Millennium Odyssey: Réquiem do Último Solstício
12 Vigilantes dos Sete Amanheceres
Valentina entra em sua casa. Ela vai até um quarto, onde todos estão reunidos.
"E aí ?" — Cirius pergunta.
"Bianca disse que vocês podem esconder Kara dentro do porão da adega." — Valentina diz. "Ela também disse algumas outras palavras e chamou Kara de alguns nomes, mas eu não sei se posso dizer essas coisas."
Marco não parece surpreso. "…Típico…"
"Luna não deixa marido ir !" — Luna diz.
Cirius solta um suspiro. "Escuta, Luna. Você te uma ideia melhor ?"
"…Não…" — Luna diz. "Mas Luna não quer que marido se machuque ! Luna não quer…"
"Eu prometo que voltou inteiro." — Cirius diz.
"…Tá..." — Luna diz.
"Quantos guardas você viu ?" — Èris pergunta.
"Cada rua tem um grupo de guardas. Estão por toda parte, mas não são muitos." — Valentina diz.
"Conhecendo aquela mulher excêntrica como conheço, ela certamente está tentando evitar o máximo possível chamar atenção desnecessária." — Marco diz. "Milena não quer que ninguém pense que ela não tem controle sobre a situação."
"É a melhor das hipóteses." — Galadriell diz.
"E, daqui algum tempo, ela não vai ter nenhum controle mesmo." — Stella diz. "Vamos tirar nosso reino das mãos dela !"
"Isso aí !" — Cirius diz. "Bom, eu tô indo. Quanto mais cedo trouxer esse mulher aí, mais rápido acabamos com a Milena."
"Enquanto você não tá de volta, vamos preparar o lugar." — Kaito diz. "Claro que essa Kara aí não vai querer cooperar. Então, eu pensei em uns métodos de 'persuasão' que podemos usar." — Ele dá um sorriso perverso.
"Uh… Ok..." — Stella diz.
Mira abraça Cirius. "Se cuida, irmãozinho."
Cirius abraça Mira de volta. "Eu voltou mais rápido do que conseguirem imaginar." — Ele se solta de Mira. "Até alguma hora, pessoal." — Cirius vai embora.
Stella nota que Luna está cabisbaixa e se aproxima dela. "O que foi ?"
"Luna não quer ver marido machucado..." — Luna diz.
Stella tem uma ideia. "Já sei." — Ela cria uma carta com um trevo dourado nela. "Aqui, pra você."
Luna pega a carta. "Eh ? Mas Luna não sabe usar isso."
"Não é para atacar. É uma carta da sorte. Minha carta da sorte, pra ser mais exata." — Stella diz.
Luna inclina sua cabeça, confusa. "Carta da sorte ?"
Stella concorda com sua cabeça. "Essa é uma das primeiras cartas que consegui manifestar com a minha magia. Desde então, venho usando ela como amuleto de sorte. Eu estava com ela, quando vocês chagaram em Lockheed. Estava com ela, quando conheci o príncipe Claude. E ela também estava comigo, quando eu… conheci você…"
Luna se anima. "Jura mesmo que Luna pode ficar com isso ? Legal !"
"É toda sua." — Stella diz. Ela limpa sua garganta, põe as mãos em sua cintura e levanta sua cabeça. "Agora que você tem ela, TALVEZ tenha uma chance de ganhar de mim." — Ela vê que Luna não está mais no local. "Uh… Ah, qual é !"
Cirius está caminhando, em uma rua. "Huh, ninguém veio me prender, até agora. Esquisito."
"Você aí !" — Um homem diz.
"Eu e minha boca grande..." — Cirius diz. Ele se vira.
Alguns guardas estão se aproximando dele.
"É um dos fugitivos !" — Um guarda diz. "Avisem a madame Milena !"
"Por que é que eu tô com o pressentimento de que eles não vão aceitar só uma rendição ?" — Cirius se pergunta. "Bom, eu tenho de fingir." — Ele começa a correr. Cirius acaba tropeçando.
Os guardas alcançam Cirius e pegam ele.
"Vocês, malditos criminosos, acham que podem simplesmente chegar no nosso reino e destruir as coisas como bem entenderem, não é ?!" — O guarda pergunta. "Não é assim que as coisas funcionam aqui !"
"E-Eu juro que não sabia o que estava fazendo !" — Cirius diz.
