Notas iniciais
Boa tarde *--*
Muuuuuuuuuuuuuuito obrigado pela recomendação Ninashalown!
Fiquei muuuuuuuuuuuuuito feliz aqui, você não sabem quanto *u*
Espero que goste do capítulo, ele é dedicado a você, e a minha linda, fofa, querida noiva Roli Cruz s2 s2 s2
Boa leitura ;)

- Eu simplesmente, não consigo acreditar que você fez isso – disse Paul, ao me encontrar na rua.

Eu não liguei muito pras ameaças do Anthony ontem, nunca ligava pra isso. Mas dessa vez... Algo me disse para fazer alguma coisa. Eu não iria ameaçar ou bater nele é claro, então fiz, literalmente, uma loucura.

“- Olha Anthony – eu o interrompi, e me aproximei dele – se o senhor é o dono desse colégio, eu sou Napoleão. Essa porcaria de colégio não pertence a ninguém, e eu sairia imediatamente dele se ele tivesse um filho da puta como você, como ‘dono’.”

Então fiz o que eu mesmo disse. Me fantasiei de Napoleão, para ir ao colégio.

Sabe lá da onde tirei as roupas de Napoleão. Eu as achei jogadas no fundo do guarda-roupa, mas realmente no fundo, num lugar em que eu desconfio que nunca tinha mexido. Por incrível que pareça, lá tinha o traje completo, com chapéu, botas, etc.

Paul ria, e eu também. Mas até que a fantasia ficava boa em mim.

Eu contei a ele a “briga” que tive com Anthony no dia anterior, contei tudo.

— Ah, mas será que ele nunca vai parar de atormentar a gente? – Paul disse, depois que terminei de contar.

— Acho que não... Com certeza vamos arranjar briga por causa dessa fantasia – eu ri. Eu sabia que aquilo tudo ia dar merda, mas que seria engraçado seria.

Andávamos e conversávamos como sempre. Era muito bom conversar com Paul, sobre qualquer assunto. Ele era um bom ouvinte, dava bons comentários, e parecia que a conversa com ele não acabava nunca.

— Cara, ontem dormi como uma pedra, e tive uns sonhos muito estranhos com bandas de rock, e tudo mais – ele falou.

— O que é sonho mesmo, além de um doce? – eu perguntei.

— É tipo... Quando a gente dorme e nos imaginamos nos mais diversos lugares, situações, em que tudo pode acontecer. Mais ou menos isso.

Não, eu não sabia mesmo o que eram sonhos. Minha vida já era bastante confusa e louca, já parecia um sonho. Devia ser por isso que nunca tinha sonhado sequer uma vez... Devia ser boa aquela sensação, de se “tele-tranportar” para outros lugares malucos e tal. É, Fred ficou com vontade de experimentar aquela sensação, mesmo já tendo suas loucuras. Pois faria suas loucuras mas estaria dormindo ao mesmo tempo. E Fred adorava dormir.

— Esses dias eu sonhei que estava sendo enterrado vivo. É a sensação mais horrível do mundo. Acordei muito assustado – Paul disse, olhando para o céu.

Aliás, o céu hoje estava vermelho.

***

A aula de português do professor Gilberto era legal. Ele sabia dar aula, sempre dava bronca e xingava os alunos, mas fazia aquilo de uma maneira engraçada. O animal que eu via atrás desse professor era uma coruja.

Ele explicava para nós como se fazia um texto dissertativo, mas eu não estava prestando muita atenção. Estava mais desenhando no caderno, desenhando aquele pavão que sempre aparecia na porta de casa. Qual seria o melhor jeito de vencer ele?

Talvez se eu... Levasse um pavão fêmea. Isso! Assim ele iria se apaixonar, ir atrás do pavão fêmea e deixaria eu passar, sem que ninguém em chamasse de louco. Se bem que eu não me importo que me chamem de louco. Ah, mas onde eu arranjaria um pavão fêmea? Droga.

Talvez se eu pegasse uma faca e o ameaçasse. Se ele não sair, eu corto ele com a faca, e ele sairia correndo, ou voando... Ah, mas as facas ficam dentro de casa, e pra entrar eu tenho de vencer o pavão antes.

Talvez se eu...

— Entendeu Fred? – o professor perguntou, olhando fixamente para mim. Todos também me olhavam, quietos.

