Èris e suas irmãs estão se encarando seriamente, no palco.

Èris olha para a irmã de branco. "Emily…" — Ela olha para a irmã de preto. "Mary…" — Èris pega suas espadas. "Eu vou ser aquela que vai assassinar esse criminoso. Se tentarem me atrapalhar, não vou ter piedade só porque somos irmãs."

"Não nos entenda mal, 'maninha'." — Diz Emily. "Nós não tínhamos a intenção de ter piedade desde o começo." — Ela pega seu chicote de luz.

Mary pega duas adagas. "Não queríamos nem acabar com ele."

"O quê ?" — Pergunta Èris, confusa.

"Nós não nos importamos se ele vive ou morre." — Diz Mary. "Nem ligamos para aquela herege inútil da sua mãe."

"A única coisa que ela fez foi estragar a vida do nosso pai." — Diz Emily. "Só pegamos essa execução porque sabíamos que você ia vir atrás do seu namoradinho, como a cadelinha assustada que é."

"O que vocês estão planejando ?" — Pergunta Èris.

"Não é óbvio ?" — Pergunta Mary.

Emily e Mary se preparam para atacar. "Nós vamos acabar com o seu lado da família."

Pelo canto dos olhos, Èris vê seus amigos a assistindo. Ela rapidamente pula para trás. Uma adaga é jogada, onde ela estava. Correndo, Mary pega essa adaga e a joga em Èris novamente, que se defende com uma de suas espadas. Quando sua irmã chega perto, Èris tenta atacá-la, mas Mary desvia e dá uma cotovelada no braço dela, fazendo Èris soltar sua espada. Èris soca Mary, mas ela se segura no braço com os braços e pernas e joga sua irmã no chão. Emily pega Èris com seu chicote e a joga para cima. Ela começa a bater o chicote em sua irmã, enquanto está no ar. Emily pega Èris com seu chicote novamente e a bate no chão com força.

"O que ainda não entendeu ?" — Pergunta Emily. "Você é a fruta podre dessa família. Todo mundo pensa isso. Por que não desaparece ? Seria muito mais fácil."

Èris se levanta e puxa o chicote, arrastando Emily para perto. Ela dá uma cabeçada em sua irmã e a joga para perto de Mary. "Fruta podre ? Não me faça rir. Esse reino está completamente estragado. Sacrificar pessoas só porque você quer uma 'sociedade puritana' ? A maior besteira que eu já ouvi."

Mary pega a espada de Èris e corre na direção dela. Quando chega perto, ela ataca sua irmã, que se defende com sua espada. "E qual é o melhor jeito de fazer uma nação prevalecer ? Deixar que um bando de criminosos e pessoas impuras como você vivam entre a gente, fazendo o que quiserem e agindo como se tivessem toda a razão do mundo ?"

Èris força, até que consegue jogar a espada de sua irmã para cima. Ela tenta atacar Mary, que pula para trás rapidamente. Èris pega sua espada de volta e corre na direção de sua irmã. Quando chega perto, ela começa a atacar Mary, que se defende dos ataques com suas adagas. Mary fraqueja. Èris aproveita essa oportunidade para socar o rosto dela, a jogando para trás. "E de que jeito vocês querem fazer essa sociedade ? Contando mentiras para as pessoas de fora e fazendo elas acreditarem em ideais absurdos ?"

"Que as pessoas que não vivem aqui explodam !" — Diz Mary.

Emily pega Èris com seu chicote e a joga no chão. Ela puxa sua irmã para perto, dá uma cabeçada nela e começa a rodar Èris, que corta o chicote e é lançada na direção de Mary. Mary pega as pernas de sua irmã, antes de acertarem ela e a bate no chão. Antes de acertar o chão, Èris se apóia em suas mãos, pega suas espadas entre suas pernas e se defende de um ataque de Mary. Ela se levanta rapidamente, pega as espadas com suas mãos, e se abaixa, desviando de outro ataque de Mary. Èris revida com uma cotovelada na barriga de sua irmã. Mary se recupera e ataca ela, mas Èris se defende. As duas começam a colidir suas lâminas. Mary ataca Èris, que pula para trás. Emily cria outro chicote, o amarra na perna de Èris, joga ela no chão e começa a bater nela com seu chicote.

"A única função que aquelas pessoas têm é de servir Mako !" — Diz Emily. "Eles são patéticos ! Juram patriotismo por um país que sequer pertencem ! Ser um cidadão de Mako significa abraçar seus ideais e não ter medo de sofrer nenhuma consequência por acreditar no que escolheu !"

"Além disso, um pouco de sangue impuro derramado não faz diferença nenhuma !" — Diz Mary. "Afinal, não é como se eles fossem importantes para o nosso reino, não é mesmo ?"

Silêncio toma o local. As palavras de Mary ecoam. A multidão começa a concordar com as duas e gritar "Sangue".

"Parece que a população já fez seu voto, não é, minha querida irmã ?" — Pergunta Mary.

"Sim, irmã." — Diz Emily. "É uma pena… Parece que nosso querido pai sofrerá outra perda. Nada que não possamos curar, com o tempo."

