Minha Falha
12 Perdido Em Sentimentos
Notas iniciais
As coisas andam bem.
Na verdade elas andam mais do que bem.
Sakura passou a tentar se aproximar cada vez mais, e ela gosta de escutar histórias sobre algumas coisas que passamos juntos. Então estamos sempre saindo e eu sempre contando histórias.
Isso me fez voltar a ter esperança.
Talvez ela se lembre! E mesmo se não se lembrar eu posso fazê-la se apaixonar por mim novamente.
Mas sempre que eu toco em algum assunto que é referente ao acidente, eu começo a me perder. É como se tudo voltasse. Toda a culpa, todo o desespero dos primeiros meses em que eu acordei e ela estava lá, debilitada em uma cama. Eu não suporto me lembrar disso, então não toco no assunto. E ela parece não se importar quando eu faço isso de uma forma que pode-se perceber do outro lado da rua.
Eu realmente não sei o que está havendo entre nós, mas é como no começo do nosso relacionamento. Sakura está voltando a ter várias atitudes que ela tinha na época em que nos conhecemos, e isso é interessante, porque até algumas atitudes e costumes que eu não via fazia anos, ela voltou a ter. Em parte isso é trágico porque ela definitivamente não se lembra de nada, mas em muitos momentos eu ainda pergunto para ela: "Você se lembrou?", a resposta é sempre a mesma: "Não, desculpe.", mas ela sempre me responde com calma, nunca perde a paciência com o número de vezes que eu pergunto.
Só não entendo o fato de ela pedir tantas "Desculpas", sendo que eu ainda continuo sendo o causador de tudo.
Hoje nós marcamos de nos encontrar no apartamento dela. Até agora Sakura não entrou na "minha" casa, desde o dia em que ela foi embora com a mãe. O mais próximo que chegou foi a espera na varanda, naquele dia que foi um ponto final em uma parte da história e um novo capítulo na nossa história.
A alegria eletrizante é o que está me movendo, eu descobri que Sakura mora consideravelmente perto de casa, então estou indo a pé, mesmo querendo chegar o mais rápido possível.
Eu passei na floricultura, para tentar ser romântico, mas as flores já não estão muito inteiras. De tanto chacoalhar nas minhas mãos elas já estão quase sem pétalas. Mas espero que isso não importe... Muito.
Quando eu chego na esquina da rua dela, já imagino a minha expressão facial. Sorriso maior do que o rosto. Olhos praticamente brilhando. Sentia meu coração acelerado, imagino que em parte por causa dos quarteirões que eu tive que andar. Talvez estivesse estampado na minha cara que eu estava feliz? Talvez. Mas isso não tem muita importância.
Eu cheguei um tanto quanto desajeitado, e tropeçando um pouco na portaria. Assim que eu parei em frente a cabine do porteiro ele parou de examinar a tela do computador e passou seu olhar por mim. As flores destruídas, minha roupa um pouco suada, meus cabelos desgrenhados de sempre, minha alegria aparente...
-Aonde vai Senhor? — ele perguntou voltando novamente o seu olhar para a imagem das câmeras no computador.
-Vou ao apartamento de Sakura Haruno. — eu falei e olhei novamente o número do apartamento dela que ela havia me passado por mensagem. — apartamento 22.
-Pode subir. — ele falou brevemente, eu não entendi exatamente o que estava havendo, foi muito rápido, então fiquei ali, parado olhando para ele em busca de qualquer resposta. — Ela deixou avisado que o senhor viria. — ele falou, com isso eu assenti, e comecei a subir as escadas em direção ao hall.
Eu entrei no elevador e me virei para o espelho, após apertar o botão do andar. Eu pude examinar minha imagem, e dizer que ela estava deplorável, era ser gentil.
O elevador não emitia som algum, mas quando ele abriu eu sai dele e fui em direção a porta do apartamento. Mas antes eu escutei uma briga vindo de dentro. Eu não pude me conter ao reconhecer a voz de Mebuki e Kisashi, sei que eu não deveria, mas comecei a escutar por trás da porta.
