Mine

8 Capítulo 8 - Christmas Card


Notas iniciais
OIIIIII ESTOU VIVA E DE FÉRIAAAAAAAAAS! Gente, desculpa a demora mas agora eu vou postar com mais frequência ta bom? FELIZ NATAL E LEIAM AS NOTAS FINAIS" Aproveitem...

Acordei com a brisa gelada de dezembro entrando pela fresta da janela em contato com a pele nua das minhas costas. Era um domingo muito frio e quando não achei nenhuma coberta pela cama fui obrigada a levantar. Sentei na cama e fechei os olhos novamente esperando que tudo parasse de girar. O relógio do criado mudo marcava exatamente oito horas da manhã. Olhei ao redor e encontrei minhas roupas jogadas no chão perto da poltrona verde horrorosa que minha irmã trouxe para cá quando não tinha mais lugar na casa dela. Virei para o lado esquerdo e as lembranças da noite passada começaram a se organizar na minha cabeça.

A pele branquinha dos ombros e os longos cabelos castanhos eram as únicas coisas que não estavam completamente cobertas pelo cobertor. Sorri ao lembrar da noite anterior com a morena que estava deitada ao meu lado. A pele macia, o olhar escuro e profundo, os lábios carnudos em contato com os meus. O sorriso...

Eu finalmente tinha conseguido um pouco do que eu desejava já há algumas semanas. Mas estava razoavelmente decepcionado. Levantei e caminhei até a poltrona. Vesti uma cueca e o meu jeans, fechei a fresta da janela aberta e olhei mais uma vez para a morena adormecida. A noite passada tinha sido boa, mas os beijos, os toques, os gemidos, não tinham sido como eu queria ou como eu imaginava.

Saí do quarto e fechei a porta com cuidado para não fazer barulho. Ouvi umas risadas na sala e o barulho do noticiário da manhã. Fui até lá e encontrei com Cameron sentada no colo do Kenneth no sofá. Os dois trocavam beijos e riam igual dois idiotas por algum motivo que eu não tenho a mínima ideia. Continuei apoiado na parede do corredor esperando que os dois me notassem e parassem com a cena nada agradável para mim. Mas como isso não aconteceu, tossi discretamente atraindo a atenção deles.

– Bom dia flor do dia! – Meu irmão falou rindo.

– Bom dia só se for para o casalsinho diabetes! – Respondi dando a volta na bancada da cozinha e indo até a geladeira.

– Nem para nós! – Kenneth respondeu.

– Como assim? – Falei despejando suco de laranja no copo – Não era o que parecia...

– Talvez a Cam não vá mais com a gente para Nova York.

– Por quê? – Perguntei

– Eu não acredito que vocês fizeram isso! – Cameron falou se levantando e caminhando até uma das cadeiras da bancada.

– Isso o que? – Perguntei.

– Não se faça de idiota Brandon. – A loira falou- Não acredito que vocês dormiram juntos. Como que você acha que a Vic vai reagir depois disso? Você sabe que ela não lida muito bem com surpresas, e principalmente quando o assunto é você.

– Ta, mas e o que a minha vida sexual tem a ver com o fato de você não ir passar o Natal com a gente? – Falei.

– Na verdade nada. A Vic brigou com o irmão dela pelo mesmo motivo de sempre, e não vai passar o Natal no Kansas. E eu ainda não sei se ela vai querer ficar aqui com o Josh. E se ela não quiser, eu não posso deixá-la sozinha!

– A Vic sozinha com o Josh? O feriado de Natal inteiro? – Perguntei olhando para Kenneth. – E se eles brigarem ou ele beber de mais?

– Ham? – Cameron nos olhou confusa – Ta e o que isso tem a ver?

– Digamos que o Josh não se controla muito bem... – Ken respondeu.

– Do que vocês estão falando? Eu deveria saber de alguma coisa? – Ela nos perguntou com um tom de curiosidade e indignação.

Ken me olhou com aquele olhar de ‘’Você começou, agora concerta’’. O mesmo olhar que ele me olhava todas as vezes que comentávamos para um novato, ou principalmente para Cam e Vic sobre alguns atos do Josh.

– Não é nada Cam, deixa pra lá! – Falei

– A ta, com certeza! – Ela ironizou rindo – Vamos falem logo!

– Amor, eu te conto outra hora, ok? Vamos primeiro decidir sobre a viagem, não temos muito tempo! – Ken falou

Cameron cruzou os braços na altura do peito e ficou olhando para ele séria, com as sobrancelhas arqueadas. Quando pensei que ela ia protestar, a loira assentiu.

– E porque ela não pode ir junto com a gente? – Kenneth falou ainda sentado no sofá. Sorri para meu irmão, às vezes ele tinha ótimas ideias.

– Bom, agora sim a sua vida sexual entra em questão Brandon. Você acha que ela vai querer sair com você depois de ontem? – Cameron falou passando a mão pelo longo cabelo loiro.

– Cam até parece que ela vai ficar puta comigo por ontem. Ou melhor, só por ontem. A Vic fica brava comigo a cada cinco minutos. Ela parou de falar comigo do nada, a me ignorar. E só porque eu decidi parar de ser esnobado eu sou o pior cara do mundo? Já faz um mês que a gente não se fala direito. Não coloque a culpa só em mim!