Èris se levanta, fraca. Ela solta um suspiro.

"Como ?" — Diz Mary, confusa. "Ainda não entendeu qual é seu lugar ?"

"Por mais que ela fosse humilhada, mamãe nunca quis sair daqui. Eu nunca entendi o motivo." — Diz Èris. "Agora tudo faz sentido. Ela acreditava que se continuasse mostrando que com garra e dedicação você consegue mudar uma nação, outras pessoas seguiriam o exemplo. E ela conseguiu. Pelo menos, com o meu pai."

"Depois de tudo que fez, ainda tem coragem de chamá-lo de pai ?!" — Pergunta Mary, brava.

"Você estragou nossa família !" — Diz Emily. "Acha mesmo que merece perdão por isso ?!"

"Eu nunca perdi perdão." — Diz Èris. "Não de vocês. Mas existe alguém aqui que eu preciso perdoar. E, com um pouco de sorte, ser perdoada, também."

"...Eu posso... falar agora... ?" — Pergunta Kaito. "…Achei que você… tava cansada… da minha voz…"

"Ainda bem que fizeram as pazes." — Diz Mary. "Assim, podem ir juntos !"

Èris põe sua espada na frente do corpo, respira fundo e pensa consigo mesma. "Eu consigo…" — Há um fraco brilho em um bolso da jaqueta dela. Èris nota isso. "Espera… Não foi aí que eu coloquei…" — Ela põe a mão na parte brilhante e pega o glifo que Zhar'Avah deu. Èris se lembra da mesma coisa ter acontecido com o glifo que Vega deu para Cirius. "É como daquela vez…" — Ela encara o Glifo. "Será que…"

"Pegar uma pedra não vai te salvar !" — Diz Emily. "Vamos, irmã !"

"Certo, irmã !" — Diz Mary.

As irmãs correm na direção de Èris. Quando chegam perto, elas a atacam. De repente, uma tempestade de areia cobre o local. As pessoas começam a correr para todos os lados, desesperadas. Minutos depois, a tempestade acaba. Èris, Kaito e o grupo não estão mais no local.

"Mas o que foi isso !?" — Pergunta Mary, confusa.

"Eu vou alertar os guardas !" — Diz Emily. "Eles não vão escapar !"

Enquanto isso. O grupo está no deck de Zephyr, já distante de Mako. Èris está encarando o glifo.

"Como você sabia que isso ia funcionar ?" — Pergunta Mira.

"Eu… não sabia…" — Diz Èris. "Ele estava agindo da mesma forma que o do Cirius, naquela vez. Então pensei que alguma coisa podia acontecer."

"Bom, o que importa é que deu tudo certo, no final." — Diz Vega.

"Luna não quer mais ter que fazer isso !" — Diz Luna. "Luna cansou muito !"

Èris e Kaito se encaram.

"Então..." — Diz Kaito, desconfortável. Èris dá um tapa forte no rosto dele. "Ugh ! Ok, eu mereci isso…"

Èris abraça Kaito. Ela começa a chorar. "Você sabe o quão difícil foi fingir que eu não me importava com você ? Nunca mais faça uma coisa dessas, seu idiota ! Eu te odeio !"

"E-Essa é nova !" — Diz Kaito, confuso.

"Eu preciso de você sim, seu bobo ! Eu preciso de você mais do que qualquer um !" — Diz Èris. Ela abraça Kaito com mais força. "Eu gosto de ficar perto de você ! Eu gosto das suas piadas ! Eu gosto de como você sempre está lá por mim-" — Ela é interrompida por Kaito, que a beija. Èris fica vermelha e empurra ele.

"Ah, qual é ! Até a Iris conseguiria ver que você gosta de mim !" — Diz Kaito. "Além disso, você é horrível, quando o assunto é expressar sentimentos."

"E-E-Eu-" — Diz Èris, entrando em pânico.

"Tava na hora, hein." — Diz Mira. "Se você não tivesse feito isso, eu ia ser obrigada a empurrar os dois."

"O amor na juventude é tão belo." — Diz Decker. "Eu e Lyandre também nos conhecemos quando éramos jovens. Como o tempo voa…"

Luna agarra Cirius, faz um bico e começa a se aproximar da boca dele. "Agora é a vez de Luna e marido."

Cirius força, até que consegue se soltar de Luna. "Sai do meu pé, coisa esquisita !"

"Bom, eu preciso ir preparar remédios para todos." — Diz Vega.

"Parabéns, pombinhos~" — Uma voz familiar diz.

Todos olham para a ponta do deck. Nela, está Claude.

"O príncipe de Ignis !?" — Diz Decker, espantado.

Todos pegam suas armas.

"O que você quer aqui, escória de Ignis ?!" — Pergunta Èris, brava.

"Meu bolo." — Diz Claude.

"Seja lá o que for, ninguém daquele seu reino podre, é bem-vindo no meu navio !" — Diz Decker.

"Eu já disse que não vou te comprar nenhum bolo !" — Diz Cirius.

"Você conhece ele, maninho !?" — Pergunta Mira, surpresa.

"Foi esse cara que me ensinou as habilidades da Calligro." — Diz Cirius.

