Millennium Odyssey: Uma Odisseia de Milênios Atrás
16 Capítulo 16
Cirius e o gato estão em um local cheio de caixas.
"Onde a gente tá, gato ?" — Pergunta Cirius.
"Esse é o cargueiro." — Diz o gato.
"Como a gente chega até o otrário que tá no controle do navio ?" — Pergunta Cirius.
"Vejamos…" — Diz o gato, olhando para todos os lados. Ele aponta para uma escada. "Se formos por ali, vamos sair perto do armazém. Pelo armazém, podemos passar pela cozinha e pegar mais uma escada, até o deck principal. De lá, se separarmos nossos caminhos, eu poderei ir até a sala de máquinas, para parar o navio e você poderá ir até a sala de controle, onde o general que fez isso está."
"Você quer mesmo ir sozinho ?" — Pergunta Cirius.
O gato se interrompe, por alguns segundos. "...É uma coisa que eu tenho de fazer…"
"Então beleza. Vamos !" — Diz Cirius, pegando o gato e o pondo no ombro.
"E-Ei ! Solte-me !" — Diz o gato.
"Eu ando mais rápido do que você." — Diz Cirius. "Só me guia, e eu faço o resto."
O gato começa a olhar para as caixas, conforme passa por elas, e se pergunta. "Esquisito… Por que eles precisam de tanta comida assim ?"
"Como sabe que isso é comida ?" — Pergunta Cirius.
O gato começa a disfarçar. "E-Eu, uh… Eu… B-Bom, eu tenho um bom nariz."
"Faz sentido." — Diz Cirius.
O gato solta um suspiro, aliviado.
"Aí. Nem me apresentei, né ?" — Pergunta Cirius. "Meu nome é Cirius. E o seu ?"
"Decker." — Diz o gato.
"Nome legal." — Diz Cirius.
"Cirius também não é ruim." — Diz Decker.
Algum tempo depois. Cirius e Decker estão encostados em uma parede, olhando um local. Há vários guardas cozinhando muita comida, e outros levando a comida que já está pronta.
A barriga de Cirius ronca. "Tem um cheiro bom…"
"Foco ! Não sei o que aquelas armaduras querem, mas não é coisa boa…" — Diz Decker.
Cirius balança sua cabeça, saindo de um transe. "Certo ! Você tem razão. Não podemos perder tempo."
"Quando passarmos por ali, chegaremos até o deck principal." — Diz Decker.
"Heh, então eu só preciso bater em uns pedaços de ferro ? Coisa fácil." — Diz Cirius, pondo a mão em Calligro.
"Não ouse causar um arranhão sequer a este navio !" — Diz Decker, bravo.
"E-Eh !? Então como é que a gente vai passar ?" — Pergunta Cirius.
Decker está analisando a cozinha com seus olhos, olhando para todos os lados.
"Decker ? Tudo legal aí ?" — Pergunta Cirius.
"Quando eu der o comando, você vai correndo até aquela porta." — Diz Decker, pulando do ombro de Cirius. Ele entra na cozinha sorrateiramente e vai para debaixo de uma pia. Lá, Decker entra por um buraco. Ele sai por uma porta, ainda na pia, carregando em sua boca um frasco contendo um líquido amarelo dentro e pula em um carrinho que está levando comida. Desse carrinho, Decker pula para outro, trazendo comida. E então, o ágil felino rapidamente pula em uma mesa, e, dela, em uma prateleira. Ele põe o conteúdo do frasco dentro de uma grande panela. "Para a porta, agora !"
Os guardas olham para Decker. Cirius corre sorrateiramente até a porta, passando despercebido por eles. Decker empurra a panela e segue Cirius. A panela cai, espalhando o líquido pelo chão. Quando os guardas pisam nele, escorregam e caem.
Decker alcança Cirius e sobe em seu ombro. "Pronto."
"O que foi aquilo ?" — Pergunta Cirius.
"Óleo de Borbak." — Diz Decker. "Ótimo para cozinhar, só que é muito escorregadio. Experiência própria."
"Legal !" — Diz Cirius. "Você conhece bastante sobre esse navio."
"E-Eu !?" — Diz Decker, espantado. Ele desvia seu olhar e começa a disfarçar. "E-Eu só, uh… Ah, qual é ! Todos sabem que sempre tem óleo de Borbak nas cozinhas. Eu só adivinhei onde ele estaria."
Cirius encara ele, por alguns segundos. Ele dá de ombros. "É, faz sentido."
Decker solta um suspiro, aliviado. "Ufa…"
Eles chegam em um corredor com dois caminhos.
"Pra onde agora ?" — Pergunta Cirius.
Decker aponta para uma porta distante. "Entre naquela porta e siga o corredor à direita. Quando chegar lá, você vai encontrar outro corredor, um menor. No final dele, há uma porta. Passe por ela e estará na sala de controle."
"Certo !" — Diz Cirius, pondo Decker no chão. "Você vai ficar bem, Decker ?"
"Heh, nada que esses músculos não dêem conta." — Diz Decker.
