Mind Games (interativa)
8 Capítulo 8 - O Instituto
Notas iniciais
John se levantou tarde no dia seguinte. Não havia motivos para se animar hoje. Ele estava de partida. O relógio na cabeceira da cama indicava 12h48min. Vagarosamente ele se levanta, passa a mão pela testa e vai para o banheiro. A água fria o ajudou a despertar.
– Jonathan, você acordou? — Pergunta Emma lá debaixo.
– Já, mãe.
– Arrume o que conseguir, Illyana estará aqui a qualquer momento.
– Ok, mãe! — Ele sai do banheiro e se veste. Ele abre o guarda-roupa e começa a atirar roupas na cama. Ele põe a mão no bolso de uma de suas calças jeans e retira um pequeno papel. Um ingresso de cinema. Ele encara o pedaço de papel por um segundo, antes de dobrá-lo delicadamente e pô-lo no próprio bolso. Ele guarda o resto de suas coisas, e sai pela porta do quarto. Depara-se com uma poça de água do que fora sua "revolta" da noite passada. Com um breve movimento de cabeça, a água volta para o cano que saía da parede, congelando-se ao final do procedimento.
Ele caminha á lentos passos em direção às escadas. Com o barulho de um sonoro baque, ele apressa os passos. Depara-se com a mulher alta de cabelos longos e lisos.
– Jonathan! Bom dia. — Diz Magik/Illyana.
– Dia. — Ele dá um sorriso apagado. — Tia Betty, Mindee, Sophie e Phoebe estão aqui?
– Estão no escritório com sua mãe. — Ela o olha gentilmente. — Você não me parece muito bem.
– É uma história complicada. — Diz ele. — E dolorosa.
– Temos tempo. — Diz ela. — Diga-me o que aconteceu.
– Eu sinceramente não quero falar sobre isso. — Ele se senta no sofá, ela o acompanha.
– Vamos lá... Não me faça pendurar você de cabeça para baixo no Limbo, cercado de demônios. — Diz ela, ele consegue exprimir um sorriso sincero.
– Aquele foi um bom Natal. — Comenta. — Mas fica para depois, pode ser? Quando chegarmos no Instituto...
– Hum... — Ela cruza os braços. — Não vai me contar, não é? Bem, pela sua cara eu diria... Dor de cotovelo.
Ele olha para ela, calado. Ela interpreta isso como um "sim".
– Diga. — Pede ela. Ele faz que não com a cabeça. — Então me mostre.
Ele respira fundo, põe o dedo médio e o indicador sobre a têmpora esquerda. Ele fecha os olhos e projeta a memória dos acontecimentos de ontem na mente de Illyana. Ao decorrer de alguns segundos ele abre os olhos novamente, e a encara nos olhos.
– John... — Ela põe a mão em seu ombro. — Eu sinto muito.
– É... — Ele revira os olhos. — Não há nada que eu possa fazer agora.
– Tem sim. — Diz ela. — Você tem que vê-la de novo.
– E me magoar mais ainda por ela não me reconhecer? Ou pior, se ela se lembrar de mim e eu tiver de olhar naqueles incríveis olhos castanhos e... — Ele engole em seco. — Fazê-la se esquecer de mim novamente?
– Não. — Ela o encara. — Você tem que fazer isso para parar de se martirizar tanto! Onde ela está agora?
– Nesse horário? Na igreja. — Ela segura sua mão, e os teleporta antes que ele pudesse impedi-la. — O quê?!
– Você vai me agradecer depois. — Diz ela, ao "aterrissarem" atrás da pequena igreja. — Vamos.
– Mas... — Ela o puxa pelo braço até a frente da igreja. Jonathan agradeceu mentalmente por ela não estar com o uniforme dos X-Men.
– Lá está ela. — Diz Illyana, mas John já a havia visto. Estava sorrindo, radiante, em um comportado vestido vermelho. Ela e a mãe iam entrar na igreja. — Vai lá! — Ela o empurra e ele tropeça, esbarrando acidentalmente em Carrie.
– Desculpe! — Pede ele, se endireitando. Ela sorri para ele, curiosa, e o encara.
– Tudo bem. — Ele tenta não olhar em seus olhos, e ela constantemente tentava encontrá-los. — Eu te conheço de algum lugar... Da escola talvez?
– Acho pouco provável. — A voz dele sai seca, ele sorri tristemente. — Estou só de passagem.
– Anh... — A mãe dela a chama. — Eu tenho que ir. Foi um prazer.
– Igualmente. — Ela sorri e dá meia volta. Ele encara Illyana, furioso. Ela o encara de volta com uma expressão de indiferença. — Satisfeita?
– Você está? — Ela põe a mão em seu ombro e os teleporta novamente.
– Não. — Diz, sentando-se novamente no sofá.
– Você realmente é difícil de agradar. — Ela bufa. — Ao menos ela parecia feliz.
– Tive um cuidado especial nisso. — Confessa.
– Em quê? — Pergunta Psylocke ao entrar na sala, seguida das Stepford e de Emma.
