Minha "Amiga" Vampira

17 Capítulo 17 - O furto


Notas iniciais
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— Senhor o que ouve? Quando a Bala chegou e eu não o vi pensei que havia acontecido algo – Daniel me perguntou quando cheguei em casa, mais precisamente, no laboratório.

— Nada de mais, acabei encontrando um chapéu em um rio e me diverti um pouco – Respondi – Alguma novidade?

— A análise do local que o rato espionou foi concluída e nós temos um problema – Ele falou, então me mostrou no computador o mesmo local onde eu levei o rato para investigar na casa do meu tio – Veja, você não pode entrar lá – Comentou apontando para as várias câmeras no local. Eram câmeras raras do qual não adiantava desliga-las, elas não paravam enquanto a fita não acabasse e naquele caso realmente não acabaria, lembro do meu tio mostrando várias fitas de câmeras antigas, que é como essas funcionam.

— Interessante.

— O que?

— Não posso entrar, mas tem alguém que pode – Falei apontando para uma saída de esgoto ali, havia água descendo por ali, provavelmente da água da chuva que caia na estátua quando eu estava vendo com o rato. Aquela saída de esgoto é bem próxima de outra porta secreta que me levaria até a bala, será fácil de sair dali, principalmente com o Panda.

— Tem certeza disso? Depois desse dia o Panda será perseguido por todos os locais.

— Errado, depois de hoje, o Panda sairá mais cedo dos eventos e participará de outros depois de hoje o Panda realmente será o Panda. Traga – Pedi, ele acenou com a cabeça e trouxe a bala, a fantasia ainda estava dentro dela, eu a vesti com confiança e entrei na bala.

— Senhor, está me ouvindo corretamente? – Ele perguntou através do rádio que está implantado na fantasia, eu a havia colocado para o caso de alguém da minha família chegar em casa quando eu estava como o Panda, meus pais sempre saiam na hora do evento, esse é um dos principais motivos de eu colocar a entrada do laboratório no banheiro.

— Alto e claro, está me ouvindo? – Perguntei.

— Sim senhor, o caminho está pronto, quando desejar.

— Vamos nessa! – Falei e senti o impulso da bala me levando adiante.

***

— Muito bem, me guie – Pedi assim que saí da bala, o local onde a bala parou era antigo, nem lembrava que ele existia, mas agora agradeço pela existência, além de poder pegar a estátua mais cedo eu não terei que pegar um carro emprestado para traze-la na rua.

— Siga em frente, haverá uma parede grande, use o método antigo.

— Procurar o botão que muda de local, ok – Comentei, então encontrei a parede e comecei a alisa-la a procura do botão, quando achei eu o pressionei e a parede abriu. Esse método antigo, toda vez que a parede é fechada o botão muda o local toda vez que a porta fecha, mas para fechá-la é necessário apertar o botão de novo, eu passei direto e deixei a porta aberta.

— Acha seguro deixa-la aberta? – Daniel perguntou.

— Sim, quando eu voltar terei de voltar correndo e aqui é o esgoto, o último buraco não está há vista, no entanto sempre é bom ter cuidado – Comentei dando de ombros e coloquei uma câmera das que o rato levava voltada para os dois lados – Se alguém vier sabe o que fazer.

— Sim senhor – Ele falou e eu fui em direção ao bueiro onde dava perto da estátua. As câmeras foram colocadas em cima do botão, uma em cima da outra, é possível mover a câmera de cima em alta velocidade para frente sem desgrudar da outra, apertando assim, o botão, eu já havia usado essa tática uma vez e funcionou perfeitamente – Pare! – Ele falou, eu quase pulei de susto.

— O que foi? – Perguntei.

— Acima de você – Falou, eu fitei o teto de esgoto e avistei um bueiro – É aí – Concluiu, eu subi a escada e retirei a tampa do bueiro lentamente, sem fazer barulho, assim que saí eu me encontrei no local onde havia visto com o rato, me virei e avistei a estátua de cristal.

— Tão linda – Falei me aproximando dela, mas eu me distraí com um pequeno pilar vazio, daqueles que é um pilar e tem como se fosse uma parte mais plana em cima para colocar algo, como se fosse para apresentar algo e nela estava escrito um nome estranho, difícil de ler, mas uma palavra me chamou atenção – Eu já não vi isso em algum lugar?

— Isso é o nome do livro que o senhor encontrou e me deu naquele dia, exatamente igual – Daniel falou e eu dei uma pequena risada, mesmo isso sendo algo estranho. Porque essa estante tem o nome do livro dos meus pais?

— E você disse que a câmera nos olhos da fantasia seria um desperdício – Falei brincando – Mas porque isso está aqui – Perguntei para mim mesmo me aproximando do pilar.

— Senhor, seu objetivo é outro – Daniel falou.

— Tem razão – Falei e me virei novamente para a estátua – interessante – Comentei ao ver o local onde a estátua estava.

— É um sensor de pressão, não será difícil de hackea-lo – Daniel comentou – Esquece – Falou assim que me movi um pouco mais para a direita, havia um fio conectado no sensor, para hackea-lo o sensor teria de reiniciar, mas esses fios ativariam um alarme caso o sensor fosse desativado, mesmo que por apenas meio segundo – Alguma outra ideia? – Ele perguntou e eu fitei aquele pilar novamente.

— Senhor, a diferença entre aquele pilar e a estátua é de pelo menos 500 quilos, isso ativaria o alarme.