– Brandon! – Ela exclamou com os punhos fechados. – Você não entende mesmo né? Eu confesso que também tenho raiva da Vic ás vezes, mas é muito complicado pra ela.

Despejei um pouco de óleo em uma frigideira e quebrei um ovo. Enquanto o mexia para não queimar fiquei imaginando, como fiz todos os dias desde que a Vic parou de falar comigo do nada, o motivo que a fez fazer isso. Ou os motivos que sempre a fazem fugir de mim. Ela era imprevisível e instável.

– E por acaso ela se importa comigo ao ponto de ficar brava por eu ter dormido com outra?

– Na verdade ela não esta brava por isso. Eu acho. – Cam hesitou por um momento- Mas ontem na festa do Oli, quando ela foi falar com você, o senhor somente virou a cara e começou a beijar a Anne.

– Eu estava bêbado! – Exclamei colocando sal nos ovos.

– Você sempre está né? Mas enfim, já podemos descartar essa possibilidade. A Victória não vai querer!

–Cam! – Kenneth choramingou se levantando do sofá e caminhando até o lado de Cameron. – Eu quero tanto que você vá. Os meus pais e principalmente a minha irmã estão muito empolgados em te conhecer. E vai ser um feriado muito bom!

‘’Sim, tenho certeza que vai, já esta na hora de vocês transarem!’’ Pensei

– Então, não custa nada você tentar convencer a Vic! – Meu irmão terminou de falar enquanto Cameron o fitava em silêncio.

– E não vai ser incômodo? – Ela perguntou por fim.

– De jeito nenhum, muito pelo contrário eles vão adorar.

A loira pensou sobre o assunto por mais algum tempo e depois suspirou concordando.

– Ok, eu tento falar com ela. Mas você vai ter que me ajudar... – Ela falou e Ken assentiu.

Cameron pegou o celular na bolsa e foi até o quarto de Kenneth ligar para a Vic. Coloquei meus ovos mexidos no prato e me sentei no balcão ao lado do meu irmão.

– E então, a Anne é boa? – Ken perguntou.

– É.

– Uau, empolgante!

– Ken eu, eu – Gaguejei – Eu estou com algum problema!

– Isso não é novidade Brandon...

– Não, eu estou falando sério. Ontem na festa eu vi a Vic com o Josh a noite toda e porra eu queria muito estar beijando ela no lugar dele. E a Anne, eu não sei se foi a bebida, mas ontem ela estava muito parecida com a Vic e...

– Você comeu ela pensando na Vic? – Ken completou.

– Isso. Eu preciso comer ela rápido Ken, ou eu vou enlouquecer!

– No começo eu não queria que você ficasse com ela porque eu sabia que no final ia dar merda e talvez atrapalhar eu e a Cameron. Até pedi para a Cam falar sobre isso com a Vic. Mas agora eu percebi que a Victória é matura o suficiente para ficar só com raiva de você. Ela não faria igual às outras garotas que imploravam para a melhor amiga se afastar de mim por sua causa.

– Mas e você e a Cameron? – Mudei de assunto. Era sempre a mesma história sobre como eu era um destruidor de corações e etc. – Ta na hora de vocês transarem, não acha?

– Brandon você não entende que o meu relacionamento com a Cam não depende só de sexo? Eu realmente gosto dela, gosto de mais mesmo. É claro que eu quero, mas não é só isso que me deixa feliz no nosso namoro!

– Ai lá vem você com aquele papo de que fazê-la sorrir, ter a companhia dela não tem preço e aquelas coisinhas clichês...

– Eu nem vou perder tempo tentando te explicar Brand. Enquanto você não se apaixonar, não vai entender.

Ri pensando na possibilidade que nunca ia acontecer, enquanto Cameron se aproximava da gente ainda falando no telefone.

– Vic relaxa! Amiga, calma nós vamos ficar só três dias lá. Eu sei que o Josh vai ficar bravo, mas você passou os últimos três natais só com ele. Sim, você foi convidada. Eu juro que não foi ideia minha. Ok eu vou passar para o Ken. – Ela afastou o celular da orelha e o entregou para Kenneth. – Eu falei que ia ser difícil.

Meu irmão pegou o celular e começou a conversar com ela que parecia estar preocupada com o Josh e se ia incomodar indo conosco.

– Vic pode ter certeza que eles irão adorar se você for. Sim eu os aviso antes. Sério? Nossa obrigada mesmo. Sim pode ficar tranquila. Nós vamos depois do almoço, ok? Nossa Vic, eu te amo, valeu mesmo! – Kenneth sorriu e desligou o telefone. – Ela concordou!

Fiquei assistindo meu irmão e Cameron comemorando por alguns minutos, mas sinceramente eu também estava muito contente.

– Ela pediu pra você ir pra lá ajuda-la com a mala.- Ken falou para Cam.

– Ah, claro. Baby, como vai ser? Vamos nós quatro no seu carro?

– Não mesmo, eu vou levar meu carro! – Protestei.

– Eu sei que a Vic não vai curtir ir sozinha com o Brand, mas eu acho melhor. Assim ficamos um pouco sozinhos. – Kenneth sugeriu.

– É você tem razão. O que acha de almoçarmos juntos e já convencemos a Vic? – A loira falou me olhando também.