"É melhor ficar quieto ! A madame Milena não vai querer ouvir sua voz !" — O guarda diz.
Enquanto isso, dentro de um local de um tom amarelo escuro, com alguns pilares brancos, um tapete vermelho, indo para um trono preto e vermelho, com dois guardas perto dele e um vitral acima com a imagem de Milena. Passos femininos podem ser ouvidos. É Milena. A madame caminha até o trono e se senta nele. Ela bate palmas.
Andreina entra no local e se ajoelha na frente Milena. "Mandou me chamar, madame ?"
"Como vai a busca pelos nossos novos personagens ?" — Milena pergunta.
"Ainda não temos nenhuma pista, madame." — Andreina diz. "Mas não se preocupe. Galadriell voltará, de um jeito ou de outro."
"Isso não me preocupa. Eu quero saber dos outros." — Milena diz. Ela dá um sorriso confiante. "Não é todo dia que tolos vêm ao meu reino. Seria maravilhoso escrever uma peça com eles. Isso lembrará o povo de quem é sua regente."
"Providenciarei que os guardas os achem mais rápido, madame." — Andreina diz. Ela se levanta e vai embora.
"Guardas. Avisem Kara que preciso de sua presença aqui." — Milena diz.
Os dois guardas vão embora.
Milena respira fundo. "Hah… Logo, irei expandir minha neblina por toda Bastion Spei. E, quando fizer isso, farei com que cada homem, mulher, criatura e até os próprios Dez se curvem perante minha pessoa. Assim como Ela quis."
Uma mulher com algumas escamas verdes em seus braços e debaixo de seus olhos, cabelo loiro, olhos vermelhos animalescos, vestindo um vestido branco, com detalhes dourados e uma abertura em sua perna esquerda, sapatilhas pretas, usando um cachecol longo também verde, uma bengala também preta, com duas cobras douradas se entrelaçando nela, e usando uma máscara preta, cobrindo sua testa e seu nariz chega no local.
"Creio que saiba o motivo da minha convocação, Kara." — Milena diz.
Kara se curva e se ajoelha. "Sim, madame. O progresso do desenvolvimento da extensão de sua neblina corre muito bem."
Milena franze uma sobrancelha, furiosa. "Não quero que apenas a espalhe ! Também quero amplificar o efeito ! Só fazer as pessoas me obedecerem um pouco não é o suficiente ! Quero comandá-las ! Quero que cada olhar esteja virado para mim ! Quero que cada pensamento seja sobre mim ! Quero que cada batida de seus corações sejam por mim !"
"Estou tentando providenciar isso, madame." — Kara diz.
"E por que ainda não o fez ?!" — Milena pergunta.
"Porque tenho prioridades maiores, como descobrir um jeito de fazer a neblina funcionar em Galadriell." — Kara diz.
Milena começa a ranger seus dentes.
Kara fica pensativa. "Tenho algumas hipóteses do porquê dela não ser afetada, mas nada ainda confirmado. Além disso, ainda tenho de pensar em efeitos colaterais-" — Ela é interrompida por Milena, que pisa em sua cabeça com força.
"EU sou sua prioridade ! Você serve a mim !" — Milena diz, furiosa.
Kara cospe sangue. "…S… Sim… madame Milena…"
Milena tira sua sapatilha da cabeça dela. "Agora, vá embora."
Kara se recompõe, se levanta e vai embora.
Milena nota algo. "Só um segundo. Volte aqui, Dottore."
Kara volta até Milena. "…Sim, madame... ?"
Milena aponta para uma minúscula mancha de sangue em seu vestido. "Como ousa estragar meu vestido ?! Sabe quanto me custou ?!"
"…Peço perdão que meu sangue impuro tenha tocado em sua vestimenta perfeita, madame..." — Kara diz.
"Coma." — Milena diz, friamente.
Kara hesita, mas se agacha, arranca o pedaço do vestido com sangue e o põe em sua boca. Ela mastiga, por algum tempo, até que dolorosamente engole o tecido. "Mais uma vez, peço perdão, madame."
Milena balança sua mão, dispensando Kara. "Pode voltar aos seus aposentos. Mandarei o resto do meu vestido para comer mais tarde."
"Sim, madame. Ficarei grata em poder saborear mais da senhora." — Kara diz.
