Minha Doce Loucura
7 Coincidência, Pra Que Te Quero?
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Então, esse capítulo só ia sair amanhã, mas decidi ser bonzinho e postar hoje kkkkkkkkkk mentira
Eu PROMETO que respondo os reviews de vocês amanhã, é acabei de voltar de uma festa, e tenho de ir dormir porque amanhã... voltam as aulas D:
Enfim, espero que gostem desse capítulo, dedicado ao caro Vincent De León
Boa leitura ;)
É claro que eu iria dar um jeito de sair de casa. Só não sabia como.
Sempre que eu “desobedecia” meu tio, as coisas ficavam feias. Era sábado de manhã, e ele tinha ido ao mercado. Trancou todas as portas e janelas; não deixou quase nenhuma brecha. “Quase”, por que ele sempre deixava alguma.
Eu tinha de ir à casa de Victor. Não só por conta do trabalho, mas que eu não aguentava ficar muito tempo em casa mesmo. Quanto mais eu ficava em casa, mais minha loucura se aguçava. Já tinha visto uma vaca rosa na cama do meu tio, e isso já era bastante ruim.
Me arrumei, peguei meus materiais e tentei porta por porta. Todas trancadas. Fiquei um bom tempo pensando em como iria sair, então vi uma mancha verde no chão, um tipo de gosma. Logo percebi que era um rastro. Ia da sala até o corredor que levava aos quartos. No corredor, o rastro de gosma subia pela parede e ia dar no teto, onde tinha a porta do sótão. O sótão! Perfeito, ele não tinha trancado todas as portas mesmo.
Peguei uma cadeira da cozinha, coloquei de baixo da porta, a abri e subi. O sótão era sujo e escuro, mas com certeza era um jeito de sair. Andei um pouco de gatinho por ali, e vi até um rato. Ele também me viu, e foi se esconder em outro lugar.
Logo cheguei a uma parte mais baixa e tirei algumas telhas. Vi o céu alaranjado e a luz do Sol. Saí e eu estava lá, no telhado de casa. Ar livre!
Recoloquei as telhas de qualquer jeito, e procurei algum lugar para descer. Desci do lado esquerdo da casa, onde tinha uma grande moita, que amorteceria minha “queda”.
Saí daquela moita, olhei em volta para ver se ninguém tinha visto a minha “fuga” e então fui até a casa do Victor.
***
A casa dele era... “Boa” tenho de admitir. Ficava numa rua rica, não muito longe da minha casa. Tinha dois andares, mas era modesta e simples, seria ótimo morar num lugar como aquele.
Bati na campainha e uma garotinha saiu. Tinha uns 8 anos. Com cabelos pretos, óculos e pijama rosa. Tinha uma coruja branca atrás dela, e a menininha parecia não ligar por um estranho vê-la de pijama. Ela virou-se para dentro da casa e soltou um enorme grito:
— VICTOR! Um dos seus amiguinhos chegou – ela virou para mim e disse – pode entrar moço, fique a vontade e todas essas bobagens.
— Obrigado, anjinho – eu disse entrando, tentando ser simpático.
— Não me chame de anjinho – ela disse, e subiu uma escada.
A sala tinha dois sofás e uma poltrona. Também televisão, duas janelas, um lustre e um belo tapete verde. À esquerda estava a sala de jantar, e também havia uma escada que provavelmente levava aos quartos.
Sentei em um dos sofás. Mas logo Victor desceu as escadas e me chamou para subir ao seu quarto. Subi as escadas que davam em um corredor, e entramos no quarto dele. Tinha uma cama de solteiro no lado direito, do outro lado tinha um computador. Haviam vários posters de bandas e tudo mais.
— O Thiago disse que não vem, disse que está doente – ele disse, ligando o computador. Victor falava mais para si mesmo do que para mim – doente? É claro que é só mais uma desculpa esfarrapada pra não ajudar a fazer o trabalho.
— Verdade, sempre é assim... – era uma das únicas coisas que eu tinha para falar no momento.
Ficamos em silêncio por algum momento. Observei melhor o quarto e vi como era... “mal-cuidado”. Alguém bateu na porta e eu tomei um susto.
— Victor, já foi lá na padaria buscar o que eu pedi? – então a mulher me viu. Ela era loira, tinha uns 30 anos e tinha uma coruja atrás dela. “Outra coruja?” eu pensei – ah, você deve ser o amigo do Victor que ele tanto fala.
Me levantei, estiquei a mão para ela e disse:
— Fred Fishman, muito prazer.
— O prazer é meu – disse ela, sorridente. E se dirigiu à Victor novamente – então, não vai lá na padaria?
— Já estou indo mãe – ele disse, olhando para o computador.
Ela saiu do quarto, e ele ficou com uma cara chata. É claro que ele não queria ir na padaria de jeito nenhum. De repente se levantou, apontou o computador como se me convidasse para mexer nele.
— Vou lá, fique aqui usando o PC. Só não mexa nas minhas pastas.
— Tudo bem – eu falei, esticando o “u”.
Sentei na frente do computador e abri o navegador. Eu não sabia o que ficaria fazendo ali, pois não gostava muito de internet e computadores. Não tinha muitas redes sociais, ou algo do tipo. Tinha um MSN (fred_mercurio36@hotmail.com) mas não entrava muito nele.
Ouvi alguns gritos vindo lá de fora. Fui na janela ver o que era. Victor estava lá fora, olhando para a porta da frente.
