Mira acorda, em uma cama. Ela olha em volta e vê que está no Zephyr. Mira se levanta, pondo a mão em sua cabeça. "…U… gh… Como… eu vim parar aqui… ?" — Ela pensa consigo mesma. Mira sai de seu quarto. Uma conversa pode ser ouvida. Ela segue as vozes e chega no deck principal, onde o grupo está reunido. Eles estão com faixas em seus corpos. Todos estão cabisbaixos.

"Olá..." — Diz Decker.

Mira nota que Cirius e Galadriell não estão no local. "Cadê meu irmão ?"

"O carinha não quer sair do quarto…" — Diz Kaito.

"Marido deve estar bravo com Luna…" — Diz Luna, triste.

"Não, Luna. Ele só deve estar pensando." — Diz Mira.

"Acabamos de escapar da morte, afinal..." — Diz Èris. "Então por que… isso não é legal ? Não parece que vencemos…"

"Porque não vencemos, cavaleira. Nós SOBREVIVEMOS. Tem uma grande diferença." — Diz Kaito. "Uma diferença que eu não quero mais passar por..."

"Mira, Cirius perdeu a Yaldabaoth..." — Diz Èris. "Rosaria levou a Yaldabaoth e a Nebro embora... Nossas únicas armas contra o exército de Ignis foram levadas…"

Mira se espanta, ao ouvir isso. "…Essa não… Ele deve estar muito mal…"

"Mas o mais estranho de tudo é que a senhorita Galadriell o proibiu de usar a espada." — Diz Èris.

"Ei, cavaleira. Agora não é hora de pensar nessas coisas idiotas." — Diz Kaito. "Precisamos é descansar primeiro."

Mira vai embora, sem dizer nenhuma palavra.

"Eh ? O que há com ela ?" — Decker se pergunta.

Mira vai até a porta do quarto de Cirius. Lá, ela vê Galadriell.

"Eu mandei você sair daí-" — Diz Galadriell, sendo interrompida por Mira, que dá um tapa forte no rosto dela.

"Eu já tô cansada de você !" — Diz Mira, brava. "Será que não consegue ver que só causa problemas ?! Primeiro, você dá uma droga de uma arma pra uma criança. Depois, briga com ela por perder um pedaço de ferro idiota ?! Quem você acha que é ?"

"Eu-" — Diz Galadriell, sendo interrompida por Mira.

"Você é só uma droga de um boneco do governo !" — Diz Mira.

De repente, Galadriell dá um leve sorriso. "…Aha… Ahahaha…"

"Qual é a graça ?!" — Pergunta Mira.

"Você tem razão." — Diz Galadriell. "Eu sou uma inútil." — Ela se senta no chão. Galadriell começa a chorar. "É muito fácil fazer as coisas quando cobrem seus erros."

"Do que você tá falando ?" — Pergunta Mira.

"A verdade é que eu nunca fiz nada direito." — Diz Galadriell. "Todas às vezes que você vê uma notícia sobre mim, nunca foi EXATAMENTE daquela forma. Só porque eu sou a filha de Kurono, todos acham que eu tenho de ser perfeita em tudo que faço e que minha vida é dedicada a servir o reino de Mako. Mas isso não é verdade. Eu sou péssima com direções. Não sei cozinhar. Eu uso uma espada porque não enxergo direito coisas distantes. Só uso armadura o tempo todo porque não sei me vestir direito. Eu sou mais do que uma cavaleira, sou uma pessoa. Mas tudo que os outros vêem é o que o meu reino quer que eu seja…"

Mira tenta dizer algo, mas não consegue.

"Cirius foi a primeira pessoa que admirou minha coragem, não minha fama. Foi por isso que eu dei a Yaldabaoth pra ele, em vez de traze-lo comigo para Mako." — Diz Galadriell. "Não queria que fizessem ele pensar que eu era alguém que realmente não sou… Desde que briguei com o Cirius, tô me sentindo culpada. Vim pedir desculpas, mas ele não me respondeu…" — Ela dá um leve sorriso. "…Heh, no final, eu acho que você tem razão... Talvez seja melhor eu ser tratada como uma boneca..."

Mira se levanta e vai embora.

"Não se preocupe. Amanhã mesmo eu vou embora." — Diz Galadriell.

"Venha à proa do Zephyr, hoje a noite. Sozinha." — Diz Mira. Ela vai embora.

Horas depois. Galadriell chega na proa. Como combinado, está de noite. Uma noite estrelada, com uma brilhante lua cheia. Mira não está no local.

"Ela mudou de ideia sobre o próprio pedido… Provavelmente nem deve querer mais olhar na minha cara…" — Diz Galadriell. "Heh, eu até que mereço…"

De repente, a voz de Mira pode ser ouvida. "Fecha os olhos."

"E-Eh !?" — Diz Galadriell, espantada.

"Não olha pra trás. Só fecha os olhos e se vira." — Diz Mira. "Abre os olhos quando eu mandar."

"O-Ok..." — Diz Galadriell, fechando seus olhos e se virando para trás. "O que você-" — Ela diz, se interrompendo quando algo encosta no rosto dela. "O-O que é isso !? Você tá tampando meus olhos !?"