De repente, as portas do local se abrem. Vários guardas entram, segurando Cirius, que está com seus braços acorrentados. Eles se aproximam do trono, fazem Cirius se ajoelhar e colocam suas lanças perto do pescoço dele.
Um dos guardas se aproxima de Milena e se ajoelha. "Madame Milena, lhe trago boas noticias. Capturamos um dos delinquentes que desafiam sua autoridade."
Milena dá um sorriso confiante. Ela se levanta de seu trono e começa a caminhar em volta de Cirius. "O que temos aqui ?" — Milena para na frente dele e faz um gesto para os guardas.
Um dos guardas levanta a cabeça de Cirius pelos cabelos. "Ugh !"
"Desrespeitando minha leis, não usando uma máscara… Interrompendo uma das minhas atividades favoritas… Desafiando e difamando minha autoridade… Vocês, estrangeiros, são tão desrespeitosos e vulgares. Quase me faz querer vomitar." — Milena diz.
Cirius dá um leve sorriso confiante. "Sabe como é, né. A gente tenta."
Milena encara Cirius, por alguns segundo. Ela dá um tapa no rosto dele. "Hah… Isso é prazeroso~ Acha mesmo que suas meras palavras vão me abalar ? Você, que se determina irmão daquela… lutadora megera."
Kara levanta sua cabeça, ao ouvir isso. Ela se aproxima de Milena. "Madame, eu suplico que me conceda este espécime para pesquisas. Com ele, poderei avançar muito mais."
"Huh, você é a Kara ?" — Cirius pergunta. "Heh, não me parece tão esperta assim."
"Como é ?!" — Kara pergunta, brava.
"Se fosse tão inteligente assim, já tinha descobrido o motivo dela não ser afetada." — Cirius diz. "Heh, até eu sei a resposta. E olha que eu sou um idiota."
"Grr ! Seu espécime arrogante !" — Kara diz.
"Chega, Dottore." — Milena diz.
"Sim, madame." — Kara diz.
"Logo, você vai me obedecer, assim como todos os outros. E, quando isso acontecer, vai descobrir como eu sou tudo aquilo que precisava." — Milena diz.
Cirius abaixa sua cabeça. "Fecha os olhos. O que você escuta ?"
"O doce som do meu reino me obedecendo." — Milena diz.
"São pessoas patéticas como você que me fazem pensar que talvez ela tenha razão." — Cirius diz, sério.
"Como é ?!" — Milena diz, brava. "Guardas, arranquem a cabeça dele fora !"
Um dos guardas joga Cirius no chão, enquanto outro aponta sua lança para a cabeça dele. O guarda desce sua lança. Cirius rola para o lado, fazendo a arma se fincar no chão. Ele rapidamente se levanta com um pulo, derrubando outro guarda no chão. Um guarda se aproxima pelas costas dele e o ataca, mas Cirius desvia do ataque, fazendo o guarda acertar seu companheiro que estava no chão. Cirius dá um chute na lança, tirando ela do chão e a jogando em outro guarda. Mesmo com suas mãos acorrentadas, ele pega essa lança, se vira e defende o ataque de outro guarda.
"Protejam a Pantalone !" — Um guarda diz.
Alguns guardas se juntam perto de Milena. Cirius derrete as correntes em seus braços com sua chama roxa. Ele corre na direção de Milena. Guardas com escudos entram na frente de Cirius, que pega Yaldabaoth e joga em um deles. Esse garda levanta um pouco seu escudo, se defendendo da espada, que é jogada para cima. Cirius aproveita a oportunidade e passa por baixo da fresta. Ele pega Yaldabaoth, cobre a lâmina com sua chama roxa e corta os guardas com escudo, que caem no chão.
"E-Ele é um monstro ! Chamem a Colombina !" — Um guarda diz
"Não vamos deixar com que ele encoste em você, madame !" — Outro guarda diz.
Cirius repentinamente se vira e vai na direção de Kara. Ela bate sua bengala no chão, criando um escudo em volta de si. O fio da lâmina de Yaldabaoth fica preto. Cirius segura sua espada ao contrário e passa pelo escudo, o cortando com facilidade.
"M-Mas como-" — Kara diz, sendo interrompida por Cirius, que dá um golpe em sua cabeça, a desmaiando.
