Notas iniciais
"Steve ficou paralisado com aquele olhar penetrante e sem emoção."

Aquela poderia ter sido apenas mais uma noite comum para Steve, pena que não foi.

Steve olhava pela janela de seu quarto a densa mata que se estendia mundo afora. Ele queria sair e explorar o mundo, descobrir coisas novas e sair de sua pequena aldeia, onde nada de interessante ocorria. Mas que chances tinha ele de sobreviver naquele extenso mundo, cheio de segredos e perigos, um mundo no qual nem os melhores exploradores tinham coragem de explorar tudo. Ele era apenas um garotinho de nove anos, de pernas e braços finos, desengonçado e covarde. Mas uma coisa que seu pai sempre lhe dizia era nunca desistir de seus sonhos, mesmo que fosse algo impossível, sempre vale a pena tentar. Ele se orgulhava muito de seu pai, era um homem bastante respeitado na aldeia, era o ferreiro e todos de lá dependiam muito dele.

Foi quando algo atrapalhou seus pensamentos, uma explosão. Logo depois, ele pôde ouvir gritos vindos do lado de fora. Novamente, outra explosão, que o abalou e o derrubou da cama, fazendo-o bater a cabeça no chão. Steve teve vontede de chorar, mas se conteve e levantou devagar. Sua cabeça latejou e sua visão escureceu completamente, sua pressão baixou. Sem forças, ele caiu brutamente no chão, ouvindo gritos do lado de fora. Agora as explosões e gritos pareciam tão distantes, a dor em sua cabeça estava mais forte e ele perdeu os sentidos, ficando inconsciente.

Minutos depois, Steve acordou com sua mãe tentando levantá-lo. Quando levantou, percebera que a casa estava em chamas. Nem teve tempo de perguntar o que estava havendo, sua mãe já foi puxando-o para fora. No instante em que saíram de casa, ela desabou, o fogo corroera a madeira completamente fazendo a casa cair e queimar com aquelas densas brasas. Um turbilhão de coisas se passou em sua cabeça naquele instante, não fazia ideia do que estava ocorrendo e a dor que sentia fazia tudo ficar ainda pior.

Do lado de fora, a situação era ainda pior, toda a aldeia estava em chamas, pessoas corriam de um lado para o outro e seres verdes caminhavam por ali. Steve tomou um susto ao vê-los, eles possuiam quatro pernas e nenhum braço, e todos tinham a mesma cara sem expressão, o que seriam eles? Foi quando algo mais surpreendente ocorreu, um deles parou de correr e de repente começou a inchar, suas feições sem expressão foram crescendo e se tornando desprorcionais a sua cara redonda, e então, explodiu, fazendo o poço da aldeia se espatifar como poeira ao vento. Homens com espadas e arcos tentavam atacá-los, porém, sem obter sucesso. Sua mãe o puxou para onde estava seu pai, dentro do barracão de armas.

–O que são essas coisas pai? -Perguntou Steve com o coração a mil. Via pessoas correndo desesperadas, homens que tentavam conter os monstros eram arremessados por causa das explosões geradas pelas criaturas verdes.

Seu pai não respondeu, apenas entregou uma espada para um homem e começou o processo para fazer um arco. Segundos depois ele parou, suspirou, e olhou para a aldeia. Steve não gostou muito da expressão do pai. Seu rosto sujo de fulijem e suór apresentava uma cara de medo.

–Steve — Disse seu pai ainda olhando para a aldeia em chamas — Não sei também o que são esses bichos, e não sei muito menos se saíremos vivos dessa hoje. — Ele fez uma longa pausa. -Então quero que me prometa uma coisa.

Steve sentiu seu coração parar, como assim não saíriam vivos dali?

–Steve, preste atenção- Disse seu pai agora abaixando e olhando nos olhos dele- quero que tome todo o cuidado possível, se esconda em uma caverna que existe aqui por perto, ela fica ao sul de nossa aldeia, e só saia se for seguro. E não se esqueça que... eu te amo.

Dizendo isso, seu pai lhe deu um abraço e lhe entregou uma pequena estaca de madeira.

–Guarde-a como lembrança, até mais tarde... t-talvez. -Gaguejou seu pai não podendo conter uma lágrima.

Sua mãe lhe deu um abraço e cochichou em seu ouvido:

–Não se esqueça de nós. Eu te amo.

Steve estava prestes a sair, mas antes se virou e disse:

–Não esquecerei vocês, nunca.

Seu pai e sua mãe o olharam partir pela aldeia em chamas, com lágrimas nos olhos, os três. Steve teve vontade de gritar e chorar como um bebê, mas sabia que se parasse seria explodido por um daqueles bichos. No caminho, com a pressa, ele esbarrou em um deles e caiu no chão. Qundo olhou para cima, seu instinto o fez correr como nunca na vida, e o ser o perseguiu sem muita dificuldade por causa das quatro pernas. Ao entrar na floresta, Steve tropeçou em uma raiz de árvore e foi jogado no chão. Nesse intante, a criatura o alcançou, deu uma olhada nele e seu olhos se encontraram momentaneamente. Steve ficou paralisado com aquele olhar penetrante e sem emoção.

Porém, depois daquele momento, ele não se lembrava de mais nada, como tinha escapado, não sabia, sorte talvez, mas uma coisa é certa, aquela noite marcara a sua vida para sempre.