"Pode abrir." — Diz Mira.

Galadriell abre seus olhos. Ela vê Mira um pouco longe dela, segurando um pedaço de pano branco.

"O que foi ?" — Pergunta Galadriell.

"Não acha que eu tô um pouco longe demais ?" — Pergunta Mira.

"Sim, mas você provavelmente não deve querer ficar perto de mim-" — Diz Galadriell, se interrompendo. "E-Eu consigo te ver !?" — Ela passa a mão em seu rosto. Galadriell pega um óculos.

Mira caminha até Galadriell. "Kaito tinha um par sobrando. Eu li alguns livros sobre miopia e pedi a ajuda dele para ajustar um pouco. Bom, você ainda vai ter que ajustar pro seu grau." — Ela estende o pano em sua mão. É um vestido branco com algumas flores azuis. "Eu sei que não é nenhuma ceda cara, mas eu fiz usando o pouco que sei de costura e um lençol da minha cama."

Galadriell hesita, mas acaba pegando o vestido. "Por… Por que tá sendo tão gentil comigo… ?"

"Porque…" — Diz Mira. Ela solta um suspiro. "Porque para ser sincera, no fundo, eu sentia inveja de você."

"…Inveja... de mim… ?" — Pergunta Galadriell.

Mira concorda com a sua cabeça. "Desde que éramos crianças, o Cirius vivia falando de você. Às vezes, parecia até que você era a única coisa em que ele pensava. Eu tinha inveja da atenção que ele te dava, sem nem mesmo você estar lá. Eu só queria que ele pensasse um pouco mais em mim... Só que você é como eu, no final. Ambas somos importantes para o Cirius." — Ela se curva. "Desculpa por te julgado. E peço encarecidamente que continue conosco."

Galadriell solta um suspiro. "Bom, minha agenda não tá tããão cheia assim. Acho que dá pra ficar por aqui mais uma semana ou duas."

"Agora que fizemos as pazes, vamos pro meu quarto." — Diz Mira. "Eu quero ver se esse vestido cabe mesmo em você."

"Ok." — Diz Galadriell.

As duas vão embora. No dia seguinte. Cirius sai de seu quarto, soltando um bocejo. "Cara, dormi feito uma pedra. O pessoal deve estar comendo, numa hora dessas." — Ele vai até a cozinha. "E aí, pessoal-" — Ele diz, se interrompendo com a situação. Cirius vê Mira conversando com Galadriell, usando o óculos e o vestido, e com duas tranças na frente de seus ombros.

"Oh ! Bom dia, Cirius~" — Diz Galadriell, sorrindo.

"E-Eh !?" — Diz Cirius, confuso. "G-Galadriell !?"

"Sua irmã e eu estávamos conversando sobre várias coisas, ontem à noite." — Diz Galadriell. "Ela me disse sobre seus pratos favoritos. E eu pensei em fazer eles, algum dia. Mas se fosse pra você escolher um, qual seria ?"

Cirius continua espantado.

"A propósito, esquece aquela broca que eu te dei ontem." — Diz Galadriell. "Mas não tudo, hein. Aquela última parte é verdade."

"…T-Tá… ?" — Diz Cirius, confuso.

A voz de Decker pode ser ouvida. "Senhorita Galadriell, estamos quase chegando. Mas eu peço que venha à cabine de comando..."

"Chegando ?" — Pergunta Mira.

"Bom, como todos estão machucados, eu decidi passar em uma médica amiga minha." — Diz Galadriell. "Ela mora em um vilarejo perto de Loggrin." — Ela se levanta e vai embora. "Vamos."

Cirius e Mira seguem ela.

"Cara, eu dormi o dia inteiro ontem." — Diz Cirius.

"Você costuma fazer isso, quando fica muito cansado." — Diz Mira. "Tem certeza de que está bem ?"

"Tô bem pra caramba, pra ser sincero." — Diz Cirius. "Enfim, como é essa sua amiga, Galadriell ?"

"É uma senhora muito gentil que eu conheci quando estava viajando." — Diz Galadriell. "O nome dela é Inyaba. Ela mora em uma vila chamada Kamura."

"Eu conheço Kamura." — Diz Mira. "É um vilarejo famoso dentre os aventureiros. Dizem que lá você encontra as melhores poções de todos os continentes. E que os moradores de lá são refugiados de Jyūshima."

Galadriell concorda com sua cabeça. "No meio do vilarejo, tem uma grande panela, onde, anualmente, eles fazem uma porção de uma poção que consegue curar até as mais profundas cicatrizes. Uma receita secreta do povo de lá. As pessoas lá são tão amigável, e o local tem uma atmosfera tão feliz e agradável que vocês vão começar a considerar Kamura como sua segunda casa."

Eles chegam na cabine de comando.

"Kamura parece ser bem legal." — Diz Cirius.

"O que foi, Decker ?" — Pergunta Galadriell.

Decker aponta para frente. Quando Galadriell olha, vê várias casas de madeira com tetos de palha, manchas de sangue e algumas cruzes com corpos nelas. "…Não…" — Ela diz, horrorizada.