Minha Alma

7 Eu, você e o nosso futuro


— Não sei se gosto desse arranjo – disse Ian afastando os lençóis para alinhar a cama – e se você se precipitou? Ele tem Undertacker do lado dele, talvez...

— Não se preocupe com isso meu amor – disse Sebastian tirando os lençóis do seu lado e jogando as almoçadas decorativas de lado – eu confio no seu irmão para fazer a coisa errada.

— Meu irmão gêmeo do mal você quer dizer – rebateu Ian fazendo Sebastian revirar os olhos.

— Pelo inferno isso de novo não – clamou.

— É verdade – continuou o rapaz jogando as almoçadas do seu lado da cama para o lado – ele me envenenava para minhas asma piorar.

— Eu fiz um pacto para pegar sua alma quando você tinha dez anos, o que te faz pensar que ele é pior do que eu? – questionou Sebastian meio ofendido por ser subestimado.

— Você quer mesmo que eu responda isso? – perguntou erguendo a sobrancelha.

— Não – respondeu o demônio rápido pensando que seu ego não iria aguentar uma resposta dessas. Eles finalmente terminaram de alinhar a cama e se deitaram, Sebastian a direita com Ian envolvido em seu braços – e antes que pense que fiz isso sem pensar eu pensei bem, não podia atender aos pedidos de Vossa Majestade quando nossa ligação estiver em curso.

— Por que não assume logo que deixou ele ficar com o caso por que você achou muito complicado – murmurou o rapaz aconchegado para dormir, mas o beliscão forte do outro – Hei! – protestou agora desperto voltando-se para ele.

— Você sabe que não entreguei o caso por que não conseguia resolver – defendeu-se.

— Eu sei que não seu demônio de merda – disse o rapaz acariciando a área beliscada – como você está sensível hoje.

— Então pare de me provocar – disse puxando o menor de volta para seu peito – você está me saindo um companheiro muito trabalhoso.

— Companheiro – resmungou – eu não posso ser seu companheiro para sempre, precisamos de outro adjetivo para isso.

— Em um futuro não tão próximo eu posso chama-lo de meu esposo – disse Sebastian.

— Quantos anos?

— Uns 200 talvez... – disse como se não fosse nada, mas arranco Ian de seu devaneio.

— 200? Você ficou maluco eu não vou viver tudo isso! – Sebastian apenas encarou seu amado verdadeiramente confuso, ele piscou algumas vezes até perceber que o rapaz não estava brincando.

— Boochan, você vai sim viver até lá – começou cauteloso, e dessa vez era o próprio Ian que parecia confuso.

— Continue...

— Quando nos ligarmos a minha vida vai depender da sua – explicou – eu só posso morrer depois de você, então... como eu não envelheço... você também não poderá mais – Ian o encarou por alguns segundos processando o que foi dito e tentando encaixar em todas as discussões que os dois já tiveram sobre a ligação.

— Você... quando você disse para sempre era... para sempre mesmo... quero dizer, eu e você não vamos morrer... nunca?

— Se alguém te ferir gravemente sim você pode morrer, mas eu... eu só vou morrer depois de você – explicou acariciando a face confusa do menor.

— Depois quanto?

— Essa é a sua pergunta?

— Sim, depois quanto?

— Dependendo de como você morrer horas depois – disse paciente – provavelmente em bem menos tempo.

— Não tem como te salvar? – perguntou, agora atiçando a curiosidade de Sebastian, o demônio apoiou-se em seus cotovelos para encarar o menor melhor.

— Não – disse pensativo – uma vez que a ligação acontecer, estamos juntos para sempre.

— Mas não tem como você quebrar a ligação antes de eu morrer?

— Para que eu preciso viver sem você do meu lado? – perguntou Sebastian sem pensar, Ian ainda ficou parado absorvendo as informações e então preferiu recolher suas conjecturas para si.

— Ok – disse o rapaz voltando a se deitar – eu só preciso processar isso.

— Não quer me dizer o que está pensando para que eu o ajude?

— Não – disse o rapaz puxando Sebastian para a posição anterior – me deixe com meus pensamentos, eles são confusos ainda.

— Certo – disse o demônio cauteloso – mas essa conversa ainda não acabou.

