Minha Doce Loucura
8 Nas Tardes Me Sinto À Vontade, Por Ser Feliz
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Esse capítulo ficou grande, acho que vocês vão gostar :3
Ele é dedicado à... minha Claire >
Boa Leitura ;)
- Assim, assim o texto fica melhor – Claire disse, nos ajudando.
Victor tinha voltado da padaria e fizemos o bendito texto. Claire havia trocado de roupa (ah, que triste) e nos ajudou a fazer um novo texto, pois segundo ela, o original havia ficado uma merda.
O irmão dela estava sentado na frente do computador, mas de frente para nós. Eu estava numa cadeira separada e Claire na ponta da cama. Ela dava dicas e reformulava o que queríamos dizer. Chegava a ser engraçado às vezes. Às vezes.
O texto ficou pronto rapidinho com a ajuda de Claire. Ainda bem que ela estava ajudando, senão eu e Victor ficaríamos até de noite fazendo e aperfeiçoando o bendito texto. Quando terminamos, Victor se levantou e disse:
— Eu preciso levar uns desenhos para um colega meu, na casa dele. Vem comigo Fred?
Eu não estava muito afim daquilo, então levantei e disse:
— Não, não, eu já vou pra casa, tenho coisas pra fazer também.
Não tinha coisas para fazer é claro. Mas queria ir para casa.
Ah é, eu não podia voltar para casa... Não tinha a chave da porta comigo, e entrar pelo telhado não era uma boa opção. Victor disse para descermos logo, que ele não estava com muita paciência, mas então falei:
— É... Eu vou, hum... Conversar mais um pouquinho com a Claire, não vou agora para casa – eu falei, me enrolando todo. Ele olhou pra nós dois por algum tempo e disse:
— Certo... Já percebi que são amiguinhos – ele falou, e apontou a porta para nós.
Saímos do quarto dele e fomos para o dela. Era ao lado do de Victor. Quase do mesmo tamanho, um tanto maior. Tinha uma cama pequena, um baú, uma penteadeira, guarda-roupa...
— O que você quer conversar? – ela perguntou, com cara de curiosa. Então, eu tinha de improvisar.
— Bem... Queria ver seus desenhos melhor sabe, eu gostei muito deles e teve alguns que você não me mostrou não é?
— É mesmo! Deixa eu achar aqui – ela foi para uma escrivaninha que eu ainda não tinha notado.
Abriu uma gaveta e procurou por um bom tempo. Tinha vários papéis lá dentro, bagunçados.
E eu só pensava em o que faria agora. Veria os desenhos e não poderia ficar muito tempo, tinha de ir para casa. Mas não poderia entrar nela, então o que eu vou fazer? Acho que vou na casa do Paul...
— Olha aqui – ela jogou um monte de papéis em cima da cama.
Eram os desenhos. Olhei com paciência um por um, eram tão lindos. Ela dizia o nome de cada um e contava os detalhes, como havia feito, o que tinha usado, etc. Até que encontrei o desenho do pavão. O Pavão... Afinal, como ela sabia?
— Você gostou mesmo desse não é? – ela falou, me observando.
— Sim... Tem uma coisa que eu não entendo neste...
— O que?
— Eu... Não sei, deixa pra lá – eu disse, e fui pegar outro desenho, mas ela me impediu e disse:
— Fala pra mim Fred.
Não, eu não podia contar da minha loucura de jeito nenhum para ela. Sempre que eu contava para as pessoas, elas achavam que era piada, e se afastavam de mim, pensando que eu estou zoando da cara delas.
— Nada não, eu só estou meio triste sabe – falei.
— Por quê? O que houve?
— Eu briguei com meu tio. Fiz besteira lá em casa, e ele me proibiu de sair de casa. Sabe como eu saí hoje? Pelo telhado.
Contei direitinho como eu havia saído, e ela riu.
— Você é maluco! Podia ter se machucado pulando do telhado para o chão!
— Eu sou foda, nunca ia me machucar – falei brincando, claro. Nós rimos. – e agora não posso voltar pra casa, não tenho chave para entrar e quando meu tio ver o telhado aberto e não me ver em casa...