"O que pensam que estão fazendo ?! Matem aquele desgraçado ! Não deixe que fuja com a Dottore !" — Milena diz, brava.
Os guardas jogam suas lanças em Cirius. Ele se cobre com uma aura verde, se defendendo das lanças. Cirius pega uma lança e joga no vitral de Milena, o despedaçando por completo, e pega Kara. Cirius respira fundo. Ele faz um corte no ar com Yaldabaoth. De repente, uma fenda se abre. Cirius entra por essa fenda, carregando Kara. A fenda se fecha, logo em seguida.
"NÃO !" — Milena grita, em fúria.
A voz de Cirius pode ser ouvida. "Que isso sirva como um recado para você…"
Todos olham para o buraco que restou, quando o vitral foi quebrado. Cirius está nele, com um olhar sério, segurando Kara em seu ombro e apontando Yaldabaoth para Milena. Ele está envolto pela luz do local.
"Nós somos os Vigilantes dos Sete Amanheceres, e prometemos trazer a luz e as cores de volta à Fiore !" — Cirius diz. Ele pula do buraco.
"Grr ! O que estão fazendo aqui ?! ATRÁS DELE !" — Milena diz.
Os guardas começam a correr.
Milena começa a ofegar e ranger seus dentes. "Eles não vão se safar… ! Eu vou achá-los e arrancar suas cabeças… ! Nem que, pra isso, tenha de matar cada cidadão desse maldito lugar… !"
Cirius está correndo entre algumas casas. Os guardas estão atrás dele.
"Não deixem que ele escape !" — O guarda diz.
"Vão ter de me pegar, primeiro." — Cirius pensa. Ele sai do meio das casas e para de correr. Cirius pega Yaldabaoth, a finca no chão e cria um pilar de chamas roxas, impedindo os guardas de passarem.
Mais guardas se aproximam, pelos lados. "Matem eles !"
"Eh ? Como assim ?" — Cirius se pergunta. "Agora não é hora de pensar nisso !" — Ele olha para todos os lados, procurando um caminho. Cirius vê um canal. "Funcionou da última vez. Bom, eu espero que você não tenha medo de água." — Ele começa a correr até o canal.
Andreina aparece, perto dos guardas. "O que pensam que estão fazendo ?!" — Ela pega uma besta das mãos de um guarda e começa a mira-la em Cirius.
Cirius se aproxima mais o canal. Ele nota Andreina. "Droga-"
Andreina atira, acertando a perna de Cirius, que acaba caindo.
"Ugh ! D-Droga… ! Eu preciso chegar lá… !" — Cirius diz. Ele começa a se arrastar para o canal com um braço e puxar Kara com o outro.
Andreina mira na cabeça de Cirius. "Sua encenação acabou."
De repente, uma garotinha grita. "São as pessoas malvadas ! E-Elas estão aqui !"
"Heh, decidiram se mostrar." — Andreina diz. "Eu cuido deles. Fiquem com esse resto." — Ela vai embora.
"Depois disso, eu vou fazer algumas apostas... Hoje é meu dia..." — Cirius pensa. Ele começa a se concentrar. "Agora, eu só preciso conseguir fazer aquilo…"
Os guardas se aproximam de Cirius. Alguns guardas miram suas bestas nele.
"Vamos lá... Funciona… !" — Cirius pensa.
"Atirem !" — Um guarda diz.
Os guardas atiram. Cirius cria uma explosão que joga ele e Kara para dentro o canal. Quando a fumaça abaixa, os guardas não vêem mais os dois no local.
"Droga, perdemos o alvo de vista novamente ! Madame Milena vai cortar nossas cabeças !" — Um guarda diz.
Cirius começa a acordar, em um local escuro, com água no chão, um pouco da neblina, algumas vinhas com a flor roxa e verde espalhadas pelas paredes e iluminado pela luz de uma fogueira perto de si. Ele está vestindo apenas sua calça. Há alguns curativos em seu peito. "Ugh… Eu tô vivo… ?"
Uma voz feminina desgastada pelo tempo responde Cirius. "Por muita sorte."
Cirius olha para trás. Ele vê uma senhora de cabelo grisalho, com algumas mechas rosas, olhos fechados, vestindo um manto preto cobrindo seu corpo. Kara está perto dela, ainda inconsciente.
"Uma pergunta mais trivial seria o que está fazendo com a chefe alquimista." — A senhora diz.