— A menos que divida o peso – Falei, então fui em direção ao pilar e peguei várias outras coisas no local, eu prendi o sensor de modo que ficasse impossível ele descer mais, ou seja, de registrar mais peso, mas isso não funcionaria para registrar menos peso, peguei o pilar e coloquei ao lado da estátua, então retirei a estátua ficando no local onde ela estava, realmente a estátua era leve. A coloquei no chão e coloquei o pilar onde eu estava sem sair do sensor, então eu pude sair dali, eu fitei o local e suspirei satisfeito sabendo que tudo havia saído corretamente, peguei a estátua e a levantei, chegando no bueiro eu a desci delicadamente e a coloquei no chão para descer, mas o alarme suou e uma espécie de parede tampou o bueiro.

— Senhor, que barulho foi esse? – Daniel perguntou.

— O alarme soou, preciso que você venha buscar a estátua e rápido, não podemos deixa-la ali.

— Não vou te deixar sozinho.

— Vá buscar a estátua, não se preocupe comigo, eu sou o Panda, eu sei me virar – Falei e desativei o rádio, então uma flecha apareceu no chão em minha frente, olhei para frente e vi várias armadilhas sendo ativadas, eu comecei a fazer cambalhotas para trás para evitar ser acertado e me escondi atrás, infelizmente quando olhei para frente apenas vi lasers mirados em mim, aquilo não era flechas, eram balas, a única coisa que ouvi antes de fechar os olhos foi o som do disparo e pouco depois o som de colidindo em algo, pensei no fato de ter batido na roupa que possui as partes metálicas para me proteger, mas a roupa não aguentaria isso.

— Sabe se cuidar né? Estou vendo – Falou, abri os olhos para ter certeza do que ouvi, Daniel estava em minha frente, usando a estátua como barreira para impedir as balas de me atingirem – Analisei o material, não é cristal, tem algo desconhecido que faz isso ser mais resistente que aço – Explicou, era verdade, as balas não estavam deixando sequer um arranhão na estátua – Agora vamos sair daqui! – Falou, então andamos lentamente para o bueiro, ele me protegendo das balas que miravam em mim, o que dava para concluir que eram sensores de calor que estavam ativando as armadilhas, pulei no buraco que estava no bueiro e nós corremos dali.

— Muito obrigado, Daniel – Falei enquanto corríamos para o local onde a bala estava, ao chegarmos saímos sã e salvos dali, mas eu gostaria de ter visto a cara do meu tio quando ele voltar ao local e ver a estátua dele perdida, ao ver que a mãe dela foi roubada.

— Agora descanse um pouco, hoje foi cansativo, vá dormir e talvez não seja má ideia falar com a sua namorada – Ele falou, eu ri de leve.

— É, tem razão – Comentei. Chegando no laboratório, nós guardamos a estátua em um local parecido e subimos de volta para casa, no entanto eu sentia que estava esquecendo de alguma coisa.

— Aqui está – Ele falou, ainda no elevador ao me entregar meu celular.

— Obrigado – Falei ao pegá-lo, então abri o aplicativo que havia o grupo da escola, havia cerca de 500 mensagens lá, pensei em ignorar todas, mas logo a primeira me chamou atenção e eu comecei a ler todas as 500 mensagens e quando eu acabei eu estava na cama preparado para dormir, preparado para ter um pesadelo.

Eu não fui o único a roubar algo naquele dia, ouve um roubo a um banco e a filmagem mostrava alguém com a mesma fantasia do Panda, no entanto a filmagem estava em preto e branco, o que dava para concluir que a roupa não era da mesma cor da minha já que a minha é marrom e a do cara é totalmente escura, um urso pardo.

No dia seguinte apareceu nas notícias um homem sendo preso e ele admitiu que comprou a fantasia propositalmente e que não era o Panda e que se arrependeu por ter feito isso pelos filhos que ficaram tristes ao saber que o Panda era vilão, ele devolveu o dinheiro e colaborou, sendo preso por menos de um ano. Desliguei a Televisão e fitei o celular ao meu lado, a Encrenqueira havia me enviado algumas mensagens, eu estava no sofá da sala, tomando café da manhã.

— Que alívio, eu realmente cheguei a pensar que o Panda havia realmente roubado o dinheiro.

— Panda? – Perguntei, afinal ainda não ouvia ninguém falado sobre o Panda com esse nome além de Jacob.

— É o jeito que chamo o cara da fantasia de urso, panda é um urso fofo.

— Entendi, mas você não percebeu?

— Não percebi o que? – Quando recebi essa mensagem estava claro que ela não havia percebido, fiquei em dúvida em dizer a ela ou não, mas acabei desistindo de dizer.

— Nada não, estou só brincando, te amo – Mandei, então deixei o celular no sofá e me levantei e vi o celular vibrar e a notificação da mensagem dela, apenas um coração, aparecer, peguei o prato que usei para comer o café da manhã e levei para cozinha.

— Você sabe, não é? – Jacob falou aparecendo na cozinha.

— Sei das duas coisas – Respondi.

— Me desculpe.

— Não se preocupe, não foi culpa sua – Falei e ele acenou a cabeça positivamente, o que eu sei? Bem... Capítulo ímpar.

Coloquei o prato na pia e comecei a lava-lo, estava sentindo a presença de Jacob atrás de mim.

— Quando será? – Perguntei sem fita-lo.

— Hoje.

— Ótimo, eu tenho um plano – Falei e ouvi ele dar uma leve risada.

— Você continua se parecendo comigo – Ele falou, então ouvi o barulho de mensagem do meu celular, eu o fitei e confirmei que era a mensagem que eu esperava. Era uma mensagem dela, me chamando para sair e minha deixa para começar o plano e mostra-la o que peguei.

— Jacob, preciso que me diga uma coisa – Falei fitando seriamente.