Millennium Odyssey: Uma Odisseia de Milênios Atrás
6 Capítulo 6
O grupo está caminhando pelos esgotos.
"Nada até agora, huh…" — Diz Kaito.
"Isso não significa que devemos abaixar nossa guarda." — Diz Èris.
"Tá, tá. Tanto faz. Enquanto a gente tiver esse carinha, tá tranquilo." — Diz Kaito, dando um fraco tapa nas costas de Cirius.
"Só vamos evitar o máximo de lutas possíveis, ok ? Não quero estragar a Calligro." — Diz Cirius.
"É só continuar quebrando a cara dessas coisas rápido." — Diz Kaito.
Eles chegam em uma encruzilhada.
Kaito solta um suspiro. "Ótimo. Era disso mesmo que a gente precisava. Cavaleira, faz sua parte."
"Certo." — Diz Èris, que começa a se concentrar.
"Como assim ?" — Pergunta Cirius.
"Não te contei ?" — Pergunta Kaito. "O pai da cavaleira é um paladino super importante."
"Por ali." — Diz Èris, apontando. "Vamos pela esquerda."
"Legal !" — Diz Cirius.
Èris vai pelo túnel da esquerda. Os outros a acompanham.
"Tá muito longe ?" — Pergunta Kaito.
"Não sei direito. Para ser sincera, não sei nem se é por aqui." — Diz Èris.
"Poderzinho idiota, esse o seu." — Diz Kaito.
Èris faz um sinal para ele ficar em silêncio. Kaito começa a reclamar. "Ei ! Eu só tô falando a verdade !" — Depois de dizer isso, Èris tampa a boca dele.
"Eu falei pra calar a boca, idiota !" — Èris sussurra.
Barulhos de metal se mexendo podem ser ouvidos. O grupo encosta em uma parede e começa a se esgueirar por ela. Eles chegam em outra encruzilhada. Èris espia por um canto da parede e vê dois guardas usando armaduras, espadas e escudos negros, conversando.
"O que foi ?" — Pergunta Cirius.
Èris se espanta com algo e volta para trás da parade. "São guardas de Ignis…"
"E-Eh-" — Diz Kaito, tapando sua própria boca para não gritar. "Guardas de Ignis !?"
"O que esses caras querem aqui ?!" — Pergunta Cirius.
"Por acaso eles precisam de um motivo para causarem confusão ?" — Pergunta Èris.
"Você tem um ponto." — Diz Kaito.
"Eu vou tentar ouvir o que eles estão falando." — Diz Èris, pondo sua cabeça para fora da parede novamente.
Um dos guardas solta um suspiro. "Já estou cansado de ficar nesse lugar imundo."
"Não vamos embora daqui enquanto aquela Sacerdotisa não falar onde está o Glifo." — Diz o outro guarda.
"O problema é que a senhorita Levia ainda não torturou aquela Sacerdotisa o bastante." — Diz o primero guarda. "Se ela fizesse, aquela desgraçada já teria abrido o bico."
Èris volta para trás da parede.
"O que eles disseram ?" — Pergunta Kaito.
Èris não responde. Ela fecha seus punhos.
"Cavaleira ?" — Pergunta Kaito, preocupado.
Èris balança sua cabeça, saindo de um transe. "Pegaram a Sacerdotisa e vão torturá-la."
"Não podemos deixar isso acontecer !" — Diz Cirius, dando um passo à frente, mas sendo parado por Èris.
"Ficou maluco ?!" — Diz Èris. "Se eles descobrirem que estamos aqui, já era !"
"E daí ? Eles já estão com a Sacerdotisa, certo ?" — Diz Cirius.
"Por que vamos nos esconder ? Eles já têm o que querem mesmo." — Diz Kaito, que sai do túnel. Cirius o acompanha.
Os guardas vêem os dois e erguem suas armas.
"Quem são vocês ?!" — Pergunta um dos guardas.
Kaito começa a estralar seus punhos. "Não liga pra gente. Só viemos limpar uma baguncinha."
"E pegar nossa amiga de volta !" — Diz Cirius, pegando sua espada enrolada.
"Não vai tirar ela daí ?" — Pergunta Kaito.
"Pra esses caras ? Nem precisa." — Diz Cirius.
Os dois correm na direção dos guardas. Quando chega perto, Cirius bate Calligro em um guarda, que se defende com sua espada. Kaito soca o escudo do outro guarda. Uma explosão de chamas acontece, jogando ele para trás.
"Heh, fácil." — Diz Kaito, confiante.