"O-Olha, eu posso explicar-" — Cirius diz, sendo interrompido pela senhora.
"Não se preocupe, confio em você." — A senhora diz.
"Uh… Isso foi bem rápido…" — Cirius diz, confuso.
"Se você fosse uma pessoa má, ela estaria morta ou machucada. O que não está. E, se for uma pessoa boa, não preciso me preocupar." — A senhora diz.
"Bom ponto." — Cirius diz.
"E então ? Qual a resposta à minha pergunta ?" — A senhora pergunta.
"É complicado…" — Cirius diz.
"Entendo…" — A senhora diz.
Cirius olha em volta. "A senhora mora aqui ?"
"Fazem anos." — A senhora diz.
"E-Eh !? Mas isso é ruim pra sua saúde !" — Cirius diz.
"Não se preocupe com a saúde dessa velha. Eu me sinto mais sadia do que nunca." — A senhora diz.
"Se a senhora diz…" — Cirius diz. "Então… Qual seu nome ?"
"Meu… nome ?" — A senhora pergunta.
Cirius concorda com sua cabeça. "É, seu nome. Agora que somos amigos, eu quero saber seu nome. O meu é Cirius Esdeath."
"Esdeath ? Como os Esdeath de Ignis ?" — A senhora pergunta.
"Isso aí. M-Mas eu não vou fazer nada com você ! Meu pai era legal ! Pelo menos pelo pouco tempo que passamos juntos…" — Cirius diz.
"Diga-me, é verdade que Demiurges provocou o Holocausto ?" — A senhora pergunta.
Cirius se aproxima mais da fogueira. "Eu queria poder dizer que não…"
"Por que ela faria algo assim ? Me lembro de ir à Ignis, em minha juventude. Demiurges era tão amada por todos." — A senhora diz.
"Eu não faço a mínima ideia." — Cirius diz. "Nunca cheguei a conhecer ela, e, quando conheci, ela tentou me matar. Ou é o que parecia."
"Como assim ?" — A senhora pergunta.
"Eu e meus amigos estamos tentando resolver tudo isso." — Cirius diz. "Claro, vamos ter que lutar contra ela, alguma hora. Mas eu vou fazer o máximo possível para resolvermos isso em uma conversa. Não quero ter de machucar minha mãe. Quero entender o porquê disso estar acontecendo. O porquê dela ser assim. Eu só quero que a gente possa ser uma família feliz."
"Eu pessoalmente já vi Demiurges, e sei que ela não seria tão cruel assim." — A senhora diz. "Para ser honesta, não acredito que o que ela fez seja com más intenções."
"Claro que foi ! Ela destruiu quase tudo !" — Cirius diz.
"Mas eu parei para refletir em algo. Desde que o Holocausto começou, as pessoas começaram a se aceitar mais." — A senhora diz. "Com cada catástrofe que acontece, os habitantes de Bastion Spei começam a se aproximar mais."
"Parando pra pensar, isso é verdade…" — Cirius diz, pensativo. Ele tem uma ideia. Cirius se anima. "Caramba ! Talvez minha mãe esteja tentando ensinar uma lição !"
"Talvez não. Talvez ela realmente tenha se entregado às trevas." — A senhora diz.
A animação de Cirius rapidamente se acaba. "É, tem essa possibilidade. E isso é um exagero demais. Invocar uma bola de fogo gigante, deixar o céu todo esquisito, trazer um monte de Wrath e preparar a destruição de tudo não é lá muito 'calmo'." — Cirius nota as flores. "Essas coisas crescem até aqui, huh ?"
"Elas são presentes de uma antiga amiga minha." — A senhora diz. "Ela também adorava essas flores como se fossem suas próprias crianças. Eram um de seus maiores orgulhos…"
"E ela tá certa. Até que são flores legais. E eu definitivamente me sinto melhor só de olhar pra elas." — Cirius diz.
Kara começa a acordar. "…Onde é que… eu tô… ?"
Cirius rapidamente se levanta e dá um golpe na cabeça de Kara, a desmaiando de novo. Ele solta um suspiro, aliviado. "Quase…"
"Você não poderia apenas ter conversado com ela ?" — A senhora pergunta.
"É complicado." — Cirius diz. "Bom, tenho de ir."
