O grupo está em seus Makais, andando por um campo ensolarado. Mira está no Makai de Èris, enquanto Luna está no Makai de Cirius, o abraçando.

"Então é por isso que vocês tão com as roupas daqueles caras." — Diz Kaito.

"Eu jurava que isso ia dar certo, mas fomos reconhecidas na hora." — Diz Mira.

"Pois é !" — Diz Luna. "Daí, Luna socou bastante homens maus e ajudou Mira."

"Muito obrigada mesmo pela ajuda, Luna." — Diz Mira. "Sem você, eu não ia conseguir fazer aquilo de jeito nenhum."

"Mas foi Mira que salvou Luna e as garotas." — Diz Luna. "E, se não fosse por Mira, Luna cairia em um buraco beeem fundo."

"Aí, galerinha. Já que estamos voltando pra Haans, que tal passarmos em Urizen ?" — Pergunta Kaito.

"Tenho certeza de que vocês duas apreciaram um bom banho quente." — Diz Èris.

"Urizen !? Aquele lugar com várias fontes termais e água muito pura !?" — Pergunta Mira. "M-Mas não temos dinheiro."

Kaito, Cirius e Èris se olham.

"A gente dá um jeitinho." — Diz Kaito.

Algum tempo depois. Está tarde, quase noite. O grupo entra na cidade de Urizen.

Mira fica maravilhada com as correntes de água no céu. "Whoa... Isso muito bonito…"

"Tá mais bonito agora." — Diz Cirius.

"Como assim ?" — Pergunta Mira.

"Looonga história." — Diz Cirius.

"EI, CIRIUS ! PESSOAL !" — Uma garota grita.

Vega chega, correndo. Ela está com algumas faixas amarradas em sua cabeça.

"Hah… Hah… Pessoal… !" — Diz Vega, ofegante. Ela recupera seu fôlego. "Oi, pessoal ! Oi, Cirius !"

"Yo, cabelo azul." — Diz Kaito.

"Olá, Vega." — Diz Èris.

"O-O que é isso na sua cabeça !?" — Pergunta Cirius, assustado.

"Eh- Ah ! Não, não ! Tá tudo bem ! São só algumas ataduras por causa DAQUILO." — Diz Vega.

Cirius solta um suspiro, aliviado. "Ufa ! Achei que mais alguma coisa tinha acontecido."

"É uma amiga de vocês ?" — Pergunta Mira.

"Prazer, meu nome é Vega." — Diz Vega. "Eu sou a sobrinha do rei, e sacerdotisa da deusa Kyuhira."

"É um prazer. Meu nome é Miranda." — Diz Mira. "Essa aqui é a Luna."

"Oi~" — Diz Luna.

"Ei, Cirius. Alguma delas é a pessoa que você estava procurando ?" — Pergunta Vega.

"É sim !" — Diz Cirius. "É minha irmã, Mira."

"Então você conseguiu achar ela ? Que bom." — Diz Vega, sorrindo. "Meu amuleto não te atrapalhou, não foi ?"

"Pfftt ! Que nada." — Diz Cirius. "Seu amuleto dá sorte mesmo, hein."

Vega solta um suspiro, aliviada. "Ainda bem… Pensei que ele poderia ter te atrapalhado. Ouvir isso é um alívio."

"Vou levar os Makais para o estábulo." — Diz Èris, indo embora.

"Você veio passar um tempo nas fontes termais ?" — Pergunta Vega.

"Pode apostar !" — Diz Cirius, animado. "Cara, eu queria muuuito voltar aqui por causa disso !"

Vega fica vermelha. "A-Ah, é mesmo ? Q-Que bom."

Cirius inclina sua cabeça, confuso. "O que foi ?"

Kaito solta um suspiro. "Você é lerdo, hein carinha."

"Eh ? Não entendi..." — Diz Cirius.

"Esqueceu que prometeu que ia tomar um banho com ela ?" — Pergunta Kaito.

"V-Você o quê !?" — Pergunta Mira, envergonhada.

"Luna não sabe o que é fonte termal." — Diz Luna.

"Ah ! Isso aí ?" — Pergunta Cirius. "Até tinha esquecido. Foi mal aí. Ehehehe..."

"N-Não ! Tudo bem…" — Diz Vega. "N-Não era disso que eu estava falando."

"Sério ? Então tá." — Diz Cirius. "Mas eu ainda vou fazer. Porque sempre cumpro minhas promessas."

"E-Ei, irmãozão !" — Diz Mira.

"Qual o problema, Mira ?" — Pergunta Luna.

"B-Bom..." — Diz Mira. Ela puxa Luna para perto e sussurra algo.

"Não." — Diz Luna, agarrando o braço de Cirius. "O marido de Luna não vai pra lugar nenhum com outra garota !"

"M-Marido !?" — Pergunta Vega, mais envergonhada ainda.

