Minha Amada Baby Sitter
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Espero que vocês se apaixonem por ele tanto quanto eu ♥
- Quando eu crescer vamos casar, e eu vou cuidar de você. Nós teremos uma casa na praia como seus pais. Vamos ter muitos gatos e um montão de filhos pra criar.
- Que gracinha — Ela sorriu de orelha a orelha — É claro que iremos casar. Adorei nosso futuro juntos…
Então ela conheceu alguém.
Todas as mulheres me admiravam. Eu era aquele menino de ouro. Especial, comportado, adorável. Mas sempre fui decidido: eu iria casar com Victória Weasley. Essa era minha meta. Coloquei aquilo na cabeça e ninguém mais tirava.
Tudo que eu fazia era para ela. Aprendi magias simples, mas que sempre tiravam um sorriso de seus lábios. Cuidava dela quando ela vinha para minha casa, supostamente para cuidar de mim. Fazia o chá da tarde, insisti com meus pais que queria sorvete de limão, uma iguaria trouxa que ela adorava.
Aprendi a cozinhar para fazer doces para ela. E sempre que ela vinha, jamais dava trabalho a ela.
Ficávamos sentados no sofá da sala e lia em voz alta os textos que ela gostava. Aprendi a entonar nos trechos certos, e sabia que acertava, pois ela demonstrava com um ofegar ou então quando ela aplaudia contente pela leitura.
Tudo que eu fazia, era por ela.
Porém, chegou o fatídico dia em que ela não veio mais. Victória começou suas aulas em Hogwarts e não tinha mais como vir me ver. Insisti que escreveria todos os dias. E assim o fiz. Ela sempre respondia com rapidez e contava como estava seu dia. E eu a lembrava, nós iríamos nos casar. Eu prometi ser o melhor aluno para pular a série e me formar rápido.
Dito isso, enfiei meu nariz nos livros dos meus pais. E estudei com afinco tudo que não compreendia. Mas se eu me esforçasse iria entender.
Não bastasse meus esforços, insisti com meus pais: queria visitar Hogsmeade. E assim fazia. Sempre que possível, meus pais me levavam para Hogsmeade e eu passava minha tarde procurando pelo vislumbre de seus cabelos loiros.
Não precisava falar com ela, tudo que eu queria era vê-la.
Chegou o grande dia da minha estreia em Hogwarts. Os alunos que estavam no meu vagão falavam de como seria estar na escola. Estavam ansiosos por saber em que casa estariam, mas tudo que eu conseguia pensar era em finalmente ter minha amada ao meu lado. A mulher que veio ser minha baby sitter e invadiu meu coração. Foi assim, como um feitiço. Fui adoravelmente amaldiçoado. Tudo que conseguia pensar era nela.
A viagem foi curta, disseram os outros. Mas para mim durou uma eternidade. Fazia dias que não havia recebido uma única carta de resposta e eu continuava enviando uma por dia. Religiosamente, todos os dias de madrugada, só para que ela recebesse a carta no café da manhã.
Quando desci do metro, ignorei os chamados para os alunos do primeiro ano. Corri a procurá-la e quando vislumbrei aquele rosto tão adorado e tão mudado. Quando a vi tão mulher, tudo que consegui fazer foi andar até ela. Ou teria andado, se uma mão gigante não tivesse me puxado para uma fila e em seguida para o barco.
Quis gritar de raiva, mas não poderia fazer vexame. Não era quem eu me eduquei para ser. Iria mostrar que já era um homem. E assim me comportaria. Porque minha amada e raras taça ali, olhando por mim.
O chapéu nem chegou a tocar minha cabeça. Fui para Sonserina. Para mim pouco importava, porque eu iria me formar antes do meu tempo. Eu tinha me preparado para esse dia. Eu seria o homem que ela precisava. Para isso, não perderia tempo em crescer, mesmo que intelectualmente.