– Longa história. — Diz Magik, lançando uma piscadela para John em sinal de que o que havia acontecido ficaria entre os dois.
– Bem. — Emma se põe à frente. — Acabamos nos apagar das memórias de cada um dos habitantes daqui. Ao menos as dos que nos conheciam. Pode nos levar de volta, Illyana.
– Com prazer. — Ela se levanta. — Peguem suas coisas.
John põe o violão nas costas e segura firmemente em sua bagagem. Emma pega sua mala e coloca uma bolsa no ombro. Ela leva a mão à cabeça e vai até a mesa de café. Ela pega os porta-retratos, encara Illyana e faz um sinal positivo com a cabeça.
– Ok... — Ela espera Emma voltar para o pequeno círculo que havia se formado. — Lá vamos nós.
***
De repente estavam em um corredor deserto. Um grande tapete se estendia por todo ele. E havia algumas mesas com arranjos florais decorando o ambiente. A luz forte do sol adentrava pelas janelas que iam quase do chão ao teto.
– Os estudantes estão em aula, creio eu. — Diz Psylocke. As irmãs Stepford rapidamente seguem pelo lado direito do corredor. — Vou levá-los aos seus aposentos.
– São os mesmos de antes? — Pergunta John, Psylocke e Illyana os levaram pelo lado esquerdo do corredor.
– Sim e não. — Diz Illyana. — Você não é mais um garotinho de dez anos. Vai ficar em um quarto separado de sua mãe.
– Que fica no mesmo corredor do dela. — Acrescenta Psylocke ao perceber a reação de Emma, que se tranquiliza após sua fala.
– Quem ainda está aqui? — Pergunta Emma. — Digo, dos X-Men?
– Illyana e eu. — Diz Psylocke. — Kitty e Bobby. Ororo está passando muito tempo em Wakanda, mas vem nos visitar regularmente. O irmão de Illyana, Colossus.
– Logan passa por aqui de vez em quando. — Continua Illyana. — Warren anda trabalhando bastante. Hank deve estar na biblioteca. Vampira deve estar por aí com Gambit.
– Alguma notícia de Erik? — Pergunta Emma.
– Ele tem mantido contato. — Confessa Psylocke. — A Irmandade fez uma trégua conosco devido á provável guerra que virá.
– E Fury? — Pergunta John.
– Igualmente. — Responde Illyana. — A S.H.I.E.L.D vêm sido de grande ajuda.
– Pelo jeito essa guerra vai mesmo estourar. — Diz Emma, tristemente.
– Não se pode tardar o inevitável. — John coça o nariz, irritado. — Já lhe disse isso.
– E eu não quero repetir a nossa conversa novamente, obrigada. — Diz ela. — Mas meus argumentos continuam os mesmos. — Ela bufa. — Tenho que admitir que senti saudades de Nova York. Já chega de cidades pequenas.
– Qual é o próximo passo? — Pergunta John.
– Tenho uma breve ideia. — Diz ela. — Psylocke, contate todo o lado branco do Hellfire Club, principalmente Magneto e a Irmandade. E também todos os X-Men do lado negro que estejam dispostos a nos ajudar.
– Devo ligar para Stark? — Pergunta ela.
– Por que não? — Ela ri. — Talvez Tony seja útil. Não o vejo dentro ou fora do clube há anos.
– Como se um bilionário filantropo fosse útil para nós nesse momento. — Diz Illyana, claramente irritada.
– Você se esqueceu de "playboy". — Ironiza John.
– Já temos nossos objetivos traçados, agora só nos resta executá-los. — Diz Psylocke. — Você deveria falar com Kitty sobre essa reunião, afinal ela é a diretora.
– Sim. Acho que farei isso.
– Illyana, leve John ao seu quarto. — Pede Psylocke.
– E minha bagagem também, se puder. — Pede Emma, educadamente. Illyana revira os olhos conforme elas atravessam por uma porta em direção á diretoria.
– Nem morta que eu vou carregar isso. — Com um aceno de mão, a bagagem some por um portal.
– Aonde você mandou? — Pergunta John.
– Para a banheira do quarto de sua mãe. — Diz ela. John sorri, mas lhe lança um olhar de desapontamento. — O quê? Teve sorte de eu não tê-las mandado para o Limbo. E segure suas coisas, vamos encurtar o caminho.
Em um piscar de olhos, eles estavam em um outro corredor. Illyana abre uma porta e faz sinal para que John entre. Era um quarto simples, como o de qualquer outro estudante. Mas incluía um frigobar e um banheiro privativo.
– Posso me acostumar com isso. — Diz ele, experimentando a cama.
– E Carrie?
– Não sei. — Confessa. — Vou esperar essa guerra acabar. E a partir daí... Eu não sei o que eu faço.
– Volte e devolva-lhe suas lembranças. — Ela se senta na beirada da cama. — Se você realmente gosta dessa garota e ela gosta de você, ou ao menos gostava, não pode desistir dela.
– Quem diria que você tem um coração. — Diz ele, tristemente.
