Mine
6 Capítulo 6 - Kiss Me
Notas iniciais
– Ainda vai demorar muito? – A morena perguntou
– Não, a gente ta quase chegando. – Ela se aproximou e mordeu o lóbulo da minha orelha. – Calma gata, assim você vai me fazer bater o carro.
– Quem mandou você me provocar?!
Ela voltou a sentar corretamente no banco do carona e eu voltei a prestar atenção na estrada. Era um pouco mais que sete horas da noite de um domingo frio, e eu estava com uma quantidade de álcool no meu organismo bem considerável. Senti um peso nas minhas pernas e logo depois o meu zíper foi aberto. Olhei para baixo e vi Alexis tentando abaixar o meu jeans.
– Caralho, você ta louca? Eu to bêbado, não vou conseguir dirigir com você me chupando.
– Então para o carro Brand.- Ela falou se erguendo.
– Aqui é Detroit, e estamos no centro, ou seja, é bem possível que algum guarda encontre a gente trepando e nos faça pagar multa.
Ela ficou de joelhos no branco do carona e começou a tirar a blusa. Tentei ignorar o fato de uma gostosa estar só de sutiã do meu lado, mas para ferrar com tudo ela tirou o shorts jeans. Fodeu, porque agora tinha uma gostosa só de calcinha e sutiã do meu lado.
– Você vai pegar um resfriado Alexis, quer o meu casaco? – Falei
– Ah qual é Brandon, você virou gay agora?
– Não, eu só não quero matar a gente!
Acelerei. Eu precisava chegar em casa rápido. Porque ou nós morreríamos em um acidente, ou morreríamos de tesão! O tempo estava uma merda, então poucas pessoas estavam nas ruas, o que era bom, pois é raro Detroit, a cidade dos carros, estar sem movimento. Eu deveria estar estudando para os exames fudidos que iam começar amanha, mas ao contrário disso, eu estou dirigindo bêbado com uma gostosa se masturbando no banco do carona. Eu imagino o que meu pai diria sobre isso. Mas essa é a lei da vida, os seus pais irão te julgar e pegar no seu pé sendo que quando tinham a sua idade eles fizeram as mesmas merdas que você.
Minha visão estava pesada, e fazer movimentos rápidos com a cabeça seria o suficiente para eu perder o controle do carro. Apertei as mãos no volante e torci para que o Kenneth não estivesse em casa. Pouco tempo depois cheguei na frente do prédio. Olhei pelo estacionamento e dei graças a Deus, a vida, a todo mundo, por meu irmão não estar em casa. Um HB20 estava estacionado na vaga de Ken, mas provavelmente nosso vizinho tinha pegado a vaga dele novamente, ele ia ficar puto, mas isso eu deixo para ele resolver.
Estacionei meu carro com dificuldade, parecendo um garoto de 16 anos na primeira aula na autoescola. Peguei no porta-luvas um pacote de camisinhas que eu tinha comprado essa tarde, e ofereci meu casaco novamente para Alexis.
– Agora você aceita o casaco? – Perguntei
– Desde que você tire tudo depois... – Ela falou pegando o casaco da minha mão. Eu sorri, imaginando o que aconteceria depois.
Saímos do carro juntos. Tinha voltado a chover, e o vento estava forte pra caramba. Alexis veio para perto de mim e andamos até dentro do prédio. Meu irmão não estava em casa, eu não estava mais dirigindo, então agora eu podia fazer o que queria.
Enquanto o elevador não chegava, encostei Alexis na porta do mesmo e comecei a beija-la. Os lábios macios de encontro aos meus, a língua cheia de desejo. Ela segurava firme a minha nuca e eu passeava com as mãos pelo corpo dela. O elevador chegou pouco tempo depois. A peguei no colo, as pernas torneadas envolvendo a minha cintura, as mãos no meu rosto. Entramos no elevador, sem desgrudar as bocas, e eu estava torcendo para que nenhum imprevisto que precisasse das imagens da câmera de segurança do elevador acontecesse no prédio.
Alexis mordeu meu lábio inferior e começou a tirar minha camisa. Deixei que ela fizesse, e aproveitei que estava entre as pernas dela para subir uma das mãos, que estava espalmada na bunda dela, até o sutiã o abrindo. Separamos as bocas, para ela abrir a jaqueta e se livrar do sutiã já aberto. Eu estava levando a minha boca até os seios dela quando o elevador parou. Sai ainda a beijando e caminhei até a porta. Tive um pouco de dificuldade, mas consegui abrir a porta do apartamento sem olhar para a fechadura. Entramos, e eu empurrei o corpo de Alexis contra a porta, para fecha-la.
