Está de dia. O grupo está andando em seus Makais, ainda pelo campo.

"Vai demorar muito ?" — Pergunta Kaito, reclamando. "Eu achei que faltava pouco."

"É !" — Diz Cirius.

"E falta. De fato, daqui a pouco, vamos poder ver…" — Diz Èris.

Uma grande estátua de uma mulher segurando um jarro pode ser vista. Há uma água esverdeada saindo do jarro. Essa água está em volta da mulher, como um véu. Também há tubos dessa água esverdeada cruzando os céus da cidade.

"Nossa..." — Diz Cirius, encarando a estátua. "O que é aquilo ?"

"Aquele é o reino de Urizen." — Diz Èris. "A famosa Capital da Água."

"Isso tá na cara." — Diz Kaito.

"Que maneiro !" — Diz Cirius. "Mal posso esperar pra chegar lá !"

Algum tempo depois. O grupo passa por um portão, entrando na cidade. Depois, eles descem de seus Makais. Há várias pessoas caminhando.

"Finalmente !" — Diz Cirius.

Èris põe a mão em seu queixo e murmura. "Que coisa esquisita…"

"Disse alguma coisa ?" — Pergunta Kaito.

"Nada. É só mais uma das minhas sensações esquisitas mesmo." — Diz Èris.

"Saquei. Bom, eu vou levar eles pra um estábulo." — Diz Kaito.

"Eu vou com você." — Diz Cirius.

"Nesse caso, vamos todos." — Diz Èris.

Algum tempo de caminhada depois. Eles chegam em um grande estábulo. Há vários Makais de cores e tamanhos variados no local.

Um homem com um chapéu de cowboy se aproxima do grupo. "Olá. Gostariam de hospedar seus Makais aqui ?"

"Sim. Quanto é ?" — Pergunta Èris.

"Duzentos juls por dia." — Diz o cuidador.

"Só isso !? Tá barato, hein." — Diz Kaito. Ele entrega dinheiro ao cuidador, que começa a direcionar os Makais para dentro.

"Eu não estou em condições de fazer um preço justo…" — Diz o cuidador, cabisbaixo.

"O que foi ?" — Pergunta Cirius.

"Não são daqui, não é ?" — Pergunta o cuidador.

Todos negam com suas cabeças.

"Deu para ver no rosto de vocês. São mais animados." — Diz o cuidador.

"Parando pra pensar, as pessoas que vimos não pareciam muito felizes…" — Diz Èris, pensativa.

"E nós temos um bom motivo para isso." — Diz o cuidador.

"Agora que você mencionou, eu me lembrei de uma coisa ! Uma vez, meu pai me mostrou uma imagem dessa cidade. As águas eram azuis, não esverdeadas." — Diz Èris.

"E você está certa. Urizen é conhecida como a cidade das águas por um motivo: nós temos as mais puras águas de toda Uniloth. Pessoas de todos os lugares vinham para cá por causa de nossas fontes termais, capazes de relaxar até a pessoa mais estressada do mundo." — Diz o cuidador.

"O que é uma fonte termal ?" — Pergunta Cirius.

"São poças de água quente grandes, onde pessoas entram para relaxar." — Diz Kaito. "Eu já fui em uma. É bem legal, até."

"Whoa ! Eu quero ir em uma ! Podemos ?" — Pergunta Cirius, animado.

"Infelizmente, vocês terão que esperar algum tempo." — Diz o cuidador. "Há alguns meses atrás, um acidente terrível aconteceu, deixando a água dessa cor."

"É só uma cor diferente. Qual o problema ?" — Pergunta Kaito.

"Não é só isso. Ela não está verde porque só mudou de cor, é porque foi envenenada." — Diz o cuidador.

"E-Envenenada !? Mas por quê !?" — Pergunta Èris, espantada.

"Não fazemos a menor ideia. Ela ficou assim de uma hora para outra." — Diz o cuidador. "Sem nossa água, as pessoas não vêm mais para cá, o que faz com que não tenhamos dinheiro. E, com esse veneno na água, não temos mais o que beber." — Ele começa a fazer carinho em um Makai. "Já faz um dia que a água do meu estábulo acabou. Sem ela, todos os meus Makais vão..."

"Isso é terrível..." — Diz Èris.

"E ninguém fez nada ?!" — Pergunta Kaito, bravo.

"Mandamos a Sacerdotisa para os esgotos, mas ela ainda não voltou." — Diz o cuidador.

"Sa… cer… do… ti… sa… ?" — Pergunta Cirius, confuso.

"A Sacerdotisa é uma pessoa escolhida pela deusa da água, Kyuhira. Ela é uma representante da palavra de Kyuhira." — Diz o cuidador.

