Minha Única Esperança é Você.
2 O começo de tudo.
Era 20 de setembro de 2001.
As pessoas ainda estavam abaladas com o ataque às torres gêmeas no dia 11, o qual eu pude assistir de camarote por trabalhar perto. Eu trabalhava no Cartoon Network, e o prédio ficava próximo às torres. Eu vi corpos caindo, pessoas morrendo. Vidas sendo tiradas violentamente. Como alguém poderia ser tão cruel a ponto de simplesmente explodir algo assim? De estragar algo tão belo como a vida de alguém? Nunca entendi esses psicopatas. Mas aquilo me deixava meio maluco, eu sempre senti como se precisasse mudar aquela situação de alguma forma. Pensei em fazer uma animação, mas não sei se seria bem aceita. Eu sempre fui ligado à música também, até cheguei a cantar na escola aos oito anos. Fui o Peter Pan numa apresentação e, de acordo com meus professores e familiares, fui um bom cantor. Falando em família, devo minha paixão pela música à minha avó. Ela foi quem me ensinou a cantar, desenhar e todas as coisas que eu sou realmente apaixonado hoje em dia. Mas enfim, voltando ao assunto de fazer algo para mudar a situação, eu escrevi uma música. Não ficou muito boa e não tinha um nome ainda, mas eu escrevi. Sempre gostei de escrever e, por mais estranho que seja para um cartunista que vive trancado em casa dizer, sempre quis ter uma banda. A idéia de fazer música e tentar mudar a vida das pessoas dominava minha mente.
Meus pensamentos foram interrompidos por uma voz familiar.
– Gerard? – Um dos meus colegas de trabalho acabara de me chamar, e pude perceber que o lugar já estava quase vazio. – Já ta na hora de ir embora, cara. O expediente terminou há uns dez minutos. Você ta muito pensativos nesses dias. – Completou ele, pegando suas coisas e indo em direção à porta.
Apenas levantei, peguei o que me pertencia e fui atrás dele, pegando o elevador. Ao chegar ao estacionamento da empresa, percebi que já estava escuro. Não que isso tenha algo demais, quase sempre que eu deixo a empresa já está escuro. Mas agora o lugar parecia bem mais sombrio, se você observasse bem. Eu olhava o horizonte e via o cenário de onde foi uma das piores tragédias que já aconteceram em Nova York. Enquanto dirigia de volta para casa, pude perceber que tudo ainda estava completamente destruído. Levaria um tempo para as pessoas reconstruírem e superarem tudo que lhes aconteceu naquele dia.
Eu estava perto de casa, quando decidi voltar e ir para a casa de Matt. Eu precisava me divertir depois de um dia cansativo de trabalho e eu tinha certeza que Matt Pelissier era a pessoa certa, ele sempre tinha drogas e bebidas por todo lugar. Não que eu não tivesse, mas fazer essas coisas com outra pessoa é sempre mais divertido. Cheguei à sua casa, o carro do meu irmão já estava lá. Sempre fiquei preocupado que Michael se envolvesse com drogas e bebidas também e não conseguisse mais sair, assim como eu.
– Gerard, achei que você não viesse hoje. – Disse Matt, em tom de entusiasmo quando adentrei a sala. Aquele local ficava mais sujo a cada dia, mas eu gostava. Era onde eu me sentia em casa, bebendo com meus amigos.
– Ah, eu não perderia por nada. Tive um dia longo e preciso relaxar. – Respondi, soltando meus materiais de trabalho em um sofá qualquer, pegando uma garrafa de alguma bebida e sentando no chão, perto de Michael e Matt.
Era típico ficarmos ali, sentados no chão. Quase nunca conversávamos, apenas bebíamos e usávamos as drogas. Agora, por exemplo, Michael estava fumando maconha enquanto Matt usava cocaína. Aquilo sempre foi o meu esconderijo do mundo.
– Convidei alguém hoje. – Comentou Michael, indiferente, no mesmo momento que Matt compartilhara sua cocaína comigo.
– Como? – Perguntei, interessado. “Mikey” nunca teve muitos amigos. Aliás, nenhum. Éramos só nós três há séculos.