Fiquei beijando, e passeando com a minha língua pelo seu pescoço, enquanto ela tirava o casaco. Assim que terminou, largou seu sutiã, minha blusa e meu casaco no chão. Agora ela estava só de calcinha na minha frente, e ainda com as pernas envolvidas na minha cintura. Levei-a até o sofá (porque como o Kenneth não estava em casa, eu podia usar o sofá, e evitar andar até o ‘’quarto do sexo’’).
Deitei Alexis, e me coloquei entre as pernas dela. Levei minha boca até o seu seio esquerdo, fazendo movimentos circulares com a língua, e mordiscando de leve o mamilo. A morena gemia embaixo de mim, e enquanto ia até o outro seio, levei minha mão até a intimidade dela, e por cima da calcinha, me certifiquei de que ela estava quase pronta para mim. Comecei a abaixar a calcinha dela...
– Que merda é essa? – Ouvi uma voz conhecida. Dei um sobressalto imediatamente e Alexis gritou. Peguei duas almofadas que estavam perto de mim e dei uma para ela cobrir o que dava e a outra usei para disfarçar o volume que mesmo com a calça jeans era bem perceptível entre as minhas pernas. Me virei e me deparei com Cameron parada entre a sala e a cozinha.
– O que foi baby? – Kenneth saiu do quarto de encontro a Cameron, e parou no momento em que viu dois indivíduos seminus no sofá. – Que porra é essa Brandon?
– Calma Ken, eu ainda não cheguei na parte da porra, mas se vocês deixarem...
– Sem piadinhas! – Ele me interrompeu- Alexis, tem como você nos deixar a sós por um momento?
Ela se levantou. Os olhos azuis me encarando com aquela expressão ‘’ Eu vou te matar’’. E segurando a almofada na altura dos seios ela foi até o meu quarto.
– Ah, não queridinha. O quarto que ele usa para comer vadiazinhas é o outro. – Cameron apontou para a porta entre o meu quarto e o do Kenneth.
Alexis, como todas as outras meninas não entendeu de imediato o porquê que nós tínhamos um quarto só para sexo, mas também não revidou a provocação da Cameron. Afinal, ela devia estar com vergonha de mais já que estava cursando o mesmo curso que Cam e Ken. Então, ela caminhou até a outra porta e entrou.
– Eu não sabia que vocês estavam em casa. Não quero te assustar, mas seu carro não esta lá embaixo Ken. – Falei.
– É o carro da Cam, a gente acabou de comprar. O meu ficou lá no prédio dela, nós só viemos aqui em casa para eu trocar de roupa.
– Que bom que seus pais deixaram você comprar o carro, Cam. – Tentei mudar o foco da conversa.
– Cara, que nojo desse sofá. Quer dizer, a Alexis nem é tão mesquinha assim, podia ser aquela loira ridícula que vive pendurada em você lá na universidade, o que é bem pior. – Cameron falou ignorando meu comentário anterior.
– Você não bebeu né?!- Kenneth perguntou.
– Claro que não. Lembra do nosso trato? Nada de bebida alcoólica dias de semana e domingo. – Falei torcendo para ele não chegar perto de mim.
– Bom pelo menos isso. – Ele falou e Cameron me olhou desconfiada. – Mas onde você esteve o dia todo?
– Ken, por favor não vem bancar o irmão mais velho agora!
Me levantei do sofá, ainda com a almofada tampando a minha ereção e fui até a cozinha beber alguma coisa para disfarçar o gosto de vodka na minha boca. Passei por eles de vagar e tentando focar meu olhar em alguma coisa para que não desconfiassem da minha sobriedade.
– Ele não está querendo dar sermão nenhum Brand, mas é que a Vic deixou de ir comprar o meu carro comigo porque estava te esperando para estudar. – Cameron falou
Parei imediatamente de servir o suco no copo que eu segurava. Com tantos problemas sobre a Roda que eu tive que resolver hoje, eu acabei esquecendo completamente que tinha combinado de estudar com ela de novo, igual ontem. Merda, eu queria ter ido. Ela deve estar puta!
– Merda, esqueci! – Falei apoiando a caixa de suco na bancado junto ao copo.
– Pois é, já pode imaginar como ela ficou, né?! – Cam disse com os braços cruzados.
– Mas eu só tenho que deixar a Alexis em casa e passo lá. Droga! Não acredito que fiz isso.
– Nem adianta irmãozinho! – Kenneth falou- Ela saiu com o Josh, acho que foram jantar.
– Na casa dele! – Cam complementou com um tom sugestivo.