"S-Sem bolo !?" — Pergunta Claude, desesperado. "N-Nem um docinho !? Qualquer coisa serve !"

"Eu nunca vou te dar nada !" — Diz Cirius.

Claude solta um suspiro, desapontado. "Cara… E eu pensando que tinha ganhado na loteria... O que um homem honesto e trabalhador precisa fazer pra comer um bom doce ? Sequestrar alguém ?"

Cirius tenta dizer algo, mas se interrompe. Depois de muito tentar, ele diz mesmo assim. "O que significa aquilo ?"

O sorriso misterioso de Claude volta ao seu rosto. "Eu sabia~ A curiosidade matou o gato."

"Do que ele está falando ?" — Pergunta Vega.

"Nós chegamos mais rápido em Mako porque ele ajudou." — Diz Cirius. "Ele também me disse que eu ia descobrir coisas que não queria sobre Mako. E… isso aconteceu."

"Mas não descobriu o que realmente tinha de descobrir." — Diz Claude.

"Nós não queremos ouvir suas mentiras !" — Diz Vega.

"Depois do que viram lá, ainda acham que eu sou um mentiroso ?" — Pergunta Claude.

"O que aconteceu naquela noite ?" — Pergunta Cirius. "Por que meus pais e todo mundo tiveram de morrer ?"

Claude solta um suspiro e dá de ombros. "Se eu contasse, você não ia me ouvir. Então... Por que não pergunta pra..." — Ele aponta para trás. O grupo se vira. Galadriell está atrás deles. Ela está cabisbaixa. Claude termina sua frase. "…ela ?"

"...Desculpa…" — Diz Galadriell.

"…Do que ele tá falando… ?" — Pergunta Cirius, confuso.

"…Eu... Eu sinto muito…" — Diz Galadriell. Ela estende seus braços e dá um passo à frente, mas Cirius dá um passo para trás.

"…Me conta a verdade…" — Diz Cirius.

"Não consegue falar, né ?" — Pergunta Claude. "Eu posso fazer isso, heroínazinha. É só pedir."

"Não ouse… !" — Diz Galadriell. "Eu… Eu quero pelo menos ter a coragem para isso…"

Claude solta um suspiro. "Desse jeito, você só vai falar no dia de São Nunca. Eu faço isso por você." — Ele limpa sua garganta. "Quem destruiu seu querido vilarejo e matou todas aquelas pessoas foi Mako, não Ignis. Não fomos destruir o lugar. Muito pelo contrário, nós fomos lá pacificamente. Mako descobriu o que queríamos e tentou destruir, antes de pegarmos."

"Isso não significa nada !" — Diz Kaito. "Foi por culpa de vocês que eles fizeram isso !"

"Como eu já disse, fomos lá pacificamente." — Diz Claude. "Só queríamos pegar uma coisa que foi roubada."

"E que lixo roubaram de vocês ?!" — Pergunta Mira.

"…O segundo filho do rei de Ignis e segundo herdeiro do trono…" — Diz Galadriell. Ela move seu dedo vagarosamente, até que o aponta, surpreendentemente, para Cirius. "…Você, Cirius..."

Todos se espantam. Um olhar de confusão e desespero toma o rosto de Cirius, ao ouvir isso.

"E… Ei... Isso é uma piada… né... ?" — Pergunta Kaito.

"…Mas é claro que isso é uma brincadeira... Ahahaha..." — Diz Èris.

"…O marido de Luna… é uma pessoa má... ?" — Pergunta Luna.

"Tem um motivo pro Kurono não ter lutado na segunda Guerra dos Titãs." — Diz Claude. "O desgraçado se esgueirou pelo castelo, quando não tinha ninguém olhando, pegou meu irmãozinho e fugiu pra algum lugar."

"...Cirius, seu sobrenome não era igual ao meu porque seus pais gostavam de mim..." — Diz Galadriell. "…É porque eles literalmente eram meus pais... Na noite do ataque, eu não sabia de nada... Quando descobri o que estava acontecendo, fui correndo com o Silver para lá... Mas era tarde demais... Todos já estavam mortos…"

"Reuniãozinha de família legal, e tals. Mas, por hoje, chega." — Diz Claude.

"Você veio aqui só para estragar a vida de todo mundo ?!" — Pergunta Decker.

"Teve um motivo, sim. Mas isso fica pra mais tarde." — Diz Claude. "Até, maninho e companhia !" — Ele pula do navio.

Um silêncio desconfortável toma o local.

Esse silêncio é quebrado por Galadriell. "…Eu… Eu sinto muito, Cirius… Mas é que se tivesse te contado, não sei o que você faria-" — Ela tenta encostar em Cirius, que dá um tapa em sua mão.

"Não encosta em mim…" — Diz Cirius.

"Marido não tá bem…" — Diz Luna. Ela também tenta encostar em Cirius, mas ele a empurra, jogando Luna no chão com força. "Ugh !"

"Eu já mandei não encostar em mim !" — Diz Cirius. Ele olha para todos com uma mistura de confusão e desespero. "N-Ninguém chega perto de mim… !" — Cirius vai embora, correndo.