favor,mamãe!
–Estarei contando os segundos, meu filho...-uma fumaça laranja sai do corpo e entra em uma flor em um vaso no canto deixando Miya cair nos braços do irmão.
–Ei maninho. – ela sorri tristemente. – parece que eu falhei.
–Você vai conseguir conte-la , eu consegui!
–Eu não sou você! – ela segura as lagrimas- Cuide da Shieme e seja feliz.
–Você é a melhor irmã que um demônio poderia ter!
–E você é o melhor irmão do mundo....
–O TEMPO ACABOU! – a fumaça voltou para o corpo de Miya. – Cena comovente.
A voz que antes era doce e clara era rouca e deformada e os olhos antes claros e puros agora tinham uma tonalidade verde sujo.
–MIYA! – ele grita. – EU SEI QUE VOCÊ É FORTE...mais do que eu!
O corpo parou contra a vontade de Tsutaouroshi que pareceu surpresa pois sua Hospedeira estava resistindo pela primeira vez.
–BASTARDO SIMPLÓRIO! – ela estava levantando a mão para bater em Amaimon porém ela parou no meio do caminho.- temos que realizar a missão antes que ela tome o controle completamente....PEGUEM OS DEMÔNIOS E OS CARROS! ESTAMOS PARTINDO!
POV Rin
Yukio andava de uma lado para o outro com a mão no queixo, que já estava ficando vermelho te tanto que ele esfregava.
–Alguma idéia? – Ayame indagou cansada e dolorida, pois o chute no estômago ainda doía.
–Não sei se devemos falar com o diretor – ele falou olhando sério para a janela de onde podia ver o escritório do diretor.
–Você tem certeza que não sabe o que fazer? – perguntei erguendo uma sobrancelha.
–Tem razão, devemos falar com o diretor!
–Sério? – solto um suspiro – esperava mais de você maninho...
–O que devemos fazer então, gênio?
–Então...a Miya ainda está lá dentro, então se você conversar com ela, talvez isso a traga de volta e ainda a tornará mais forte contra a mãe.
–E se não der certo? – ele olhou entristecido para mim – e se eu não for o bastante, e se eu não conseguir trazer ela de volta?
–Vamos ter que chamar o diretor e você já sabe qual vai ser a ordem dele. – ele abaixou a cabeça depois que eu falei– você tem que tentar e você vai conseguir.
Ele continuou de cabeça abaixada e calado, estava em um momento de pânico e duvida que eu de certo modo entendia muito bem.
–Vamos falar com o diretor.- Yukio falou saindo do quarto. Eu e Ayame corremos atrás dele com dificudade.
–Como assim?
–Vamos precisar de mais homens! Considerando quem é a mãe de Miya, ela não deve estar andando sozinha pela cidade.
–Mas e se ele não entender?
Yukio tirou o casaco do cabideiro e o vestiu enquanto colocava os sapato usando os pés, sem se abaixar.
–Como não iria? Se ele a deixasse solta por aí teria sérios problemas, ele é quase tão poderoso quanto ela, mas não chega nem perto.
–Parece que você não está falando da Miya!-Falei emputecido.- Está agindo como se ela fosse um demônio qualquer!
–Porque quando é um demônio qualquer essa estratégia funciona!-Ele responde abrindo a porta mágica.- Se eu pensar que é ela eu vou foder tudo!
–Mas o processo padrão sempre inclui matar ela! Você acha que vai conseguir? Você quer? O PROCEDIMENTO PADRÃO NÃO VAI FUNCIONAR!
Ayame me olhou com aquela cara de “você passou dos limites” e Yukio entrou pelo portal, o fechando atrás de si antes de nos deixar entrar.
–Você tinha que falar de matar ela!-Ayame deu um tapa nas costas da minha cabeça.
–Mas é o procedimento padrão! Ele que falou que faria assim!
–Ele disse que faria o procedimento padrão, MAS NÃO ELE TODO!
POV narrador
Yukio terminou sua “reunião” com o diretor rapidamente, bastava falar o básico do que aconteceu para que fosse permitido que ele levasse um grupo de cerca de 10 exorcistas.