– Sozinhos? – Perguntei.
– O que você acha? A Vic não é do estilo que curte de três ou mais. – A loira falou em um tom divertido. Era estranho imaginar a Vic com o Josh. Fazendo o que a Cameron se referia.
Imaginar ele tocando ela, a fazendo gemer, a beijando era algo estranho. Era estranho para eu imaginar isso, eu não gostava de pensar nesses detalhes. Notei os olhos azuis de Cameron me encarando. A expressão divertida dela ajudava a disfarçar, mas não escondia o fato de ela estar reparando algo que eu não sabia o que era.
– Vamos, baby? – Ken perguntou para ela. – O filme começa daqui 20 minutos.
– Claro! Eu vou pegar minha bolsa. Cameron se afastou, deixando eu e Kenneth sozinhos. Eu encarava o copo cheio até a metade de suco de laranja, ainda imaginando o Josh comendo a Vic. Puta que pariu, só pode ser essa bebida idiota que afetou os meus pensamentos.
– Brand, escuta. Nada de usar o sofá entendeu? Quase que a minha... – Kenneth fez uma pausa que chamou minha atenção para ele de novo.
– A sua o que?
– Ainda não sei. – Ele respondeu.
– Você gosta mesmo da Cameron, né?
– Pra caramba!
– Você sabe o que eu acho sobre isso. Mas se é o que você quer resolve isso logo.
– Você acha? Não é cedo de mais? Não quero assustar ela!
– Ela gosta de você também, Ken. E se ela não quiser o máximo que vai acontecer é você receber um não.
Meu irmão assentiu e ficou me encarando. Eu e Kenneth sempre fomos o oposto um do outro. Ele sempre foi o romântico incorrigível, que curte essas coisas clichês e que ficava arrasado quando um namoro terminava. Eu nunca entendi isso. Mas a Cam é uma das primeiras namoradas dele que eu gosto, e mesmo ela não fazendo o ‘’estilo romântica’’, eu sei que ele ia propor algo sério para ela de qualquer jeito, então só dei um empurrãozinho.
– Ok, mas você entendeu né? Nada de usar o sofá. Quase que a Cameron te vê pelado. – Kenneth falou por fim.
– Daí ela ia largar de você na hora! – Brinquei.
– Idiota! – Ken falou rindo.
– Podemos ir? Eu odeio chegar atrasada no cinema. – Cameron falou se aproximando novamente.
– É claro, vamos lá! – Ken falou pegando a mão dela. – Espero não ter mais nenhuma surpresa hoje Brandon!
– É Brand use camisinha! – A loira falou caminhando até mim e me dando um beijo na bochecha.
– Digo o mesmo para vocês! – Eles riram e saíram.
Eu continuei parado no meio da cozinha. Cenas do Josh beijando a Vic não paravam de se repetir na minha cabeça. Maldita bebida. É isso que o álcool faz com as pessoas. Droga que merda, sabe quando algo que você quer esquecer simplesmente fica martelando na sua mente. Então...
Ouvi a porta do quarto abrir e logo depois Alexis apareceu na minha frente. Os cabelos negros soltos em contraste com a pele branca e os olhos azuis.
– Eles já foram? – Ela perguntou
– Sim. Me desculpa, eu não sabia que eles estavam em casa.
Ela ficou me olhando desconfiada. Tentei descobrir o motivo, mas aparentemente estava tudo certo.
– O que foi? – Perguntei.
– Você deve estar muito bêbado mesmo. Quem diria... Brandon Delano pedindo desculpas para uma garota. – Ela falou rindo.
– Ah qual é, eu não sou um monstro.
– Eu sei Brand, eu sei. Mas grande parte das garotas da universidade discorda disso.
Ignorei. Por um lado eu gostava de ser tratado assim pelas garotas, saber que já levei várias delas á loucura, é uma questão de ego masculino. Mas ser visto pelas garotas, as amigas delas, pelos atuais e ex-namorados como um monstro era algo que me irritava. Nem todas me conheciam direito e nem todas mereciam isso.
– Mas enfim. – Ela falou – Minha amiga esta vindo me buscar, eu preciso pegar o resto das minhas coisas no seu carro.
– Alexis, eu ia te levar em casa.
– Ok, mas agora eu já liguei para ela, porque você não tem fama de cara que se preocupa em levar as garotas que sai pra casa. Então...
Caminhei até o sofá e procurei entre as almofadas a chave do carro. Depois de um bom tempo, já que a minha capacidade de raciocínio estava afetada, consegui achar o bolo de chaves e o entreguei para Alexis.