– Uns caras aí. Lembra do Raymond, aquele com um cabelo bizarro? Encontrei com ele hoje, numa loja de CDs. Dei o endereço de Matt e disse que ele podia aparecer, se quisesse. Ele disse que viria e, talvez, traria um amigo. – Respondeu ele ao pegar mais um baseado. Eu e Matt trocamos olhares confusos, não lembrávamos do tal menino. – O quê? Qual o problema? Vocês sempre disseram que era um saco ficarmos só nós três aqui, que sempre quiseram convidar alguém para vir pra cá conosco. E eu o fiz, convidei alguém. Não sei se ele realmente virá, mas eu tentei.
Não reclamei, ele estava certo. Sempre quis ter mais alguém pra convidar pra beber conosco. Talvez não fosse má idéia esses dois virem aqui hoje, afinal. Michael demonstrou uma certa confiança ao dizer que chamou o tal Raymond.
Ficamos ali por mais algumas horas, apenas bebendo e pensando. Aliás, eu estava pensando, não sei eles. Eu pensava sobre tudo, mas meus pensamentos pareciam um pouco mais distantes a cada minuto. Talvez fosse o efeito da droga. Mas isso já era normal pra mim, já que eu meio que vivia disso.
– Gerard, atenda a porta. – Ordenou Matt, olhando-me com sua costumeira cara chapado.
– Como? – Perguntei. Eu não havia ouvido nenhuma batida na porta – Você está maluco, Matt. Não tem ninguém.
– Não vá me dizer que a erva afetou sua audição! Vá lá, Gerard. Deve ser um dos amiguinhos do Michael.
Não respondi, apenas levantei-me e fui até a porta, que não ficava muito longe. Soltei a garrafa de cerveja em algum canto, pois já havia acabado. Abri a porta, mesmo desconfiando que realmente houvesse alguém ali. E estava enganado, pois havia. O cara de cabelos castanhos e armados que Mikey havia falado estava ali, e eu lembrava dele! Não pude deixar de sorrir, vitorioso comigo mesmo por ter lembrado do cara. Mas ele não estava sozinho. Com ele estava um garoto pequeno, com algumas tatuagens e um cabelo bizarro, cheio de “dreads”. Ele parecia bêbado.
– Hm, olá. – Cumprimentei, tentando parecer mais sóbrio possível.
– São os amigos do Michael, sim?
– Sim... Ah, Gerard, certo? – Respondeu o de cabelos armados, ao entrar. – Eu lembro de você! Fomos colegas no ensino médio.
– Ah... Sim, acho que fomos! Também lembro de você. – Comentei. Mas, na verdade, eu não lembrava de nada do ensino médio, só lembrava do cara de algum lugar. Quando estivesse sóbrio, talvez eu tentasse lembrar dele de novo, mas agora não era a hora certa.
Eles continuaram o caminho até o lugar onde estávamos, sentaram perto de Michael e Matt e pegaram algumas bebidas para si. Fiquei observando-os. O pequeno parecia bastante animado, tão animado que parecia até bobo. Ele tinha o cabelo escuro, era baixinho, tinha poucas tatuagens visíveis e vestia um moletom com calça jeans. E, ah, bebia uma garrafa de Jack Daniels. Observei-os por mais um tempo e fui até eles, que agora riam.
– Qual é a piada? – Perguntei, sentando-me perto do baixinho.
– Então, Frank, esse é o meu irmão. Gerard, esse é Frank Iero. – Disse Michael, ignorando totalmente a minha pergunta.
– E aí, Gerard! – Falou o baixinho, entusiasmado.
Apenas apertei sua mão e sorri. Alguns segundos depois, voltamos nossa atenção ao nosso passatempo.
Não posso dizer, com sinceridade, como a noite terminou, pois não lembro. Depois de muita cocaína e algumas outras “ínas”, eu devo ter apagado. Ou não.
Mas o resultado disso eu posso dizer: acordei no outro dia, o qual era sexta, no chão da casa de Matt ao lado do tal baixinho. Ele dormia feliz, parecia uma criança. Sorri ao vê-lo. Levantei, peguei minha pasta de trabalho e percebi que já estava atrasado. Resolvi comer algo antes de sair.
Soltei a pasta e fui até a cozinha, para comer algo. Obviamente eu era o único ser humano acordado naquele local. Todos acordariam depois do meio dia, como sempre.
Enquanto preparava uma xícara de café, percebi que alguém entrara na cozinha.