– Eu aceito, mas o Brandon vai ficar em casa. – Olhei indignado para o meu irmão – Trate de acordar a Anne e a levar em casa. Aproveita e já liga para a mamãe dizendo que vamos levar uma amiga junto.

– Mas eu quero ir junto! – Protestei novamente.

– Mas não vai! – Kenneth sorriu desafiadoramente para mim. – Vamos no seu carro amor?

– Sim senhor! – Cam respondeu.

– Então é isso. Brand eu já vou levar a minha mala comigo, é muito empenho ter que voltar aqui só para isso. Então não se esqueça de fechar a casa antes de sair, colocar suas coisas no carro e estar na casa das meninas ao meio dia. – Ken falou com aquele tom autoritário de sempre.

– Ok. E obrigada por fazer eu me sentir com 10 anos novamente. – Ironizei.

Kenneth ignorou meu comentário e foi até seu quarto pegar sua mala.

– Brand, são nove horas de viagem. Facilita as coisas com a Vic. Você sabe que ela tem TPM todos os dias do mês. – Cam brincou.

– Pode deixar cunhadinha.

– Estamos indo. Qualquer coisa me liga. – Ken falou chegando na sala novamente carregando a mala de viagem azul marinho.

Despedi-me dos dois e confesso que me senti excluído. Mas eu sabia que Kenneth não queria que eu e Vic brigássemos antes de entrar no carro.

Lavei a louça do café da manhã, tomei um banho e vesti minha calça jeans escura e rasgada de sempre, meu Vans preto e branco, uma camiseta de manga curta cinza e minha jaqueta de couro. Terminei de arrumar minha mala e decidi acordar Anne perto do horário de sair. Olhei no relógio e já eram dez horas da manhã. Me sentei no sofá e telefonei para casa.

– Alô? – Judie atendeu.

– Que saco. Você já esta ai? – Provoquei.

– Não Brandon é um holograma meu falando. – Minha irmã respondeu.

– Espero que ele seja mais magro que você! – Provoquei novamente. Desde pequenos chamar minha irmã de gorda sempre foi a pior coisa.

– Você é um idiota e eu te odeio. Mas e então o que o bebê deseja?

– A mãe ta ai?

– Mãe, o bastardo do Brandon quer falar com você! – Judie gritou e fui obrigada a afastar um pouco o celular do ouvido. – Ela já vem.

– Meu cunhado já esta ai também?

– Sim irmãozinho, só falta os meus dois pestes preferidos. Ah, a mamãe disse que o Ken vai trazer a namorada. Ela é bonita?

– Mais que você sem dúvidas!

– Idiota! Se a nossa mãe não estivesse aqui do lado eu juro que te mandava pra aquele lugar. Mas enfim, até de noite Brandon. Eu te amo!

– Eu também sua gorda! – Ouvi Judie me xingar baixinho enquanto passava o telefone para a mãe.

– Oi bebê. – Minha mãe atendeu. – Vocês já estão vindo?

– Daqui a pouco mãe. Provavelmente às dez horas da noite estamos ai. Eu só liguei para avisar que vamos levar uma amiga junto.

– Ah que bom, eu adoro a casa cheia. A namorada do Ken vem também, né?

– Vai sim!

– Ótimo. Esperamos vocês para o jantar. Seu pai esta aqui pedindo para eu falar para vocês tomarem cuidado na estrada. Nós te amamos, não demorem!

– Também amo vocês. Até daqui a pouco! – Me despedi

Desliguei o celular e liguei a TV. Era um pouco mais que onze e meia quando a sessão de desenhos que eu estava assistindo acabou. Me perguntei se a culpa era minha ou se Annie tinha se dopado para dormir tanto.

Fui até o quarto e juntei suas roupas que estavam espalhadas, para encurtar o nosso possível diálogo. Pensei em chama-la delicadamente ou fazer algum contato, mas ela podia achar muito interesse da minha parte. Então decidi fazer do jeito mais fácil. Fechei a porta do quarto propositalmente mais forte ao sair e voltei para o sofá esperando que ela saísse logo. Para minha sorte, pouco tempo depois a morena saiu vestindo o vestido de ontem a noite e segurando os saltos altos na mão. Fui direto ao ponto explicando que eu tinha que viajar e ia ficar muito feliz se ela facilitasse as coisas. Para minha sorte novamente, não houve nenhum tipo de escândalo.

Fechei todo o apartamento e levei minha mala até o carro. Faltavam quinze minutos para o meio dia e eu sabia que se me atrasasse, Kenneth ia ficar falando por um século. Annie sentou ao meu lado no carro e eu comecei a dirigir até os dormitórios do Campus. Por incrível que pareça o nosso papo de dez minutos não tinha sido tão desagradável. Depois de deixa-la lá (sim eu levei uma garota em casa) continuei a dirigir até o apartamento das garotas. Quando cheguei lá, Kenneth estava na frente do prédio. Saí do carro e caminhei até ele.

– Aconteceu alguma coisa? – Perguntei.

– Sim, eu sou muito burro. Não queria voltar em casa para pegar a mala, mas simplesmente esqueci o pequeno fato de que se eu vim para cá no carro da Cam eu ia ter que voltar para buscar o meu carro. Mas enfim, eu vou lá agora. Se as meninas ficarem prontas antes de eu chegar pode ir indo na frente.