– Pode ir lá pegar as suas coisas. — Falei — Você vai deixar a chave do seu carro comigo? Quem garante que eu só vou pegar o que é meu lá?
– Lamento informar, mas você não vai encontrar nada interessante por lá. Quando terminar o que você tem que fazer deixa a chave no banco do motorista. — Ela ameaçou falar algo, mas eu logo a interrompi — Ok, se você quiser pegar o carro pra você pegue, eu só estou com uma puta dor de cabeça e quero ficar sozinho, então...
– Bom, como o senhor quiser. Nos vemos amanha Brandon! — A morena sorriu para mim, pegou o resto de sua roupa que estava no chão e saiu do apartamento.
Eu sentia a minha cabeça latejar, e um embrulho no estômago estava começando a se formar. Fui para o meu quarto e me joguei de bruços na cama. Todos os músculos do meu corpo doíam, era como se um caminhão tivesse passado sobre mim. Eu estava cheio de problemas que envolviam o Kenneth, mas aquela não era a hora de resolver nada com ele. Hoje o dia não tinha sido nada fácil, e para melhorar eu esqueci de estudar com a Vic. Eu fico puto porque eu queria ter ido, ter ficado com ela. A Vic podia ser certinha, mas não era tedioso estar com ela. Ela é inteligente, faz bons comentários sobre as coisas mais banais e torna as coisas mais simples interessantes. E o melhor de tudo é o que eu sinto perto dela. Eu nunca sei o que a Vic pensa, o que ela acha. Ela não é igual a todas as garotas. Ela não é previsível, ela não gosta de falar de si mesma e nem de chamar atenção. E quanto mais eu descubro sobre ela, mais eu quero saber. E eu não sei porque, ou melhor eu não sei se esse enjoo é por causa da bebida ou por imaginar o Josh com a Victoria.
Puta merda, isso é estranho. Eu estou me sentindo estranho. Na verdade eu estou assim desde que a Vic apareceu. No primeiro momento ela mostrou que não era igual, que não era mais uma. Puta que pariu! Olha o que eu estou pensando. Voltei para sala e depois que achei meu celular me sentei no sofá. Eu tinha recebido 5 chamadas e mais de 12 mensagens. Uma chamada perdida era da Rose, e o resto da Vic. As mensagens eram praticamente todas dela também.
"Brandon onde você ta”?”“ Eu não acredito que você não vai vir!”“ Seu idiota!’’“É melhor você chegar aqui em cinco minutos, porque hoje é domingo e ao invés de ficar na cama o dia todo eu me arrumei pra te esperar”.
Essas eram algumas das mensagens que a Vic mandou. Caralho, agora ela ta puta comigo e o idiota do Josh deve estar no meio das pernas dela. Decidi mandar uma mensagem para ela, pedindo desculpas por não ter ido lá.
Cinco, dez, quinze minutos depois ela não tinha respondido. Eu sabia que ela provavelmente não tinha respondido por que devia estar fazendo certas coisas que eu odeio imaginar, mas prefiro acreditar que a bateria acabou. Ou ela simplesmente não respondeu por que esta com raiva de mim.
Peguei minha carteira e fiquei uns três minutos procurando a chave do carro, até me lembrar de que eu a dei para Alexis. Sai do apartamento e decidi descer pelas escadas, afinal era apenas um lance de degraus e eu não estava acompanhado de ninguém. Cheguei lá fora e vi meu carro, confesso que eu fiquei com medo da Alexis ficar brava comigo e fazer alguma coisa com ele... Nunca devemos duvidar de uma mulher com raiva. Mas aparentemente estava tudo ok.
Entrei no carro e meu casaco estava no banco do carona junto com a chave. Dei partida no carro e comecei a dirigir para algum lugar que me distraísse e me fizesse parar de pensar merda. O tempo ainda estava chuvoso, mas minha visão estava menos embaçada, provavelmente eu estava ficando sóbrio.
Dirigi até o centro da cidade. Os grandes prédios, os galpões, as casas antigas, as galerias e as luzes. Detroit era de mais. Ao mesmo tempo que era um centro urbano, conseguia ser um lugar calmo (as vezes). Talvez fosse por isso que eu e Kenneth decidimos vir para cá. A gente sempre gostou das festas calorosas e das luzes de NY, mas as buzinas, as pessoas se empurrando nas calçadas, o contraste social, tudo isso foi enchendo o saco. Mas mesmo assim às vezes a saudade batia.