— Se você quer ir, vamos logo, troque essa roupa! – ele falava para alguém dentro da porta.
— Hoje eu não vou tirar meu pijama de jeito nenhum, vou assim mesmo – uma voz fina disse. Provavelmente era a irmãzinha de Victor. Ela saiu para fora e foi ao encontro dele. Ele se abaixou e disse à ela:
— Vamos jogar pedra/papel/tesoura. Se eu ganhar, você troca de roupa. Se eu perder, você vai assim mesmo ok?
Ela concordou e os dois disseram juntos “Pedra, papel, tesoura!”. A garotinha jogou papel, e Victor pedra.
— Papel enrola pedra! – ela falou, e começou a tirar sarro do irmão – ganhei, ganhei, ganhei!
Então, Victor fez uma coisa que eu nunca imaginaria que ele iria fazer: fingiu estar bravo, de mal com a irmã. Ela o abraçou e disse:
— Fica assim não, eu te amo mano.
— Eu também te amo, danadinha – ele disse. Se levantou, pegou na mão dela e os dois foram juntos à padaria.
Victor era um cara legal, mas com quem ele queria. Achei graça da cena, e voltei ao computador. Entrei em alguns sites até que alguém gritou do meu lado:
— F-FRED?! O que você está fazendo aqui!?
Eu me assustei, e vi quem era. Aqueles cabelos loiros, aquela boca carnuda... Era a Claire.
— E-e-eu estou aqui para fazer um trabalho com o... – e então percebi.
Ela só estava de camisola. Uma camisola curta e rosa, com ursinhos simples sorridentes. Não pude evitar de olhar para as pernas da garota, que eram... Bem grossas, pronto falei. E as curvas dela... Um belo corpão violão. Ela percebeu que eu estava olhando-a.
— AH! Me desculpe, eu... – mas não consegui explicar, e ela foi para outro lugar. Seu quarto provavelmente.
Per-fei-to. Estraguei tudo com a garota que eu... Amava? Não, não chegava a amar, mas gostar. Sim, estraguei tudo com a garota que eu gostava. Como eu sou idiota, foi pior que a vez em que eu...
— Pronto, agora dá pra dizer o que ta fazendo aqui? – ela voltou a porta do quarto. Tinha colocado uma calça e uma jaqueta por cima da camisola.
— Eu vim aqui fazer um trabalho de escola com o Victor.
— Hum... Que coincidência não?
— Total – eu disse, sem saber o que falar depois. Ficamos em silêncio, olhando o teto, o chão. De repente essas coisas pareceram tão interessantes...
— Então, gostou da minha humilde casa? – ela disse, ficando numa perna só e esticando os braços. Como se fizesse “TCHARAM!”. Eu ri e disse:
— Claro! Bastante confortável, eu poderia viver aqui – e mudei o tom da minha voz para um tom... De ironia, brincadeira – não é tão boa e chique igual à minha, mas da pro gasto.
E nós dois rimos. O sorriso dela... Era tão lindo, perfeito, espetacular. Ela perguntou do que era o nosso trabalho, enquanto sentava na cama do irmão.
— Fazer um texto, sobre aborto.
— Vai ser fácil pra você não é? Aquele seu texto sobre sustentabilidade ficou incrível.
— Mesmo? Mas eu não tenho ideia do que escrever sobre aborto.
— É facinho. Deixa eu dar umas dicas pra você – ela se aproximou – com esses temas polêmicos, você tem de escrever o que os professores querem ouvir, não o que você acha realmente sobre o assunto. Escreva “sou contra o aborto”, “toda forma de vida merece uma chance” e essas bobagens do tipo, que você tira dez – ela deu uma piscadinha. Cara, aquilo foi extremamente sexy.
Acho que até esqueci tudo o que ela havia falado.
— Que foi? – ela perguntou, vendo que eu estava olhando fixamente para ela. Parei com aquilo, e disse:
— Ah, obrigado pela dica, vou usar. E tirar dez!
— É assim que se fala! – ela disse, me dando um leve soco no ombro.
E novamente, fiquei olhando fixamente para ela, mas desta vez ela pareceu retribuir. Aproximamos nossos rostos. Eu iria beijá-la. Experimentar o gosto daqueles lábios lindos e...
— Minha mãe – ela falou, se afastando rapidamente. Escutei passos vindos do corredor.
— Claire! Cadê você menina?! – a mãe dela gritou do corredor.
— Aqui! – Claire respondeu levantando-se, e indo para fora do quarto. Escutei a mãe dela dar uma bronca nela.
— Claire, quantas vezes eu já falei para você ir lá arrumar aquele seu quarto e trocar essa roupa? Como é que você vai falar com o pivete – (HÃ? Ela me chamou de pivete?) – vestida desse jeito?! Você não pode aparecer assim para as pessoas, principalmente na frente de garotos dessa idade. Nesse período da vida... Eles são loucos, completamente pirados!
Olhei para o monge que estava na posição de lótus em cima da cama de Victor, e ele concordou com a mãe de Claire.
Notas finais
Curtiram?
Sim, o msn do Fred é real. Pra quem não pegou: fred_mercurio36@hotmail.com
Sim, vocês vão poder conversar com ele, o próprio! "O que eu ganho conversando com um louco?" spoiler (se quiserem é claro), chance de ajudar na história, podem até dar conselhos pro coitado! kkkkk
Até mais! :3
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