Notas iniciais
"Steve viu a ponte terminar de ser erguida de vez, e Bruce não conseguiu sair."

Bruce tinha certeza, nunca na vida ele estivera tão determinado quanto estava naquele momento. O ódio pelo o que acontecera a Adália e com o que ocorria a ele eram maior do que qualquer coisa que ele podia sentir. Ver aquela garota chorando de minutos e minutos era demais para ele aguentar, além de que, ele sabia o que ela havia passado, e não tinha o que dizer, porque ele nunca passou por aquilo, e falar que ele sabia como era seria a maior mentira do mundo. Então ele só a abraçava e esperava ela parar, o que muitas vezes levava bastante tempo.

Provavelmente mais um ou dois dias se passaram até que Bruce pensou no que fazer. Enquanto ele tentava dormir, as ideias surgiam sem parar, mas sabia que muitas seriam impraticáveis. Enquanto ele comia fazia o mesmo. Até mesmo enquanto conversava com Adália. Múltiplas ideias surgiram, até que uma em especial, óbvia até demais, surgiu. Bruce pensou no que iria fazer antes de realmente botar o plano para funcionar, e sua determinação e raiva o levaram a agir. Bruce não falara nada a Adália, queria surpreendê-la.

Certa vez, enquanto a garota dormia num canto da cela, Bruce permaneceu parado encostado na porta. Suas mãos tremiam pensando no que iria fazer, e caso desse errado. Ele se agachou e pegou a maior pedra que lá havia e se preparou. Começou então a ouvir passos vindos do corredor e uma pequena tocha vindo em sua direção. O momento estava chegando. Bruce se afastou da porta e se armou. No momento em que a porta abriu para o guarda deixar o prato, Bruce deu uma pedrada na mão dele, que reagindo, gritou e entrou na cela. A mão dele sangrava demais, mas Bruce não ligou ao ver que fora o mesmo guarda que lutara contra Steve. No instante em que ele pôs o pé lá dentro, Bruce bateu em sua cabeça tão forte que ele caiu duro no chão. Para a sorte de Bruce, ele não usava armadura, o que facilitou bastante a vida dele.

Ao se certificar completamente de que ele estava apagado, porém não morto, Bruce deu um largo sorriso de vitória. Saindo em direção a Adália, ele veio gritando:

–Adália! Adália! Consegui! Eu consegui! Estamos livres!

Adália ergueu a cabeça sem saber direito o que estava acontecendo.

–O que você conseguiu?-Perguntou ela, meio sonolenta.

–Consegui Adália! -Insistia Bruce. -Consegui! Estou livre! Você está livre! Nós estamos livres!

Adália se levantou e deu uma olhada na cena. Viu o soldado caído no chão com a cabeça sangrando e a porta aberta. Logo após, ele começou a chorar, como já era de costume, mas dessa vez não era de tristeza ou medo, e sim de alegria.

–Bruce... -Ela não sabia o que dizer a ele. -Você... Você conseguiu! Você conseguiu sim!

Adália correu na direção dele e deu-lhe um forte abraço, forte até demais pelo físico dela.

–Mas... Ele está... Morto? -Perguntou ela tensa.

–Não. Quer dizer, somente machucado demais. -As feições da garota não agradaram muito Bruce, que logo completou: -Mas acredite, eu já o conhecia, ele não sentiria pena de nos machucar, acredite. -Ela não respondeu. -E... Mas o que importa é que vamos sair! Vamos antes que alguém note a falta dele!

Bruce pegou na mão dela e a guiou pela escuridão. Ambos ignoravam os morcegos, estavam tensos demais para saírem logo dali. Subiram as escadas com o máximo de cuidado que podiam e correram pelo corredor tenebroso. Logo eles chegarem na próxima escada, Adália já estava subindo quando Bruce parou no pé dela.

–O que foi? -Ele perguntou. -Vamos logo! Não temos todo o tempo do mundo!

–Tenho que buscar alguém.

Bruce saiu em disparada para a última cela que lá havia. Quando chegou, bateu na porta duas vezes, mas não veio nenhuma resposta. Persistente, ele bateu uma vez, mais uma, e outra, até que responderam:

–Quem é? O que foi?

Bruce reconheceu a voz de Steve.

–Steve! Sou eu cara! Bruce!

Steve gelou, despertou de seu sono e se dirigiu até a porta.

–Bruce! -Ele não podia acreditar. -O que você... Como chegou aqui?

Bruce deu uma rápida olhada para trás para se certificar de que Adália ainda estava lá, e logo respondeu:

–Explicações mais tarde, temos que ir logo!

Ele não esperou nem mais um segundo, e chutou a porta o mais forte que podia. Steve fez o mesmo. Logo os dois espancavam a velha porta de madeira sem parar, e pela idade dela, logo ela se partiu e Steve pôde sair. Os dois se encararam por uns segundo, até que, simultaneamente, os dois se abraçaram.

–Quanto tempo... -Disse Bruce.

–Eu que o diga...

–Rápido Bruce! -Adália gritou. -Parece que está havendo uma movimentação estranha do lado de fora!

Enquanto os dois voltavam correndo, Steve o questionou:

–Quem é?

–Explicações mais tarde, o que importa é irmos embora.

Quando os três se encontraram, Bruce fez uma rápida apresentação:

–Steve, Adália. Adália, Steve. Agora vamos!