Continuei dirigindo ate chegar em um mercado de esquina. Estacionei o carro e entrei no estabelecimento. Peguei alguns chocolates e uma garrafa de whisky, paguei tudo, enquanto a atendente me encarava. É eu sei, modesta parte, todas ficam mexidas comigo. É exatamente disso que eu estou falando. Provavelmente a moça estava pensando se eu tinha namorada, se ela tinha chance, onde eu morava e etc. É isso que a maioria pensa. Mas quando o assunto é a Vic, eu não faço ideia. Eu nunca sei o que ela aprova ou o que ela quer. Ela não se entrega. Mas eu queria que ela se entregasse, eu nunca quis saber tanto de uma garota como agora.
Voltei para o carro, e comecei a dirigir, agora, em direção ao apartamento. Eram quase nove horas da noite, provavelmente a Vic já estava em casa. Não custava ir pedir desculpas pessoalmente. Segui até o apartamento das meninas e quando cheguei não vi o carro do Josh. Sai do meu carro e fui interfonar para ela.
Depois de três tentativas, voltei para o carro constatando que ela ainda não estava em casa. Pelo visto o encontro romântico dela e do Josh estava sendo bom. Abri a garrafa de uísque e comecei a beber. Alguns goles depois a minha visão voltou a ficar embaçada. Então comi um chocolate. E repeti esse processo pelo menos umas três vezes, mas o açúcar não quebrava o efeito do álcool por completo, mas mesmo assim não parei de beber. Eu não sabia direito o que estava fazendo ali. Quer dizer, eu estava esperando a Vic, mas não sei exatamente para que. Talvez para constatar que ela tinha dormido em casa... Como se isso fosse mudar algo.
Meus olhos estavam começando a se fechar e minha cabeça latejava. Tomei mais um gole e apoiei a cabeça no vidro da janela. Cinco minutos depois um carro estacionou atrás de mim. O farol estava aceso o que me impedia de enxergar a cor do carro. Achei que podia ser a Vic, mas um tempo passou e ninguém saiu de lá.
Já estava ficando tarde e provavelmente ela ia dormir na casa do Josh. Então, decidi ir pra casa. Dei partida, fiz a volta e passei ao lado do outro carro. Foi ai que eu consegui reconhecer o carro... Do Josh. Parei meu carro um pouco atrás do dele. Me perguntei o que será que estava acontecendo para eles demorarem esse tempo todo. Sai do meu carro, e caminhei pela parte que o farol do carro não iluminava.
Cheguei perto do carro preto do Josh e vi Vic sentada no colo dele. Mas era aquela posição nada inocente. A famosa "cavalgada". As mãos dele percorriam o corpo dela e as bocas dos dois não se desgrudavam. Minha visão estava uma merda novamente, então eu não consegui ver muito mais. Mas puta que pariu, eu não acredito que estou aqui parado vendo essa cena. Eu não estava mais pensando direito, afinal, tinha bebido metade da garrafa de whisky.
Fui até a janela do carro. Eles não me notaram. Eu pensei em sair dali, mas quando vi a língua dele no pescoço dela... Dei três batidas na janela do carro. Os dois olharam imediatamente. Victoria me olhou ainda incrédula. Mas mesmo assim ela ainda continuava em cima do pau dele.
–Brandon, o que você ta fazendo aqui? -Josh perguntou.
–Vic você pode sair de cima dele? Eu quero falar com você!
Ela me olhou como se estivesse esquecido desse pequeno detalhe e com cuidado foi para o banco do carona.
–Vai embora Brand, amanha a gente conversa!
– Você quer que eu vá embora porque? Ah é mesmo você quer continuar a trepar com esse idiota! — Gritei.
– Brandon se acalma você ta berrando! — Vic falou com uma expressão preocupada.
– Vai se fuder! Você não estava se esfregando com calma nesse otário!
–O que? -Ela gritou- Vai embora daqui agora Brandon!
– Eu já estou aguentando as suas provocações a tempo Delano! -Josh falou. Ele abriu a porta do carro e logo em seguida a bateu com força. Não entendi de imediato o que ele pretendia. Mas quando Vic saiu do carro pedindo para ele se acalmar eu entendi.
– Decidiu bancar o homem agora, Josh? –Provoquei
– Você não tem ideia da raiva que eu estou de você Brandon!
–Ah, só porque eu atrapalhei as preliminares de vocês?
– Parem vocês dois! Daqui a pouco algum vizinho vai reclamar. — Victoria alertou.
– Faz um favor Vic? Cala a boca que depois eu te como do banco da frente também! — Gritei para ela. Os olhos escuros perderam o brilho e a boca dela se abriu. A vendo daquele jeito, ofendida, percebi o que eu tinha acabado de falar. Puta merda, puta bebida!
