Minha Diamante
3 Rebelião?
Notas iniciais
A briga com a Diamante Amarela me deixou imersa numa confusão daquelas. Nossa mãe ficou sem saber o que fazer, pois nunca havia acontecido nada dessa natureza. Foi decidido que algumas coisas em minha colônia seriam finalizadas e que logo em seguida eu viajaria para lá até as coisas se acalmarem.
Por hora eu era mantida trancada em meu quarto do templo diamante. Estávamos eu e minha Rose Quartz deitadas na grama terrestre. Ou pelo menos era o que meu quarto mágico dava a impressão de ser. Diferente dos quartos das outras diamantes, o meu era um espaço vazio que poderia refazer qualquer cenário ou qualquer coisa que eu quisesse através de luz com matéria. É o mesmo princípio da forma física das gems que são apenas hologramas, só que com matéria.
— E a Pérola? — eu perguntei.
— Ela disse que seria eternamente grata.
Eu sorri de leve. Cerrei os olhos por uns segundos, quando abri o céu azul da terra estava lá com suas nuvens a passear.
— Rose, posso te contar um segredo?
— Sim, minha diamante.
— Não me chame assim. Até parece a Pérola de minha irmã.
— Perdão, como quer que eu a chame?
— Me chame do que quiser, não precisa ser tão formal.
Ela concordou relutante com a cabeça. E mesmo hesitando, perguntou:
— Qual é o segredo... hum... Rosa?
Uma onda de humor invadiu minha cabeça ao ver a tentativa de minha Quartz. Mas sem mais delongas, despejei:
— Eu não acho que gosto disso.
— Disso o que?
— De ser diamante. De fazer o que uma diamante faz.
Ela me olhou horrorizada.
— Mas senhora, isso não é sinal de rebelião?
— Rose, já parou para pensar que qualquer coisa que vá contra os ideais da autoridade diamante é sinal de rebelião?
A soldado permaneceu calada.
— Eu crio vida, mas ao mesmo tempo tudo em volta morre. Não era para ser assim, era? — eu a olhei. Rose permaneceu em silêncio me olhando solidária.
— E por que não faz algo a respeito?
— Rebelião? — indaguei. Rose fez uma expressão de incômodo como se alguém estivesse batendo-a com a interrogação daquela pergunta. Ela assentiu com muito esforço. Eu dei uma risada a fim de fazê-la se sentisse leve o suficiente para sorrir um pouco. — Rose. Sabia que você foi feita na Terra?
— Sim, senhora.
— E você sabe o que vai acontecer com a Terra? — ela engoliu a seco e novamente assentiu com a cabeça. — E não se importa?
De supetão, ergueu a cabeça. Rose queria retrucar, estava estampado em sua cara. Ela queria dizer que se importava. Bom, não era surpresa. Algumas gems tendem a sentir forte afeição pelo planeta em que foram feitas.
— Posso contar um segredo, minha diamante?
— Só tolerarei o "minha diamante" porque vai me contar seu segredo. — avisei.
— Eu já... vasculhei arquivos de Homeworld sem permissão para ver os planetas conquistados antes de serem colonizados.
— E aí?
— Não quero que a Terra fique assim, é triste.
O silêncio foi o que veio depois depois da revelação de Rose Quartz. Ficamos as duas olhando para o céu azul da Terra que meu quarto reproduzia ali.
— Rose, em algum momento você quis fazer outra coisa? — ela me encarou confusa. — Outra coisa da qual você não emergiu para fazer?
— Ah, mas é claro que não. Eu amo servir a senhora.
— Minha Rose... — eu disse com ternura.
Seus olhos brilhantes encaravam os meus. Ela era meu soldado especial, a melhor companhia, confidente, leal. Rose era tudo, era tudo que eu queria e precisava. Então toquei a sua mão e um dos momentos mais mágicos de minha existência aconteceu:
Nós nos fundimos.
Fale com o autor