— Tenho certeza que não – rebateu o menino fechando os olhos para tentar dormir – boa noite Sebastian.

— Boa noite amor – disse o demônio abraçando o menor deixando-se dormir como havia começado a fazer depois de tanto tempo juntos.

Eu, você e o nosso futuro

2018

— Eu não quero essa mesa aqui – disse Ciel olhando para a mesa de vidro que espelhava direto no lustre de cristal – é muito claro, mal dá para entrar na sala sem óculos escuro – as decoradoras pareciam perplexas com irritação do rapaz – troquem por algo fosco.

— O lustre ou a mesa? – perguntou uma elas com uma prancheta, o rapaz soltou seu olhar mais frio para a moça e sorriu.

— Por que por uma vez não tenta me surpreender – disse se afastando da sala de jantar.

Ele estava irritado, se mudar para Nova York tinha sido uma péssima ideia, mas a empresa precisava da presença de Sebastian aqui, então por mais que ele tenha argumentado, nada pode ser feito e logo eles estavam deixando a calma da Riviera Francesa para o barulho desnecessário que era a América. Ele olhou com desgosto a quantidade enorme de gente designada para ajudá-lo com a mudança, trazendo os moveis como se fossem tesouros nacionais. As decoradoras eram mulheres irritantes e pouco colaborativas, andavam pela cobertura atrás de Ciel como se fossem sombras.

— Senhor Michaelis – disse um dos homens com uma prancheta – estamos trazendo os quadros, precisamos de sua autorização para desembarque no aeroporto – ele entregou a prancheta ao menor que leu a lista de obras, no final havia o nome que autorizaria.

Ciel Michaelis

Faziam anos que ele voltará a usar o nome do irmão, logo depois daquele maldito incidente que colocou sua vida de ponta a cabeça pelo que seria a decima vez, afastando esse pensamento ele repassou mentalmente tudo o que havia trazido e assinou embaixo.

— Obrigado! – disse o homem saindo da sala com sua equipe, ele olhou para o sofá recém colocado e soltou um suspiro de exaustão.

— Por favor, vamos continuar a tarde, podem ir almoçar – mandou fazendo um gesto para que todos saíssem, com olhares confusos as equipes saíram da cobertura uma a uma deixando Ciel finalmente sozinho naquele apartamento desproporcional. Sentindo cada fibra do seu corpo protestar ele pegou o telefone celular e discou a tecla 01 da discagem rápida, se jogando no sofá enquanto chamava.

— Celular do Senhor Michaelis, em que posso ajudar? – disse uma voz educada e gentil do outro lado da linha.

— Passe para o Sebastian – mandou Ciel sem paciência para lidar com as secretarias devotas do marido.

— Ele está em reunião, quem gostaria... – e ele desligou na cara da secretária sem paciência, deitou-se no sofá colocando o telefone de lado, olhando pelo canto do olho para o amontoado de caixas que ainda estavam soltas pela casa, passou-se alguns segundos enquanto ele contemplava suas decisões de vida até que o telefone tocou.

— Demita essa secretaria – mandou ignorando a saudação inicial.

— Não vou demitir outra secretaria por que você não gostou da voz dela – disse Sebastian notavelmente sorrindo – como está a mudança?

— Eu liguei para dizer que estou te deixando – disse o rapaz mal humorado – vou voltar para França.

— Serio? Tão ruim assim?

— Esse lugar é tão grande que chega a ser ridículo – começou o ex-conde sentando-se no sofá – tem caixa para todos os lados, as decoradoras são péssimas, o pessoal da empresa de mudança faz muito barulho, as janelas são grandes demais a única coisa que funciona na casa até agora é o sistema de alarme.

— Suas prioridades nunca mudam – comentou o demônio enquanto caminhava pelo escritório estregando a papelada para os sócios que ainda o observavam – almoçamos juntos então?

— Se você me fizer almoçar em um desses malditos restaurantes dessa cidade barulhenta em que tem 100 mesas e 1000 pessoas comem ao mesmo tempo eu prefiro cozinhar.

— Isso eu pagaria para ver – disse o moreno – passo ai em 10 minutos.

— Estou contando, não se atreva a se atrasar – e desligou bruscamente agora olhando para os lados procurando seu casaco.