– Amor desculpa não foi isso que... — Estava me desculpando quando senti uma pancada do lado direito do meu rosto. Perdi o equilíbrio. Meu rosto estava ardendo.
– Ai meu Deus. Josh para! -Ouvi VIc gritar. Olhei para cima e vi Josh caminhando até mim, que estava no chão perto dos pés da Vic. Meu corpo estava afetado pela bebida, e mesmo eu vendo tudo em câmera lenta, eu ia matar esse escroto.
– E agora, quem é o homem aqui? — Josh falou me olhando de cima. Ri alto e me levantei.
– Eu vou te mostrar! — Falei
Fechei o punho e acertei um soco no rosto de Josh. Ele cambaleou e veio para cima de mim. Coloquei toda a minha força nos meus braços e acertei o rosto e a cabeça dele com vários socos. Ele me chutou, fazendo com que eu me afastasse. Voltei para perto dele e o dei um soco no nariz, que sangrou na hora.
– Parem. Vocês estão loucos?! — Vic gritou
Josh caiu no chão com a mão no rosto. Chutei as bolas dele o fazendo gritar. Aproveitei que ele estava no chão e comecei a chutar todo o corpo dele.
– Ta bom pra você Josh? Ou prefere que eu explique pra Vic porque que nos temos tanta raiva um do outro?
Josh olhou imediatamente para Vic que olhou para mim.
– Do que vocês estão falando? — Ela perguntou
–Eu vou te matar Delano! — Josh falou se levantando, mas Vic veio para o meio de nos dois.
–Não! Vai embora Josh. Vocês já deram um show hoje! — Ela falou
– Você esta me mandando embora pra ficar com esse cara? — Ele berrou apontando para mim.
– Os dois irão embora, eu só quero ficar sozinha.
Josh me encarou e depois se virou entrando no carro. Ele bateu a porta e deu partida. Olhei para Vic do meu lado. Ela estava com um vestido preto justo que evidenciava o quanto ela era linda. Depois que Josh saiu da nossa vista, ela olhou para mim. Aqueles olhos profundos. Aquela escuridão que eu queria mergulhar sem medo.
–Amor, me desculpa por não ter vindo hoje a tarde! — Falei chegando perto dela.
– Caramba, você acabou de espancar o meu namorado e quer que eu me preocupe com o fato de você me deixar na mão. Isso não é mais nada.
– Ele que começou amor, você viu!
– Há pouco tempo atrás você estava me chamando de vagabunda, e agora de amor? Vai se ferrar Brandon!
– Desculpa, eu não sei o que deu em mim.
Vic cruzou os braços na altura do peito, e me encarou. Caramba, como ela era linda. E como eu era um idiota. Cheguei mais perto dela. Encostei minha mão no seu braço, mas ela se esquivou.
– Você bebeu não é? É claro que sim eu consigo sentir o cheiro daqui.
– Eu sei que sou um idiota amor. Mas me desculpa? — Levei minha mão até o rosto dela, mas ela a afastou imediatamente. — Ok Vic, eu vou embora!
Me virei tentando caminhar sem cambalear até o carro. Eu estava puto pra caralho comigo mesmo. E com o Josh...
–Não! -Ouvi Vic falar e me virei- Não, eu não vou deixar você dirigir bêbado. Vem vamos entrar, esta frio.
–Eu não quero te incomodar mais Vic.
– Brandon, cala a boca e entra!
Ela caminhou ate mim e pegou minha mão. O toque delicado, a pele quente. Se só a presença dela já me deixava diferente, imagine o toque...
–Vem?! — A morena perguntou. Assenti e caminhamos ate o prédio.
Logo entramos no elevador e Vic soltou minha mão. Eu estava com medo de ela ainda estar brava comigo. Se bem que se ela estivesse, ela teria razão.
– Amor você me desculpa? — Perguntei tocando o rosto dela o virando para mim. Ela me olhou de cima a baixo e depois parou o olhar no meu. E por fim, ela sorriu. E puta merda, aquele sorriso era capaz de me matar, e não me pergunte por quê.
– Eu não consigo ficar brava com você, Brand. — Ela disse me fazendo relaxar — Mas sem duvidas vou jogar isso na sua cara nas nossas discussões futuras.
– Eu to culpado pra caramba. Eu não devia ter falado com você daquele jeito. Mas é que eu vi você e o Josh quase, quase... — Hesitei, eu não gostava de pensar no que eles poderiam fazer- Enfim, eu não sei o que deu em mim.
