Minecraft. O Ninho De Creepers
36 Esmeralda
Notas iniciais
O quarto de Nicko estava completamente iluminado, com velas novas, e até em maior quantidade do que antes. Ele entrou vagamente no quarto, mantendo o olhar fixo em Esmeralda. Deu uma última olhada antes de fechar a porta do quarto, e então se dirigiu a princesa:
–Como assim? -Nicko perguntou, disfarçando.
Esmeralda o encarou fixamente nos olhos.
–Oras, você sabe muito bem, não faça papel de bobo na frente da filha do rei. -Disse ela.
Nicko se recusou a falar. Continuou parado na entrada do quarto olhando para ela. Esmeralda também não fez muita questão de continuar a conversa.
–Como se chama? -Perguntou ela enfim.
–Nicolau. -Disse ele.
–Muito prazer Nicolau. -Disse ela levantando-se e cumprimentado-o. -Esmeralda, mas acho que você já sabe.
Nicko retribuiu o gesto. Depois disso, nenhum dos dois ousou falar uma palavra, e um silêncio incomodante pairou o quarto. Esmeralda estava bem a vontade, andava pelo quarto apreciando os objetos que lá estavam, até parar em frente a grande janela e observar a paisagem. Nicko, entretanto, permaneceu aonde estava. Ficou observando-a. Agora, muito próximo a ela, pode confirmar o que Bruce dissera, realmente Esmeralda era uma garota linda, e devido ao fato de seu pai ser um rei, ela se vestia do modo mais belo que podia. Uma pequena coroa que ela usava, assim com um bracelete, estavam cheios de pedras verdes enfeitando-os. Na coroa havia um monte delas, dispostas de forma a enfeita-lá, já no bracelete havia apenas uma pedra, grande e brilhante. Nicko supos que as pedras fossem esmeraldas, o que fazia jus ao nome da garota.
Esmeralda, depois de cerca de uns dois minutos apreciando o mar, se voltou para perto de Nicko e quebrou o silêncio:
–Você não vai mesmo me dizer o que aconteceu, não é?
Nicko tentou fingir um olhar de surpresa, que até ele teve de admitir, saíra meio forçado.
–Já te disse, não sei do que está falando.
Esmeralda o encarou, cerrando os olhos.
–Então por que você foi ao jantar guiado por Naum?
–Naum? -Perguntou Nicko, sem entender o que ela quis dizer.
–Naum, o homem que o levou até o refeitório.
Foi então que ele se lembrou do home que o encontrara na sala dele, e percebera que não sabia o nome dele.
–Bom, eu estava perdido, e ele me ajudou. -Respondeu.
–Uhum. -Disse ela num tom sarcástico. -Naum não ajuda sequer meu pai, o que deveria ser o trabalho dele. Você deve conhecê-lo, ou então fez alguma coisa muito errada para ela tê-lo ajudado.
–Foi porque eu estava na sala dele. -Defendeu-se Nicko. -Como eu não sabia aonde ia, acabei indo parar lá e ele me ajudou.
–E você esperava chegar aonde naquele corredor escuro?
Nicko não respondeu. Sabia que a princesa sabia mais coisa do que ele sobre o castelo e sobre o pessoal que lá trabalha. Continuar a conversa só poderia entregá-lo.
Esmeralda voltou a andar pelo quarto. Nicko sentou na beirada da cama, esperando que ele fosse embora. Os dois ficaram novamente no silêncio.
–Se você não vai me falar é melhor eu ir embora então. -Disse ela observando o quadro da caveira, minutos mais tarde.
Esmeralda dirigiu-se a porta, e antes de fechá-la, falou:
–Cuidado com os demônios que vagam por aí.
Nicko sentiu o sangue gelar como quando encontrara a criatura. Era mesmo verdade, ela sabia.
–Espera aí. -Gritou, quando a porta estava milimetricamente para se fechar.
Esmeralda voltou, fechando a porta, com um olhar malicioso no rosto.
–O que foi? -Perguntou ela, quase que retoricamente.
–Como você sabe do... -Nicko hesitou em falar sobre aquilo, mas ela já sabia mesmo, e ele realmente estava precisando de apoio. — Do demônio.
Esmeralda aproximou-se de Nicko e sentou ao lado dele.
–Nicolau, eu preciso, antes de poder te explicar, te mostrar um coisa. -Disse ela, num tom estranhamente baixo.
Nicko concordou com a cabeça.
–Mas eu preciso que você tenha guarde essa informação como você cuida da sua vida. Nem o meu pai tem noção disso. -Completou ela.
Nicko hesitou. O que poderia ser tão importante que ela teria que esconder do próprio pai. E o mais estranho é que ela contaria a ele.