Dez minutos depois um enorme carro preto estacionou próximo ao prédio, Ciel mal esperou o motorista abrir a porta, entrou se jogando no banco de trás onde Sebastian o esperava com um sorriso.

— Precisamos de empregados – disse Ciel plantando um beijo nos lábios do esposo que o abraçou imediatamente o trazendo para seu colo, Ciel não protestou, fazia alguns dias que Sebastian passava mais tempo na empresa do que com ele, é claro que parte dele estava enciumada e com saudades.

— Você quer colocar um anunciou?

— Não tem agencias nesse país? – perguntou desgostoso – não conhecemos ninguém, não temos como ter referencias, essa cidade me parece um caos, como é que eu vou encontrar alguém de confiança para trabalhar na nossa casa?

— Você parece estressado mais do que o normal – disse Sebastian afastando os fios da franja do menor para encará-lo – aconteceu alguma coisa?

— Eu estou cansado – disse se jogando nos braços do marido sendo acolhido com se ele ainda tivesse 13 anos – e com saudades de casa.

— Não podíamos ficar mais tempo na Riviera, lá era lindo, mas já era hora de eu aparecer novamente – murmurou plantando um beijo na bochecha do menor – tente entender isso.

— Não podíamos ter ido para Londres?

— Nossa maior filial é aqui em Nova York – tentou argumentar – somos necessários aqui.

— Que seja – disse irritado se afastado do colo do maior – só encontre alguém para me ajudar que tenha mais de dois neurônios – pediu olhando a paisagem emburrado. Sebastian respirou fundo trocando olhares com o motorista que parecia compreender o dilema do chefe.

— Marius – começou Sebastian se dirigindo ao motorista – conhece alguém que possa me indicar uma boa cozinheira para nossa casa? – Ciel revirou os olhos com a fala do maior sabendo o que lá vinha mais uma cozinheira de comida americana sulista.

— Na verdade senhor, minha esposa é cozinheira – disse o motorista para a surpresa de Sebastian e o desgosto de Ciel que já esperava algo desse tipo – ela é muito boa na verdade, mas não encontra emprego por que como ela é inglesa não sabe cozinhar muito bem as comidas que o pessoal daqui come.

— Que parte da Inglaterra? – perguntou Ciel atento a conversa fazendo Sebastian sorrir, o motorista parecia hesitante em responder, Ciel se tornará, com os anos, mais assustador que Sebastian.

— De Londres Sr. Michaelis – disse formalmente. Ciel puxou o telefone.

— Qual o número dela?

— Sr. Micha...

— O número e nome vamos! – ordenou, e logo Sebastian relaxou no banco do carro sabendo que seu belíssimos esposo tinha uma cozinheira.

Minutos depois os dois desceram no que seria o Per Ser, Ciel ainda estava no telefone com Kate (a esposa do motorista, ela iria ao apartamento amanhã fazer um teste).

— Isso é francês? – perguntou entrando com o esposo, desligando o celular.

— Eu espero que sim – disse Sebastian – um sócio me recomendou – o menor olhou desconfiado para o estabelecimento, era limpo, poucas mesas, toalha branca bem passada, os lustres eram baixos demais, mas não incomodavam como a mesa de sua sala, parecia um lugar agradável.

— Ok, passou no teste – disse o rapaz.

— Isso era um teste?

— Sempre é um teste – disse Ciel sorrindo.

— Você tem sorte que hoje é sexta, por que eles só abrem para o almoço nas sextas, sábados e domingos.

— Vamos ver se é sorte mesmo — comentou o rapaz abrindo o cardápio. Depois de pedirem e os pratos chegarem Sebastian retomou o assunto.

— Temos uma cozinheira? – perguntou tomando um gole de vinho.

— Na verdade não – disse o menino pensativo – mas uma candidata forte, ela tem experiência com comida tradicional e bolos então já é um ponto positivo.

— Que bom então – confirmou o demônio – quer saber como foi o meu dia?

— Se não envolver caixas e decoração eu adoraria ouvir.

— Estamos abrindo 10% da empresa para o mercado de ações – disse o outro como se isso não fosse nada.

— A média de quanto? – perguntou.

— US$ 219.000 por ação – comentou Sebastian fazendo Ciel sorrir com a tática.