– O que é isto? – Perguntou uma voz não muito conhecida por mim. Quando me virei, pude perceber que Frank Iero estava parado perto da mesa, e segurava a letra da música que eu escrevi sobre os ataques às torres gêmeas.
– É... Apenas uma música. E é minha, poderia devolvê-la? – Franzi o cenho enquanto me aproximava dele.
– Ei, espera. Estou lendo. – Ele sorria agora – É boa. Realmente muito boa. Tem uma banda?
– Não. Eu só.... escrevo mesmo. Na verdade, trabalho como cartunista. Sempre foi meu sonho, sabe? Desenhar e tal... – Respondi, sorrindo desajeitado. E, bom, aquilo não era totalmente verdade. Meu sonho sempre foi mais voltado à música.
– Sabe cantar?
– Não. – Respondi, rápido até demais, enquanto pegava o papel de suas mãos – Não canto, nunca cantei e nunca cantarei. OK? – Continuei a guardar minhas coisas na pasta, agora já com meu café em mãos.
– Ah, vamos, Gerard! – Frank ainda sorria docemente e, enquanto pronunciava essa frase, me deu um soco de leve no ombro.
– Eu já disse, Iero... – Parei quando vi que ele me observava com um olhar de censura. – Digo, Frank. – Sorrimos – Eu não vou cantar. Minha voz é uma droga. Eu sou cartunista e é assim que tem que ser. – Finalmente completei, falando mais para mim mesmo do que para ele.
– Então... Você vem sempre aqui? – Ele perguntou, enquanto eu saía. Mas parou rapidamente quando viu que eu me virei, rindo, para encará-lo com um olhar curioso – Digo, vocês se reúnem aqui todos os dias? – Ele já estava vermelho, porém também ria um pouco. – Vamos, Gerard, você entendeu.
– Entendi que você estava me cantando, baixinho. – Parei de rir ao admirar sua expressão envergonhada, parecia frustrado consigo mesmo. Aproximei-me mais dele – Sim, Frank, nos reunimos aqui quase todos os dias. Mas, nos finais de semana, é certo que estamos aqui. – Terminei e saí para a garagem.
De onde aquele cara tirou que ia me cantar? Digo, eu tenho uma mente muito aberta, mas sou hetero! Claro que eu achei ele atraente, não vou mentir. E ele elogiou a minha música, aliás, ele foi o único a ler a minha música...
Entrei no carro e fui em direção ao meu trabalho. Hoje seria um dia relativamente bom, pois meu chefe aprovaria – ou não – um dos meus projetos. Eu estava trabalhando nesse projeto há muito tempo e sempre foi meu sonho ter uma animação no Cartoon.
Cheguei à empresa, estacionei meu carro no estacionamento e entrei. Todos lá pareciam animados como sempre. Conversavam sobre como seriam seus finais de semana na praia, Europa ou algo assim. Não sei como eles conseguiam passar um final de semana todo em lugares lotados de gente, eu tenho pavor de lugares cheios de gente. Eu tenho pavor de gente, sinto-me perdido quando estou em uma multidão.
– Way, venha cá. Tenho que falar com você. – Meu chefe chamou logo que entrei no prédio. Fui todo feliz, sorrindo, achando que ele viria com boas notícias. – The Breakfast Monkey foi cancelado.
– O que? Eu tenho trabalhando naquilo por muito tempo! Vocês não podem apenas chegar e...
– Desculpe, Gerard, mas já estamos com outros projetos parecidos. Uma animação muito semelhante à sua, porém melhor, acaba de ser aprovada e entrará no ar em pouco tempo. Então, é isso. – Ele me interrompeu. E o pior, me interrompeu pra me dar a pior notícia que já recebi desde que comecei a trabalhar!
– Ah, ótimo então! – Saí da sala, furioso, em direção à minha mesa. Eu iria começar a trabalhar em outro projeto desde já, antes que algum filho da mãe resolvesse ter uma idéia igual a minha.
Eu tinha certeza absoluta que, dessa vez, eu conseguiria que fosse ao ar. Depois de todo o trabalho recebo um lindo “não”! Depois de todas as malditas noites em claro desenhando aquela porcaria. Tomara que o cara que fez a outra animação não tenha audiência, só pra eu rir da cara dele.