Assenti e entrei no prédio. Peguei o elevador e logo eu já estava no andar da Vic. Bati na porta umas três vezes, até que Cameron gritou um ‘’Pode entrar’’. O apartamento para variar estava bem arrumado, bem diferente do meu. Ouvi a voz de Cameron vindo do quarto da direita que pelo o que eu me lembro é o da Victória. A porta estava semiaberta, mas, mesmo assim decidi bater. Vic terminou de abri-la. Ela vestia um jeans claro e uma bata vermelha. Os cabelos longos e lisos caindo em cascata, os lábios tensionados e o olhar negro me fitando. Ela podia estar me matando por pensamento ou podia estar apenas sendo indiferente. Mas como o assunto é ela... Eu não tenho como saber.

–Você vai congelar assim. Ta frio pra caramba lá fora. – Alertei.

– É eu sei, mas aqui dentro ta quente então vou botar o casaco só na hora de sair. – Victória respondeu.

– Brand, em Nova York faz mais frio que aqui? – Cam perguntou colocando algumas roupas dentro de uma mala aberta em cima da cama.

– Depende, mas geralmente sim. – Respondi.

– Brandon tem certeza que seus pais não vão se incomodar? É sério, eu posso ficar aqui com o Josh. Eu nunca liguei muito pra essas tradições natalinas mesmo.

– Não Vic, ninguém vai se importar. Na verdade eles vão adorar, eu garanto.

Ela abaixou o olhar assentindo pegou o celular em cima da cama e saiu falando que ia telefonar para o Josh. Cameron continuava a arrumar a mala. Enquanto isso varri o olhar pelo quarto. As paredes num tom de rosa bem claro, a cama com cabeceira de arabescos de ferro, uma estante grande cheia de livros e CD’S, dois criados mudos azuis, igual à mesinha em que a televisão estava em cima. Era tudo tão delicado, colorido e alegre. Era como saber um pouco mais sobre a Vic. E eu gostava disso.

– Ok, se o Josh perguntar algum dia eu passei o Natal em casa com o meu irmão. – Vic falou voltando.

– Sua mala esta pronta baby. – Cam disse fechando a mala preta.

– Podemos ir então? – Perguntei.

Victória assentiu e pegou um casaco preto que estava em cima da cama e vestiu. Peguei a mala dela e caminhamos até a porta de saída do apartamento. Cameron estava resmungando alguma coisa sobre ‘’Vamos tentar chegar juntos. Eu quero ter o apoio da Vic na hora de conhecer a sua mãe, Brandon’’ e ‘’ Se comportem e se controlem’’.

Fizemos o trajeto do apartamento até o carro sem trocar uma palavra. Quando chegamos no carro, guardei a mala dela junto com a minha no porta-malas do Volvo. Vic estava parada do lado da porta do carona com os braços cruzados e as sobrancelhas juntas. Ela não parecia de bom humor.

– Algum problema? – Perguntei.

– Não sei se deveria aceitar passar nove horas em um carro com um ninfomaníaco que usa gorro e tem um quarto só para sexo em casa.

– Você prefere passar o feriado inteiro com o idiota do seu namorado? A Cam não vai estar aqui pra você fugir Vic.

– Idiota é você! – Ela respondeu abrindo a porta e se sentando no banco do carona.

Entrei no Volvo e dei partida. Era quase meio dia e meio e eu não queria ficar até dez horas da noite em um silêncio mortal. Liguei o som do carro onde meu iPod estava conectado e Metallica começou a tocar. Cantei algumas partes de Nothing Else Matters tentando descontrair, mas Vic continuava com o olhar fixo na janela.

– A senhorita não vai falar comigo?

– Talvez a Anne tenha coisas melhores pra falar.

– Ah qual é Vic. Você me ignora e é grossa comigo por quase um mês e nem assim eu fico puto contigo.

–Que saco! – Ela falou virando a cabeça e olhando para mim – É complicado. Eu namoro e o Josh tava começando a desconfiar das minhas sumidas na hora do almoço. E é errado Brandon. O Josh ta muito diferente, eu acho que preciso dar mais atenção pra ele.

– Você tem que prestar mais atenção Vic. O seu namoradinho não é mais o bom garoto do caloroso Kansas.

– O que você sabe sobre ele Brandon? E qual a sua moral para falar sobre ‘’bons garotos’’ – Ela falou fazendo aspas com os dedos.

– Pode ter certeza que comparado ao Josh eu sou o melhor cara do mundo.

– Sabe o que eu tenho certeza? É que você fala isso só para eu deixar o Josh de lado e você poder me comer. O Josh pode estar diferente, mas ele não machuca o coração de uma garota por dia.

– Não só o coração, né...

Ela me olhou atenta. Os olhos bem abertos, como se ela estivesse assustada com o que eu insinuei. Eu estava disposto a contar sobre o que eu sabia, mas Vic abaixou o olhar, provavelmente se convencendo de que era mais um joguinho meu.

– Eu não gosto de Metallica será que você pode trocar? – Ela desconversou

– E o que a senhorita quer ouvir?

– Blues, grunge, rock clássico, rock indie. Algo mais calmo, romântico.

– Ok, diga uma banda ou cantor ai. Se tiver aqui eu coloco.