As câmeras da escola a gravaram pelo caminho até que saísse da escola e entrasse em um beco ao lado de um estabelecimento bem decaído, no qual as câmeras a gravaram entrando depois.
“Erva Venenosa” era um nome um tanto irônico demais para o gosto de Yukio, a tinta da placa já tinha desbotado no desenho de uma flor rosa com espinhos que ficava em cima das letras pretas com o nome do bar.
A porta de madeira tosca e o fato de a placa estar alguns graus inclinada não colaborava com o precentimento de que seria uma missão difícil, de fora parecia que o estabelecimento tinha lugar para apenas algumas poucas mesas e uma bancada, provavelmente não haveriam muitos demônios com os quais lidar.
Mas ao abrir a porta eles foram provados errados. Não parecia nem de longe o mesmo lugar, a iluminação escura azulada e as paredes brancas davam ao lugar uma aparência moderna videiras se enrolavam nas lâmpadas e nas colunas que desciam até o chão.
A voz de Miya logo atingiu os ouvidos de Yukio, o que facilitou para que ele a achasse n multidão de homens que havia a sua frente, jogando notas verdes de dinheiro nas dançarinas que se espalhavam pelo longo palco distribuído de forma igual pelo salão.
Ela estava no centro, entre varias dançarinas com aparência misturada, com caudas, braços e pernas demoníacos.
Mesmo que as outras dançarinas estivessem com menos roupa que ela, Miya parecia chamar mais atenção do que elas, sua saia acabava antes de onde os dedos alcançavam, a blusa preta curta deixava a barriga a mostra assim como as alças do sutiã de renda preta, de alguma forma, o pouco que ela cobria parecia muito.
A esverdeada dançando mantendo o microfone próximo aos lábios com a mão coberta pela luva que não cobria os dedos.
Os outros exorcistas a sua volta pareciam perdidos e distraídos, mesmo que soubessem que haviam vários demônios a sua volta essa parecia ser sua última preocupação.
Todos olhavam para ela como se estivessem em transe, menos os que estavam em transe olhando para alguns caras dançando nos postes, fazendo o Yukio perceber que o seus amigos jogam no outro time, não que isso o incomoda-se, ele só queria saber disso em outra situação menos critica como aquela missão.
Yukio lutava para não fita-la demais e acabar no transe mas estava ficando cada vez mais difícil, teria que agir logo, e sem seus companheiros, teve que planejar outro plano depressa.
Situações desesperadoras precisam de medidas desesperadas. Yukio aproximou do palco tirando duas notas de cem mil ienes, se aproximando de Miya lhe entregando as notas, por um momento ela parecia feliz em vê-lo mas logo sacudiu a cabeça voltando a ficar séria como antes.
Ela terminou e desceu do palco , ela o agarrou pela gravata e o puxou para uma cortina vermelha sem tirar os olhos dos dele, sendo acompanhados pelos olhos de todos no salão.
Então os exorcistas que acompanhavam o Yukio se lembraram que estavam por lá a trabalho, e não para olhar os strippers, um deles mandou um símbolo de “me liga” e entregou o seu cartão para um dos meninos que dançavam no palco, se retirando.
Enquanto isso atrás da cortina vermelha não acontecia nenhuma putaria como muitos pensavam, muito pelo contrario, no momento Yukio tinha uma adaga em seu pescoço mas ela parecia hesitar.
–Miya....
Lágrimas começaram a descer pela pele pálida da menina.
–Fuja ou me mate ao menos.
Ele arregalou os olhos pois era Miya falando e ele tinha certeza disso.
–QUIETA, GAROTA! – Tsutauroshi gritou enquanto afastava a adaga do pescoço de Yukio.– NÃO! EU ESTOU CANÇADA DISSO!
Ela levanta a adaga e crava em sua própria barriga, antes que ele pudesse impedir.
–NÃO! – ele gritou a segurando e tentando estocar o sangue que escoria entre seus dedos enquanto a segurava.
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