"Caramba ! Então ela é importante." — Diz Cirius.

"Mais do que você pensa. A Sacerdotisa também é a sobrinha de nosso rei, Baccus." — Diz o cuidador. "Como ela é a única aqui que consegue purificar a fonte, nós a mandamos para lá. Dois dias se passaram, e ainda não temos notícias dela. O rei está muito preocupado, mas ele não quer pôr a vida de nenhum de nós em perigo, para ver o que aconteceu…"

O grupo se encara.

"Nós podemos checar, se quiser." — Diz Èris.

"É ! Vai ser molezinha !" — Diz Cirius.

"Heh, um pouco de ação. Finalmente !" — Diz Kaito.

"C-Como é !? Fariam mesmo isso por nós ?" — Pergunta o cuidador, surpreso.

"Nenhum Makai morre enquanto estiver perto de mim !" — Diz Kaito.

"E eu quero muuuito ir em uma fonte termal ! Parece ser legal demais !" — Diz Cirius.

"Muito obrigado ! Muito obrigado mesmo !" — Diz o cuidador. "Aqui." — Ele diz, entregando uma chave para Cirius.

"Hã ? Pra que isso ?" — Pergunta Cirius.

"É a chave para o portão dos esgotos. Eu também sou responsável pela entrada de lá." — Diz o cuidador.

"Certo. Nós vamos trazer a sacerdotisa de volta." — Diz Cirius, confiante.

"Para chegar nos esgotos, vocês só precisam abrir o portão de ferro que fica atrás do meu estábulo. Tomem bastante cuidado, ao chegarem no local. Há vários monstros lá." — Diz o cuidador.

Cirius vai embora, correndo e acenando. "Vamos voltar daqui a pouquinho !"

Os outros seguem Cirius. Algum tempo depois. Eles estão em frente à um portão de ferro enferrujado. Cirius põe a chave na fechadura do portão e o abre. Todos entram em um túnel grande e iluminado apenas por tochas nas paredes. Há mais da água envenenada correndo pelo chão.

"É aqui mesmo ?" — Pergunta Kaito.

"A descrição não erra." — Diz Èris.

"O cuidador não disse que esse lugar era infestado ? Não tô vendo nada." — Diz Cirius.

Um barulho agudo, como o de um rato, pode ser ouvido.

"Eh ? O que foi-" — Kaito é interrompido por Èris, que joga ele e Cirius no chão.

De repente, vários morcegos com grandes presas começam a sobrevoar o local.

"Um grupo de Kurokamus !" — Diz Cirius, surpreso.

"Qual a surpresa ? Se tem lugar escuro, tem essas coisas." — Diz Kaito. Ele estrala os punhos e põe uma pedra em uma das luvas. "Heh, um pouquinho de diversão não mata."

"Não deixem que eles mordam vocês ! Um Kurokamu se prende com força quando morde !" — Diz Èris, cortando um morcego ao meio com sua espada.

Um morcego quase acerta Cirius, que consegue desviar à tempo. A criatura prende suas presas no chão.

"C-Caramba !" — Diz Cirius, espantado.

Os morcegos se juntam. Eles avançam na direção do grupo. Kaito põe uma pedra em sua luva e põe a mão no chão, fazendo um pedaço se erguer e defender o ataque dos morcegos.

"Vocês conseguem juntar eles em um só lugar ? Se todos ficarem parados, eu consigo acabar com isso !" — Diz Cirius.

Kaito põe a mão em seu queixo e começa a andar em círculos.

"Agora não é hora pra isso !" — Diz Èris. "Precisamos agir rápido !"

Kaito continua andando em círculos. De repente, ele para. "Já saquei !"

"Que bom ! Agora, vai logo !" — Diz Èris.

"Cavaleira ! Pra cima !" — Diz Kaito, pondo uma pedra em cada luva. Ele corre na direção de Èris. Quando Kaito chega perto, Èris junta suas mãos e o joga para cima. Com uma mão, ele se segura no teto do túnel e aponta a outra para os morcegos.

"Hora de acordar !" — Diz Kaito. Um forte brilho sai da luva dele, cegando e desorientando os morcegos.

"Ugh ! Muito forte, idiota !" — Diz Èris, tapando os olhos.

O brilho desaparece, em questão de segundos. Todos os morcegos estão caídos no chão, mortos. Kaito se solta do teto.

"Acabou rápido, hein." — Diz Kaito.

"É que eu evito o máximo possível usar a Calligro, pra não estragar ela." — Diz Cirius.

"Ele matou um grupo inteiro de Kurokamus em um piscar de olhos... E sem tirar a espada do pano... Ainda bem que esse garoto está do nosso lado..." — Èris pensa consigo mesma.