– John Mayer, Nirvana ou The Strokes. O melhor cantor e as melhores bandas do mundo.

– Discordo, mas tudo bem! Eu treinava violão com as musicas do John, mas eu prefiro The Strokes hoje.

Mudei de Play List e fiquei feliz ao ver pelo menos Vic mais animada, cantando algumas partes.

– Se quiser não precisa responder. Mas porque você e seu irmão brigaram?

– Digamos que eu não gosto muito do meu pai e o Max insiste em nos reaproximar. Eu estava muito feliz que ia para lá conhecer a minha sobrinha que nasceu mês passado, e matar a saudade dele e de casa. Mas ele me disse que nosso pai e a nova namorada dele iam passar o Natal com a gente. E eu dei uma surtada básica.

– E porque você não gosta do seu pai?

– Eu não gosto de falar sobre isso...

– Ah, desculpa. – Interrompi

– Não tudo bem. É melhor que ficarmos sem assunto nenhum. Bom, a Cam acha meio infantil da minha parte e eu já tentei ser mais paciente com ele e aceitar tudo o que aconteceu, mas eu não consigo. O câncer da minha mãe piorou de benigno para maligno depois que ela e meu pai se separaram. E sim, eu o culpo pela morte dela. Mas, não é só por isso. Desde os meus dez anos, pelo o que eu lembro, o meu pai trai a minha mãe e a pior coisa do mundo é ver a pessoa mais importante da sua vida sofrer. Eu sempre tive esse ressentimento por ele, e depois que a minha mãe morreu, virou ódio.

Vic olhava para frente. Era algo complicado e eu não sabia o que dizer. Tentei analisar o fato de Cam achar algo infantil. Mas eu não via dessa forma. Era difícil imaginar, mas Vic devia ter ficado muito abalada com tudo o que aconteceu.

– Eu não concordo com a Cameron. – Eu disse. – Você pode ter raiva dele por não ter consideração com a sua mãe nem quando ela estava doente. Mas culpa-lo pela morte dela é um pouco radical Vic. Quer dizer, esquece. Eu nem consigo imaginar o quanto é difícil pra você.

Continuei a olhar para frente e a prestar atenção do trânsito até sentir o olhar dela pesar em mim. Olhei para Vic que fitou profundamente os meus olhos e depois sorriu. Eu não sabia qual era o motivo, mas não importava. Era o primeiro sorriso que ela dava só para mim depois de um bom tempo e eu estava realmente feliz por isso.

– Me desculpa por ontem. – Falei.

– Me desculpa por ser infantil às vezes. Porque toda vez que eu fujo de você, eu me sinto com dez anos. É só que com você eu faço algo tão ruim que me deixa tão bem que eu fico confusa.

Vic parou um pouco depois de se dar conta do que tinha falado e voltou a olhar pela janela. Algo tão ruim no caso seria trair o Josh. Mas, ficar comigo a deixava bem. Isso! Essa era a parte que ela provavelmente tinha se arrependido de falar. A morena era orgulhosa de mais para admitir.

– Amor você esta linda hoje. Na verdade você sempre esta.

Ela me olhou confusa se perguntando se eu tinha falado aquilo mesmo e sorriu. Aquele sorriso lindo e contagiante.

– Estava com saudades de você me chamando de amor.

– Ué, não era você que queria que eu parasse com isso?

– Resolvi mudar de ideia.

– Esse feriado vai ser perfeito!

– Espero que gostem de mim...

Estávamos passando pelo litoral de Toledo do estado de Ohio quando o relógio marcava 15:00. Vic estava me contando sobre o primeiro beijo dela e como foi horrível e desajeitado.

– Jura que você achava isso? – Perguntei rindo.

– Sim. Para mim era só abrir a boca e mexer a língua. Sério foi horrível! E o menino era uns vinte centímetros menor que eu. Mas e o seu como foi?

– Eu tinha 10 anos e foi com uma amiga da minha irmã de 12. E foi razoavelmente bom. E sua primeira transa como foi?

– Não quero falar sobre isso.

– Foi tão horrível assim?

– Não eu só não sei, porque, é... Ah deixa pra lá. Você não ta com fome? – Ela desconversou.

– Morrendo!

– Acho que aquilo ali na esquina é um posto de gasolina.

Andei mais alguns metros e parei no posto. Decidimos que enquanto eu enchia o tanque, Vic ia comprar alguma coisa para gente comer.

– O que você vai querer? – Ela perguntou.

– Um daqueles hambúrgueres que eles esquentam na hora e uma coca. – A morena assentiu e caminhou até a loja de conveniência 24 horas.

Enchi o tanque do Volvo e voltei para dentro dele. Fazia frio pra caramba e aqueles termômetros eletrônicos gigantes marcavam 1 grau Celsius. Vic veio correndo para o carro carregando uma sacola de papelão pouco tempo depois.

– Nossa eu quase escorreguei. – Ela falou entregando o meu lanche.

– Ia ser engraçado.

Ela tirou da sacola uma caixinha de papelão retangular de uns 15 centímetros que tinha um negócio enrolado dentro. Fiquei com o carro parado olhando aquela comida nada saborosa até Vic notar e rir.

– Nunca comeu Tortilla natural? – Ela perguntou.