— É o preço de mercado da Berkshire Hathaway, mas eu chutaria mais alto – respondeu encarando o esposo.

— Você viu alguma coisa? – perguntou, mas logo se arrependeu – não responda – pediu arrancando um sorriso do outro — isso é o preço inicial, a estimativa é que fechemos o investimento em US$ 290.000 por ação.

— Estamos tão bem assim? – questionou voltando a comer – por que não compramos uma casa ao invés da cobertura.

— Por que a cobertura é mais segura – rebateu Sebastian – e tem um heliporto no terraço.

— Claro que tem – disse Ciel revirando os olhos – tem sete quartos Sebastian, somos apenas eu e você, não precisamos de sete quartos.

— Também não precisávamos dos doze na Riviera e nem daquele bando de quartos em Phantomhive, mas nunca ouvi você reclamando.

— Ponto tomado – disse Ciel refletindo – nas duas situações eu tinha gente para arrumar a casa, cozinhando e você ficava comigo parte do dia, hoje você passa mais tempo na empresa do que em casa.

— Na França ainda éramos Phantomhive – lembrou – aqui eu tenho que ser Michaellis, pensei que depois de 200 anos você tinha entendido.

— Entender não quer dizer que eu goste – murmurou o rapaz respirando fundo – quando vão começar as vendas?

— Segunda de manhã – disse surpreendendo o menor pela urgência – essa é uma informação privilegiada, então bico calado.

— Não sei por que você insiste em abrir mão do nosso patrimônio para o público – continuou o rapaz testando a macies de sua carne.

— Por que assim ficamos ricos – disse o demônio.

— Já somos ricos.

— Mais ricos ainda – raciocinou – e quem é você para me criticar, eu lembro muito bem como você administrava a empresa da sua família.

— Tecnicamente, hoje ela é da nossa família – disse o menor. Fazia anos que os Phantomhive havia vendido a empresa para os Michaelis, agora a Phantom era uma multinacional que fazia parte do Grupo Michaelis – você ainda tem reunião hoje?

— Só uma no final da tarde – comentou – podemos jantar fora se quiser.

— Eu não quero jantar fora – disse pensativo – quero terminar de arrumar a maldita casa e dormir sem saber que a sala está uma bagunça.

— O pessoal da mudança já trouxe tudo?

— Não, nossos quadros ainda estão na alfandega – comentou – podia ter trazido eles de jato, mas você e sua pressa de chegar nessa cidadezinha quebraram meu esquema.

— Boochan você está mais mal humorado do que o normal – disse Sebastian finalmente externando seus pensamentos – aconteceu alguma coisa? Algo realmente importante que te fez odiar tanto essa nossa vinda para cá?

— Eu... – o rapaz hesitou olhando para o prato de comida, respirou fundo e então murmurou – aqui não – pediu tímido e Sebastian cedeu, verdadeiramente aliviado pelo outro confessar que existia algo errado.

A noite quando ele adentrou na cobertura encontrou o pequeno alinhando um quadro na parede, as caixas não estavam todas empilhadas, algumas já estavam desmontadas e tudo parecia mais alinhado, ele deve ter trabalhado muito a tarde. Ele se aproximou da sala onde o menor estava observando o quadro sem reparar que o esposo já estava em casa.

— Oi pequeno? – disse se aproximando do outro o envolvendo em um abraço por trás – vejo que trabalhou muito a tarde.

— Sim, eu conseguiu desempacotar tudo e guardar tudo na medida do possível – murmurou – a equipe de limpeza vem amanhã de manhã, eu não queria passar o final de semana com essa caixas aqui.

— Entendi – disse beijando o pescoço do outro, Ciel parecia levemente tenso com os beijos, mas logo relaxou ao toque do outro – você quer conversar?

— Não – disse ele de olhos fechados agora sentindo a mão de Sebastian passear pelo seu corpo – eu quero... eu quero que você me leve para o quarto e faça amor comigo – pediu em um sussurro.

— Yes my lord – sussurrou Sebastian no ouvido do menor o erguendo em seus braços o levando até o quarto.

Quando a porta do quarto fechou Ian acordou em um pulo assustado. Em reflexo, Sebastian que dormia ao seu lado, também despertou, o sol brilhava forte lá fora indicando que o dia já começará sem eles.

