Minha Aventura Lésbica Com Mello
3 Pedaço III
Notas iniciais
A animação de Mello voltada para mim. Nada podia levantar meu moral melhor do que aquilo.
Corri até ela, sorrindo de volta.
– Então. Vamos?
Montou na moto e pediu que eu sentasse atrás dela.
– Use isto — me pôs seu capacete.
– Certo.
– Segura firme.
Agarrei sua cintura, sentindo o revestimento macio de seu colete de couro. Segurei firme. A Mello disse que podia, não havia malícia alguma ali. Talvez um pouco no fundo da minha mente. Vez ou outra senti a superfície de sua pele macia. Me deu vontade de apertá-la e tocá-la um pouco mais. Mas eu contive minhas mãos e as firmei sobre seu estômago.
Senti um vento frio me sacudindo os cabelos sobre os ombros. Senti os fios curtos de Mello em movimento, bem perto dos meus olhos. Senti um formigamento percorrendo meu quadril e mãos a cada curva que ela fazia. Apesar do frio na barriga, estava adorando.
Mello era adrenalina.
Paramos perto de uma casa. Quando descemos da moto, Mello abriu a porta com suas próprias chaves. Deduzi que talvez ninguém estivesse em casa. Ou que, quem sabe, ela morava sozinha ali. Me guiou até a sala de estar.
– Fica aqui que eu vou trocar de roupa.
Sentei e esperei Mello chegar. Vestia um short preto, bem curto e leve. Estava quase terminando de colocar a blusa branca com estampa, cortada bem no meio da barriga.
Você faz isso pra me deixar ainda mais constrangida, não é?, pensei. Se for, por favor, pare agora!!
– Quer um refresco? — me ofereceu uma latinha de refri.
– Valeu.
Abri e bebi. O som da lata se abrindo era engraçado. E ainda mais divertido de se ouvir com as paredes em volta. Só eu e ela.
Mello se sentou numa das almofadas no tapete do chão. Bem relaxada.
– Você não quer tirar essa jaqueta? Está meio quente aqui, não acha?
– Não. Não, está tudo bem — sorri.
– Que isso. Não precisa ter vergonha. Só tira e deixa em um canto.
Ela me olhava com um semblante malicioso. Bebi mais um pouco do refrigerante. Olhei para os lados. Tentei concentrar meus olhos na decoração da casa dela. Era bacana.
Voltei os olhos para Mello. Ela continua vidrada em mim. Pare de olhar. Já basta eu tentar desviar os olhos das suas roupas curtas.
– Então... — tentei puxar assunto.
– Senta aqui — pediu em uma voz baixa. Uma voz sexy.
– Tá bom. — Saí do sofá e me coloquei perto dela, no tapete.
– Então. Me fala da sua família.
– Ahn.. Tá. Eu moro com a minha mãe..
– Disso eu já sabia. Você me falou há alguns dias. Continua.
– Certo. Eu e ela moramos na ali numa rua e...
Mello se deitou no chão, ainda com os olhos em mim e um sorriso labial torto. Cruzou os braços por trás da nuca, apoiando-se. Com o corpo levemente esticado, sua blusa deixava sua barriga um pouco mais à mostra.
Sua pele parece tão sedosa. Posso tocá-la?
– Continua falando.
– Hein? Certo, certo!! Eu moro com ela.. ela mora comigo. Somos uma família feliz.
Mello tirou uma pequena barra de chocolates do bolso. (Ela sempre guarda chocolate nas roupas? Mesmo depois de se trocar?) Ainda me ouvia.
Arrancou uma fileira de sua barra e me ofereceu.
– Obrigada.
– Sorte a sua. Ela deve ter bastante orgulho de você, né?
Mello me elogiou?
– Por quê?
– Ah, você sabe — deu de ombros — Boas notas, bom comportamento.
– Ah. Nem tanto.
– Por quê não? — saiu de sua posição e se deitou mais perto de mim. De barriga pra baixo e com o rosto apoiado nas mãos.
– Acho que ela preferia um pouco mais de mim. Sei lá, não gosta muito de ser mãe de uma garota tímida. Eu não tenho tanta sorte assim como você diz. Aliás, acho que ela é que não tem, por ter uma filha como eu?
– Mas por quê? Você não se droga, não bebe, não chega em casa depois da meia-noite.. — Ela brincava com a alça do meu vestido, descendo-a. Fiquei nervosa, mas não a pedi que parasse. Tentei continuar a falar.
– Diz isso pra ela. Mas parece que eu vou sempre parecer uma coisa mal-feita pra ela.
– Que isso. Não exija tanto de si.
– É ela que exige. Pressiona um pouco demais! — acabei me desabafando para Mello. Me senti envergonhada por isto, mas ela me ouvia com atenção e interesse. Gostava disto. Não me sentiria à vontade para falar sobre meus problemas com mais ninguém.
– Ela faz mais alguma coisa que te deixa irritada? Acho que o que tem entre vocês vai além da escola.
– Bem.. Ela vive perguntando sobre sexualidade pra mim. Pergunta se eu estou interessada em algum menino, e se eu digo que não, ela já pergunta se eu sou lésbica!!!
Silêncio por poucos segundos. Mello me fitou. Não trocou sua expressão, ao contrário do que eu acharia. Sua reação foi neutra. Mordeu o chocolate de novo.
– E o que você responde? — perguntou.
– Sei lá. Eu dou uma resposta curta e grossa. É geralmente nessas horas que eu explodo e saio de perto dela.
– ...
– Quer dizer, se eu nunca peguei alguém, como vou saber do que gosto? Só o fato de eu não me interessar por ninguém no momento parece irritá-la.
– Que chato..
– Também — continuei — que mãe ia se orgulhar de uma filha BV aos 15?
Mello pronunciou meu nome em voz baixa. Olhei para ela. Mello continuou falando, com os olhos baixos:
– Você só foi BV até os 14.
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