– Nem quero. – Respondi

Terminamos de lanchar ali mesmo e logo depois de eu dar partida no carro Cameron ligou para Vic falando que eles estavam logo atrás de nós. As duas conversaram mais um pouco e depois desligaram.

– Ela esta nervosa para conhecer sua mãe. – Vic disse.

– A mamãe com certeza esta mais nervosa que ela.

Vic e eu conversamos mais um pouco sobre Nova York e sobre a neve até ela adormecer com a cabeça apoiada na janela. Ela é tão linda. Os cabelos castanhos moldando o rosto perfeito adormecido. Eu ficaria a olhando dormir pelo resto do dia...

POV Victória

Acordei com uma mão quente em contato com a minha bochecha esquerda. Ergui meu corpo de vagar sentindo as consequências de passar um bom tempo dormindo toda torta. Fiquei surpresa ao ver que já tinha anoitecido. O farol do carro iluminava a neve pelas calçadas.

– Já estamos em Nova York. – Brand disse.

– Nossa já?

Olhei pela janela. Eram tantas decorações, tantas luzes. Sorri quando Brand falou que estávamos passando pelo Central Park. Tudo tão lindo e com tanta neve. Era a minha primeira vez aqui e Brandon tinha prometido me levar pelo um tour pela cidade antes de voltarmos pra Detroit.

Do centro repleto de arranha céus e luzes, entramos em uma rua mais tradicional e bem rica. Com casas enormes e decoradas. Pisca-piscas, bonecos de neve e outras decorações típicas não faltavam em nenhuma das casas.

Brandon estacionou na frente de uma casa branca com um design bem moderno, com janelas de vidro enormes. Era perceptível ver por uma das enormes janelas, um pinheiro enorme que estava no que indicava, na sala da casa.

– É aqui? – Perguntei e ele assentiu.

– Ai meu Deus, que vergonha! – Exclamei.

– Relaxa amor tenho certeza que vão gostar de você.

Brand saiu do carro e fiz o mesmo. Kenneth e Cameron chegaram pouco tempo depois estacionando logo atrás da gente. Brandon pegou nossas malas e aguardamos Ken e Cam.

– Ok eu estou muito nervosa. Recapitulando. – Cam falou – Derek é o pai de vocês, Georgia a mãe e Judie a irmã, né?

– Isso. E tem também o Liam que é o noivo da Judie. E o Brutus que é o nosso cachorro. – Ken completou.

– Ah, bem lembrado. Vai dar tudo certo, vai dar tudo certo. – Cam repetiu até chegarmos na porta da casa.

Ela deu a mão para Kenneth depois que ele bateu na porta e decidi segurar o braço do Brand. Eu também não estava muito confortável com a situação. Pouco tempo depois uma moça loira e com os olhos verdes abriu a porta sorrindo. Ela vestia um vestido preto que ia até a altura dos joelhos, um colar dourado lindo combinando com os brincos e eu me senti uma mendiga.

– Olá pirralhos! – Ela saudou abraçando Ken primeiro. — Uau esta deve ser a Cameron, não é?

– Ela é a Judie. – Brand sussurrou para mim.

A loira, que tinha os cabelos soltos em um ondulado do meio para baixo perfeito que deveria ter levado um bom tempo para ficar assim, ainda abraçava Cam quando olhou para eu e Brandon. Ela se aproximou de nós dois e nos olhou por um momento antes de abraçar Brand.

– Oi meu bebê! – Ela falou o abraçando forte enquanto ele resmungava alguma coisa – Ninguém me avisou que o Brand ia trazer a namorada também.

Olhei para Brandon na hora, esperando que ele se manifestasse de alguma forma falando que não era nada do que ela estava pensando. Mas ele só balançou a cabeça e riu quando Judie me abraçou também.

– Qual o seu nome? – Ela perguntou me abraçando. Eu hesitei em abraça-la também, ela era tão linda, educada e delicada que eu tinha medo de fazer algo errado.

– Victória. – Respondi quando decidi retribuir o abraço.

– Você é linda, mas qual foi a mágica que fez para prender o Brandon. – Ela perguntou se afastando e me olhando sorrindo. – Acho que ele nunca trouxe uma garota aqui em casa.

– Bom, na verdade... Eu e o Brandon, nós não temos nada!

– Sério? – Ela falou desapontada.

– Ela é só nossa amiga Jud. – Brand finalmente disse.

– E como se fosse minha irmã. — Cameron completou.

– Enfim, espero que um dia o Brandon traga uma namorada para casa. Mas vamos entrar porque esta frio e a mamãe vai me matar se eu demorar!

A loira ficou entre eu e o Brand e pegou nossas mãos nos guiando para dentro da casa. Kenneth e Cameron estavam logo a nossa frente. Como eu esperava era tudo muito bem decorado. A enorme (muito enorme) sala de estar, muito bonita e decorada com os enfeites de Natal, a lareira igual a dos filmes, dois sofás escuros e grandes, o pinheiro gigante que eu tinha visto antes... Era tudo muito bonito. Seguimos por um curto corredor até a sala de jantar onde aparentemente todos estavam.

A mesa era grande e tinha muita comida servida. Fiquei imaginando que se a véspera de natal já era assim imagine no dia seguinte. Uma mulher de cabelos negros e olhos muito verdes sorriu calorosamente quando nos viu entrar. Seu vestido era um verde esmeralda que combinava com o olhar e cada vez mais eu me sentia mais mendiga.