Logo percebi que foi a pior besteira. Eu deveria ter pedido ao chapéu que queria ir para Grifinoria. Assim poderia encontrar com Victória mais vezes. Mas isso não me impediu de ir até sua mesa e falar com ela. Victória dizia que eu estava um príncipe. E as moças ao seu redor davam risadinhas. Tudo que eu respondia era que eu apenas era assim por ela. E lá ficavam as amigas dela a rir de mim. Não me importava, por que gostava de ver o brilho de felicidade nos olhos dela.
E como prometi, tornei-me o melhor aluno. E sempre que podia fugia para procurá-la. Para observá-la de longe. Por que ela não mais parava para conversar comigo. Eu entendia, afinal nossas idades eram muito distantes.
Mas ela não precisava arrancar o meu coração fora.
Mesmo estando em Hogwarts, eu sempre mandava as cartas para minha amada. Sempre que passava ao seu lado, a cumprimentava. Ela apenas sorria em resposta ou gracejava. E nunca me incomodei. Por que nós tínhamos prometido: iriamos casar um dia. E foi num passeio para Hogsmeade que eu a perdi.
Estava com alguns alunos de Sonserina, procurando por um presente a minha noiva, quando a vi abraçada a Teddy. Ele beijava seu pescoço, e ela se empertigava em seus braços. Eu fiquei parado, olhando-a chocado. Ela estava me traindo. Não. Ela me abandonou. Victória esqueceu o seu jovem protegido, esqueceu da promessa. E agora estava nos braços de outro homem. E eu nada poderia fazer, por que, como eu poderia competir com alguém de sua idade, alguém com quem ela passava o tempo?
Eu cresci me preparando para cuidar e viver por ela. E agora? Como iria viver? Eu iria fazê-la se orgulhar de mim. Era o mínimo que eu poderia fazer. Já que ela arrancou meu coração e nunca devolveu.
Minha vida em Hogwarts foi infernal depois desse dia. Todos diziam o quão belo eles eram. E como eles foram feitos um para o outro. Eu só queria socar aqueles que diziam isso. Mas como eu poderia pensar diferente, quando via quão feliz ela estava ao andar de mãos dadas com Teddy.
Passei a ser um expectador de sua felicidade. E quando Teddy não podia defender minha amada, eu estava lá para protegê-la. As pessoas falavam sobre ela, julgando-a pela sua aparência. Mas eles não sabiam como ela era um doce de pessoa. Uma mulher carismática que se importava com todos. Eu acreditava em sua pureza e sua modéstia, e também que ela teria se dado melhor como lufana que em Grifinoria.
Eu consegui pular de ano, consegui ser o melhor da turma. E quando ninguém olhava, percebi também que minha amada voltava a ser a baby sitter que eu conhecia. Brincava e sorria, ouvia minhas leituras, agora muito melhores do que aquela tenra idade. Eu a entendia, digam o que quiserem, mas eu entendia a velha rixa que existia entre as casas. Ainda mais pela grande batalha e a marca que ficou em Sonserina. Não importava, porque eu tinha esses lampejos de felicidade ao lado dela. Eu a tinha só para mim, de um jeito que ninguém mais tinha. E isso incomodava Teddy. Mas eu não iria tranquilizá-lo.
Minha mãe estava frustrada. Havia crescido e ela nunca tinha ouvido nada sobre eu ter ficado com alguém. Ela vivia me pedindo netos, e eu reclamava com ela que estava ainda saindo da adolescência ainda. Já havia entregue meu coração e não tinha mais nada para dar a ninguém. Nunca fiquei com nenhuma garota, nunca fui as festas mais ousadas que os alunos faziam escondidos. Victória em particular, sempre me perguntava se havia alguém em meu coração e tudo que eu respondia era que sim, mas que ela não me amava. E todas as vezes em que ela insistia, tudo que eu podia dizer era que não aguentava falar sobre o assunto.
Ela, compreensiva, mudava de assunto. Mas, apesar de tudo, estava feliz em pelo menos ser considerado seu amigo. Por que eu podia comprovar por mim mesmo, se ela estava bem. Se tudo o que ela queria na vida fosse realizado. Eu a vi se formar, fui ao seu noivado, briguei com Teddy quando a vi chorando por causa de uma briga. Ajudei com a mudança para a nova casa. Uma aquisição que eu sempre sonhei ao seu lado: uma casa na praia.