A cortina de fogo se abaixa. O garda sai dela sem nenhum arranhão, correndo na direção de Kaito.
"Armadura anti-magia ?" — Diz Kaito.
O guarda chega perto de Kaito e o ataca. Kaito pega a espada com as mãos.
"E-Eh !? Mas como !?" — Diz o guarda, confuso.
Kaito joga ele para trás. Há adagas saindo das mangas dele. "É sempre bom ter uma carta na manga. Ou uma adaga."
Cirius se defende do golpe do guarda. Os dois começam a colidir suas armas.
"Acha que tem chances contra os guardas de Ignis, pivete ?!" — Diz o guarda.
"Heh, não é a primeira vez que eu escuto isso." — Diz Cirius.
"Se liga aí !" — Diz Kaito.
"Eh ?" — Diz Cirius, que rapidamente se abaixa. O guarda que estava lutando contra Kaito é fortemente jogado na direção dele, acertando o outro guarda. Os dois batem em uma parede. Kaito põe uma pedra na luva e faz com que o chão prenda os guardas na parede.
"Mandou bem." — Diz Cirius, sorrindo.
"Trabalho em equipe faz a vitória. É o que dizem, né." — Diz Kaito.
Mais guardas começam a chegar.
Èris aparece. Ela solta um suspiro. "Estão felizes agora ?! Todos estão atrás da gente !"
"Você acha mesmo que a gente tá feliz ?" — Pergunta Kaito.
"Porque a gente tá. E muito !" — Diz Cirius.
Os dois correm na direção dos guardas.
"Isso só vai atrasar mais ainda a gente." — Diz Èris, também correndo na direção dos guardas.
Kaito se defende do ataque de um guarda e o joga em outros. Um guarda ataca Cirius, enquanto ele está se defendendo de um ataque. Èris defende Cirius com seu escudo. Ela faz o guarda se desequilibrar e enfia a espada no peito dele.
"Valeu !" — Diz Cirius, empurrando um guarda em outros.
"Amigos servem para isso~" — Diz Èris.
O grupo fica de costas um para o outro.
"E agora ?" — Pergunta Èris. "Tem bastante deles aqui."
"Tá com medinho ?" — Pergunta Kaito.
"Heh, eu nunca disse que estávamos na desvantagem. Disse ?" — Diz Èris.
"Hora de resgatar uma Sacerdotisa !" — Diz Cirius.
Enquanto isso, em uma plataforma de pedra, sustentada por correntes de ferro, sobre um buraco muito fundo. Há uma estátua igual a da cidade no local. Ela está cortada ao meio.
"Dois dias. Dois. Dias." — Diz uma mulher de cabelo longo e olhos pretos, vestindo uma armadura preta com detalhes dourados e empunhando dois sabres. Ela começa a andar em volta da estátua. "Sabe, normalmente, eu tenho uma paciência inabalável. Mas agora ela está sendo testada por uma "Sacerdotisa" inútil !"
"Eu não me importo com o que você diz !" — Diz uma garota de cabelo longo, ondulado nas pontas, e olhos azuis, vestindo um vestido bege sujo e cheio de rasgos, um colete vermelho e usando botas de couro. Ela está acorrentada pelos braços e pernas à estátua. "Nunca vou contar onde está o Glifo, Levia !"
Levia pega um de seus sabres e o encosta no rosto da garota. As duas se encaram por segundos.
". . . Aha… Ahahaha !" — Levia começa a rir de um jeito macabro. Ela pega a cabeça da garota e começa a batê-la na estátua. Sangue começa a escorrer. Levia solta a garota.
"Acha mesmo que eu preciso de você ? Eu posso destruir esse reinozinho idiota a qualquer minuto, sua merdinha." — Levia sussurra no ouvido da garota.
A garota levanta sua cabeça com dificuldade. "…Você… nunca vai… conseguir isso… !"
"Você ainda não entendeu, não é ? Não existe um cavaleiro em armadura brilhante vindo te resgatar. As coisas não são como nas histórias." — Diz Levia. "Eu não culpo você por ter esperanças, Vega. Afinal, ainda é só uma criança estúpida. Então, eu vou perguntar só mais uma vez. Onde está o Glifo ?"
"…Eu sou… a sacerdotisa de Kyuhira... Nunca vou trair... a vontade de minha deusa… !" — Diz Vega, ofegante.
Levia a encara, por alguns segundos. Ela solta um suspiro. "É por isso que eu odeio trabalhar com crianças." — Ela pega seus sabres e se prepara para atacar. "Últimas palavras ?"
"…Que a bênção de… Kyuhira… sempre a acompanhe…" — Diz Vega.