– Meus amores! – Ela saudou abraçando Brandon primeiro. E eu logo identifiquei de quem os irmãos Delano puxaram os olhos lindos e o sorriso perfeito. – Como vai bebê?

Brandon respondeu que estava bem, mas com fome e ela riu o mandando sentar-se à mesa, mas ele continuou ao lado de Judie. Georgia como havia me lembrado do nome da mãe deles, se direcionou a Cam e Ken. Os abraçou forte, elogiou Cam e falou que estava muito feliz pelos dois. Ela então se direcionou a mim (a ultima, a esquecida, a intrusa) e sorriu.

– Victória?

– Georgia?- Falei

– Seja bem vinda minha querida. – Ela falou me abraçando. – Fico feliz por vocês terem uma amiga tão bonita.

Ela falou olhando diretamente para Brandon e eu pude sentir meu rosto ruborizando.

– Não fique com vergonha querida. – Um homem grisalho com olhos azuis claros falou para mim. – É a verdade!

– Obrigada – Falei apertando a mão que ele oferecia.

– Derek Delano, prazer. – Arqueei uma sobrancelha e tentei disfarçar a minha surpresa por estar falando com um mestre dos negócios. Pelo magnata que eu via nas revistas e jornais.

– Victória Hindley. – Falei ainda apertando a mão dele. – Não soo com tanta importância, eu sei!

– Modesta sua. – Derek falou e logo em seguida olhou para Brand.- Brandon.

– Pai... – Brand saudou no mesmo tom forte e seguro que Derek.

– Fico muito feliz por você ter vindo. – Ele falou dando tapinhas nas costas do filho mais novo e foi cumprimentar Cam e Ken.

Ao meu lado, Brand continuava passivo e indiferente com o olhar perdido. Fiquei o observando até Liam, noivo de Judie, me cumprimentar. Depois de todos estarem devidamente apresentados fomos jantar. Era uma comida fina e eu fiquei observando até a quantidade de comida que Judie colocava no prato para não fazer nada errado. Eles eram tão finos e elegantes, mas ao mesmo tempo tão calorosos e humildes. O bom humor, os olhos, o sorriso e a maioria dos traços Ken e Brand puxaram da mãe, mas os dois, principalmente Brandon, tinham o charme e a desenvoltura do pai. Já com Judie era ao contrário, a aparência era toda herdada do lado paterno, mas a personalidade com certeza era de Georgia.

Durante o jantar, Cameron foi praticamente interrogada por Georgia, mas de uma forma bem confortável. Eles falaram que gostaria muito de conhecer os pais de Cam e eu ri ao imaginar que eles nem sabiam que Cam estava namorando. Eu prestava atenção na conversa entre Derek e Liam sobre economia (assunto interessante para mim), quando senti algo passar pela minha perna. Tentei disfarçar e cheguei à conclusão que provavelmente era um cachorro ou gato. Pouco tempo depois, algo voltou a bater na minha perna e Brandon soltou uma risadinha baixa quando fiz uma careta e olhei para baixo.

– É você? – Perguntei e ele só riu e piscou para mim começando a falar com a mãe sobre como andava a faculdade.

Depois de jantarmos, fomos até a sala de estar onde o sofá era mais confortável que a minha cama. Me sentei ao lado de Cameron e Judie começou a falar sobre quando os três eram pequenos e sobre as rebeldias de Brandon na adolescência. Conversei um bom tempo com Judie sobre os preparativos do casamento dela que seria daqui um ano. A loira que chamava atenção pela beleza tinha 27 anos, mas sua aparência não entregava isso. Ela se formou em arquitetura e me convidou para o seu casamento. Agradeci o convite sem jeito.

Derek e Georgia conversavam com Kenneth e Cameron, enquanto Judie e Liam viam um álbum de fotos. Eu estava me sentindo excluída, no meio do sofá até que meu olhar encontrou Brandon. Ele estava de pé apoiado na parede e mexendo no celular. Aquele ar sério que eu raramente via nele, prevalecia no momento. Fiquei o observando até ele erguer o olhar e encontrar o meu imediatamente. Tentei disfarçar, mas desisti depois que ele sorriu delicadamente para mim. Retribui o sorriso e ele fez um aceno com a cabeça para eu ir até ele. Neguei. Seria estranho eu ir ficar sozinha com Brandon. Esperava que ele voltasse a me pedir, mas pra variar o Brandon Indiferente voltou a atacar e ele só deu de ombros e se virou seguido por um corredor logo ao seu lado. A empregada serviu chá para nós e para variar acabei derramando uma boa quantidade na minha blusa. Fechei os olhos por um momento esperando que o tempo voltasse ou que ninguém estivesse olhando para mim. Mas infelizmente...

– Ai meu Deus! – Exclamei. – Qual meu problema?

– É tradição sua sempre fazer isso quando visita alguém Vic? – Cameron zombou.

– Calma flor, é normal isso acontecer. – Judie falou.

– Eu sou muito desastrada mesmo. Onde tem um banheiro? – Perguntei.

– Tem dois aqui embaixo, mas, se preferir já trocar de blusa tem um banheiro no quarto em que sua mala está. – Georgia disse sorrindo carinhosamente.

