Minha Única Exceção
4 Uma Brincadeira De Péssimo Gosto
Notas iniciais
- Pronto chegamos, agora vamos embora.
- Calma Flor, olha que linda a vista daqui. Aquela árvore gigante é belíssima não é?
- É sim, muito linda, agora vamos descer.
- Certo, vamos.
- Não foi por aí que viemos.-Ele caminhava para o fim da ponte.
- Calma, vamos pelo caminho mais rápido.
- Como assim Gabriel? Para de brincadeira.
- Não estou brincando meu amor.
- Gabriel, volta aqui.
- Por quê? Estou só querendo me divertir.
- Você está tentando se matar é? Que brincadeira mais sem graça.
- Você vem?
- Claro que não. E você também não vai fazer isso. Essa cachoeira deve ter mais de cinquenta metros Gabriel.
- Não tem não, é baixinha.
- Gabriel, para com isso agora.
- Vem amor, vem comigo.
- Gabriel, se você não parar eu vou embora agora.
- Está bom então, parei.
Quando achei que tudo estava resolvido ele pulou. Meu coração praticamente saiu pela boca, um grito rasgou minha garganta. Eu precisava ver o que tinha acontecido. Quando olhei para baixo não vi nada, o pior me veio à cabeça, por que diabos ele fez isso? Fui descendo pelas rochas, me rasgando, me machucando, quando cheguei em baixo ele estava na árvore sorrindo. Senti um impulso, corri ao seu encontro e começei a esmurra-lo. Com tanta força que sua boca começou a sangrar.
- Você está louco? Isso lá é brincadeira para se fazer?
- Calma amor, eu disse que só estava querendo me divertir.
- Ótimo, então se divirta aqui sozinho.
- Como assim?
- Pra mim chega, eu vou embora.
- Não amor, não faz isso comigo.
- Não faz isso comigo? Você que não deveria ter feito o que fez comigo.
- Desculpa amor, eu não medi as consequências.
- Realmente não mediu. Se algo tivesse acontecido com você...
- Era apenas isso que eu queria.
- Isso o quê? Me fazer de palhaça? Fala sério Gabriel.
- Eu só queria ver o que você sente por mim, ver essa demonstração de amor que estou vendo agora.
- Demonstração de amor? O que estou sentindo é raiva e ...
- E medo de me perder não é?
- Não, raiva e ódio.
- Para com isso, assume logo, você ficou com medo de me perder.
- Fiquei sim, e daí. Também fiquei com medo do que iria acontecer quando descobrissem. Iriam achar que eu te matei.
- Não iriam não, relaxa.
- Agora eu vou relaxar sim, vou embora.
- Não me deixa aqui sozinho Flor, por favor. Eu te amo.
- O amor é um sentimento maluco mesmo, viu o que ele foi capaz de fazer com você?
- Você acha que eu...
- Acho sim, você está enlouquecendo.
- Enlouquecendo por você, Flor.
- Isso me dá medo, medo e calafrios.
- Desculpa, não vou fazer de novo.
- É bom mesmo, da próxima vez eu te empurro e ainda verifico se deu certo mesmo.
- Deu certo o quê?
- O homicídio doloso.
- Sei... — Aquele lindo sorriso havia voltado de novo para os seus lábios.
- Nossa, já está tarde né Flor?
- Escureceu e nem percebemos.
- Nem percebemos, nem comemos nada o dia inteiro.
- Foi mesmo, o que você quer comer?
- Eu não estou com um pingo de fome. Mas tem um salgadinhos aí, vamos comer isso e pronto.
- Ótimo Gabriel, nossa dieta saudável desceu pelo cano.
- Foi mesmo, bom apetite pra nós dois.
- Palhaço.
Comemos, e eu estava com aquela sensação de que finalmente o dia tinha acabado. E eu estava certa, o dia tinha acabado, mas a noite estava apenas começando...
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