— O que diabos foi isso? – perguntou o menor ainda em pânico, saindo da cama para ver que ainda estava em seu quarto.

— Boochan? – tentou acalmar o demônio se colocando de pé para conter o menor que parecia confuso pelo quarto – boochan se acalme.

— Nos dois... esse lugar – disse exasperado – estamos no lugar certo? Nos dois.... que ano é esse Sebastian? Estamos na Inglaterra? – o demônio encarou o companheiro agora verdadeiramente confuso, as palavras do menor não faziam sentido nenhum.

— Ok – disse ele paciente – vamos manter a calma, me diga apenas o que você sonhou?

— Não foi sonho – disse ele tentando se acalmar – foi real, foi tão real... eu e você estávamos em um lugar estranho, como pessoas estranhas, falando sobre coisas estranhas... era a América, mas antes estávamos na França e eu estava tão irritado porque saímos da França... e você não vinha para casa nunca, sempre trabalhando... nossa casa era em um prédio tão alto, não era uma casa era um apartamento, ele era enorme, não podemos morar em um apartamento enorme daquele jeito, seremos só você e eu... e...

— Boochan – disse Sebastian chamando a atenção do menor – eu acho que entendi o que aconteceu.

— O que?

— Você viu o futuro – disse simplesmente – o nosso futuro — acariciando os braços do menor para lhe passar calor e conforto – eu sabia que algo assim aconteceria a você, mas achei que só quando estivéssemos oficialmente ligados.

— Como assim? – perguntou o rapaz em uma expressão de puro desalento – eu não entendo, como assim alguma coisa acontecer comigo?

— Eu vou explicar – disse pausadamente – mas você primeiro vai se acalmar, regular sua respiração e voltar para cama.

— EU NÃO VOU VOLTAR PARA LUGAR NENHUM SEU TRATANTE, O QUE ESTÁ ACONTECENDO COMIGO? – bradou verdadeiramente irritado, e aquilo só fez Sebastian ter vontade de rir, pois mesmo furioso Ian ainda era muito fofo – EU CONHEÇO ESSA CARA, PARE DE PENSAR NISSO.

— Eu não posso me desculpe – riu o demônio abraçando o menor contra sua vontade, ele tentou reagir, mas Sebastian foi mais astuto o recolhendo nos braços e o levando para a cama – sua fofura não tem limites, mesmo irritado – e como se ele fosse feito de ar, ele jogou o menor na cama se colocando imediatamente ao seu lado para evitar fugir.

O menor ainda lutou, mas o calor e o aconchego dos braços de Sebastian ganharam a luta fazendo-o desistir e se manter lá.

— Muito bem, me conte mais do nosso futuro – pediu quando viu que o menor se acalmará.

— Você primeiro – rebateu furioso – ou as surpresas acabaram?

— Acho que sim – disse ele pensativo – vamos repassar, vou leva-lo para ilha, toma-lo como meu, você será marcado, depois vamos viver uma eternidade juntos, eu serei o seu demônio e companheiro e você será humano e imortal, eu só poderei morrer depois de você em consequência de ter se entregado a um demônio você pode receber presentes do outro lado, o que eu acredito que é a sua capacidade de ver nosso futuro – completou fazendo o menor encará-lo com a sobrancelha erguida – em que ano estamos?

— Já tínhamos quase 200 anos juntos – disse tentando não dar importância a narrativa – estávamos muito bem conservados e adaptáveis a época.

— Isso é bom.

— Você dirigia uma empresa, Grupo Michaelis – disse tentando lembrar dos detalhes do sonho – eu... eu estava em casa alinhando nossa mudança, era uma bagunça... e estava irritado por que não tínhamos criados e eu estava fazendo tudo sozinho.

— Isso é inaceitável – disse Sebastian plantando um beijo no pescoço do menor – o que mais?

— Eu tinha voltado a usar o nome Ciel – comentou, e aquilo arrancou surpresa da face de Sebastian – não me pergunte porque, eu ainda não sei, aconteceu alguma coisa e eu tive que voltar a ser Ciel Phantomhive.

— Entendi. Algo mais que devemos saber?

