Minha "Amiga" Vampira

6 Capítulo 6 - Passeio molhado


Assim que nós pisamos depois de atravessar a porta ouvimos um barulho e nos entreolhamos.

— Ouviu isso? – Ela falou e eu afirmei positivamente com a cabeça e o som se repetiu, dessa vez mais claro e eu o reconheci.

— Segure firme seu chapéu – Avisei e ela me fitou, mas logo viu meu olhar sério e o agarrou com o corpo. O chão arrebentou e nós caímos. Não nos machucamos com a queda, na verdade nós escorregamos em uma espécie de túnel que estava bastante liso devido as estalactites que pingavam água ali direto e quando o "escorregador" acabou caímos em uma poça d'água que era um tanto funda, mas havia lugares onde não possuía água e fomos para lá. Eu cheguei primeiro e a ajudei a subir, ela espremeu seu chapéu e o guardou, eu tentei não a fitar, se seu corpo já era bonito com aquela roupa, imagina sem e ainda molhada, balancei a cabeça para esquivar desses pensamentos.

— Como você sabia? – Ela perguntou, fazendo-me fita-la e ver seu belo corpo. Não era aquele corpão, mas é exatamente como eu gosto, ou seja, difícil de não olhar.

— Sabia de que? – Perguntei e liguei a lanterna, sorte que elas são a prova d'água.

— Que o chão iria quebrar – Berrou virando-se para mim e esticando os braços – O que foi? – Perguntou do nada, acho.

— Eu escutei e reconheci o som – Respondi, depois desviei o olhar de seus seios e olhei ao redor – Agora temos que achar um jeito de sair daqui – Falei sem fita-la, mas ela ficou na minha frente e inclinou para frente com a cara emburrada e eu tive uma boa visão de seus seios, agora eu tive certeza que fiz uma cara estranha.

— O que foi? – Ela insistiu e eu suspirei.

— Você – Falei e ela me fitou surpresa.

— Eu? – Perguntou apontando para si, em seu peito, apertando a roupa.

— É mais eu mesmo, apesar de tentar, eu ainda sou pervertido e essa situação não ajuda – Expliquei apontando para ela, que pela expressão não entendeu, eu revirei os olhos e suspirei – Você é gostosa entendeu? E sua roupa molhada não me ajuda a evitar de olhar – Expliquei e me virei.

— Não é culpa minha se você é pervertido – Ela falou grosseiramente.

— Eu sei, mas é culpa sua você ser bonita e gostosa – Falei andando para um local onde estava umas plantas. Eu as movi e vi uma possível saída – Agora vamos – Chamei fitando-a e ela se aproximou de mim, parecia triste pois estava de cabeça baixa, eu a segurei antes dela passar de mim – Me desculpa tá, eu não quis ser mal com você – Pedi e ela me fitou – Tome, eu vou atrás de você – Falei entregando-lhe a lanterna, mas ela apagou – Fala sério! – Berrei, então vi o caminho a frente e senti ela segurar minha mão e eu consegui ver apenas o brilho de seus olhos verdes.

— Eu já sei o que você ia dizer – Ela falou.

— Não precisa fazer isso se quiser, eu posso me virar sozinho.

— Não esquenta, eu não te odeio – Ela falou surpreendendo-me, então me puxou e me guiou pelo caminho escuro. Viramos para um lado, para o outro, demos meia volta, passamos por locais apertados e em nenhum momento ela soltou minha mão e eu nem pensei em afrouxar a minha mão da dela.

— Estou vendo luz! – Avisei, agora conseguindo enxergar seu rosto um pouco – Mas não é do sol – Completei e a vi afirmar com a cabeça positivamente.

— Nossa! – Falamos simultaneamente assim que vimos a origem do brilho. Fazia parte da caverna, mas era iluminada do lugar onde as várias cachoeiras emergiam e estávamos andando em uma espécie de ponte. Era como se fosse um caminho feito por mineradores.

— Isso é muito bonito – Ela comentou, estava fitando o alto, de onde as cachoeiras surgiam.

— Concordo – Falei, fitando o alto também – E é a nossa saída daqui – Falei fitando-a e ela me fitou.

— Como vamos sair daqui? – Ela perguntou e eu olhei através dela e apontei.

— Como sobreviventes – Falei e ela olhou para trás e viu o esqueleto de um explorador, sua perna estava presa, provavelmente morreu com perda de sangue ou de fome.

— Como ele ajuda? – Ela perguntou, voltando a me fitar.

— Preste atenção nele, o ombro esquerdo é bem mais baixo que o do direito, que dizer que ele estava usando algo em suas costas, era um explorador e se a bolsa ainda estiver lá nós acharemos a corda que nos tirará daqui – Expliquei, então eu a vi ficar triste e baixar a cabeça, eu coloquei minha mão sobre seu queixo e a fiz me fitar – Eu sei que você se protege muito do sol, mas confie em mim, isso não vai te fazer nenhum mal – Falei e ela concordou balançando a cabeça positivamente, mas não adiantou muita coisa, pois uma pedra grande caiu de uma das cachoeiras e quebrou a passagem para pegar a bolsa – Droga! – Reclamei.

— Não esquenta, eu vou – Ela falou tomando a frente e eu a segurei.

— Eu não vou conseguir! – Falei e ela riu me fitando.

— Quem disse que você vai? – Ela falou voltando a fitar a frente, eu agarrei sua mão e a puxei para mim.

