– Meu único vício é o chocolate.

Ri. No fundo, ela é doce e inocente como qualquer garota. Como eu.

Mello se aproximou.

– E agora, você. — me beijou de leve.

Continuei os beijos. Acariciei suas costas nuas.


Afastei nossos lábios. Um fio de saliva vingou e uniu nossas bocas como uma longa corrente.

O filamento se partiu e nos melou um pouco. Mello lambeu os beiços com paixão.


– Já namorou alguma menina antes? — perguntei.

– Não. — riu de leve. Depois riu tanto que teve de tapar a boca com as mãos. — Não, não. Você é a primeira garota com quem eu fico.

– Isto é só uma ficada? — Deitada de bruços, coloquei um pé para cima.

– Não sei. — riu — Mas é especial pra mim — tocou a ponta do meu nariz com o dedo. — Você é especial pra mim. Fique sabendo.

Sorri.

– Sabe — continuou — Acho que estava mesmo precisando de uma garota.

– Mesmo?

– É. Acho que os homens não sabem cuidar direito de mulher. Dar carinho. Atenção. Amá-la em cada pedacinho.. Homens, meninos, rapazes... eles não sabem fazer disto.

Se aproximou.

– A única que sabe cuidar bem da mulher é ela mesma, não é?

Me acarinhou o rosto.

Concordei com suas palavras. Já pensava assim desde, talvez, os 10 anos de idade. Mas minha mente não pensou alto o bastante para que eu me desse conta da noção que rondava minha cabeça, como um vento silencioso que voa sem ser notado.

– É, Mello. Acho que você está certa.

– Mulheres precisam de mulheres. E eu quero você.

Segurou meu queixo e deu um selinho.

"Também te quero, Mello. Muito..."


Mello afastou o rosto um pouco e ficou me observando.

– Gosto de olhar pra você... Acho que você tem olhos lindos.. Tão brilhantes... Parecem até vidro vulcânico.

Corei com seu comentário.

– E os seus, parecem azul-egípcio. — Disse-lhe.


Ficamos por pouco tempo em silêncio, até:

– Põe um piercing no meu umbigo? — pediu.

– O quê?

– É fácil.

Levantou e foi até uma cômoda. Abriu a gaveta e tirou uma caixa de lá.

Quando se sentou de volta na cama, abriu-a pra mim. Dentro havia uma agulha e um troço que parecia um alicate.

– Você faz assim — tentou me ensinar — e assim. Mete a agulha. Aqui o piercing. E pronto.

– Ahn? Certo, certo.


Ela deitou. Tentei seguir suas instruções.

– Assim?

– Isso. Vai.

– To indo.

Furei-a.

– Ahhhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!!!!!!

Mello gritava e apertava um travesseiro com a mão esquerda.


– Você tá bem?

– 'Sa porra dói que é uma beleza..


Mello continuava deitada. Fitei seu umbigo, que enrubescia.

– Ai, ai, ai. Como dói....

Pousou um braço sobre a testa.