— Que situação hein?
Ficamos em silêncio, no vácuo. Até que a irmãzinha dela chegou no quarto. Ainda estava de pijama.
— Claire vamos... – então ela me viu, e mudou o que ia falar – Claire, mamãe não vai gostar de ver você aqui no seu quarto sozinha com esse garoto.
— Se ela não ver, não vai ficar brava.
— Se eu não contar – disse a menininha. Encarou Claire com uma cara feia, mas logo abriu um sorriso – é brincadeira mana, mas se a mãe ver vocês namorando aqui, ela te expulsa de casa.
— Nós não estamos namorando! – eu disse, e a menina deu uma risada.
— Pensa que me engana é? Eu sou criança mas não sou burra – falou, e saiu do quarto. Virei a cabeça devagar para olhar Claire e disse:
— Uau.
Nós dois rimos bastante, novamente. O riso/sorriso de Claire era tão perfeito... Só de ver ela assim feliz, me subia uma grande onda de felicidade por dentro de mim. Ela de repente levantou, pegou uma bolsa e começou a colocar várias coisas dentro.
— Como você não pode voltar pra casa, e eu não vou aguentar ficar aqui em casa o dia inteiro sem fazer nada, vamos passear?
— Eu tenho escolha? – falei.
— Não, não tem. Vamos! – segui ela e saímos da casa.
***
“Onde vamos?” eu perguntei. Claire respondeu “para onde quisermos”. Passar a tarde com ela seria incrível, com toda certeza.
Pegamos um ônibus perto da casa dela. Graças a Deus não estava tão cheio, só tinham algumas pessoas. Chegamos do lado de dois bancos vagos, eu apontei para eles e disse:
— Pode sentar, você primeiro.
— Não, vai você – ela disse.
— Vai logo Claire, eu fico do lado do corredor. Se um bandido entrar, ele vai pegar a mim e não a você – eu falei, dando uma piscada. Ela riu e se sentou do lado da janela. O ônibus andava fazendo barulho, e eu nunca tinha ido para esse lado da cidade, onde o ônibus estava.
— Que bairro é aqui? – perguntei.
— Deve ser... Sei lá, sou péssima pra nome de ruas/bairros.
Então ficamos em silêncio. Mas logo Claire falou alguma coisa engraçada que não prestei atenção (estava prestando atenção nas bochechas, nos lábios, nos cabelos dela). Nós dois rimos, e ela encostou a cabeça no meu ombro. Eu não tinha visto ela passar perfume antes de sair, mas ela estava cheirosa. Era um cheiro tão...
— Vamos, já chegamos no terminal – ela falou, e só então percebi que já estávamos no terminal de ônibus.
Nos levantamos e saímos do ônibus. O terminal estava lotado, como sempre, cheio de ônibus e pessoas de todos os tipos. Todos os tipos mesmo. Aquele era outro lugar que parecia um Inferno pra mim, pois tinha muitas pessoas e animais atrás de cada uma delas.
Saímos de lá, e eu perguntei para ela:
— Então, onde vamos?
— Vamos numa lojinha de discos que tem aqui perto, você vai gostar de lá.
Andamos um pouco pelo centro da cidade. Era também movimentado, cheio de carros, pessoas e lojas. Logo entramos em um beco imundo (pleonasmo?) e ali tinha uma loja, chamada “LP Dois P” (hã?).
Entramos. Era uma loja muito legal mesmo. Tinha mesas grandes e onduladas que iam da entrada ao fundo da loja. Por todas as paredes haviam LP’s, fitas cassete, CD’s e DVD’s de várias bandas, praticamente todas que você pudesse imaginar. No teto estavam colados fotos de astros do rock (enxerguei Elvis, Beatles, Chuck Berry, Little Richard, Kurt Cobain, Jimi Hendrix, Janis Joplin e outros), e nas prateleiras tinham canecas, botons, miniaturas, tudo o que um colecionador desejaria. No fundo da loja, tinha uma bancada e um velho atrás da mesma, com uma boina na cabeça. Atrás dele tinha um pelicano. E na parede de trás dele, estavam penduradas na parede 4 guitarras. Lindas.