Vic só assentiu com a cabeça, mas não falou nada. Viu, é isso que acaba comigo. Eu nunca sei o que assa pela cabeça dela. As portas do elevador se abriram e eu segui Victoria até o apartamento dela.
A cozinha americana organizada, assim como o resto da casa pelo o que eu podia ver. Bem diferente do meu apartamento e do Ken. Ontem eu ela tínhamos estudado juntos na biblioteca da universidade. Então esta era a primeira vez que voltava aqui depois de ajudar as meninas com a mudança. E estava bem diferente.
– Ficou lindo o apartamento — Falei e Vic sorriu em agradecimento.
– Vem aqui. — Ela falou indicando uma das cadeiras da bancada da cozinha.
Me sentei, e logo depois Vic se aproximou de mim com um pacote de ervilhas congeladas.
– Não precisa amor. Você deveria estar cuidando do escroto que você chama de namorado. Ele ficou bem pior.
– Mas agora eu estou aqui. Com você. E se você não colocar alguma coisa gelada ai, amanha vai estar horrível.
Ela ficou em pé na minha frente e levou o pacote até perto do meu olho direito. Fiz uma careta quando o pacote encostou-se à região machucada.
– O que você veio fazer aqui? — Ela perguntou.
– Eu não sei.
– Como assim você não sabe?
– Eu tive que resolver uns problemas sobre a Roda essa tarde, e acabei esquecendo que tínhamos combinado de estudar hoje também. E dai quando eu cheguei em casa a Cameron falou que você tinha ido para o apartamento do Josh, e que iam ficar sozinhos, dai eu imaginei tudo o que vocês podiam fazer. Então eu decidi vir aqui, ver se você estava em casa e pedir desculpas. E eu acabei presenciando aquilo...
– A Cameron falou isso? — Assenti — E você acreditou? — Vic falou com um tom divertido.
– Você não foi pra casa dele? — Ela negou com a cabeça. — Então vocês não transaram?
–Claro que não! — Ela riu e falou.
– Mas iam...
– Brand, eu e o Josh namoramos a um bom tempo, não tem nada de mais em eu beijar meu namorado. — Ok, aquilo não era só um beijo, mas é melhor eu não falar nada — Mas se você quer saber, eu não iria fazer nada com ele.
Sorri. Não sei se ela não iria mesmo, mas só de pensar que pelo menos hoje ele não teve ela na cama dele, eu já ficava melhor. Maldita Cameron. Mas, porque ela fez isso?
– Mas ainda não entendi porque você ligou para o que a Cam disse. — Vic falou tirando as ervilhas do meu olho.
– Nem eu. — Falei rindo.
– Mas porque você e o Josh se odeiam tanto? Aquela raiva toda não foi só por causa das provocações de hoje, né?
– Ele mereceu. Eu devia ter feito isso bem antes!
– Mas por quê?
– Eu não quero falar sobre ele, amor! Mas você deveria saber que ele não é o príncipe que você pensa.
– E quem disse que eu penso isso? — Ela falou e eu sorri. Vic colocou a mão de leve na parte machucada do meu rosto e acariciou. Era como se o toque dela me fizesse perder o equilíbrio, perder a razão. Ela olhou nos meus olhos, como se pudesse enxergar dentro de mim e sorriu. Eu a queria tanto e eu não sabia por quê. Eu ainda não sabia... Ela segurou meu rosto com as duas mãos e beijou minha bochecha.
– Quer beber alguma coisa? — Perguntou. Eu não respondi nada porque eu não entendia mais nada. Era como se eu precisasse dela, era como se faltasse algo em mim desde o dia que eu a beijei na festa. Victoria se afastou dando a volta no balcão em direção à geladeira. Eu já tinha feito muita merda hoje, e eu não sabia o que ela ia achar do que eu queria fazer, na verdade eu nunca sei de nada quando o assunto é ela. Mas eu precisava fazer isso. Me levantei e caminhei até Vic, que estava de costas para mim.
– Amor... — A chamei encostando minha mão no seu ombro a fazendo virar.
Assim que os meus olhos encontraram os dela eu não tive mais duvidas do que queria. Cheguei perto dela, ao ponto do seu peito encostar-se ao meu. Vic deu um passo para trás, mas encostou no balcão da cozinha. Avancei para frente acabando com o espaço entre nós. Envolvi o rosto dela com as mãos e encostei minha testa na dela. Esperei qualquer tipo de protesto contra o que eu estava fazendo, mas ela simplesmente continuou a olhar para mim, sem dizer nada. Eu sentia a respiração dela no meu rosto e ela devia sentir a minha. Meu coração estava acelerado, eu estava ansioso. Corri meu olhar por todo o rosto dela e parei na boca. Os lábios rosados, que eu quis beijar desde o primeiro dia que a vi. Foi ai que ela protestou. Tirou minhas mãos do seu rosto e passou por mim indo até a sala.
