Minha Estrela Guia
4 Capítulo 4 - Sonha Comigo
Notas iniciais
Leandra se aproxima e rapidamente a minha mente volta ao normal.
– Você tá bem ? É que você tá aí parada em frente ao prédio, parece que tá admirando ele.
– Ah, não é nada. Eu só tô pensando numa coisa.Como ela não perde uma única oportunidade de me zoar:
– E essa coisa se chama Felipe Andrade ?
Eu não estava mais aguentando isso. Eu decidi que ia contar a verdade pra Leandra. Eu segurei ela e levei pro banheiro. Vi se tinha alguém e contei.
– Se você contar isso pra alguém, eu não me responsabilizo pelos meus atos. Pra você pode até parecer óbvio, mas, eu acho que estou meio interessada no Seu Felipe mesmo.
Ela soltou um grito que eu acho que todo o andar ouviu.
– EU SABIA !! EU SABIA, EU SABIA....!!
– Shhhhh!!! Cala a boca. Alguém ouve e desconfia e eu me ferro.
– Foi mal. Mas, eu sabia ! Cara, corre atrás ! Eu te dou o maior apoio. Mas, eu posso contar só pros meninos ?
Eu não deixei.
– Não. Só eu e você podemos saber disso.
Ela brincando, disse:
– Viu ? As roupas vieram a calhar. Amanhã de manhã, eu vou na sua casa e eu vou te deixar linda. Causando !
Eu me espantei. Leandra deve morar em um apartamento muito caro com vista pra praia e eu na Subida da Rocinha e eu sou by InstantSavings\">empregada. Não podia usar roupas comuns. Ela com certeza não vai querer vim na minha casa. Mas, eu tinha que falar.
– Leandra ! Eu tenho que falar...
– Que você mora na Rocinha ? Eu sei.
Eu me espantei, de novo.
– Pera aí ! Mas....
– Você esqueceu de novo que eu estou com sua ficha e sei seu nome, endereço, telefone, praticamente tudo.
– Ah, é. Minha cabeça está nas nuvens.
- Tô sabendo. — Ela respondeu com aquele sorrisinho. – Já são duas e meia.
– É. Segundo o meu cronograma, é hora de lavar o banheiro feminino.
– Boa Sorte.
– Pelo quê ?
– Eu soube que uma certa pessoa está pensando em promover uma certa empregada a assistente de recepcionista. Não tenho certeza, mas...
Aí que eu entendi sobre as roupas.
– Ah, é por isso que você quer me arrumar amanhã ?
– Por isso e mais umas coisinhas. Bye !
Ela saiu do banheiro e eu começei a lavar. Deu três e dez. Terminei mais rápido do que eu imaginei. Meu expediente acaba três e meia. Eu estava indo ao vestiário trocar de roupa e quando eu saí de lá, dito e feito o que Leandra falou. Felipe foi me procurar.
– Oi. Pelo visto já sabe que seu expediente acabou.
Eu, com um sorriso, disse.
– É. Foi muito bom eu ter encontrado a Leandra por aqui.
– E eu ? Foi bom ter me encontrado também ?
Eu senti meu coração bater mais forte, estava quase saindo pela boca. Mas, eu fiquei forte e escapadamente, me fiz de difícil.
– De qualquer jeito eu ia encontrar você. Desde o dia em que você quase me mandou pro hospital. E você é convencido assim mesmo ?
Ele riu e depois me disse.
– Não. Eu não estou sendo convencido. Eu tô tratando você como você merece.
Eu fiquei meio constrangida. Mas, eu tentei matar esse assunto.
– Eu adoro discutir com você. Sério. Mas, agora eu tenho uma coisa mais importante pra fazer, como cuidar de uma pessoa.
– Eu espero um dia uma pessoa ser cuidada por você também. Você com certeza consegue conquistar uma pessoa só pelo seu jeito de falar.
Antes de ir embora, ele fala.
– Ah ! Mais uma coisa. Eu vou promover você. Vai ser assistente de recepcionista. Já que você não completou sua faculdade de administração, eu não posso promover você a um cargo maior.
Eu saí super feliz do prédio. Carregando aquele monte de sacolas, cheias de roupas e compras no mercado. Eu cheguei em casa, deixei tudo na casa e fui ver o velho Joaquim, meu pai. Ele não estava na cama. Eu estava pensando em uma coisa horrivel que pudesse ter acontecido com ele. De repente, alguém me cutuca nas costas.