— Bom dia senhor Fletcher – Claire disse, se aproximando da bancada.
— Bom dia Claire – ele respondeu. Sua voz era rouca – quem é esse? Seu namorado?
— Não, é só um amigo – ela falou, colocando a bolsa na bancada.
— Veio escutar algum? – ele perguntou.
— Sim, sim, vamos escolher agora – ela falou, e começou a olhar as prateleiras onde haviam os LP’s. Fui atrás dela e perguntei:
— O que vamos fazer?
— Escutar um LP. Tem alguma preferência?
— De graça?
— É, o senhor Fletcher é... Um antigo amigo meu, e ele deixa eu ouvir os LP’s aqui de graça – ela disse, e em seguida ficou quieta como se dissesse “é uma longa história”.
Olhamos os LP’s e ali tinha de todas as bandas mesmo. Alguns eram velhos e acabados, mas outros estavam em perfeito estado, pareciam novos. Eu vi um com uma capa que me chamou atenção. Peguei ele e mostrei para Claire.
— Vamos escutar ele? – falei.
— Aaaaaaaaah, eu adoro esse! Vamos sim! – ela disse.
O que eu tinha escolhido era o “White Album” dos Beatles. Não entendia porque chamavam de Albúm Branco, pois na minha opinião a capa era muito psicodélica.
Fomos até uma sala do lado da loja, e lá tinha uma vitrola. Claire colocou o primeiro disco para tocar; a música era “Back in the U.S.S.R.” uma música bastante legal e agitada. Então Claire fez uma coisa que eu não sabia fazer: dançar.
— Vamos Fred, eu não vou deixar você ficar parado de jeito nenhum! – ela disse. Pegou nas minhas mãos e dançamos.
***
Saímos de lá até que cansados. Não escutamos o White Album inteiro, Claire pegou vários outros com músicas legais e agitadas para a gente dançar melhor. E ela era muito boa. Pra dançar é claro, e eu não consegui ficar parado, dancei junto com ela.
— Você dança muito bem sabia? – eu disse, enquanto saíamos.
— Você não é nada mal também garoto – ela falou, rindo.
Fomos até uma lanchonete. Eu estava faminto, só tinha tomado um simples café-da-manhã e mais nada. Entramos na lanchonete e perguntei para Claire:
— O que vamos pedir? – ela olhou para mim com uma cara estranha e falou:
— É... Nada – em seguida riu de mim e me puxou – vem!
Me levou para uma porta, onde havia uma escada. Descemos uns 4 lances da mesma e saímos em um boliche.
Era um lugar um tanto grande. Tinha umas 10 pistas de boliche, cadeiras do lado oposto às pistas e um barzinho à direita. Mas tinha um problema claro: eu nunca havia jogado boliche.
— Eu não sei jogar! – falei para Claire. Nós aproximamos de uma das pistas.
— É fácil Fred, não se preocupe – ela falou – veja como eu faço primeiro.
Me afastei um tanto. Ela pegou uma bola, encaixou a mesma nos dedos e posicionou o corpo. Correu um pouco e lançou a bola, que derrubou 3 pinos no final da pista.
— Tá, não é bem assim, mas você entendeu! – ela disse rindo. Pegou outra bola e derrubou os outros pinos que restaram – sua vez!
Eu não podia errar de jeito nenhum. Não queria passar vergonha. Fui pegar uma bola e vi: as bolas eram porcos espinho. “Controle-se Fred, é só sua loucura!” pensei. Ignorei o fato das bolas serem aqueles animais e tentei pegar uma. Mas minha mão não obedecia. Eu tinha medo de pegar uma e o porco espinho me espetar. “Pare com isso Fred!” disse algo dentro de mim. E peguei o a bola-porco-espinho. Minha mão não doeu, ainda bem.
Tentei me posicionar igual Claire havia feito. Provavelmente fiz errado, pois ela riu muito. Dei uma corridinha e lancei a bola. Ela foi em uma canaleta do lado e não acertou nenhum pino.