-Você não pode me julgar! — escutei Mebuki exaltada.
-Será mesmo?! — Sakura rebateu.
-Sakura, volte para casa... — Kisashi tentava apartar a briga, ele estava calmo, mas parecia um pouco magoado. Só não sei exatamente com quem.
-Não consigo viver com ela. Não suportaria olhar para o rosto dela todos os dias! — escutei Sakura começar a se exaltar, e não havia nenhum indício de que ela queria chorar. Ela estava furiosa! Um lado dela que eu nunca tinha visto. — Eu já não estou aguentando olhar para ela uma vez por semana! — ela estava exasperada, estava pondo tudo para fora de uma só vez. — NÃO SEI COMO VOCÊ CONSEGUE! — ela berrou por final.
Um silêncio se instalou no lugar, e isso foi o suficiente para que eu começasse a pensar sobre tudo que estava acontecendo. O fato era: Sakura saiu de casa novamente, após passar pela mesma experiência que já havia passado. Ela descobriu a traição de sua mãe para com, o seu pai. Ficou zangada, mas sua mãe não aceita. Até agora não vi ela admitir que errou ou pedir desculpas, só ouvi ela dizendo: "Não fale comigo assim!", "Não me julgue!", ou "Não foi minha culpa!". Eu realmente não sou ninguém para julgar a Mebuki, mas eu particularmente acho isto errado.
-Filha... Eu preciso que entenda. — escutei Kisashi começar a falar depois de muito tempo. Ele falava com a voz mais firme do que antes, ele exalava confiança e determinação. — Quando isto aconteceu, é óbvio que eu não consegui lidar bem com isso! — Kisashi falou abrandando um pouco o tom de voz. — Eu fiquei realmente decepcionado, triste, eu estava desiludido e arrasado. — ele disse medindo um pouco suas palavras, provavelmente porque Mebuki estava lá. — Mas eu escolhi, perdoar a pessoa que sempre esteve ao meu lado, que sempre me apoiou, e que passou pela maioria das coisas da vida ao meu lado. Eu decidi que não importava desde que eu ainda a amasse, e ela dise que me amava. — ele explicava como se fosse para um criancinha de 7 anos. — Nós decidimos esquecer, e esperávamos que vocês perdoassem, e que pudéssemos seguir normalmente nossas vidas...
Parecia que ele queria dizer mais algumas coisas, mas definitivamente, Sakura não estava com muita vontade de escutar.
Ela nunca aceitou, de fato, tudo o que aconteceu. Ela dizia ter superado, mas por baixo daquilo eu sabia que sua sensibilidade aquele assunto ainda era grande. Só não sei exatamente como ela se encontra agora, já que ela além de redescobrir o que houve, passou por mais uma mentira da mãe dela para tentar mantê-la por perto, mesmo que Mebuki soubesse que Sakura não lidaria bem com aquilo, e acho que ninguém lidaria bem com uma mentira daquele âmbito.
Acredito eu, que a comparação de Sakura com uma panela de pressão seria válida. Se você não toma cuidado e mantém seu olho bem aberto, ela irá explodir.
-Eu gostaria que vocês me dessem licença. — Sakura falou e pude sentir a calma sendo forçada em sua voz. — Agora.
Os pais dela não protestaram e saíram, mas assim que abriram a porta eu estava atrás, de pé e estatístico. Eles me analisaram, perceberam a situação e o que eu estivera fazendo, mas somente se retiraram sem dizer mais nada.
Eles deixaram a porta do apartamento aberta, então assim que eu entrei, vi Sakura com a face furiosa sentada no sofá. Ela respirava fundo, claramente tentando manter a calma, o que não estava dando muito certo.
-Sakura...
-Eu preciso falar com você. — Ela disse sem me encarar.
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