Notas iniciais
"Eu acho que não estamos indo para uma festa.
Não mesmo. -Respondeu Bruce."

Apesar de Steve estar completamente imundo, ele não ligou, seguiu Bruce pela aldeia até onde ele queria ir, seja lá onde fosse, Steve não se importava, quase morrera e estava feliz de estar vivo. Não sabia se era ele que levava jeito contra os monstros ou se era sorte. Depois de muito pensar, percebeu que era sorte.

Conforme caminhavam pela aldeia, algumas pessoas passavam por eles e os encaravam. Steve não se incomodou com aquilo, estava acostumado a ser esquisito, a não ser o normal, nada demais. Se aquelas pessoas soubessem o que já passara, com certeza teria respeito com ele.

–É ali. -Disse Bruce apontando para uma grande casa de madeira com o teto triangular.

–Afinal, o que a gente veio fazer aqui? -Perguntou Steve.

–Eu falei com o capitão sobre o que aconteceu e eles querem falar com você, não sei, talvez queiram saber como sobreviveu todo esse tempo sozinho. -Respondeu Bruce.

–Eu também gostaria de saber. -Falou Steve olhando para a grande casa de madeira.

Aquela frase deu um calafrio em Bruce, com certeza a vida de Steve não foi muito boa.

–Então vamos entrando. -Disse Bruce indo em direção a casa.

Ele bateu na porta e logo depois um homenzinho vestindo uma roupa preta abriu a porta e disse:

–Eles estão aguardando-os no grande salão. Podem ir.

–Obrigado. -Respondeu Bruce emqunto passava.

Steve imaginou que Bruce devia ser alguém bem importante por ali.

–Você tem algum alto cargo por aqui? -Perguntou Steve.

–Na verdade, não. Eu estou em treinamento. Apesar de que eu posso me considerar superior ao porteiro, eu acho. -Respondeu pensativo.

A casa por dentro era cheia de quadros, corredores, portas e cômodos cheios de livros e cadeiras, provavelmente para reuniões.

–Quem vive aqui? -Perguntou Steve.

–Ninguém vive aqui. É a casa de reunião da aldeia. Quase todos os eventos festivos da aldeia ocorrem aqui.

–Eu acho que não estamos indo para uma festa.

–Não mesmo. -Respondeu Bruce.

Eles chegaram em uma escada e subiram ela. No fim, havia uma grande porta de madeira, somente ela, mais nada.

–Chegamos ao grande salão. -Disse Bruce.

Bruce abriu a porta e Steve teve uma surpresa, achou que a reunião seria mais a parte, porém, o salão estava lotado de gente.

–Pensei que ia ser só nós e o capitão. -Cochichou ele entre os dentes para Bruce quando todos os olhares se voltavam para eles.

–Eu não disse nada. -Respondeu Bruce.

O salão era enorme, ocupava todo o segundo andar. No fundo, uma grande mesa retangular estava disposta com doze pessoas e logo na frente, havia uma mesa menor. E por trás delas, se estendiam muitos bancos, deixando apenas um corredor no meio.

–Está parecendo mais que eu vou ser condenado. -Disse Steve.

–Não se preocupe, aquelas pessoas lá na mesa não vão te prender, são os doze membros do conselho. Muito importantes por aqui.

–E esse povo que está aí assistindo?

–Boa pergunta.

A conversa entre cochichos deles foi interrompida por uma das pessoas que estava na mesa. Ela pediu silêncio e os chamou:

–Vamos, se aproximem, vocês não fizeram nada de errado. Queremos conhecer mais esse Steve.

Steve não estava gostando da ideia, mas começou a andar na direção deles. Todo o povo curioso voltou o olhar para eles enquanto passavam e o silêncio por ali era bastante forte. Ele não entendia o porque que estavam dando tanta atenção a ele. Ao chegarem na mesinha menor que estave em frente a maior, Steve e Bruce se sentaram e um homem gordo com cabelo branco se levantou.

–Nos reunimos aqui hoje para conhecermos mais esse jovem forasteiro chamado Steve. -Começou o homem. -Como sabem, desde algum tempo, nós sofremos com ataques de monstros e já perdemos muitos homens por isso, mas esse garotou conseguiu sobreviver sozinho na floresta durante oito anos, de acordo com fontes.

As pessoas estavam atentas e pode-se ouvir sons de surpresas ao receberem a notícia que Steve sobreviveu sozinho esse tempo todo na floresta.

–Por que essas pessoas estão aqui? -Cochichou Steve, ainda nervoso pelo fato de toda a atenção estar voltada para ele.

–Geralmente quando acontece algo importante as pessoas podem assistir a reunião, se não for isso eu não sei, já lhe disse. -Respondeu Bruce em cochichos.

–Mas o que eu tenho de importante?

Bruce não respondeu, apenas apontou para a mesa onde o homenzinho que abriu a porta entregava um papel para o homem que antes falara com o público. Steve estava achando tudo aquilo um exagero, afinal, aquelas pessoas nunca tinham ouvido falar dele, e de uma hora para outra ele se torna o centro das atenções.

–Hoje, os doze membros do conselho da aldeia Colina Nevada se reuni aqui para conhecermos um pouco da história de Steve, que de acordo com fontes, viveu sozinho na floresta durante oito anos, lutando contra os diversos monstros. -Disse o homen lendo no papel que lhe entragaram. -Vamos conhecê-lo mais e depois faremos algumas perguntas. Por favor, se apresente Steve.

Uma onda de palmas invadiu o salão enquanto Steve se levantava. Aquilo só serviu para deixá-lo mais nervoso.