Tentei de novo, e a bola não acertou nada. Fui tentar outra vez, mas antes de eu lançar a bola, Claire se aproximou e falou:
— Tem de jogar com... Carinho, entende? – ela riu – De um jeito suave, essas bobagens.
— Vou tentar – falei.
Ela se afastou. Me posicionei, deu uma corrida e lancei a bola. Ela foi devagar até os pinos, estava bem no meio da pista. Com certeza ia acertar todos, estando no meio assim.
— Isso! – eu disse, comemorando e olhando a bola.
Infelizmente, a bola mudou de direção no último momento, e acertou apenas o pino da ponta esquerda. Claire riu de mim, que estava com os braços erguidos.
— Isso? – ela falou rindo. Mas é claro, que eu ri junto com ela também.
Jogamos mais um pouco, rimos e nos divertimos bastante. Ela dava lances maravilhosos, mas eu não conseguia acertar quase nada. Mas fiz um Strike uma vez, e pulei de alegria. Claire chegou a me abraçar, e aquela sensação foi... Boa.
Depois subimos as escadas e fizemos um lanche naquela lanchonete, e logo saímos de lá. Andávamos pelas ruas do centro conversando sobre tudo, rindo de tudo e de todos. Logo nos afastamos do centro da cidade, e chegamos em um parque, onde tinham muitas árvores, crianças brincando, até um homem tocando acordeon num banco.
Compramos sorvete e nos aproximamos duma árvore. Tinha um banco, mas Claire sentou-se no chão, na frente do banco.
— Mas por que... – eu ia perguntar, mas vi como ela sorria. Não pensei mais e sentei do lado dela.
— Ai ai, nunca me diverti assim com alguém sabia? – ela falou, lambendo seu sorvete.
— Que bom! Temos de fazer isso mais vezes!
— Com certeza.
Ficamos em silêncio comendo os sorvetes e escutando a música que o velho tocava no seu acordeon, numa árvore um tanto longe. Fui dar uma lambida no meu sorvete, e bem na hora Claire bateu nele, fazendo em me rebocar todo. Ela rolou de rir, e eu fiz o mesmo com ela. Acabamos todos lambuzados de sorvete, rindo da cara um do outro.
Então, continuamos sentados na grama. E... o Sol estava se pondo. Como assim o dia passou tão rápido?! Nossa, pareceu que tudo passou tão rápido...
— É lindo não é? O pôr-do-sol – ela disse, abraçando as pernas e se aproximando mais de mim.
— Sim, muito – falei, olhando para o Sol que se escondia no horizonte.
Olhei para Claire. Ela estava tão linda, mesmo lambuzada de sorvete. Os olhos tão brilhantes olhando o Sol, os cabelos dourados que combinavam com o pôr-do-sol... Ela era perfeita. Ela virou o rosto para mim e perguntou:
— Que foi?
— Tem sorvete aqui – eu falei, passando a mão na bochecha dela.
De começo limpei a bochecha, mas logo percebi que estava fazendo carinho na mesma. Me aproximei mais dela, e nossos lábios se tocaram.
A boca dela era tão doce, tão deliciosa... Logo nosso beijo avançou para um beijo de língua delicioso. Era um beijo tão bom, me senti no céu. Ela era muito boa beijando, senti ela pegando em meu ombro, e eu não sabia direito o que fazer com minhas mãos.
De repente o celular dela tocou. Paramos o beijo, e ela atendeu. Escutei a mãe dela dando bronca nela por estar fora de casa até tão tarde. Ela logo desligou, levantou-se e disse:
— Desculpa – e saiu correndo.
Aquela foi a melhor tarde da minha vida provavelmente. Mas agora tinha de voltar para casa, enfrentar o meu tio, voltar para o meu pesadelo. Levantei e comecei a andar para casa.
Eu estava tão feliz, tão realizado, tão... Apaixonado.
Notas finais
Olha só, mas será que esse romance vai para frente gente?
O que será que o tio do Fred vai fazer com ele? D:
Até mais ;)
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