– Oi promovida. Demorou, hein ?
Feliz por minha suposição estar errada, eu abracei ele.
– Como você sabe ?
– Há mais ou menos meia hora atrás, o seu chefe ligou aqui pra casa e como você é menor de idade, eu vou ter que ir lá assinar o contrato de by InstantSavings\">promoção. Eu fiquei impressionado com a organização daquele lugar.
Eu perguntei a ele.
– Por quê o senhor estava fora da cama ?
Ele respondeu.
– Porque o médico veio aqui e já me entregou o coquetel. É só eu tomar os remédios por 1 mês que eu, pelo menos, volto a andar sem me cansar tanto.
– Ok. Então, eu vou começar os trabalhos na cozinha. Vou fazer uma coisa bem leve, mas você adora.Ele adivinhou em um instante.
– Aquele macarrão de pressão que sua mãe fazia, né ?
– Isso mesmo.
Quando deu sete horas, comemos. Até eu lavar os pratos e guardar tudo, tinha dado oito e meia. Meu pai já tinha dormido, pois o remédio das oito tinha um sedativo. Eu também fui pra cama. Mas antes, como a maioria dos adolescentes fazem, eu fiquei pensando em tudo que aconteceu hoje. As pessoas que eu conheci, a rival que eu fiz, um suposto interesse, mas o que eu pensei mais foi no que Felipe me disse quando eu estava no vestiário. "Eu tô tratando você como você merece". Eu sabia muito bem que aquilo tinha sido uma indireta, ou o melhor, uma direta. Mas, será que foi com segundas intenções ? Enquanto eu pensava nisso, eu caí no sono. Como isso não é nenhuma novidade, sonhei com Felipe.
"Sonhei que estávamos na praia, na noite de Lua Cheia, contando todos os nossos segredos um pro outro. Ele tocou violão e cantou uma música em minha homenagem, ele começou a correr atrás de mim, me alcançou e..."
Quando o esperado ia acontecer, o despertador toca. E eu acordei com Leandra em cima de mim.
– BOM DIA, ESTRELA GUIA !!
Eu dei um grito e ela acabou caindo da cama.
– O que você tá fazendo aqui ?!
Meu pai apareceu e começou a explicar.
– Ela se identificou e eu deixei ela entrar. Ela disse que você tinha que causar uma boa impressão no seu primeiro dia como assistente de recepcionista e no seu segundo dia no trabalho.
Eu fiquei muito orgulhosa. Logo no primeiro dia, eu já fui promovida. Graças a minha faculdade de administração. Leandra interrompe e diz:
– Vai logo tomar banho pra gente decidir o que você vai vestir.
Tomei banho rapidamente e fui pro quarto com a toalha enrolada sobre meu corpo. Leandra pede pra que eu coloque uma lingerie que ela comprou. Depois, ela pergunta qual é o meu estilo. Eu respondo.
– Eu acho que é alternativo. Não sou chegada a roupas bem menininha, patricinha.
– Ok. Cobre o espelho e depois, veja a mágica.
Levou uma hora e meia pra ela me arrumar, eu quase cochilei. Quando ela terminou de me arrumar, eu puxei a toalha do espelho. Eu adorei. Eu estava com uma blusa preta, casaco de couro vermelho, calça comprida azul marinho e um tênis de cano super longo da Converse All Star de cor preta escrito "Rock And Roll". No meu cabelo, tinha umas mechas finas verdes e loiras (meu cabelo é preto), ele estava encaracolado da nuca pra baixo e em cima estava liso e eu estava usando uma boina de tricô bege. Estava com um cordão de uma cruz e um de estrela, um mais longo que o outro. Minhas unhas eram pretas foscas e com francesinhas pretas cremosas. Eu me sentia uma menina da classe média. Até que Leandra me disse.
– Falta a bolsa. Mas é você que vai escolher.
Eu escolhi uma bolsa preta, espaçosa e transversal. Leandra passou uma maquiagem leve em mim e um perfume com um cheiro doce. Estávamos prontos pra ir. Leandra de repente falou.
– Espera que eu vou pegar o carro.
Eu segurei ela e disse.
– Como assim CARRO ?!
Rindo, ela respondeu.
– Esqueceu ? Tenho 25 anos. Eu posso dirigir. Eu só não vim de carro ontem porque meu marido levou ele na vistoria.
– Tá. — Eu respondi, peguei meu pai, tranquei a casa, entramos no carro e fomos pra Barra.
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