Fala Diário. Sou eu de novo. Anteontem eu dei uma espécie de “introdução” falando um pouco de mim. Agora, eu vou falar das coisas que acontecem no meu dia a dia pacato.

Ontem, eu estava na aula no meu lugar habitual, segunda carteira da primeira fileira da parede. Desde depois das férias de junho eu não saio daquele lugar. Não que ele seja ruim(na verdade é bem chato e isso prova como até os professores não sabem da minha existência), só um comentário. Enfim... Cá estava eu observando a turma barulhenta fazendo coisas aleatórias: meninas conversando em seus lugares, meninas conversando fora de seus lugares, Eduarda empinando a bunda, meninos jogando basquete com a lata de lixo, meninos falando merda, meninos cantando funk...

Um dia normal.

Guilherme, meu melhor amigo garoto, senta na última carteira da minha fileira desde que a Patrícia, professora de português, o mudou de lugar. Na minha frente deveria ficar o Lucas, um garoto que me pergunta besteira(“Como é ficar menstruada?”, “Você prefere pica fina ou grossa?” (Lucas, vai pro inferno), mas ele ignora a professora e senta perto do seu amigo Jorge, o qual ele segue como um cachorrinho. É um tanto ridículo de ver.

O Guilherme normalmente senta ali na frente para bater papo comigo isso quando o João, melhor amigo dele, não senta ali para me falar das meninas que ele tenta namorar pelo Whatszapp.

Nesse dia não tinha sido diferente. Encarando á minha frente, logo mais vejo um garoto alto, de cabelos cacheados e pálido passar segurando um livro, Gordo(Guilherme). Ele se senta ao meu lado e começa com os assuntos habituais do tipo: “Você já acabou de ler o meu livro?”, “O que vai acontecer nesse capítulo?”, “O Nico é muito poderoso! Como ele fez isso?”...

Eu tinha esquecido em casa o livro que ele me emprestou, “Rangers: A ordem dos arqueiros”, e fiquei á toa enquanto ele lia “Heróis do Olimpo”. De repente, o vejo ser acertado por um marca-texto rosa. Guilherme não se importa e devolve para a dona, Pietra. O problema é que isso se repete mais duas vezes e na quarta bate no meu braço.

Eu pego o marca-texto enquanto as meninas pedem para eu devolver. O irritante é que a Pietra e a Mariana, sua amiga, me torram a paciência com isso desde o início do ano letivo! Elas ficam jogando aquilo pela sala e logo mais bate em alguém(que normalmente sou eu já que sento perto delas). Aquela sem dúvida seria a última vez que aquele maldito marca-texto iria cair na minha mesa OU perto de mim.

Peguei aquele objeto e o destampei, não sei como, mas estava meio... quebrado, talvez por elas o jogarem tanto por ai. Voltei a tampá-lo e me virei para a Pietra falando que ela não poderia mais jogar o marca-texto por ai porque me incomodava. Ela disse que não ligava e falou para eu dá-lo a ela. Maldita. Joguei o objeto para o outro lado da sala enquanto observa Pietra e Mariana acompanharem o percurso do mesmo pelo ar. Depois olharam incrédulas para mim. “Você que vai pegar.” Disse Pietra. “Não vou não. Se vira.” Respondi indiferente.

Então, o que mais me chocou: Ana Clara. Ela é uma menina zoada pela sala, mas parece que tem tipo um ima para barraco. Sabe provocar e dar bons foras, além de, é claro, se intrometer. Ana se levantou batendo forte na mesa, estufando o peito e disse:

“Você vai pegar sim!”

“Não vou!” Respondi.

“Você jogou ele lá!” Ela disse apontando para mim.

“Não importa! Você não sabe o quanto é ridículo o que elas ficam fazendo!” Disse fechando minhas mãos em punhos.

“Como se eu ligasse...” Ana disse revirando os olhos indiferente. Como isso me enfureceu...

“É ESCROTO E INFANTIL!” Berrei chamando a atenção de todos, mas ela não pareceu ligar.

“NINGUÉM LIGA PARA O QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO, QUERIDA.” Ana Clara berrou de volta encarando meus olhos.