Resolvi que hoje não ficaria até o final do dia na empresa, já que eu sempre ficava o dia todo desenhando e trabalhando na minha animação e hoje não tinha coisa nenhuma pra fazer. Passado um tempo, guardei minhas coisas, fui para casa e deixei tudo lá. Logo depois, rumei à casa de Matt. Hoje seria uma boa noite, sextas sempre são boas. Principalmente quando se tem novos amigos pra beber e usar certas coisinhas.
Chegando lá, não encontrei ninguém, o que não era muito estranho, levando-se em conta o fato de ser apenas 17h. Adentrei a casa normalmente, já que tinha a chave. Fui até a cozinha pegar um café e sentei-me no sofá da sala, prestes a procurar algum programa quando ouvi um barulho vindo do quarto. “Michael deve estar aí”, pensei e continuei a procurar um canal bom. Impossível. A TV de hoje em dia só passa porcaria, cheia de Reality Shows com pessoas que fazem tudo por dinheiro.
Ouvi o barulho vindo do quarto outra vez.
– Mikey, é você? – Perguntei desinteressado.
Não obtive resposta. Na verdade, após alguns minutos, apareceu alguém. Não era Mikey, e sim Frank com uma guitarra.
– Hm, olá Gerard, achei que não voltasse tão cedo. Mikey, Ray e Matt foram comprar algumas bebidas e umas ervas e me deixaram com uma chave, caso eu precisasse.
– Ah, sem problemas. – Respondi, desatento, prestando mais atenção ao cara estranho que cantava na TV.
– Então... Como foi o trabalho hoje? – Frank realmente conseguia me fazer lembrar daquelas mulheres chatas daquelas novas chatas que ficam só enchendo o marido com perguntas irritantes.
– Sinceramente? Uma merda. Não aceitaram minha animação porque algum filho duma égua resolveu que ia fazer uma animação igual a minha. E adivinha? Ele conseguiu que fosse transimitida, e eu não! Mas fora isso, foi só mais um dia entediante. E o seu dia, como foi? – Perguntei, finalmente tirando os olhos da TV e olhando para ele.
– Foi um tédio também, mas acho que deve ter sido melhor que o seu. – Rimos – Passei o dia todo aqui, tocando algumas músicas no quarto de Matt e esperando eles voltarem com as compras. Ray estava aqui também, estávamos tocando Green Day quando eles decidiram que iam comprar bebidas. Eu estava com preguiça e decidi ficar.
– Hm, legal. Ouvi você tocando, é um bom guitarrista. – Mentira, não ouvi, só queria não ficar sem assunto.
– Obrigada! E você é bom escrevendo músicas, como já disse. – Ele sentou-se em algum sofá qualquer – Matt toca bateria e Mikey está aprendendo a tocar baixo... – Comentou.
– É, legal... – Continuei a assistir o tal Reality Show.
– Só sabe dizer isso? “Legal”? – Mas que criança chata! Iero estava me olhando com uma expressão brincalhona, esperando que eu risse com ele. Isso não aconteceu – Vamos, Gerard, vai dizer que ainda não percebeu que estou só tentando te convencer de cantar aquela música?
– Eu já disse que não canto, que saco! – Frank era legal, bonitinho e essas coisas, mas eu já estava ficando impaciente com ele. – Começo a achar que você só é legal quando está bêbado.
Ele riu.
– Pois é, mas enquanto a bebida não chega... Cante pra mim, por favor, Gerard! Eu adorei a música, sério. Não vou rir de você. Se quiser, posso até te acompanhar com a guitarra.
Considerei a oferta. Minha voz era um porcaria, mas talvez ele não conseguisse ouvi-la pelo som da guitarra, era só eu cantar um pouco baixo.
– OK, levante-se. – Finalmente cedi, levantando-me também. Eu estava totalmente sem graça e não sabia se deveria começar a cantar agora ou não. Peguei a letra da música do bolso interior da minha jaqueta de couro e entrei à ele. Eu já a havia decorado, de tanto que cantei-a em casa, sozinho.
Iero começou com alguns acordes, e realmente tocava bem. Após mais alguns segundos, ele me olhou, indicando que deveria começar a cantar. Comecei, com medo da reação do outro, mas ele apenas sorriu. Com o tempo, consegui encaixar a letra perfeitamente à melodia produzida pela guitarra do baixinho. Aos poucos, fui me soltando, cantando mais alto. Ao final da música, Frank já sorria abertamente e eu também.