Em seu casamento, ela tentou dar uma de cupido. Fiz par com Rose, que estava furiosa com a escolha. Aparentemente ela havia levado muito a sério um comentário de seu pai e ainda estava irritada por me ver pular de ano. Passei o casamento inteiro ouvindo Rose reclamar sobre tudo e todos. E quando meus ouvidos cansaram de tanta rinha, fui fazer companhia a pobre Dominique, que praticamente pulou de alegria ao me ver. Aparentemente seu parceiro de festa estava sendo tão tedioso quanto a minha. Mas tão logo Victória me viu ao lado de sua irmã, me arrastou para dançar, e foi um prazer valsar com ela. Em minha mente, esse era o nosso casamento e essa era a primeira valsa de casados que realizávamos. Mas quando a música parou, a realidade caiu em mim.
Minha vontade era de pedir licença para ir para casa e me enfurnar na minha própria miséria, mas quando comecei a falar sobre a fuga, vi seu olhar triste. Seu desejo que eu permanecesse. E como ela sempre regeu minha vida, fiquei. Voltei ao lado de Rose e a ouvi reclamar mais um pouco. Fiquei até que os recém-casados partiram para sua lua de mel. O lugar em que um dia meu coração residiu, agora apenas um vazio, oprimiu-se e tudo que eu pude fazer vou despedir-me dos familiares e amigos. e terminar minha noite, sozinho. Ouvindo a música que ela mais gostava, lendo seus poemas favoritos. E olhando para a minha cama que jamais teria outro corpo além do meu.
Mudei para perto de sua casa, sempre a um pulo quando ela chamasse. E foi naquele fatídico dia, quando a chuva caia torrencial ao redor de nossas casas. Quando o clima estava triste e enfadonho, que recebi seu convite. Não preciso dizer que em instantes, estava em sua casa. Ela abriu a porta chorosa, e não perdi tempo perguntando o porque. Puxei-a para meus braços e a amparei. Victória sempre teve esse efeito em mim. Eu não poderia vê-la triste, não conseguia imaginá-la sem um sorriso nos lábios. Ela merecia viver em plena felicidade. Procurei com os olhos por seu marido e não o encontrei em lugar algum. Eu já era da casa, e conhecia cada canto de seu lar.
Levei-a para a sala de estar, e ela parecia um pequeno boneco em meus braços. Não reclamou, apenas acompanhou e continuava chorando. Depois de muito chorar e quando finalmente se acalmou, ela contou-me que seu marido estava distante, que ele ficou assim depois que ela havia perdido o bebê. Bebê? Que bebê? Fiquei atônito e ela chorou um pouco mais. Abracei-a novamente e beijei sua testa para acalmá-la. Victória chorou e começou a questionar o que tinha de errado com ela, por que tinha abortado tão cedo.
Eu nunca encontrei as respostas adequadas para ela. Tudo que tinha em mente era que ela esteve grávida e eu não soube. Ela perdeu um bebê e eu não soube. E eram nesses momentos que eu me sentia distante, como um expectador, alguém que nunca mais existiria em sua vida.
Decidi esperar ao seu lado, enquanto seu marido não retornava. Teddy não deveria deixá-la tanto tempo sozinha. Não depois de uma noticia como a que ela me deu. Ela estava desestruturada. Triste por uma criança que ela obviamente queria. Victória não me soltou, agarrou-me pelo pescoço e ali ficou. A noite se aproximava e nada de Teddy retornar. Estava decidido a sair para buscá-lo, mas não conseguiria deixar Victória.
Eu ia matá-lo!
Victória apertou minha nuca e aquilo chamou minha atenção. Ela já havia se acalmado, mas tinha permanecido em silêncio. Abaixei o rosto para olhá-la e perdi-me em seus olhos. Eu voltei a ser a criança que a pediu em casamento, que planejou uma vida com ela. Seria meu filho em seu ventre e eu não sairia de seu lado, e mesmo que ela o perdesse eu a sustentaria em meus braços e diria que tudo iria ficar bem.