– Quem diria que você achava que eu não tinha um. — Diz ela, levemente indignada. — O que eu disse não deixa de estar correto. O que você fez foi certo devido às circunstâncias. Por mim vocês nunca teriam saído daqui.
– Chegamos aqui quando meu pai morreu, ficamos por dois anos. De lá fomos para o Tennessee, daí para New Orleans, depois para Salem, algumas cidades pequenas, daí Winchester e finalmente para Chamberlain.
– Eu nunca entendi o porquê de Emma ter decidido ir para Winchester. — Diz ela. — Tudo bem que ela queira fugir, mas atravessar um continente?
– Bom, respirar o ar britânico fez muito bem para mim. — Defende ele.
– Eu literalmente posso ir para qualquer canto do globo. — Ela dá de ombros. — Não sei o que todos vocês vêem de diferente.
– Um dia eu vou rodar pelo globo. E realmente conhecer os lugares em que eu passar. Conhecer as pessoas. Viver. — Ele respira fundo. — Só posso me apegar a esse sonho agora.
– É um belo sonho. — Ela sorri. — Mas você pode riscar o "viver" de sua lista, pois você já está vivo.
– Mas não estou vivendo! — Ele franze o cenho. — Você entendeu o que eu quis dizer.
– Claro. — Ela se levanta. — Tenho que ir agora. Sinta-se em casa.
– Até logo. — Ela sai do quarto. John desfaz a mala e põe suas coisas no lugar. Ao terminar ele se deita na cama, e lentamente pega no sono.
***
– John? — Ele acorda com o barulho de batidas na porta. — Você está aí?
– Pode entrar. — Diz ele, sonolento. A porta se abre, e um vulto de cabelos castanhos literalmente pula em cima dele.
– Helena! — Ele a abraça. Ela se separa dele, enquanto um garoto de cabelos platinados lentamente entrava no quarto.
– O que aconteceu com o calmo e sutil reencontro? — Pergunta ele, sarcasticamente. — E aí John?
– Daryl. — Ele o abraça. — Céus! Eu não vejo vocês já devem fazer uns cinco anos.
– Sim. — Daryl sorri. — Você não mudou nada.
– Você também não. — Responde John. — A não ser que tenha largado o hábito de ser um arrogante sabe-tudo.
– Ele não largou, isso eu posso garantir. — Diz Helena à contragosto de Daryl, que torce a cara. — Onde você esteve?
– Em todo o lugar. — Responde ele. — Minha parada mais recente foi em Chamberlain.
– Como foi lá? — Pergunta Daryl.
– Interessante. — Diz ele, tristemente. Helena o encara, como se percebesse algo de errado. — Vamos lá, Lena... Não me olhe desse jeito.
– Algo aconteceu, não foi? — Pergunta ela.
– Pode se dizer que sim...
– Pode falar conosco, se quiser. — Diz Daryl, pondo a mão em seu ombro. — Mas entenderemos se...
– Claro que eu vou falar para vocês. — Ele sorri. — Ainda são meus melhores amigos.
– Claro que somos... — Helena sorri. — Mas não nos deixe esperando! Fale o que aconteceu!
– Lena... — Daryl a repreende. — O deixe respirar um pouco. Ele acabou de chegar.
John encara os olhos cor de âmbar de Daryl, em agradecimento. A dor dos acontecimentos recentes ainda estava estampada em seu rosto. Mas ele a disfarça com uma pergunta.
– Então, o que aconteceu desde que eu saí?
– Bem... — Helena pisca seus brilhantes olhos azuis. — O corpo letivo do Instituto permanece o mesmo. O simulador de combates está bem melhor.
– O Instituto vem recebendo mais jovens mutantes a cada ano. — Acrescenta Daryl. — A S.H.I.E.L.D têm recrutado muitos dos formandos.
– Falando nisso, Nova York só foi quase destruída cinco vezes desde que você partiu. — Diz Helena.
– Eu acompanhei pela televisão. — Diz John. — Vocês ajudaram numa das vezes, não? Tenho certeza que a selva que cresceu na Times Square tem seu dedo no meio, Lena.
– Culpada. — Ela ri. — Ajudamos na última vez. Nós somos quase que oficialmente parte dos X-Men.
– Isso é ótimo. — Parabeniza John.
– Você sabe por quanto tempo vai ficar? — Pergunta Daryl.
– Tempo o bastante para causarmos alguns problemas juntos. — Ele ri. — Como nos velhos tempos.
– Bom saber disso. — Daryl sorri. — Bem, que tal ir treinar conosco amanhã?
– No simulador? — Pergunta John, Daryl e Helena confirmam com a cabeça. — Claro que sim!
– Amanhã ao meio dia. — Diz Helena. — Temos que ir agora. Sabe como é o toque de recolher... — Ela o abraça novamente. — Boa noite.
– Boa noite. — Ela sai seguida de Daryl, que se despede com um aceno de cabeça e uma batida nas costas.
Depois de os dois saírem, John permaneceu acordado por algumas horas. Em parte porque estava sem sono. E porque parte dele temia e ao mesmo tempo ansiava para que tudo o que tinha acontecido hoje tivesse sido nada mais do que um sonho.
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