Minha.

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Obrigada LadyAyla, por ter me ensinado como descrever roupas maneiras. Só não garanto que aprendi... Boa leitura a todos!

Mirajane Strauss.

Se Cana Alberona pudesse dar um nome para suas dores de cabeça, seria esse. De todas as mulheres com quem ela se envolveu, Mira era de longe a mais complicada. Talvez porque fossem amigas antes de tudo acontecer. Talvez por ela ser a mulher mais incrível que já conheceu. Talvez por nunca ter tratado ela de forma diferente das outras... Possivelmente, essa última era a razão da garota ter brigado consigo mais cedo.

Era Dia dos Namorados. Cana sequer se lembrava dessa data quando abriu os olhos de manhã, mas sua companhia sim. Mirajane estava muito feliz e havia preparado um dia incrível para as duas. Logo quando acordou, contou seus planos para Cana: iriam passear no parque, almoçar em um restaurante bacana, encontrar os amigos no teatro e por fim, teriam um jantar romântico onde trocariam os cartões e os chocolates. Por ter acabado de acordar e ter total desconhecimento da data, Cana apenas murmurou entre bocejos um “É seu aniversário ou algo assim?”.

Mirajane ficou revoltada e começou uma discussão. Ela parecia muito incomodada com o fato de Cana não parecer se importar com ela, e achar que estava tudo bem. Estavam há mais de um ano daquele jeito, em uma relação sem título. Mira disse que estava cansada disso, e só então Cana percebeu que a situação estava grave. Manifestou-se pela primeira vez desde que a outra começou a falar, temendo o que viria a seguir. Pediu calma à moça, mas acabou irritando-a ainda mais. Depois de muito expor suas frustrações, Mirajane pegou suas coisas e foi até a saída do apartamento. Antes de ir embora, ela olhou no rosto de Cana e disse, com os olhos azuis cheios de lágrimas: ”O que diabos eu sou para você?”.

Não era como se não gostasse dela. O problema era justamente esse sentimento e na forma de lidar com ele. Cana não era a melhor pessoa do mundo, e todos sabiam disso. Tinha como maior característica seu amor por álcool; não conseguia passar um dia sem tomar uma, e tinha má fama por conta disso. Suas vestes também não ajudavam em sua reputação; a mulher gostava de decotes, e nunca se importava se estava sendo provocante demais. Além disso, era conhecida nas festas por ficar com todas as garotas que lhe pareciam interessante.

Mas isso foi antes de se apaixonar por Mirajane.

Eram amigas de longa data e costumavam sair juntas para as festas. Se conheciam muito bem, e tinham em comum as desilusões amorosas. Em uma noite de bebedeira, Mirajane confessou que havia sido rejeitada por Erza Scarlett naquele mesmo dia. Cana aproveitou que estavam conversando sobre aquele assunto, e contou à amiga sobre sua paixonite em Lucy Heartfilia e em como havia machucado ter ido ao casamento dela.

Mais algumas doses de vodka e conversas profundas depois, Cana e Mira afogaram suas mágoas uma na outra em forma de beijos, esquecendo-se das frustrações e do mundo ao seu redor. Apesar do álcool, as duas tinham consciência do que estavam fazendo. Trocaram mais beijos e carícias íntimas ao voltarem para o apartamento que dividiam e, acabaram fazendo mais do que deveriam.

Cana nunca esperou ter sentimentos por sua velha amiga. Lucy foi sua única paixão, e nunca havia confessado à ela o que sentia. Sofria por conta dessa situação, e Mira a ajudou a superá-la. Ao passar do tempo, Cana percebeu que não pensava mais em Lucy. Não sentia vontade de beijar mais ninguém que não fosse Mirajane Strauss. Apesar de se sentir assim, nunca expôs isso em voz alta. Tentava demonstrar por gestos, mas parecia não ser suficiente. Naquela manhã, as palavras de Mira deram a entender isso.

“O que diabos eu sou pra você?”

Nunca tocaram nesse assunto antes. Não eram namoradas, muito menos exclusivas uma da outra. Podiam sair com outras pessoas quando bem entendessem, apesar de nunca terem o feito. Cana achava isso ótimo, pois odiaria ver sua garota nos braços de outra...

Seu rosto corou ao ter aquele pensamento. Se queria ter Mira para si, devia fazer por onde. Pensar nela e em seu relacionamento a tarde inteira fez Cana perceber que estava errada. Deveria ter mostrado à Mirajane o quanto ela era importante em sua vida. Com isso em mente, a garota resolveu agir: vestiu a sua melhor roupa e mandou uma mensagem para um número conhecido:

“Me encontre no clube agora. Vou dar sua resposta”.

*

Cana foi de motocicleta até o clube onde beijou Mirajane pela primeira vez. Quando desceu da moto, a mulher atraiu a atenção de todos para si. Estava belíssima, com seus cabelos castanhos soltos e as roupas pretas. Usava um croped justo coberto por uma jaqueta de couro, calça jeans e luvas de motoqueiro. Não estava se importando com os olhares e assobios que recebia; tudo o que queria era impressionar uma única mulher.

Assim que pisou dentro do clube, Cana viu Mirajane, sentada em um dos bancos do bar, destacando-se em meio a tanta gente. Seus cabelos brancos estavam presos num rabo-de-cavalo, e o rosto estranhamente sério estava bem maquiado. Ela estava de pernas cruzadas e bebia um drink azul. Seu macacão curto deixava as coxas grossas à mostra, expondo sua tatuagem de fada. Usava a jaqueta vermelha que deu a ela no natal, e coturnos da mesma cor. Céus, adorava quando Mira usava aquele visual de rock. Parecia ter feito isso de propósito...

Cana se aproximou dela sem receio algum. Sentou-se no banco ao lado e sorriu; sentiu o coração bater mais forte ao vê-la sorrir também. Pediu um drink ao barman e se apoiou no balcão.

— Desculpe por destruir seus planos. — Cana foi direta, surpreendendo a outra garota. — Eu fui uma idiota.

— Foi mesmo! — exclamou Mira, fechando o cenho. Ainda parecia magoada, mas também parecia disposta a perdoar. — É só o que veio me dizer?

— Não. Na verdade, eu nem mesmo comecei, Mirajane.

Cana se pôs de pé e estendeu a mão para Mira para que ela também se levantasse. As duas ficaram frente a frente e, mostrando-se confiante, a morena colocou a mão na cintura da outra e puxou-a para perto. Encarou os olhos azuis com confiança e beijou rapidamente os lábios grossos pintados de vermelho. Depois disso, ainda com os corpos colados, ela voltou a falar:

— Não há ninguém nesse mundo mais importante para mim do que você. Você é a mulher mais meiga e mais inteligente que eu já conheci. Também é a mais linda entre todas, e eu me sinto privilegiada em poder te beijar e te abraçar sempre que posso. Eu amo você, e quero continuar te amando pelo resto da vida...

Mirajane reagiu da mesma forma que Cana imaginou: a prendeu em um abraço e chorou, mostrando sua felicidade. A morena sentia seu coração mais leve por ter finalmente se resolvido com Mira, e mais ainda por vê-la tão feliz. Amava-a tanto, e era um desrespeito não expor isso. Depois de trocarem mais um selinho, Cana levou a boca até a orelha quente da mulher, sussurrando a resposta para pergunta intrigante que ela fizera mais cedo:

— Você é minha.

Notas finais
Obrigada por ler e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!