Notas iniciais
Oi morangolinas, aqui é a Morangochan :3 Espero que tenham gostado ou ao menos que tenham dado uma chance para essa short fic. Este capítulo está em ordem cronológica com o anterior, acontecendo pouco tempo depois do capítulo um. Boa leitura ♡

Criar gems nunca é fácil. A composição tem que ser revista várias vezes antes de ser colocada nos injetores. Há fatores comprometedores como o solo, a riqueza mineral do planeta e o número de gemas injetadas. Tudo era sempre friamente calculado por mim, por isso estávamos na era de ouro de Homeworld onde a estatística de gems defeituosas chegavam a ser uma a cada dez mil que emergiam.

Ocasionalmente tenho sorte de alguma rara aparecer. Gems raras são acidentais, porém não defeituosas. É mais como uma mutação que ocorre, dando origem a uma pedra diferente do que a prevista. Lembro-me de quando destinei para minha irmã Diamante Azul um lote de soldados. Rubis emergiam da terra e do nada uma Safira apareceu.

Mas devo destacar de todos os modos possíveis que minha Rose Quartz é a mais rara e mais perfeita. Ela foi criada na Terra, no micro jardim de infância que projetei para averiguar se o solo do planeta era mesmo adequado, pois este era o último teste, antes de planejar a colonização inteira, para saber se a Terra era viável por completo a Homeworld. Tenho o prazer de dizer que cheguei a tempo para ver Rose emergir do buraco mais alto e flutuar até o chão. Não muito tempo depois nossa líder Branca decretou que cada diamante deveria ter seu soldado especial, então resolvi que aquela Quartzo seria a minha.

Confesso que para uma diamante eu pegava pesado no trabalho que deveria ser responsabilidade de outros. No meu caso, como sou responsável pela criação, as vezes realizava tarefas que uma Peridot deveria se encarregar.
Eu era admirada, tinha prestígio, minha mãe me elevava às alturas, confiava em mim. Mas para minha irmã Diamante Amarela eu não passava de uma escória. Mesmo que o exército que ela comandasse fosse criação minha. Desde que emergi e fui levada à Homeworld, senti que havia algo de errado com ela em relação a mim. Ciúmes? Inveja? Não sei. Mas um dia ficou bem óbvio que nossa relação não era boa.

— Por que quer quebrar essa pérola?

— Graças ao seu brilhante talento de criar gems, uma pérola com defeito veio parar na minha corte. — ela explicou sarcástica.

O meio de minhas sobrancelhas se contraiu. Meu punho cerrou e eu disse a mim mesma que, se não houvesse consequências, socaria a cara dela naquele exato momento. A Diamante Amarela jamais se encarregou da tarefa de produção de gems. Ela sequer havia visitado um jardim de infância. Era só uma tirana que apontava enquanto seu exército destruía e oprimia.

— Mas eu ainda não entendo por que quebrá-la. Soldados defeituosos já foram parar na sua corte e nenhum deles foi quebrado.

— Ela é uma pérola. Soldados defeituosos são diferentes de pérolas defeituosas. Que membro de minha corte irá querê-la? Quebrar sua gem é o mínimo que se pode fazer para que ela não tenha uma vida miserável.

Senti-me mal, porque além de estar ouvindo todos aqueles absurdos saindo da boca de minha irmã diamante, baixei o olhar e vi uma Pérola amarela encolhida perto dos pés de sua senhora.

— Então está tendo piedade? — perguntei. Ela assentiu. — E o que sabe sobre piedade?

A Pérola amarela puxou o ar numa expressão de terror. Minha irmã diamante teve o rosto fechado pela raiva.

— Está passando dos limites.

— Não, você é que está! Como consegue querer quebrar uma gem e usar um discurso tão estúpido para justificar?

— A pérola que quero quebrar veio no lote para MINHA CORTE. Ela é uma gem que pertence a mim e faço com ela o que quiser. E o que digo agora é que ela deve ser quebrada. Eu fui bem clara?

Nós duas puxamos ar. A sala ainda dava seus últimos ecos até se tranquilizar por completo, deixando apenas o barulho causado pela tremedeira do corpo da pequena Pérola da diamante amarelo.

— Foi. — respondi calmamente. — Mas você se engana quando diz que ela pertence a você. Eu a criei, ela é minha. E na próxima vez que me desacatar eu vou destruir pessoalmente todas as suas colônias, todo o seu exército e a você. E não vai ter exército, não vai ter Diamante Branca que me faça parar. Eu também fui clara?

Novamente a sala mergulhou em silêncio e foi rompida pela risada de minha irmã cortando o ar. Não sabia se ficava com raiva ou constrangida. Ser intimidadora nunca fez meu estilo. Talvez funcionasse se eu tivesse tentado anteriormente com outra gem.

— Por um momento achei mesmo que estivesse falando sério. — e limpando uma lágrima ela prosseguiu com a ira emanando de seu corpo. — Escute aqui, seu pequeno inseto, nós prosperávamos muito antes de você emergir. Não pense que é a maioral só porque tem o reconhecimento de nossa matriarca. Você sequer tem colônias, é um lixo que nem merecia ser chamado de diamante. Você pega trabalhos de gems inferiores, é emocional demais, chora quando elas são quebradas, muda de forma para falar com qualquer subalterno.

— Eu gosto de enxergá-los direito. Faço isso porque aguento a mudança de forma mais tempo do que eles.

— Acha que isso é uma desculpa? Você é uma escória. Você sempre foi. — minha irmã estreitou seus olhos. Aquelas palavras soaram como um déjà vu para mim. — Espere só a Diamante Branca ficar sabendo que você estava ameaçando se rebelar.