Ela tinha os olhos vermelhos de tanto chorar, mas ela nunca pareceu mais bonita em toda sua vida. Especialmente quando ela me puxou e me beijou. Seus lábios pareciam suaves asas de borboletas roçando nos meus. E tudo que eu podia pensar era que não havia outra forma de ter um primeiro beijo tão especial como esse.
Entreabri meus lábios e senti o doce mel de sua boca invadindo a minha. Estava inseguro com suas ações, mas o beijo que começou de repente, terminou de igual forma. Victória piscou seus olhos para mim, e se ela me pedisse para que eu renascesse Dumbledore, juro que conseguiria fazê-lo.
- Oh! Perdoe-me Scor. Eu não sei o que…
Levei meu dedo indicador aos seus lábios. Não podia deixar que ela estragasse esse momento. Seu presente, tão precioso que eu levaria para o túmulo. Ela respirava com dificuldade, mas eu ainda sentia seus lábios sobre os meus. Um som de porta abrindo bruscamente, e coloquei-me a sua frente. Teddy apareceu e seu olhar foi mortal sobre mim. Era como se ele soubesse o que havia acontecido. Mas então meu olhar caiu sobre o relógio. Era madrugada, e minha raiva cresceu mais ainda.
- Já volto Vic.
Foi tudo que disse antes de arrastar Teddy para fora da casa e perguntei sobre deixar Victória naquela situação. Enfrentando a dor sozinha. Ele não a merecia. Nós brigamos e, acabei contando o que havia acontecido. E foi a vez de Teddy chorar em meus ombros. Acabei questionando-me quando foi que me tornei amigo dele também.
Victória saiu de dentro da casa e pulou para nós abraçar. Ela beijou seu marido e tudo que pude sentir foi inveja desse ato. Pela primeira vez, depois de provar do fruto proibido, ele queria mais.
Fui convidado para o batizado do primeiro filho deles. Ele era uma coisa pequena e lembrava muito à mãe. Fui seu padrinho, e o carreguei pela primeira vez. Achei que nunca mais iria amar outra vez. Mas segurar meu afilhado nos braços, devolveu uma parte do meu coração ao lugar.
Victória o chamou de Hyperion, dizendo que gostaria que ele fosse ao menos metade de quem eu era. Ela disse que gostaria que ele tivesse um amigo tão bom quanto eu fui à ela. E tudo que pude responder a ela foram lágrimas de emoção.
Enquanto segurava Hyperion, tudo que vinha em minha mente era vê-lo crescer e não viver solitário como eu vivi.
Eramos uma família de quatro. Eu vivia na casa de Teddy e Vic, sempre de olho no pequeno. Agora dividindo minha atenção dele com Victória. Ela tentou mais e mais vezes encontrar uma mulher para mim. E ela nunca entendeu porque escolhi viver assim. E não tinha porque ter alguém.
Quando Hyperion tinha quatro anos, uma tragédia. Uma que destruiu toda a base da minha vida. Meu coração foi destruído de vez. Não apenas meu corpo, mas minha alma fragmentou-se quando Victória e Teddy morreram. Foi num tolo acidente trouxa. Eles tinham saído para as compras, deixaram Hyperion comigo e prometeram trazer um bolo de chocolate. O favorito de Victória. Mas eles nunca mais voltaram.
E me lembrei da promessa que fiz a ela. Que a protegeria, que a amaria até o fim da minha vida. Esperava que ela viveria mais do que o normal. Que ela veria nossos bisnetos. Que os paparicasse como fazia comigo. E tudo foi perdido, num intervalo de segundos.
Minha rocha foi Hyperion, que precisava de mim. Mas acima de tudo, o quanto eu precisava dele.
Meu menino, um pequeno pedaço do meu amor. Meu afilhado, meu filho.
Notas finais
O que acharam? Vale a pena fazer outras possíveis casais?
O próximo está no forno já.
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