Levia se enfurece. "Ainda tem coragem de tirar sarro de mim ?! Eu vou fazer você perecer agora, sua merdinha !" — Ela ergue suas armas para Vega.
De repente, um guarda é jogado na direção de Levia, que desvia rapidamente. Mais guardas começam a ser jogados, todos no abismo.
"O que está acontecendo aqui ?!" — Pergunta Levia.
O grupo aparece. Eles jogam os últimos guardas restantes no abismo, sobem nas correntes e correm até a plataforma. Quando chegam perto, Levia ataca Cirius, que se defende com Calligro. Ela usa seu outro sabre para contra-atacar. Èris rapidamente empurra Cirius e se defende com sua espada.
Levia dá um pulo para trás. "Você…" — Ela olha Èris de cima à baixo. "Você não é uma mera cavaleira, não é ?"
Cirius fica confuso. "Eh !?"
"Você não usou seu escudo porque sabia que ele não seria forte o suficiente para suportar meu ataque, não foi ?" — Pergunta Levia.
"Exatamente !" — Diz Èris, erguendo sua espada.
"Levia Lochnose, Décima Primeira General do exército de Ignis." — Diz Levia, apontando seu sabre para Èris.
"Lochnose… Sabia que isso me soava familiar…" — Diz Èris.
"Você conhece ela, cavaleira ?" — Pergunta Kaito.
"Me lembro de ter visto o nome dela, enquanto estava na academia." — Diz Èris. "Levia Lochnose foi uma cavaleira de Mako que traiu o reino, passando informações secretas para Ignis. Depois da invasão, não se ouviu mais nada dela."
"Mako ? Tch. Então você é daquele lugarzinho idiota ?" — Pergunta Levia. Ela encara Èris, por alguns segundos. "Espera aí…"
"Tem alguém aí !?" — Pergunta Vega. "Socorro !"
"Heh, achamos a tal 'Sacerdotisa'." — Diz Kaito.
"Podem ficar com essa coisa estúpida." — Diz Levia, tirando as correntes de Vega e a jogando no meio da plataforma. "Eu não preciso mais dela mesmo."
Cirius e Kaito pegam Vega e a apoiam neles.
"Tudo bem ?" — Pergunta Cirius.
"…Agora sim…" — Diz Vega.
"O que quer com isso, seu verme ?!" — Pergunta Èris, brava.
"Eu achei um prêmio melhor do que essa tal pedra idiota." — Diz Levia, olhando para Èris com um sorriso confiante. Ela caminha até uma das correntes. "Mas não agora. Eu quero te enfrentar mais pra frente, quando ficar mais forte. Isso é, se sobreviver até lá." — Levia corta a corrente. A plataforma começa a virar.
"Eu vou acabar com você !" — Diz Èris.
"Ei, cavaleira ! A gente não tem tempo pra isso !" — Diz Kaito. "Você resolve esse negócio depois !"
Èris olha para Levia e, depois, para o grupo. "Tch. Deu sorte, vadia." — Ela vai embora.
"Eu vou acabar com você, cavaleira de Mako. Mas até lá, sofra um pouco mais. Vou adorar ver isso." — Diz Levia.
Algum tempo depois. Todos saem dos esgotos.
"Gah !" — Diz Kaito, em dor.
"Desculpa, mas não dá mais." — Diz Cirius, encostando Vega em uma parede.
"Tudo bem… Eu já recuperei um pouco das forças…" — Diz Vega.
Èris está andando em círculos, inquieta. Kaito se aproxima dela. "Tudo bem aí, cavaleira ?" — Ele põe a mão no ombro de Èris.
". . . Eh ?" — Diz Èris, saindo de um transe. "Ah ! Sim, sim. Eu tô bem."
"Se você diz…" — Diz Kaito.
"Muito obrigada por terem me salvado." — Diz Vega.
"Você é a tal da sacerdotisa ?" — Diz Kaito, olhando Vega de cima à baixo. "Não parece grande coisa."
"Kaito !" — Diz Èris.
"Não, ele está certo. Eu realmente não sou boa em batalhas... A única coisa que consigo fazer é purificar a água da fonte, e curar feridas pequenas..." — Diz Vega. "Mas nem isso consigo fazer, ultimamente…"
"Isso não é verdade. Você ficou lá por dois dias, não foi ?" — Pergunta Èris.
Vega concorda com sua cabeça. Èris põe a mão no ombro dela. "Isso significa que você é bem forte." — Ela sorri. "Duvido muito que um de nós aguentaria tanto tempo assim naquele lugar."