— Quem disse que vou te deixar ir sozinha? – Retruquei e a fiz mudar de ideia.

— Mas precisamos dele para sair daqui! – Ela reclamou, mesmo sabendo que subir por ali poderia mata-la.

— Tudo bem, eu vou até lá – Falei e ela me fitou surpresa.

— Como? – Ela perguntou, então eu apontei para a pedra que havia acabado de cair. Apesar de ter destruído o caminho, ela ainda estava visível, eu me movimentei para pular, mas ela me segurou forme – Também não vou deixar você ir sozinho – Falou me fitando emburrada, eu apenas acenei com a cabeça, então corremos e saltamos. Caímos na grande pedra e saltamos de novo, ela se movimentou e caiu e nós usamos nossas mãos para segurar no outro lado, nós quase conseguimos – Eu estou escorregando! – Avisou, eu olhei ao redor.

— Agora vou precisar que você confie em mim, está bem? – Falei fitando-a, ela acenou com a cabeça – Solte – Falei e ela hesitou – Eu não vou te deixar cair – Passei confiança e ela soltou, eu a balancei e a fiz chegar na parede ao meu lado onde ela ficou em pé e pode saltar para o lugar sem perigo de cair – Agora você pode me ajudar – Falei e ela se abaixou para que eu pudesse sair dali, então ela me deu um tapa.

— Essa foi por mentir, você me soltou! – Explicou e eu ri.

— É, vamos? – Chamei, esticando minha mão para segurar a dela, ela sorriu e segurou minha mão. Nós achamos a bolsa do explorador e a abrimos. Havia apenas um livro e uma corda dentro dela, não dava para lê-lo devido ao escuro – Tem apenas um livro – Falei fitando-a.

— Porque um explorador carregaria apenas um livro em sua bolsa!? – Berrou, embora estivesse aliviada em relação ao fato de não correr perigo de tocar na luz do sol.

— Essa é uma boa pergunta – Respondi colocando a bolsa em minhas costas – A boa notícia é que podemos continuar por aqui – Falei me levantando. Havia um caminho perto do explorador, possivelmente por onde ele veio – Então, pode me guiar? – Pedi e a vi sorrir, então seguimos adiante. Andamos bastante, sempre subindo, afinal o chão era inclinado o que dificultava mais ainda a caminhada até que paramos e já dava para enxergar um pouco graças a luz do sol. Nós paramos por conta que não havia caminho, ele continuava, mas parte dele foi destruída, tendo como alternativa voltar ou saltar pelo menos uns 10 metros.

— Ótimo e agora!? – Ela falou, me soltando e sentando em uma pedra, eu fiquei na beirada e retirei da bolsa a corda – Você disse que havia apenas um livro! – Reclamou.

— Eu sei, mas não ia te deixar subir com o perigo de pedras caírem na gente – Expliquei balançando a corda e a amarrando em uma estalactite em formato de anzol.

— Você estava com medo de morrer? – Ela debochou e eu me virei para ela e a agarrei, segurando-a no colo – O que está fazendo!? Me solta! – Mandou batendo em minhas costas.

— Não e não – Respondi, então pulei – Eu tenho medo de te machucar – Expliquei, então a corda balançou até seu limite e eu me soltei, ganhando impulso, depois joguei a encrenqueira para cima e bati na parede, eu a escutei rolar um pouco, ela havia conseguido e eu não. Comecei a cair, mas num ato de reflexo eu retirei a bolsa e a joguei para cima, segurando em uma alça e ela ficou presa em algum lugar, então subi e vi que ela havia ficado presa na encrenqueira, que a agarrou – Obrigado – Agradeci e ela me abraçou.

— Não faça isso de novo – Pediu e senti meu ombro molhar, ela estava chorando, eu correspondi o abraço até que ela se acalmasse, então senti ela me soltar e fiz o mesmo e ela estava sorrindo.

— O que foi? – Perguntei e a vi me fitar e abrir a boca para falar algo, mas ela foi interrompida.

— Pelo visto, se divertiram não foi? – Riley falou e ao seu lado estavam Jake, Vivi e Eduardo.

— Esperamos vocês dois por muito tempo, porque demoraram tanto? – Jake perguntou e nós dois o fitamos.

— Espera, onde estamos? – Perguntei me levantando.

— Como eu disse, os três caminhos que tinham têm fim e não há divisão de caminhos em nenhum momento, vocês me escutaram lá em cima? – Jake perguntou, cruzando os braços, eu e ela nos fitamos e depois viramos o olhar para ele – Pelo visto não, tudo bem, vamos logo – Chamou, virando-se para sair do local, Eduardo, Riley e Vivi o seguiram, eu me levantei e a ajudei a se levantar.

— Obrigada.

— O que você ia dizer antes de Jake atrapalhar? – Perguntei, ela me fitou e sorriu fechando os olhos e virando a cabeça um pouco e eu entendi o que ela quis dizer – Me desculpe – Pedi e a ouvi rir.

— Pervertido – Ela falou me constrangendo mais – Se bem que se eu tivesse no seu lugar aconteceria quase a mesma coisa – Ela falou e eu a fitei.

— Como assim quase? – Perguntei, ela se virou para mim parando, depois apertou seus seios por um tempo e parou.

— Eu aproveitaria – Ela falou rindo, balancei a cabeça negativamente e nós começamos a andar para voltar para casa.