–Hum... -Steve não sabia o que dizer. -Bom, como todos já sabem, eu me chamo Steve e, sim, eu vivi bastante tempo sozinho nas florestas por aí, e muitas pessoas vão m perguntar como, bem, eu também queria saber. Na verdade, eu sobrevivia do jeito que dava, passei muitos apertos, já me perdi em cavernas, lutei contras monstros, entre outras coisas arriscadas.

Ninguém disse nada, todos ainda olhavam para Steve.

–Sobre o meu passado, -Continuou ele- eu não sei muito, perdi meus pais muito cedo e... -Steve sentiu de novo um aperto na garganta, falar dos pais nunca era fácil, e toda aquela gente olhando e ele tendo que se manter formalmente, era muita pressão. -Eu vivi uns anos com pessoas que conheci por acaso, mas hoje eu, é... não tenho mais contato com elas Resumindo, eu não tenho muita coisa para falar, quase morri muitas vezes, mas isso não vem ao caso.

O homem já ia se levantando para falar novamente quando Steve interveio:

–Só uma pergunta, por que estão todos reunidos aqui?

O homem olhou para ele e logo se apressou a ir dizendo:

–Ah, mil perdões. -Se desculpou o homem. -Como havia dito antes ao público, os ataques de monstros estão cada vez mais constantes, e já perdemos muitas vidas por causa disso , você Steve, viveu sozinho na floresta durante anos, talvez possa nos dizer alguns segredos sobre como agir perante alguns monstros, táticas que você usou, etc. Enfim, queremos recrutar você para treinar nossos homens.

Todos estavam a espera de uma resposta de Steve.

–Mas, eu não, quer dizer, eu não uso nenhuma tática, eu acho que sobrevivi por sorte.

–Isso é o que você pensa, -Disse o homem. -antes eu vou me apresentar, eu me chamo Robert, e eu sou, digamos assim, o prefeito da aldeia. Os meus companheiros aqui,-Disse Robert mostrando com a mão as pessoas que se estendiam pela mesa. -são os membros do conselho, no qual chamamos de Os Doze Membros do Conselho.

As pessoas que estavam na mesa eram muito diferentes. Homens mulheres, mas ninguém se parecia, um homem usava um traje formal, á uma mulher usava uma roupa roxa gigante cheia de desenhos em dourado. Nada normal.

–Mas, primeiramente, vamos pedir um testemunho do nosso arqueiro em treinamento Bruce, sobre o que houve durante essa noite. -Disse Robert enquanto Bruce se levantava.

Bruce cumprimentou os conselho e o público que assistia tudo e começou a contar sobre o que houve, desde quando encontrou Steve, até eles caírem, acharem a mina, e conseguirem escapar por pouco sem morrerem queimados. Todos ficaram impressionados com o que houve, a ideia de Steve de atrair o Creeper para matar os monstros, a fuga nos carrinhos, como eles escaparam da mina, tudo o que houve.

–Obrigado Bruce, agora eu vou chamar meu companheiro Roger para falar um pouco com Steve. -Disse Robert agradecendo os esclarecimentos de Bruce.

Um homem forte e musculoso que estava na mesa se levantou e se dirigiu para o lugar de Robert, na frente de Steve. Ele era alto e musculoso, tinha um cabelo longo e pele escura. Havia cicatrizes por todo o seu corpo e ele vestia uma roupa completamente verde, como se quisesse se camuflar.

–Prazer Steve, eu me chamo Roger. -Apresentou-se formalmente o homem. -Eu cuido dos soldados, arqueiros, resumindo, e cuido do exército aqui da aldeia, e estamos pensando em recrutá-lo.

–Mas, como eu havia dito antes, eu não tenho, assim, nada de espicial para ser recrutado para um exécito. Disse Steve sem jeito.

–É o que você diz. -Respondeu o homem sorrindo. -Vamos ver, e raciocinar. Primeiramente, quando vocês estavam cercados de monstros, você não partiu para o ataque pois sabia que seria facilmente derrotado.

–Mas estava óbvio. -Disse Steve.

–Porém, para algumas pessoas, o óbvio é algo sem valor, e elas iriam lutar, e acabariam perdendo a vida. Agora voltando ao que interessa, ao ver um Creeper ao longe, muitas pessoas ficariam com mais medo, mas você atraiu o monstro e usou o que ele tinha contra ele, e os outros.

Steve confirmou com a cabeça, não que ele estivesse se gabando, mas tinha sido uma boa ideia.

–Você não tinha nenhum recurso para vencer ali, porém, conseguiu usar o que eles tinham contra eles. -Continuou Roger. -Já quando vocês estavam na caverna, a tática de cada um ir se guiando tateando a parede foi uma ótima ideia, pois qualquer saída, passagem, ou algo suspeito, mesmo no escuro, seria notado. Já dentro da mina, ficar em pé no carrinho em movimento foi arriscado, mas fora isso, o seu plano era bom, tentar tombar o carrinho deles era o único meio de escapara ali, pena que o plano não deu certo.

Roger fez uma pausa. Steve percebeu que o que ele havia feito foi realmente impressionante, pelo visto, não seria qualquer um que conseguiria escapar vivo dali.

–E, eu sei com certeza Steve, que se eu soubesse mais sobre o seu passado, iria te dizer e você iria perceber o quanto a sua genialidade o ajudou na busca da sobrevivência. -Disse Roger. -E é por essas razões e outras que eu lhe convido para o exército da aldeia Colina Nevada. Agora a decisão está em suas mãos.

Steve hesitou naquele momento, não sabia se aceitaria ou não o cargo. Mas ao analisar direito a situação, percebeu que ficar seria o melhor a fazer, pois se ele saisse e continuasse sua trajetória mundo afora, corria o risco de perder a vida a qualquer instante. Então ele se levantou e disse:

–Eu aceito entrar.