Sem perder mais tempo, Esmeralda ergueu sua mão aberta e, depois, a fechou. Nada aconteceu. Nicko ficou observando-a com um olhar curioso, o que ela esperava fazer? E foi aí que a surpresa aconteceu, todas as velas do quarto, uma por vez, foram se apagando, magicamente. E o resquício das chamas iam todos flutuando em direção a Esmeralda, e quando o quarto já estava num escuro completo, ela baixou a mão e abriu o punho, revelando uma bola de fogo em suas mãos. A bola não a queimava, sequer a incomodava, ela flutuava levemente como uma pena em sua mão.
Nicko estava extremamente surpreso, e sem reação. Observou boquiaberto o que a filha do rei era capaz de fazer. Esmeralda, depois de ver que Nicko já estava surpreso o bastante, soprou a bola de fogo para longe, e esta magicamente saiu voando lentamente de sua mão e se dividiu em vária pequenas chamas, onde cada uma se dirigiu as velas, acendendo-as novamente.
Nicko a encarou, sem saber o que falar.
–O que achou? -Perguntou ela timidamente, escondendo o rosto por trás de seus cabelos.
A resposta de morou para vir.
–V-você... -Ele não sabia o que dizer. — Você é... Você é uma bruxa!!!
Esmeralda levantou a cabeça, revelando um sorriso.
–Prefiro feiticeira. -Respondeu ela.
–Mas eu... Eu não sabia que isso realmente existia, quer dizer, magia e... -Ele estava realmente surpreso.
Esmeralda sorria timidamente. Dava para perceber que ela estava feliz por Nicko não ter ficado com medo, e mais ainda por ele estar adorando o fato de ela ser uma feiticeira.
Depois de conseguir raciocinar novamente, Nicko percebeu uma coisa.
–Ei! -Disse ele, afastando-se dela. -F-foi você que invocou aquele bicho!!
Esmeralda ficara tão surpresa naquele momento quanto Nicko ficara quando a viu fazer magia.
–Como assim?! Como você pode me acusar disso? Eu quero ajudá-lo!
–Ajudar?! Eu acabei de ver o que você pode fazer com o fogo aí. Fazer um monstro e depois fazer ele sumir não deve ser muito difícil!
Esmeralda não ficou assustada ou brava, na verdade riu da atitude dele.
–Você realmente acha que foi eu quem fez aquilo? -Disse ela, parando de rir repentinamente e encarando-o. -Eu não tenho experiência o suficiente para fazer uma coisa daquelas, aliás, tem que ser alguém muito experiente para poder fazer um demônio...
Nicko levantou da cama e se afastou dela.
–Mas bruxas são más... Elas moram sozinhas e...
Novamente Esmeralda riu da atitude dele.
–Você realmente acredita nessas história de criança? Eu não sou má coisa nenhuma, o que eu ganharia com isso?
Apesar do que ela fez, não fora o suficiente para convence-lo. Nicko ainda estava desconfiado dela.
–Nicolau, me escute. -Disse ela tentando acalmá-lo. -Eu não vou te matar nem nada, eu quero ajudá-lo. Vamos conversar como gente, eu prometo.
–Mas... Você esconde esse segredo do seu próprio pai! Por que eu deveria confiar em você?
–Para não acontecer o mesmo que aconteceu aqui agora. Ser uma "bruxa" é como ser uma abominação, todos iriam querer me matar , e duvido da sanidade de meu pai, caso ele soubesse que eu sou uma feiticeira... Nem quero imaginar o que ele seria capaz de fazer.
–Mas por que eu? -Indagou.
–Porque você é a única pessoa que eu conheço que teve contato com a magia, e o pior é saber que ela veio daqui de dentro do castelo...
Nicko estava confuso.
-Espera um pouco... -Disse ele tentando raciocinar, voltando a se sentar ao lado dela. Esmeralda soltou um suspiro de alívio ao perceber que Nicko a aceitara bem novamente. -Aquilo que eu vi... Aquilo que eu vi na verdade nunca existiu?
-Não tecnicamente.
-Era uma obra da... Magia?
-É o que eu acredito. -Respondeu Esmeralda. -E provavelmente de um feiticeiro muito poderoso, que está aqui no castelo.
-E existem mais deles por aí?
-Não que eu saiba
-E vo... -Nicko foi interrompido pelo seus pensamentos. -Ei! Espera um instante aí! Como você sabe o que eu vi?!
Esmeralda soltou um outro longo suspiro antes de voltar a falar.
-Entenda uma coisa Nicolau, a magia é muito mais complexa do que realmente parece. -Começou. -Para ser direta, nós feiticeiros conseguimos detectar a presença de um outro feiticeiro quando ele está próximo, e hoje a noite você me chamou atenção, pois estava com uma aura mágica muito forte...
-Mas eu não sou bruxo! -Defendeu-se.
-Eu sei, deixa eu terminar.-Esmeralda continuou.- Eu desconfiei porque, quando seu exército chegou, ninguém apresentou nada em relação a magia, e então hoje você vem brilhando como uma estrela no jantar... Enquanto comíamos, sua aura foi sumindo, até desaparecer de vez, e foi quando me toquei de que isso que aconteceu com você se deve ao fato de você ter entrado em contato com a magia.