– Brandon o que você esta fazendo? — Ela perguntou enquanto eu ia atrás dela.
– Quer que eu te mostre?
– Brand, você esta bêbado.
– Agora nem tanto. Mas pra você ver... Eu te quero bêbado e sóbrio.
– Você o que? — Ela perguntou andando para trás conforme eu ia avançando até ela.
– Eu te quero Vic.
Coloquei minhas mãos no seu ombro e a empurrei até a parede mais próxima. Meus braços estavam um de cada lado do corpo dela. A morena ate tentou se esquivar e sair dali, mas eu não deixei. Empurrei o corpo dela com o meu, a deixando completamente encostada na parede. E deixando o corpo dela completamente encostado no meu. Eu sentia o perfume doce dela, e via nos seus olhos que ela também me queria, só não achava certo admitir. Abaixei a cabeça levando meus lábios de encontro aos dela. Mas Vic colocou uma mão no meu peito me empurrando.
– Brand, lembra na festa de sexta? Você disse que só ia me beijar quando eu quisesse!
– Eu sei. Por isso eu vou te beijar agora!
– Mas, eu...
– Não fala mais nada amor. — Falei colocando meu dedo indicador sobre os lábios dela.
Segurei cada lado do rosto dela. Eu podia sentir sua respiração acelerada. Rocei meus lábios nos dela, a fazendo estremecer.
– Agora fala que não quer me beijar! — Falei. E conforme as palavras saiam da minha boca nossos lábios se encostavam mais.
O olhar de Vic também parou nos meus lábios. As mãos dela foram subindo pelo meu peito, até chegar ao meu pescoço. Ela ergueu a cabeça alcançando minha boca. Eu sorri e a beijei. Senti a mesma coisa que no dia da festa, aquela coisa que eu não sabia o que era. Mas dessa vez eu não ia deixar ser só um selinho. Movi meus lábios e ela fez o mesmo. Nesse momento eu senti um desejo que me fez estremecer. Quando nossas línguas se encostaram, Vic apertou minha nuca me trazendo para mais perto dela. Nossas bocas se encaixavam e se movimentavam da melhor forma possível. Enquanto uma mão minha continuava no rosto dela, escorreguei a outra ate a cintura dela a puxando para mim. Vic mordeu meu lábio inferior e sorriu. Agora sim ela fez uma bagunça completa em mim. O melhor sorriso depois do melhor beijo... Ela ia me enlouquecer! Depositei vários beijos pelo pescoço dela observando- a se arrepiar. Ela levou as mãos ate o meu rosto o erguendo. Olhou fundo nos meus olhos e me beijou novamente. Eu nunca ia cansar de beijar ela.
Agora o beijo era mais feroz, mais cheio de desejo. As mãos dela passeavam pelo meu abdômen, enquanto as minhas a envolvia pela cintura. A boca dela desceu até o meu pescoço, mordendo e chupando de leve. Meu corpo todo reagia, eu nunca quis tanto uma garota.
– O que você esta fazendo comigo, amor? — Perguntei.
– Eu ia perguntar o mesmo! — Ela falou olhando para mim e sorrindo.
A beijei de novo, antes que ela mudasse de humor. Porque ela era imprevisível e nem eu tinha noção do tanto que queria permanecer ali, com ela! Vic encostou levemente no meu olho machucado, e se afastou. Provavelmente lembrando-se do Josh.
– Acho melhor você ir embora — Ela falou saindo de perto de mim.
– Porra Vic, não faz isso. Você não vai ficar estranha comigo de novo, né?
– Só vai embora Brandon! — Ela disse sem me olhar.
Eu queria protestar, falar o quanto idiota ela era por enganar a si mesma. Mas vê-la brigando comigo ia ser muito ruim.
– Você que sabe! — Falei me virando. Sai do apartamento sem olhar novamente para Vic, e bati a porta.
Cheguei ao corredor e chamei o elevador. Eu estava muito puto, ela era a única garota que conseguia me fazer chegar no céu e no inferno tão rápido. Assim que o elevador chegou, a porta do apartamento se abriu.
– Brand espera! — Vic falou. Quando eu percebi um sorriso bobo se formava no meu rosto. Ela veio caminhando até mim e eu não cansava de olhar pra ela.
– Qual o seu problema? — Perguntei.
– Você! — Ela respondeu ficando na ponta do pé e me beijando.
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