"Com certeza, eu não." — Diz Kaito.
"Nem eu, hein." — Diz Cirius.
"Também duvido que eu ficaria lá. Toda aquela poeira ia me fazer muito mal." — Diz Èris.
"…Vocês..." — Diz Vega, encarando o grupo, que sorri para ela. "Vocês têm razão !"
"É isso aí ! A gente sempre tem razão !" — Diz Kaito. "Principalmente eu." — Ele limpa sua garganta.
"Ei ! Olhem ali !" — Diz Cirius, apontando para os tubos de água flutuantes.
Os tubos de água começam a tomar uma cor azulada.
"O veneno ! Ele foi embora !" — Diz Vega, muito alegre.
"Heh, quem diria ? Tudo que a gente precisava fazer era se livrar de uma peste." — Diz Kaito.
"Finalmente, fontes termais !" — Diz Cirius.
Èris limpa sua garganta. "Você não acha que tem coisas mais importantes do que fontes termais ?"
"A-Ah, é mesmo." — Diz Cirius, passando a mão em sua nuca. "Preciso achar a Mira."
"Você perdeu alguém ?" — Pergunta Vega.
"Minha irmã foi levada." — Diz Cirius.
"Nós estamos ajudando ele a achá-la." — Diz Èris.
"Que terrível… Eu te desejo muita sorte." — Diz Vega.
"Valeu !" — Diz Cirius, pondo as mãos em sua cabeça e indo embora.
"E-Espera aí !" — Diz Èris.
Kaito e Èris vão até Cirius.
"A gente já tá indo ?" — Pergunta Kaito. "Bem que eu queria tomar um banho quente. E até ver umas gatinhas. Ehehehe."
"Esperem !" — Grita Vega, que chega perto do grupo. "Hah… Hah…"
"Você não precisa mais da gente, tá segura aqui." — Diz Kaito.
"Eu sei. Mas quero que levem isso." — Diz Vega, entregando uma pedra com um símbolo ilegível para Cirius.
Cirius encara a pedra. "Eh ?"
"É o meu amuleto da sorte. Sempre que eu precisei, ele me ajudou. Pelo menos é o que eu gosto de pensar. Ehehehe." — Diz Vega. "Sei que não é muita coisa, mas pode ajudá-los."
"Tá brincando comigo, né ?" — Pergunta Cirius.
"Ei ! Essa não é a reação de quando se recebe um presente-" — Diz Èris, sendo interrompida por Cirius.
"Isso aqui é demais !" — Diz Cirius, sorrindo.
"Que bom que gostou." — Diz Vega, sorrindo.
"Valeu mesmo. Nunca vou perder ele." — Diz Cirius. "E eu prometo que, quando tudo isso acabar, nós vamos voltar aqui e vamos tomar um banho em uma fonte termal juntos !"
"C-Cirius !" — Diz Èris.
Vega fica vermelha. "E-E-Eh !?"
"Eu falei alguma coisa errada ?" — Pergunta Cirius, confuso.
Kaito põe a mão no ombro de Cirius. "Aí sim, hein garotão ! Tomando a iniciativa~"
Cirius inclina sua cabeça, mais confuso ainda. Algum tempo depois. Todos estão andando em um campo, em seus Makais.
Kaito solta um suspiro. "Que saco… Fizemos tudo aquilo e nem tomamos um banhozinho..."
"Isso não é importante." — Diz Èris. "Precisamos nos focar em acharmos a Mira."
"Caramba ! É verdade ! Eu esqueci de uma coisa !" — Diz Cirius.
Èris e Kaito se olham, confusos.
"Esqueceu o quê ?" — Pergunta Èris.
"Esqueci de perguntar sobre os homens de preto." — Diz Cirius.
"Homens de preto ?" — Èris se pergunta. "Já ouviu falar, Kaito ?"
Kaito está encarando o nada.
"Qual o problema, Kaito ?" — Pergunta Èris.
Kaito solta um suspiro. "Garoto, não sei se você deu sorte ou azar."
"Como assim ?" — Pergunta Cirius.
"A boa notícia é que eu sei quem pegou sua irmã." — Diz Kaito.
"Sério !?" — Pergunta Èris, espantada.
"A má notícia é que nós não temos muito tempo." — Diz Kaito, correndo para uma direção diferente.
Os outros acompanham Kaito.
"Espera aí !" — Diz Cirius.
"Para onde estamos indo ?" — Pergunta Èris.
"Pro inferno." — Diz Kaito. Ele solta um longo suspiro. "Também conhecido como a minha casa."
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