— Não – começou devagar – as pessoas se comunicam em pequenas caixinhas com números, os automóveis realmente avançaram, recomendo investir urgente nessa ideia, e que você sempre vai atrair mulheres estupidas para sua vida, só isso.

— Foi uma noite longa – murmurou virando o menor para beijar seus lábios delicadamente. Ian recebeu o beijo com carinho e retribuiu no mesmo tom, apreciando a delicadeza do momento – você descansou – sussurrou Sebastian ainda roçando nos lábios de seu amado.

— Não o suficiente – respondeu o outro abrindo a boca um pouco para capturar os lábios inferiores do demônio, que gemeu com o atrevimento do outro – mas é o suficiente para o dia.

— Bom – murmurou inclinando-se e selando os lábios do outro com o beijo mais sujo de boca aberta roubando totalmente seu ar, Ian agarrou a nuca do outro buscando fazer o maior estrago possível em seu cabelo, quando Sebastian quebrou o beijo tinha um belo sorriso em seus lábios e fios para todos os lados – não bagunce meu cabelo – pediu dando pequenos selos no pescoço do outro.

— É realmente injusto com o resto de nós que você não tenha um ninho na cabeça de manhã como todo mortal – confessou sentindo o outro rir em seu pescoço, Ian estava pronto para fechar os olhos novamente quando uma batida na porta do quarto fez com que os dois saíssem de seu mundo privado.

Sebastian ergueu o olhar para a porta fechando os olhos e respirando fundo.

— Quem é? — questionou Ian em tom baixo.

— Lady Elizabeth – disse o outro sentindo a presença atrás da porta – ela quer falar com vocês desde ontem.

— Eu não quero falar com ela – disse o outro irritado – e isso não é hora para ela vir até o quarto de um rapaz sozinha, ela é casada com Ciel.

— Eles ainda não casaram Boochan – corrigiu Sebastian – só pós o 18 aniversário.

— Que diabos de data maldita – disse ele irritado quando houve outra batida na porta.

— Soleil? – chamou ela educada, o rapaz queria rugir de raiva e gritar uns insultos bem elaborados, mas o olhar de advertência de Sebastian o calou – Soleil você está acordado?

— Vá lá e diga que eu morri – pediu o outro a Sebastian, mas o demônio sorriu – Sebastian?

— Não posso – rebateu achando muita graça na situação – se eu for ela vai descobrir que dormimos juntos no mesmo quarto, não será prudente de nossa parte.

— Eu não ligo para isso – vociferou – livre-se dela.

— Eu não sei se sabe, mas ainda faltam algumas dezenas de anos para o relacionamento que temos ser reconhecido pela humanidade, então até lá temos que manter a aparência.

— Eu quero tanto socar sua cara agora.

— Eu sei que sim, agora vá lá e atenda a porta – disse o outro saindo da cama – eu vou para a outra suíte – ele caminhou até a outra extremidade do quarto onde uma porta secreta levava a outra suíte principal da casa, era a suíte que Ian deveria ocupar, mas o rapaz insistia em ficar no mesmo quarto que Sebastian, como o casal que eram.

Ainda insatisfeito ele saiu da cama apenas de blusão, sem se importar em puxar o robe e abriu a porta para dar de cara com uma Elizabeth apreensiva e agora supressa por ser atendida naqueles trajes.

— Soleil – disse ela hesitante – seus trajes.

— Tenho certeza que já dormiu com meu irmão e sabe perfeitamente o que tem embaixo desse blusão – começou o menino tentando acabar com aquele momento a todo custo – vai me dizer por que está batendo na minha porta a essa hora da manhã ou não?

— Eu... – disse a menina incerta – eu queria conversar com você, a... a só... eu posso entrar? – o rapaz se viu fechando os olhos, respirando fundo e afastou-se para a moça entrar no quarto, quando ela passou por ele Ian fechou a porta com tudo e puxou o robe vestindo-o, ele começou a caminhar para a varanda onde geralmente ele e Sebastian conversavam. Elizabeth o seguiu sentando na cadeira a sua frente.

— Pode começar – mandou, a garota ainda parecia prestes a desfalecer, mas o rapaz se manteve firme – Lady Elizabeth!

— Eu quero que volte para Phantomhive!