Notas iniciais
Heeeeeey leitores *-*
Tudo bem?
Mais um capítulo para vocês :3
Muitíssimo obrigado por todos os reviews, mesmo, muito *---*
Esse capítulo é dedicado à HillaFox ;3
Boa leitura ;)

- Ah, ela é tão legal – eu falei para Paul, enquanto caminhávamos para casa.

- Imagino – ele disse, olhando o chão.

Eu tinha ficado sentado lá com ela por um bom tempo. Conversamos sobre um monte de coisas: nossos amigos loucos, programas de televisão, família, etc. Ela contou que morava com mais 2 irmãos, um garoto um ano mais velho que ela, e sua irmãzinha de 9 anos. Moravam com os pais, mas eles estavam quase se divorciando...

- É uma garota muito bonita Fred, como assim você não pegou ela lá atrás do ginásio? – ele perguntou.

- Eu não estou interessado nela! – falei. Paul me olhou com desdém.

- Não é? Tem certeza? Vai fundo, desencalha vai.

Não respondi. Acho que... Eu não tinha certeza. Ela era linda, simpática, tinha ótima conversa... Será que estava interessada em mim? Será que eu tinha alguma chance com ela?

Paul se abaixou para amarrar o tênis e eu fiquei do seu lado, o esperando. Então percebi: um grupinho de garotas estava parado do outro lado da rua. Elas cochichavam e davam risadinhas, e haviam vários animais fofos atrás de cada uma delas. Elas olhavam para mim, e eu não sabia o que fazer; então percebi que elas não olhavam para mim, e sim para Paul.

- Acho que eu não vou ser o único a “desencalhar” no caso – eu falei, e fiz um sinal com a cabeça para que ele olhasse pras garotas.

Ele olhou e na mesma hora elas desviaram o olhar. Paul se levantou e eu o arrastei para o outro lado, para continuarmos a ir para casa. Meu amigo não ia se controlar e com certeza ia querer falar com elas e se enrolar todo.

- Ah cara, me deixa tentar algo com uma delas! – ele disse, mas eu continuei puxando-o. Logo uma daquelas garotas atravessou a rua e veio na nossa direção.

Ela tinha cabelos longos, olhos castanhos, vestia uma jaqueta de couro e havia um pato atrás dela. Parei de puxar Paul e nos viramos para falar com ela.

- Oie! – ela disse animada – Meu nome é Renata, prazer em conhecer vocês, Fred e... – ela não sabia o nome de Paul, então ele se apresentou. Logo eu disse:

- Como você sabe meu nome?

- Ora bobinho, todos nesse colégio sabem quem você é. O encrenqueiro, que vai 5 dias da semana pra sala do diretor e vem fantasiado para o colégio.

“O Encrenqueiro” era assim que eu era conhecido então? Ah Jesus...

E sim, eu já tinha vindo outras vezes fantasiado para o colégio. Tirando essas duas em que me vesti de mulher e Napoleão, eu já tinha vindo de Karl Marx, Jimi Hendrix e Hitler. O dia em que fui de Hitler foi... Tenso.

- Tá vendo aquela menina do outro lado da rua – Renata estava falando para Paul e apontando levemente para as garotas que haviam ficado lá – aquela ruiva, de jaqueta de couro também?

Fred teve de reparar na garota também, é claro. Ela era ruiva, alta, tinha calça jeans e jaqueta de couro. Estava com uma bolsa vermelha e com uma cara de tímida. Tinha uma raposa atrás dela.

- Ah sim, estou vendo – falou Paul – o que tem ela?

- Não percebeu ainda garoto? – Renata disse – O nome dela é Hillary e ela está interessada em você!

Paul meio que não acreditou, e não sabia se ficava feliz ou... Feliz. Teoricamente ele não tinha escolha mesmo. Mas mesmo assim ele não sabia o que dizer à Renata.

- Hum, legal, ela é bonita, e... Quer dizer...

- Meu Deus, vou ter de fazer tudo é? – Renata disse para si mesma, e em seguida tirou um papel do bolso e entregou à Paul – olha, nós vamos dar uma festa terça-feira, Hillary vai estar lá, um monte de gente. Você quer ir? O endereço está nesse papel.

- Claro que eu quero ir – Paul disse entusiasmado, olhando o papel.

- Muito bem – ela falou, e já quando estava indo embora, virou-se novamente e falou para mim – e você também pode ir Fred, não é de se jogar fora...

Deu uma piscadela e atravessou a rua. Paul olhou para mim com uma cara extremamente animada e disse:

- Estamos numa maré de sorte ou não estamos?

***

Paul queria tanto que o final de semana chegasse, e agora já queria que passasse de uma vez. Só para constar, hoje é sexta.

Ficou o caminho inteiro se perguntando como seria a festa, se conseguiria algo com Hillary e bobagens assim. Eu não prestava muita atenção, estava com a cabeça em outros lugares... Claire, por exemplo.

Cheguei em casa e ele estava lá. Igualzinho como Claire havia desenhado. O Pavão na porta da minha casa.