“Para de se intrometer!” Disse fechando meus punhos com mais força tentando me controlar, mas causando uma dor em minha pele por causa das minhas unhas que eu insisti em não cortar.

“Ah, Clara! Vai sentar, vai.” Disse ela se sentando.

“Quem é VOCÊ para me mandar sentar?!” Eu disse arregalando um pouco os olhos(coisa que eu faço quando estou irritada, não sei o porquê) e dando um paço á frente.

A discussão chegou ao fim depois de um tempo. Os garotos perceberam que mais uma provocação e eu iria esmurrar a cara daquela garota. O Matheus, meu amigo tarado pegador, e Felippe, o representante acadêmico baixinho, se levantaram e pediram para eu me acalmar. Matheus me levou para o canto da sala onde fica o armário e procurou saber o que estava acontecendo enquanto Felippe tentava acalmar a turma agitada por causa da confusão provocada.

Matheus ouvia atentamente o que eu dizia que era que a Ana Clara tinha se intrometido, mas não tinha feito nada realmente(apenas se intrometi e quase ido pro SUS). Falava e enfatizava bem o fato daquela brincadeira do marca-texto me irritar.

“Você quer me bater?” perguntou Matheus.

“Quero bater na Ana Clara!” respondi nervosa.

Ele sabe o quanto sou fraca então não se importaria em servir de saco de pancada(ele já é quando estou de TPM). Olhava por trás do ombro dele e via as meninas falando com a Ana para ela relaxar e não pensar nisso. Ela me olha e eu volto a falar com o Matheus sobre a Pietra e a Mariana.

Bem, Ana Clara é Ana Clara e ela não deixa nenhuma oportunidade escapar e gritou de lá:

“O que você tiver para falar fala na minha cara, Clara!”

“Quem disse que eu estava falando de VOCÊ?” Gritei dali.

“Fica na tua, Ana Clara!” Gritou Matheus me segurando pelos ombros para eu não sair dali.

E o Lucas, que ama confusão, voltou a gritar um "OOOOOH!!". Eu ri jurando que estava tudo sobre controle até ela dizer:

“Ih, Matheus. Está de costas para mim porque tem medo de levar meus foras¿”

Agora ela irritou o Matheus, mas ele respondeu:

“Não, é só pra não olhar para a sua gordura mesmo.”

Eu ri muito no fora que o Matheus deu nela. Fui me sentar logo em seguida. Por incrível que pareça, o Guilherme continuou lá, lendo, e por algum motivo muito doido ele sabia de tudo o que estava acontecendo e disse rindo:

“Ana Clara brotou do nada.”

“Que nem os monstros das cartas de Yugi-Oh!” Respondi rindo.

Rimos um pouco e a turma relaxou. Observei a Pietra e a Mariana conversarem como se nada tivesse acontecido. Respirei fundo e fui falar com as duas bem calma(MUITO CALMA).

“Olha, eu gostaria que parassem de jogar o marca texto por ai.”

“Mas a gente não vai parar.” Disse Pietra com um sorriso irritante.

“Você sabe o quanto isso é infantil e ridículo?” Falei segurando na mesa dela.

“A gente não liga, não vamos parar e só bateu em você uma vez.” Ela disse prestes a se virar para falar com a Mariana até um dizer uma fala de desenho animado para crianças:

“E bateu no meu amigo. Eu defendo os meu amigos.”

“Ele nem ligou.” Pietra disse indiferente.

“De qualquer forma vocês precisam parar.” Minhas arranhavam mesa dela com o som abafado pelo barulho da turma conversando.

“Não vamos.” Ela disse e se virou me ignorando.

“Vai tomar no cu.” Falei irritada.

E elas conseguiram me irritar ainda mais zombando do que eu falei. No dia seguinte, hoje, a Ana Clara veio me pedir desculpas falando que foi muito infantil. Aceitei as desculpas dela e me desculpei por ter levantado a voz.

Quanto ao marca-texto, ele sumiu.

Frase do dia: “Ás vezes precisamos passar dos limites”. – By The Walking Dead