– Ótimo, isso foi muito bom! – Ouvi a voz de Matt, e me virei assustado, não havia percebido que eles estavam lá.
– Deveriam ter avisado que chegaram, imbecis. – Respondi, irritado e completamente vermelho de vergonha.
– Ah, Gerard, para com isso, você canta muito bem! Por que nunca cantou na frente de outras pessoas antes? – Perguntou Ray, que sorria.
– Na verdade... – Começou Mikey, sorrindo malicisioso. – Ele já o fez. Ainda tenho sua fita cantando na escola, Gerard.
– O que? Ah, Mikey, vá se foder. – Respondi, mais irritado ainda, vendo a cara de vitorioso do meu irmão.
Todos pareciam bem entusiasmados e, em minutos, surgiu uma animada e, ao mesmo tempo maluca, conversa sobre criar uma banda. Mikey, Ray e Matt diziam que Frank tocava muito bem e que eu cantava bem também. Frank concordou totalmente com os comentários positivos sobre a minha voz.
– Aí, Gee, que tal um bis pra nós? – Disse Ray, com um enorme sorriso no rosto. Olhei-o sem entender.
– Na verdade, o que é o Ray quer dizer, Gee – Opa, de onde tiraram tanta intimidade ao ponto de me chamarem de Gee? – é que estávamos pensando e... Bom... – Frank parecia não saber como explicar a idéia de um modo que eu pudesse dizer sim. – O Matt tem uma bateria aqui, e um baixo também, e eu e Ray temos as nossas guitarras e, bom... Sua voz é ótima. E você tem uma música! Nós poderíamos tentar, o que acha? – Finalmente ele terminou, tão animado que parecia prestes a começar a pular.
– Não sei, viu?! Não me parece uma boa idéia. – Respondi, apenas fazendo um pequeno drama, pra ver se eles realmente queriam que eu participasse daquilo tudo.
– Vamos, Arthur! Se você não quiser, eu vou mostrar a sua fita cantando na escola pra eles.
– Michael, seu desgraçado, não me chame de Arthur! – Respondi, irritadíssimo com meu irmão. – OK, vamos, faço de tudo para ninguém ver a maldita fita.
Nos reunimos, alguns minutos depois, em um quarto qualquer da casa de Matt, o qual tinha sua bateria, ele já estava posicionado na mesma. Frank e Ray tinham suas guitarras e Mikey, seu baixo. Eu parecia um idiota segurando um microfone e com a cara mais vermelha que as mechas dos meus cabelos.
– Por que infernos você tem tudo isso guardado em casa, Matt? Digo, a bateria, o baixo e o microfone... – Realmente, eu estava irritado. Aliás, sempre estou irritado. Ou chapado. Meus dias de menininho emocional já ficaram para trás.
– Gerard, para de reclamar e pega a porra do microfone direito! – Respondeu ele, pegando suas baquetas.
Mikey, Ray e Frank já pareciam ter tomado uma decisão sobre as notas e sei lá mais o que, não entendo dessas coisas.
– OK, Gerard, você canta no mesmo tom e tal como hoje de tarde. Eu já passei os acordes ao Ray e Mikey irá acompanhar-nos com algumas notas de baixo. – Apenas concordei com a cabeça, mesmo estando totalmente perdido naquela “conversa musical”. Apenas sabia que deveria fazer como da primeira vez. – Matt, você tenta seguir o ritmo, OK? Talvez não consiga da primeira vez, mas vamos tentar.
E, realmente, não conseguiu. Aliás, nenhum de nós conseguiu fazer porra nenhuma bem da primeira vez. Ficou um lixo total, mas nos divertimos. Acabávamos tragando alguma bebida enquanto tocávamos, ou então fumando algo. Lá pela quinta tentativa, conseguimos todos seguir o ritmo e acabou dando um resultado muito bom. Ficamos todos muito animados com a nossa tentativa bem sucedida de música.
Passamos o final de semana todo assim, tocando e bebendo. Acabamos dando um nome à música que eu havia escrito, a chamamos de “Skylines and Turnstiles” (“silhuetas e torniquetes”) porque, de acordo com Frank, aquilo tinha tudo a ver com a música e sobre o que se tratava.
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