- Então senhor Pavão – eu disse, me aproximando – hoje você vai sair fácil daí não é mesmo?

Ele só me olhava, com o olhar vazio e a cabeça um tanto virada. Cheguei bem perto do rosto dele, quietinho, devagar e de repente gritei:

- SAIA DA MINHA FRENTE!!!

Ele não se assustou como planejado. Droga.

Então dei a volta na casa, dei um jeito de abrir a janela do meu quarto e entrei por lá mesmo. “Pavão 3, Fred 0”.

Fui na cozinha e comi qualquer coisa. Meu almoço era sempre assim: meu tio trazia algo do mercado e pronto. Não cozinhávamos nem nada. Quando ele me viu, nem me cumprimentou e virou a cara.

- Bom dia pra você também – eu disse.

No meu quarto, eu resolvi ler algum livro até que meu celular tocou. Era um número que eu não sabia de quem era. Atendi.

- Alô?

- Alô, é o Fred? – disse uma voz masculina.

- Não, é Napoleão, espere só um segundo.

Deixei o celular em cima da cama e tirei aquela roupa de Napoleão. Coloquei roupas “normais”. Uma calça e uma camiseta simples azul.

- Pronto, agora é o Fred. Quem fala? – a pessoa do outro lado pareceu hesitar mas respondeu:

- É o Victor, seu colega na escola.

- ...

- O que vai fazer o trabalho de português com você!

- Ah sim – não tinha me lembrado mesmo dele – Victor, claro. O que você quer?

- Venha na minha casa amanhã, pra gente fazer o trabalho.

- Amanhã? Certo... E onde é?

- Vou te passar o endereço – ele disse isso, e passou o mesmo – pode vir a hora que quiser.

- A hora que eu quiser? Meia-noite ta valendo?

- É... Não.

- Ok – eu falei. Melhor ficar quieto.

- Estou ligando pro Thiago também. Até mais.

Não deu tempo nem de eu responder, e ele logo desligou. Sujeito... Estranho aquele Victor. Se bem que eu não podia falar nada sobre isso.

***

“So-socorro Fred!” disse alguma coisa debaixo da minha cama.

Eu estava lendo e escutei alguém gritando. Um grito baixinho vindo debaixo da minha cama. Parei de ler e fechei os olhos para escutar melhor. “Socorro Fred, me ajude!”.

Levantei e olhei de baixo da cama. Estava ali, um peixe dourado, do tamanho de um violão, se contorcendo por conta da falta d’água.

- O que é você? – eu perguntei assustado.

- Alguém que você tem de ajudar! – o peixe falou – me leve para algum lugar que tenha água!

Com um tanto de nojo, peguei o peixe e levantei. Fiquei segurando-o como se fosse um bebê. Ele tinha olhar triste, e se ainda se contorcia violentamente por falta de água. “Rápido, não estou respirando!”.

Fui até o banheiro com ele. Entrei na ducha e liguei o chuveiro. Coloquei ele em baixo da água, ele relaxou. Mas logo disse:

- Isso não é o suficiente!

- O que? Mas isso é tudo o que eu tenho!

- Por favor Fred, me dê mais água por favor por favor!

Eu tinha de dar mais água para ele. Abri mais o chuveiro e fechei a porta. Fui até a cozinha e peguei um prato. De volta à ducha, tapei o ralo no chão com o prato, deixei o chuveiro no máximo e fechei a porta do Box. Seria como um aquário para ele.

A água foi se acumulando lá dentro, já estava na altura dos meus joelhos. O peixe havia parado de reclamar.

- Está bom ai? – perguntei.

- Sim, até que está, mas preciso de mais – ele disse.

Fiquei olhando o Box encher, até que a porta do banheiro se abriu. Era meu tio, com cara de bravo.

- O que você esta fazendo moleque?!

- Eu, eu só...

Não consegui explicar. Ele foi logo para o Box, abriu a porta e toda a água derramou. Se espalhou pelo banheiro e foi para fora. Curiosamente o peixe havia sumido.

- Isso é um desperdício de água enorme! A conta de água vai ser uma fortuna!

- Desculpe, eu...

- Está de castigo Fred! Nem pense em sair de casa nas próximas 2 semanas!

- O que? Mas eu tenho de ir amanhã na casa de um amigo, fazer trabalho!

- Não me interessa! – ele falou, indo para fora do banheiro – e se eu não tiver dinheiro para pagar essa conta, deixo você sair. Mas só para ir pedir esmola na rua!

E escutei o barulho dele batendo em coisas. Droga, não poderia ir na casa do Victor, na festa, nem nada. Fiquei puto. Aquelas minhas loucuras... Só estavam me trazendo problemas.

Fui até o meu quarto e me tranquei lá, por um bom tempo.



Notas finais
Olha só hein? Que confusão o Fred arranjou -.-'
Curtiram?
E as que disseram que iam desvendar a mensagem escondida no pavão... Conseguiram? Kkkk
Até o próximo ;)