"Aí sim !" — Diz Cirius.
Os dois vão para direções opostas. Minutos depois. Decker chega em uma sala cheia de alavancas. Ele começa a puxá-las.
"Isso deve servir." — Diz Decker. "Eu só espero que aquele garoto realmente consiga…"
Minutos antes. Cirius está em um corredor.
"Era pra eu virar aonde mesmo ?" — Cirius se pergunta. "Droga, eu esqueci !" — Ele diz, desesperado. Cirius começa a abrir várias portas. "Não. Não. Não. Não !" — Cirius solta um suspiro. "Eu sou um idiota..."
De repente, a voz de um jovem pode ser ouvida. "Não é muito bom com mapas, huh ?"
Cirius olha para o lado e vê um jovem com um leve sorriso, de cabelo laranja, com algumas faixas vermelhas tapando seus olhos, vestindo uma camiseta preta, um sobretudo roxo, uma calça branca e sapatos marrons.
"Olá." — Diz o jovem.
"O que tá fazendo aqui ?" — Pergunta Cirius.
"Eu ? Só estava de… passagem." — Diz o jovem. "Apenas fui pego de surpresa por toda essa confusão."
"Relaxa aí, cara. Eu tô indo resolver isso !" — Diz Cirius. "Aí. Qual é seu nome ?"
"Claude." — Diz o jovem. Ele aponta para a própria cabeça. "Não vai esquecer, hein."
"Provavelmente, eu vou. Meu nome é-" — Antes de terminar de se apresentar, Cirius é interrompido por mais guardas. "Ah, qual é ! Esses caras não desistem nunca ?!"
"Esses caras tão te causando problemas ?" — Pergunta Claude.
"Não importa quanto eu bata, essas coisas não caem !" — Diz Cirius.
Claude aponta para Calligro. "Por que não usa essa coisa afiada nas suas costas pra matar eles ?"
"Não dá." — Diz Cirius. "Aparentemente, ela é inútil contra essas coisas."
Claude murmura para si mesmo. "Não ensinou, huh… Mulherzinha esperta~"
"Pra trás, Claude !" — Diz Cirius. "Eu atraso eles o mais rápido que conseguir e você foge daqui !"
"Claro. Só espera eu fazer uma coisa." — Diz Claude.
Cirius pega Calligro. Claude rapidamente a pega das mãos dele e corre na direção dos guardas.
"F-Ficou maluco !?" — Pergunta Cirius, espantado.
"Calligro ! Kekkai: Cho !" — Diz Claude.
De repente, uma pequena luz negra cobre o fio da lâmina de Calligro. Claude corta um guarda ao meio. A armadura não volta a se mexer. Ele começa a cortar mais guardas facilmente. Um dos guardas se aproxima por trás de Claude.
"Cuidado ! Atrás de você-" — Novamente Cirius é interrompido. Dessa vez, por Claude.
"Kekkai: Yuto !" — Diz Claude.
Uma aura verde se forma em volta dele. Quando o guarda bate em Claude, sua espada é jogada para trás. Claude se vira e rapidamente corta o guarda.
Cirius está encarando a situação, espantado. "O que é isso... ?"
Claude joga Calligro no rosto de Cirius.
"Ugh… ?" — Diz Cirius, ao perceber que sua espada não o acertou, mas, na verdade, acertou um guarda atrás dele. "C-Como você fez isso !?"
Claude aparece atrás de Cirius. "Eu que pergunto. A espada é sua. Como VOCÊ não sabe fazer isso ?"
"Eu não faço a mínima ideia do que você fez..." — Diz Cirius.
Claude pega Calligro e a entrega para Cirius. "É uma espada, não uma criatura. Não passa de uma arma. E, como toda arma, VOCÊ é responsável pelo desempenho dela. Tudo que precisa fazer é respirar fundo e sentir o fio da lâmina passando pelos inimigos, como se não existisse nada que você não pudesse cortar."
Cirius fecha seus olhos e respira fundo. "…Não existe nada que eu não possa cortar…"
A luz negra aparece novamente. Cirius abre seus olhos e corta um guarda ao meio.
"Viu só ? Nada muito difícil." — Diz Claude.
"Não sei como eu fiz isso, mas valeu !" — Diz Cirius. "Como sabia que ela fazia isso ?"
Claude se vira e começa a ir embora. "Uma conhecida minha me ensinou a fazer isso."
"Espera ! Você parece forte pra caramba. Pode ajudar a gente." — Diz Cirius.
"Nah. Não sou muito fã de viajar. Me deixa enjoado." — Diz Claude. "Até, Cirius." — Ele põe uma mão no bolso do sobretudo e acena com a outra.
O navio treme, por alguns segundos, e para. Cirius acaba caindo no chão. Quando ele se levanta, não vê mais Claude.
"Que cara esquisito…" — Diz Cirius. "E, desde quando eu disse meu nome pra ele ?" — Ele se pergunta. Cirius dá de ombros. "Devo ter contado. Mira sempre diz que eu falo demais."
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