Minha Doce Criança.
3 Adeus.
Ele estava decidido, porém temia o que aconteceria depois disso, temia a reação dela, temia o amor.
Ao lembrar-se que tinha um ensaio de sua banda, logo deixou seu piano, vestiu suas extravagantes roupas, foi em direção à geladeira, pegou uma garrafa de vodka e em um gole já sentiu-se aliviado, livre de seus pensamentos.
Chamou um táxi e disse o endereço de onde aconteceria o ensaio, deu para o taxista uma nota de cem dólares e fez questão de que ele ficasse com o troco. Afinal, ele era um astro do rock, não precisava de trocados.
Chegou ao estúdio com o típico mau-humor, aquele humor que todos os integrantes da banda temiam e o seu egocentrismo que era responsável por todas as brigas e fracassos.
– Vamos logo com isso – disse Axl impaciente.
Os integrantes da banda entreolharam-se e ficaram calados, não queriam brigar, não naquele momento em que a banda estava fazendo grande sucesso.
O ensaio chegou ao fim e Axl saiu cabisbaixo, estava infeliz, como sempre.
– Hey Axl, vamos sair e pegar umas groupies, não tá afim de vir conosco? – disse Slash, um dos maiores guitarristas de todos os tempos.
– Quero, preciso disso – respondeu Axl com certo entusiasmo.
–Vamos logo, Duff trouxe a limusine, hoje vai ter rock –disse Steven, o baterista charmoso, no seu típico tom brincalhão.
Axl sorriu, sim ele estava sorrindo, isso era muito raro.
Foram para o bar Rainbow, o seu tradicional lugar de encontro, o lugar onde iam pra relaxar, curtir uma boa música e arranjar alguém para uma noite de prazer sem compromisso. Isso que era vida de um astro do rock, mas será que eles realmente ficavam felizes com aquilo? Será que a felicidade estava em drogas, em dinheiro, em fama ou em sexo?
Todos os integrantes da banda sentaram-se em uma mesa e as groupies os encararam, pareciam cobras cercando suas presas, devorando-os com os olhos. Eles adoravam isso, aquilo era como um prêmio.
Veio em direção à mesa uma mulher loira, com belas curvas, olhos negros, cujo batom vermelho se destacava em sua pele branca.
–Vão pedir alguma bebida? –disse a garçonete.
–Sim, e leve uma garrafa de uísque para aquelas garotas, em nosso nome– disse Izzy, o segundo guitarrista galanteador da banda.
A loira saiu, logo em seguida trouxe uma das bebidas mais caras para a mesa onde eles estavam e deixou a garrafa de uísque na mesa das groupies. Garotas sensuais e lindas, prontas para atacar, mas elas eram as presas, iscas fáceis para eles.
As garotas sorriram e foram em direção à mesa dos rapazes. Uma delas, que deveria ser a líder do grupo, tinha cabelos cacheados e escuros, olhos cinza, pele branca e boca carnuda, aproximou-se de Axl.
–Não quer se divertir um pouco? – sussurrou no ouvido de Axl.
Axl deu um sorriso malicioso e levantou-se da mesa, ela o seguiu e não perdeu a oportunidade de segurar a sua mão. Axl estava ali para esquecer, estava ali pra distrair-se, seu instinto falava mais alto, queria abandonar seu coração pelo menos por alguns minutos.
Os dois iam saindo do bar, quando Axl tem a visão de um anjo em sua frente, Erin estava parada o encarando furiosamente, podia ver fúria em seus lindos olhos, seus olhos que eram como o céu, anunciavam tempestade. Erin correu para fora do bar e Axl foi atrás dela deixando de lado a groupie.
Axl finalmente a agarrou pelos braços com força e olhou fundo em seus olhos, olhos que existiam dor e isso o fazia perder o chão.
–Erin, espere! Tenho algo a falar – disse Axl ofegante.
–Esperar? Eu já fui tão paciente, eu já agüentei tanta coisa, já reprimi tantas palavras. Tentei ser compreensiva e te entender, mas eu não consigo! Será que você não entende que eu te amo? Será que você não percebe que eu me importo? Eu estou sofrendo com isso! – disse Erin com lágrimas nos olhos.
–Não quero mais te fazer sofrer, eu não te mereço e nunca mereci, talvez seja melhor pra mim e pra você se ficássemos separados, será melhor esquecer. –disse Axl com tristeza nos olhos, mas ele não queria chorar, ele não podia chorar.
–Você sempre quis isso, afinal, você é um covarde, sempre foi– respondeu Erin.
Axl a pegou pela nuca e deu um beijo triste em Erin, ela estava furiosa, mas cedeu. Um beijo de amor e ódio, um beijo com voracidade e delicadeza. Eles eram como um só, mas reprimiam isso por medo.
Erin finalmente soltou-se dos braços de Axl e foi em direção ao seu carro sem olhar pra trás. Axl ficou parado, imóvel, estava com ódio de si mesmo.
Aquilo foi um adeus.
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