— Entendi... O que? – disse aquilo, e o professor deu um risinho.

— Certo... Vou explicar tudo de novo, para Fred e para aqueles outros que não prestaram atenção. Vocês terão o final de semana para escrever um texto para mim, sobre determinado tema, que darei a cada um de vocês. Na verdade, não a cada um, e sim a cada grupo. Vocês se dividirão em grupos para escrever o texto.

Assim que ele disse isso, todos começaram a conversar e se levantar dos lugares, para combinar quem ficaria com quem no grupo. Mas logo o professor disse:

— E é claro, eu é que vou escolher os integrantes dos grupos – e todos fizeram um grande “aaaah” de lamentação.

O professor Gilberto tinha um jeito próprio de fazer grupos aleatórios, mas os alunos não sabiam qual era. Ele simplesmente sentava em sua mesa, pegava seu livro e um lápis e ficava rabiscando um bom tempo. Logo ele aparecia com os grupos prontos.

Ele fez exatamente isso, e começou a dizer quem iria ficar com quem. Julia, a “amiga” de Fred ficou num grupo com Peter, outro garoto inteligente e outra garota (eram grupos de quatro). Paul ficou num grupo só de meninas (sortudo). Quase todos os alunos já tinham seus grupos menos eu. Logo o professor disse:

— Fred Fishman, Victor Smith e Thiago Young; como sobraram vocês três, vocês serão um grupo de três mesmo.

É, assim era melhor. Menos gente no grupo para atrapalhar e ficar me julgando. O Victor Smith era... Um cara legal. Não falava muito com ele, era do tipo misterioso. Era legal com quem ele queria. Tinha cabelos negros, mas com algumas mechas loiras; ou melhor, acho que tinha, pois não sabia se eram realmente ou se era uma loucura minha.

Thiago Young era um carinha qualquer. Sempre estava com uma camisa branca, óculos ridicularmente quadrados e cabelo penteado. Era daqueles super-inteligentes que terminava as tarefas e provas primeiro, na frente de todo mundo.

Fui falar com Victor, pois não me dava muito bem com o Thiago.

— Cara, porque raios você veio vestido de Napoleão? – foi a primeira coisa que ele me perguntou, o Victor. O animal atrás dele era um lobo negro.

— Por que... Ah, é uma longa história.

— Então – Thiago se aproximou da gente, com um esquilo atrás dele – como vamos fazer o texto?

— Poderíamos fazer um grande... – eu ia falando, mas Victor me interrompeu e apontou para o professor.

— O primeiro de tudo é pegar um tema com o professor, não é?

Olhamos o professor e como ninguém tomou iniciativa (Victor estava com os pés apoiados na carteira e Thiago estava olhando algo em seu celular) eu fui falar com o professor.

— Se espertem, foram os últimos a pegar o tema – disse ele, quando peguei um pequeno papel da mão dele.

— Tudo bem professor, vamos arrasar nesse texto – eu disse, me virando e abrindo o papelzinho.

— Imagino – disse o professor Gilberto. Quando eu já estava me afastando, ele me chamou – Fred!

— Sim? – falei, me aproximando de volta.

— Por que vir vestido de Napoleão?

— Ah... É uma longa história professor...

— Tem alguém aqui com pressa? – disse ele.

— Ah sim, eu! – falei, e fui para o fundo da sala o mais rápido possível, antes que o professor me fuzilasse.

Só quando cheguei no fundo da sala consegui ver o tema. Eu não gostava dele, ninguém gostava. Victor e Thiago fizeram uma cara de “Droga-esse-texto-vai-ficar-uma-droga” quando viram o que era também. O tema era “aborto”.

***

Paul tentou me convencer de tirar a roupa de Napoleão antes de sairmos para o intervalo. Tentou, tentou, mas não conseguiu.

Estávamos só nos dois na sala, todo mundo já tinha saído correndo para o intervalo (recreio? Não, intervalo). Paul estava procurando dinheiro na sua mochila, para comprar algo pra comer. Logo achou, e saímos de lá.

A cantina ficava no saguão, e ele foi direto pra lá, esperar na fila. Eu fiquei... Num canto, perto da fila, olhando as pessoas, e todos os animais atrás delas. Era muito ruim mesmo, ver tudo aquilo ao mesmo tempo. E os alunos ficavam me olhando, acho que por causa da minha fantasia de Napoleão.