– É o terceiro à direita. – Um homem que limpava o resto do chá que eu derramei no chão completou.

– Obrigada!

Me levantei e subi as escadas. Cheguei a um corredor grande e largo e segui as orientações passadas. Entrei em um quarto azul marinho que estava com as luzes apagadas. Os pôsters do Metallica, Bad Company e Hinder colados na parede da cabeceira da cama, envolta da janela eram iluminados apenas pela luz do corredor. Fui depressa até uma porta branca do lado direito do quarto e entrei no banheiro, acendendo a luz. Tirei a blusa vermelha do corpo e joguei um pouco de água onde tinha derramado chá, para evitar manchar (melhor prevenir) e lavei a região do meu peito que estava melada pelo açúcar e pela camomila derramados. Me sequei e abri a mala que estava em cima da cama. Encontrei só camisas masculinas e eu comecei a ficar confusa. Tive um sobressalto quando a luz do quarto acendeu.

– Uau. – Ouvi Brandon falando e me virei imediatamente. Ele estava parado logo na porta do quarto.

– Brandon! – Exclamei pegando uma blusa qualquer na mala e a vesti enquanto ele ainda estava com o olhar fixo na grande parte descoberta do meu corpo, onde a única peça de roupa era meu sutiã preto.

– Esse é meu quarto amor.

– Mas... Mas, me falaram que minhas coisas estavam no terceiro quarto à direita.

Brand riu.

– Não é você que é foda em matemática?

Franzi o cenho e caminhei até o corredor. Bufei. Eu realmente estava com algum problema de raciocínio.

– Esse é o segundo. — Falei entrando no quarto novamente. Brand ria. – Eu derramei chá em mim e vim me limpar. Estava com tanta vergonha que nem reparei.

– Achei ótimo o que vi aqui. – Ele falou.

– Contente-se. Esta é a primeira e ultima vez.

– Será? – Brand falou caminhando até mim.

– Eu tenho certeza. – Ele me encostou na parede e ameaçou me beijar.

– Sai fora Brandon. Que saco, eu já disse que não vai rolar mais nada!

– Para de ser complicada Vic.

– Você não quer que eu tenha mais um ataque de culpa e estrague a nossa amizade né?

– Não! – Ele exclamou e aproximou os lábios do meu ouvido. – Eu quero você. – Fez uma pausa – Na minha cama.

Um calor subiu pelo meu ventre e eu estremeci o afastando. Brandon provocava coisas em mim que eu nunca tinha sentido com tanta intensidade antes.

– Sai! – Fui até o banheiro e peguei minha blusa vermelha que estava sobre o balcão da pia. – Se a gente vai passar o feriado juntos, é melhor você me respeitar.

Disse com um tom firme (Como se fosse intimidar Brandon de alguma forma) e saí do quarto. Estava quase entrando no meu, após me certificar de que desta vez era o certo, quando Brand veio atrás de mim.

– Desculpa, mas eu quero a minha blusa! – Ele falou apontando para a peça branca que eu vestia.

– Ok, eu vou colocar uma minha e já te entrego. – Me virei e ele falou novamente.

– Na verdade, eu quero agora!

– Você tem várias ali na mala! – Exclamei indignada.

– Mas eu quero essa!

– Você é um idiota.

– Ou me da ela agora, ou eu vou ai pegar!

Me irritei. O encarei por alguns segundos esperando ele rir e falar que estava tirando sarro de mim. Mas Brandon continuou com o olhar divertido e a mão esticada esperando a peça de roupa. Bati o pé, bufei e tirei a blusa a jogando com força para Brandon que ria.

– Eu te odeio.

Ele ignorou o comentário e começou a descer o olhar. Cobri meu peito me ‘’auto abraçando’’. Brand sorriu, mas continuou com olhar descendo até chegar ao meu tênis.

– Eu já falei que você vai me enlouquecer? – Ele disse. Mas, foi minha vez de bancar a indiferente. Dei de ombros e tranquei a porta atrás de mim.

Eu não sabia que ia enlouquecer Brandon Delano de alguma forma. Mas eu tinha uma noção. Porque ele já me enlouquecia a tempo!

Notas finais
Oi e ai gostaram? Como vocês viram, esse capítulo teve o ponto de vista do Brand e a Vic, quero saber se curtem esse modelo (só em alguns capítulos). E gente, no cap anterior umas meninas não gostaram do ''love'' entre os dois, queriam mais resistência da Victória e etc. Daí eu fico confusa porque ao mesmo tempo que umas não querem, outras querem. Então, esse capítulo ficou no meio termo. COMENTEM o que vocês querem pro próximo capítulo ou se querem uma surpresa, falem o que eu deveria melhorar ou incrementar ou elogiem (UHULL) isso faz um bem danado! Eu gosto de escrever a história no mesmo momento em que eu me encontro, por isso pulei um tempinho aí, mas não vai atrapalhar em nada o desenvolvimento da FIC. Falando em próximo capítulo eu volto antes do ano novo, quero tentar postar pelo menos dois capítulos, não prometo nada, mas um é garantido! FELIZ NATAL E TUDO DE BOM. COMENTEM E ME DEIXEM FELIZ! Beijocas!!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.