Os três subiram até o fim da escada e lá pararam. Steve se certificou de que não havia ninguém vindo e fez um sinal para que eles avançassem. Saíram e foram para a lateral do castelo, enquanto uma dezena de guardas entrava nas masmorras.

–E agora? Para onde vamos? -Indagou Bruce.

–Acho que o mais prudente é sairmos de Téfires. -Respondeu Steve a espreita.

–E como iremos cruzar os portões sem sermos vistos?

–Isso é o que veremos...

Pelo fato de estar a noite, eles podiam se movimentar quase que a vontade sem serem percebidos, porém, sabiam que qualquer cuidado era pouco.

Foi então que de repente uma voz ecoou pelos arredores do castelo, dizendo:

–Os prisioneiros estão ali! Rápido!

Todos congelaram imediatamente, e a cena que se seguiu foi uma das mais tensa que todos já presenciaram. De todos os cantos possíveis, da masmorra, do castelo e dos fundo, guardas armados e com tochas surgiram correndo na direção deles. Davam no máximo, cerca de cem homens.

–Corram para o portão! -Gritou Steve.

Sem demora, os três se dirigiram feitos loucos para a saída do castelo. Para a sorte deles, o portão estava aberto.

Os guardas viam brandando atrás deles, e pelo estado que os três se encontravam, não demorariam muitos pera serem pegos.

–Subam a ponte. -A mesma voz ecoou de novo.

A uns dez metros da saída, eles puderam ver a ponte que dava para a cidade começando a ser erguida.

–Mais rápido! -Alertou Steve.

Conforme eles corriam mais, algumas flechas começaram a ser disparadas contra eles. Umas não chegavam nem perto, outras entretanto, quase raspavam eles.

Quando eles alcançaram a ponte, eles quase não havia sido erguida, se elevava a uns vinte centímetros do chão, o que ainda dava para eles subirem. Mais flechas foram disparas contra eles, uma atingiu Adália no ombro, e ela caiu na saída. Bruce xingou baixinho.

–Pegue ela! -Disse Steve sem perder tempo.

–Mas...

Bruce não queria saber se ele podia ou não, se agachou e tirou sua colega do chão, logo após, seguiram para a ponte que estava sendo levantada. Estava sendo difícil subir, porque quanto mais demoravam, mais inclinada ela ficava. No fim dela, Bruce gritou desesperado, enquanto tentava se equilibrar. Os guardas começavam a subir naquele instante.

–E agora?!

Steve analisou a situação em que estavam, e tirou suas próprias conclusões. Sem dar qualquer tipo de aviso, ele saltou da ponte e caiu rolando na grama em frente ao castelo. Se levantando o mais rápido que podia, ele gritou:

-Joga a garota! -Bruce hesitou, pois temia o fato de Steve não conseguir segurá-la e ela colidir direto no chão. -Bruce! A garota!

Bruce fez o máximo de força que podia e arremessou Adália de cima da ponte. Incrivelmente, Steve a pegou, mas caiu no chão.

-Pula Bruce!

Bruce tentou pular como Steve, mas sua tentativa fora interrompida pelos guardas, que os alcançara.

-Não!!! -Gritou desesperado enquanto era levado pelos guardas.

Steve viu a ponte terminar de ser erguida de vez, e Bruce não conseguiu sair. Mas ele não pôde muito, pois logo, da lateral do castelo, mas guardas surgiram. Steve se levantou, pegou Adália no colo, que ainda estava pagada, e voltou a correr.

Todas as pessoas que ainda estavam na rua assistiram a cena assustadas. Os guardas gritavam por ajuda, e então algumas pessoas começaram a entrar na frente de Steve, para impedi-lo. Esbarrando em algumas e derrubando a maioria, ele seguiu, mesmo que grande dificuldade. Em certo ponto, um homem pulou em cima dele e o derrubou. Steve somente teve tempo de desferir um soco na cara do indivíduo e pegar Adália antes de retornar à fuga.

O tempo passou rápido até o momento em que ele chegou no final dos muros que cercavam Téfires, e era o fim da linha. Os portões do reino estavam fechados e haviam centenas de guardas posicionados com arcos no muro. Steve se desesperou. A tropa que o seguia se aproximava mais e mais, era o fim.

E então o imprevisível atacou novamente. Um círculo de fogo começou a se formar, cercando Steve. Não havia sinal algum de quem podia estar fazendo aquilo. Ele olhou em volta, assustado, o que estaria acontecendo? O fogo aumentava mais e mais, até que já era alto o bastante para impedi-lo de ver o que acontecia fora dele. Os guardas não tinham como cruzar o fogo devido a sua altura. E de repente, do céu escuro, um tornado de fogo desceu como um raio, espatifando-se no chão. Fumaça foi levantada para todos os lados, e quando Steve parou de tossir e pôde abrir os olhos, ele viu diante dele, um demônio, feito completamente de chamas. Era grande, muito grande, tão alto quanto o muro que cercava a cidade, e suas asas eram tão grandes abertas que ganhavam de largura castelo. Era simplesmente um monstro flamejante de vinte metros de altura.

Steve recuou assustado quando o monstro veio em sua direção. Ele tropeçou em seus pés, devido ao medo, e caiu indefeso. Adália ainda estava desacordada, e ficou em cima dele. Quando a criatura deu um passo, todo o chão tremeu como num terremoto. Mas o pior foi quando o demônio encarou Steve olho a olho, e disse com uma voz tão assustadora quanto sua aparência:

-Até que enfim nos encontramos de novo, Steve!