Olhava em volta, reparando em tudo, até que vi uma coisa que me fez levar um susto.

Uma menina estava olhando o mural, onde estava o meu texto sobre sustentabilidade. Não que isso fosse ruim. A menina era linda, tinha cabelos loiros, um tanto baixinha e usava o uniforme normal. Mas o que me assustou foi que... Não havia nenhum animal atrás dela.

Nenhum sinal de animal, nada. Todas as pessoas que eu via desde que me entendia por gente, tinham animais à primeira vista. Mas porque aquela menina não tinha nada? Será que minha loucura estava... Perdendo o efeito? Não, não podia ser, todos os outros alunos estavam com os animais.

Ela virou na minha direção, e eu não consegui desviar o olhar a tempo. Ela percebeu que eu estava estudando-a, e veio na minha direção. Ótimo, assim posso descobrir mais sobre ela.

— Olá! Você é o autor daquele texto não é? – disse ela, extremamente simpática.

— Ah, sou sim, Fred Fishman, muito prazer – eu disse, estendendo a mão para ela. Ela riu e me cumprimentou.

— Eu não concordo com metades das ideias que estão lá, mas tudo bem, você escreve bem.

Eu dei uma risada forçada. Nem tão grande, mas tudo bem. Ficamos em silêncio. “Droga! O assunto já acabou? Puxe alguma coisa Fred!” algo dizia dentro de mim, e eu obedeci claro.

— Você... É nova por aqui?

— Ah sim, eu estava morando em outra cidade, me mudei pra cá faz uns dias só...

— Que cidade era? O que fazia lá?

— Uma cidade minúscula, você não deve conhecer. E... Eu estava estudando claro! O que mais adolescentes fazem? – “Fred burro, pergunta burra”.

— O que mais adolescentes fazem? Estudam e... Namoram? É, resumindo não fazem praticamente nada.

Ela deu uma risada forçada. Eu conseguia perceber isso.

— Hey, não querendo ser intrometida mas... Por que raios você está vestido de Napoleão?

— Uma longa história, você não gostaria de saber...

— Eu gosto de histórias – ela falou, erguendo uma sobrancelha.

— É? Mas eu não gosto muito de contá-las – certo Fred, se você tinha chance com ela, perdeu agora. Felizmente ela riu, e foi uma risada de verdade.

— Você é engraçado sabia?

— Sou? Eu não me acho...

— Provavelmente é isso que te faz ser assim.

— Quem sabe.

Ela ficou me olhando. Os olhos dela eram lindos, castanhos e tinham um certo brilho. Ela continuava me olhando e começou a rir. Eu não sabia o motivo, mas comecei a rir também. Lá estavam dois bobos rindo do nada. Os dentes dela eram perfeitos, e a boca era carnuda e...

— Fred! Onde você estava? – Paul perguntou para mim, interrompendo minha linha de pensamento e consequentemente as risadas.

— Ah, eu estava conversando aqui com a... – só ai me toquei que não sabia nem o nome da garota – como é o seu nome mesmo?

— Claire, muito prazer – ela falou, me imitando.

— Muito prazer – disse Paul, mas com nenhum interesse na menina – vamos lá com Rodrigo, Peter e os outros – e ele se afastou me levando junto.

— A gente se vê por ai, Claire! – eu disse, já de longe. Ela me deu um tchauzinho.

Andávamos pelo colégio conversando sobre tudo como sempre, mas não conseguia tirar aquela menina da cabeça. Por que motivo, causa, razão ou circunstancia ela não tinha um animal atrás dela? Tinha de descobrir isso de qualquer maneira.

E como ela era legal... Aqueles olhos brilhantes, aquele sorriso... Será que ela tem namorado? Ah, porque estou pensando isso? Melhor pensar em outra coisa.

Mas eu não conseguia, o rosto dela e a nossa conversa não me saiam da cabeça. Será que eu estava... Apaixonado como dizem? Nunca tinha ficado assim, apaixonado. Diziam que era bom em curto tempo, mas que depois trazia sofrimento. Então, acho melhor evitar essa sensação.

Mas, ah... Aquele sorriso...

Notas finais
HUUUUUUUM...
Que acharam dessa nova personagem hein?
Será que o Fred se apaixonou mesmo, assim, do nada?
Só lendo os próximos para saber kkk
Inté X3