-Espera um pouco... Quer dizer que o monstrengo lá jogou magia em mim?
-Não necessariamente, mas o contato com a mágica já é o suficiente para você parecer com um feiticeiro porque... -Esmeralda hesitou. -Entenda, é mais difícil do que parece para eu poder explicar agora, só quero chegar ir direto ao ponto.
Nicko concordou.
-Estou desconfiando já há bastante tempo de que há um feiticeiro aqui no castelo, mas não consigo achá-lo.
-Mas vocês não conseguem sentir a presença do outro quando estão próximos? -Indagou Nicko.
-É isso que não entendo. -Explicou-se. -Já detectei claros níveis de magia aqui no castelo, e algumas obras mágicas também, como a que você viu, entretanto, não consigo achar nenhuma prova que acuse que alguém seja um feiticeiro...
-E quanto aquele cara... Naum?
-Eu sei, ele é estranho, e foi o primeiro a ser investigado por mim, mas é tão limpo quanto água, e além de que, caso fosse ele, quando vocês dois surgiram lá no salão, a aura dele era para estar pulsando tanto quanto a sua, mais até.
Nicko parou para raciocinar sobre o que acabara de ouvir. Bruxas, elas realmente existiam, e havia uma ali bem na frente dele. Quem diria.
-E você já viu aquele demônio alguma vez?
-Sim. -Disse ela olhando para a porta, como se esperasse ver a criatura surgir ali. -Uma noite que eu estava na cidade, bom, eu voltei tarde para casa, e quando estava perto do meu quarto eu senti, era uma presença de magia muito forte, até demais, pois eu não conseguia nem pensar direito. Minha visão ficou turva e de repente lá estava ele, bem na minha frente. Foi horrível. Mas logo depois ele sumiu... Desde então comecei a investigar o pessoal aqui do castelo, até meu pai... Naum tinha minha atenção especialmente, devido a diversos fatores que fazem dele o funcionário mais estranho de meu pai, mas como eu já disse, não tem como ele ser um bruxo.
Então de repente uma dúvida veio a cabeça de Nicko.
-Esmeralda, os monstros que vagam por aí... Eles são frutos da magia?
-Já parei para pensar nisso, mas a origem deles é tão incerta para mim quanto é para você Nicolau. Mas acredito sim que a história deles tem ligação com a mágica.
-E quanto aos zumbis e aos esqueletos, que dizer, eles são mortos-vivos, não dá para ressuscitar alguém com a magia?
-Com certeza dá, mas o feiticeiro que queira fazer isso teria de passar sua vida para a pessoa morta, morrendo logo após, o que não justifica a grande quantidade dessas criaturas por aí. Além de que a pessoa ressuscitada voltaria normalmente, não em decomposição ou até sem pele.
-Que horrível...
-É eu sei.
-Mas como posso ajudá-la? Afinal não nenhum bruxo nem nada. Além de que meu tempo aqui é curto.
-Eu estou informada em relação a isso. -Disse ela enquanto tirava um colar do bolso. -Mas já tomei minhas providências.
Esmeralda pôs o colar no pescoço de Nicko. Era um colar de prata com um dragão negro pendurado nele. Ela, logo após por o colar nele, fechou os olhos e recitou alguma coisa, uma magia talvez. E de repente o colar de Nicko começou a queimar, queimar a ponto de machucá-lo, e ele teve de tirá-lo.
-O que é isso?! -Indagou.
Os olhos do pequeno dragão brilhavam fortemente. Eram dois olhos roxos e bem grandes.
-É um colar mágico.
-Percebi! -Disse ele esfregando o local queimado. -Mas como isso ajuda?
-Bom, eu o encantei com uma magia que, quando você se aproximar de um feiticeiro ou de alguma fonte de magia, ele vai esquentar, como fez agora.
-E como isso ajuda? Se eu morrer queimado você vai saber quem é?
-Não. -Disse ele rindo. -Caso você encontre esse suposto feiticeiro, ele vai queimar, e eu serei avisada disso, por meio do meu bracelete. -Disse ela esticando o braço e mostrando a Esmeralda em seu braço que também brilhava.
Nicko apreciou seu novo presente, observando o dragão negro.
-Mas agora tenho que ir. -Disse ela se levantando. -Foi um prazer falar com você Nicolau.
-Você não pode ficar mais?
-Adoraria, mas realmente tenho que ir. Espero vê-lo novamente um dia.
A porta se fechou e Nicko apreciou seu presente novo. Realmente a magia funcionava, pois os olhos do dragão pararam de brilhar e o colar esfriou quando Esmeralda foi embora.
Nicko tratou de apagar todas as velas e, antes de ir deitar, colocou o colar, para se precaver dos demônios. E adormeceu, pensando no ocorrido.
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