"E-Ei, calma aí ! Eu não sou marido de ninguém !" — Diz Cirius.

"Mas vai ser !" — Diz Luna. "O marido de Luna não toma banho com garotas que não sejam Luna !"

"Eu não vou ser marido de ninguém !" — Diz Cirius. "Ei, Vega ! Ajuda aqui !"

"E-Eu !?" — Pergunta Vega. "B-Bom... e-ele prometeu ir na fonte termal comigo…"

"Ouviu a garota !" — Diz Cirius. "Agora, me solta !"

Cirius se solta de Luna e vai embora, correndo. Luna vai atrás. Algum tempo depois. Cirius e Vega estão em uma fonte termal. Vega está vermelha.

"Tem certeza de que você tá legal ?" — Pergunta Cirius.

"S-Sim !" — Diz Vega. "É só o calor !"

"Então tá." — Diz Cirius. Ele se acomoda mais na fonte. "Hah… Isso aqui é bem melhor do que eu pensei."

"Que bom que pensa isso." — Diz Vega, sorrindo. "Sempre que precisar, pode vir aqui e usar as fontes."

"Whoa ! Sério !? Valeu !" — Diz Cirius, animado.

De repente, Luna sai da água. "Marido não vai voltar aqui !"

Cirius solta um suspiro. "Volta pra dentro da água."

"Tudo bem." — Diz Luna. "Mas só porque marido disse." — Ela prende sua respiração e entra dentro da água.

"E-Ela é bem protetora." — Diz Vega.

"Pois é. E eu nem conheço essa garota." — Diz Cirius. "Ei. Como é ser uma sacerdotisa ?"

"Como ?" — Pergunta Vega.

"É. Como é ser uma sacerdotisa ? Você faz coisas legais ?" — Pergunta Cirius.

"Não é ruim." — Diz Vega. "Eu espalho a palavra da minha deusa e mostro para as pessoas como ela é benevolente."

"Legal." — Diz Cirius.

"Mas eu confesso que é meio solitário…" — Diz Vega.

Cirius inclina sua cabeça, confuso. "Como assim ? Você não tem várias pessoas no seu culto ?"

"Sim, mas…" — Diz Vega. Ela solta um suspiro. "Por ser uma sacerdotisa, o único relacionamento que posso ter é com a palavra da minha deusa. Ser uma sacerdotisa significa viver uma vida solitária… Sei que não deveria dizer essas coisas, mas, às vezes, eu penso em me apaixonar e viver uma vida normal com minha pessoa amada…"

Cirius encara Vega, em silêncio.

"Não. Eu não deveria estar pensando essas coisas." — Diz Vega. "Perdoe-me por ter esses pensamentos errados, toda poderosa Kyuhira. Jamais irei tê-los novamente."

Cirius solta um suspiro. "Foi mal aí, mas essa coisa não cola comigo."

"Eh ?" — Diz Vega, confusa. "O que foi ?"

"Qual é o sentido de sacrificar sua vida pelas outras desse jeito ?" — Pergunta Cirius.

"Fazendo isso, a palavra de Kyuhira se espalhará." — Diz Vega.

"Tá, mas e daí ?" — Diz Cirius. "Se sua deusa fosse tão incrível assim, ela não ia sacrificar sua vida só pra conseguir umas orações."

"…Kyuhira não…" — Diz Vega, se interrompendo. "Por favor, peço encarecidamente que tente não difamar Kyuhira e seus atos."

"Desculpa, Vega, mas essa ideia não entra na minha cabeça." — Diz Cirius. "Não importa o quanto você me diga o contrário, pra mim, isso ainda parece uma escravidão. O destino de ninguém é servir outra pessoa, em troca da própria vida."

Luna sai da água. "Luna concorda com marido. Ninguém deveria ser preso contra a própria vontade. A não ser que essa pessoa faça uma coisa ruim."

"...Parem…" — Diz Vega, cabisbaixa. "Por favor, parem."

Cirius solta um suspiro. "Desculpa, mas esse banho começou a me relaxar menos." — Ele vai embora. Luna segue Cirius, confusa.

"…Desculpa, Cirius… Mas esse é o meu dever." — Diz Vega, triste.

Na manhã seguinte. O grupo está em seus Makais, andando no campo.

"Por que a Vega estava daquele jeito ?" — Pergunta Èris. "Ela nem quis se despedir."

"Não faço a mínima ideia." — Diz Cirius.

"Não fez nada para ela, né, carinha ?" — Pergunta Kaito.

Cirius nega com sua cabeça. "Não que eu me lembre."

"Esquisito…" — Diz Kaito. "Nah. Mulheres são complicadas demais."

"Pois é." — Diz Cirius. Ele pensa consigo mesmo. "Só espero que ela repense melhor no que eu disse…"