"Eu não recomendo que saia daqui neste exato momento. Está muito ferido." — A senhora diz.
"Olha, eu sei que você se preocupe, coisa e tal, mas eu vou ficar legal. Confia em mim, já passei por coisa pior." — Cirius diz. "Além disso, tenho gente me esperando."
"Certo. Suas roupas estão secando naquela vinha." — A senhora diz, apontando para uma vinha com as roupas de Cirius.
"Valeu mesmo." — Cirius diz. "A propósito, qual seu nome ? Você esqueceu de dizer."
A senhora hesita, mas acaba dizendo. "Meu nome é Evangeline."
"Eva. Saquei. Valeu por me ajudar, Eva ! Definitivamente eu volto aqui, depois que resolvermos as coisas !" — Cirius diz.
Algum tempo depois. Alguns guardas passam por um beco. Cirius põe sua cabeça para fora, verificando o local. Ele olha para o Zanna di Lupi, não muito longe. Há algumas pessoas andando pelo local.
"Não ia ser legal se eles me vissem com ela. Preciso arranjar um jeito de distrair esse povo." — Cirius pensa consigo mesmo. Ele começa a checar o local com seus olhos. "Nada… Hmm… Talvez…" — Cirius respira fundo e começa a se concentrar. Ele enxerga uma árvore, na distância. "Talvez eu consiga…" — Cirius pega Yaldabaoth e finca sua espada no chão.
De repente, a árvore na distância se incendeia. As pessoas se assustam e começam a se aproximar dela.
"Boa !" — Cirius pensa consigo mesmo. Ele corre até a parte de trás do restaurante. Há uma porta lá. Cirius bate nessa porta.
Stella abre a porta. Ela solta um suspiro, aliviada. "Ainda bem… Estávamos preocupados."
"Heh, eu disse que não precisava~" — Cirius diz, confiante. Ele entra no local, saindo na cozinha.
"Aqui, eu te ajudo." — Stella diz, pegando um dos braços de Kara e o pondo em seu pescoço.
Os dois caminham, até chegarem na sala secreta. O grupo está no local. Há uma cadeira no centro da sala. Todos ficam mais aliviados, quando vêem Cirius.
"Graças aos Dez, você tá bem…" — Galadriell diz.
"Todo mundo ficou tenso. Vê se não faz mais isso, hein." — Mira diz.
"Marido fica feliz que voltou inteiro !" — Luna diz, animada.
"Quase me deu um enfarto, hein carinha." — Kaito diz.
"Estava começando a demorar, Cirius, pensamos que algo ruim poderia ter acontecido…" — Èris diz.
"Eu tô inteirinho, galera. Relaxa aí." — Cirius diz.
"Fico muito feliz com sua volta." — Marco diz. "Não só isso, como também retornou com Kara."
"Falando nela..." — Stella diz. Ela tira Kara de Cirius e a senta na cadeira.
"Ajudem-me a amarrá-la, por favor." — Marco diz. Ele pega uma corda.
Stella e Marco amarram Kara à cadeira.
"Prontinho. Daqui ela não sai." — Stella diz.
Mira puxa Cirius para um canto. "Descansa, você merece."
"Valeu." — Cirius diz.
"Como foi ?" — Èris pergunta.
"Como qualquer outra missão que fizemos." — Cirius diz. "E eu ainda deixei aquela esquisitona brava pra caramba, dizendo que íamos destronar ela e que éramos uns 'Vigilantes dos Sete Amanheceres'."
Luna inclina sua cabeça, confusa. "Vigilantes dos Sete Amanheceres ?"
Mira solta um suspiro, desapontada. "É um nome idiota que ele inventou, quando era criança. Disse que seria o nome do esquadrão dele, quando virasse uma das Deidades de Mako."
"Não é idiota !" — Cirius diz, bravo. "É um nome maneiro pra caramba ! E causa medo no coração de todo malfeitor que escuta ele !"
"Eu acho charmoso." — Galadriell diz, dando um leve sorriso.
"Viu só ? Finalmente, alguém de bom gosto." — Cirius diz.
"Não dá mais um motivo pra ele se orgulhar disso..." — Mira diz.
"Conta aí, como escapou ?" — Kaito pergunta.
Cirius fica cabisbaixo.
"Marido não parece legal." — Luna diz.
"Podem me responder uma coisa, por favor ?" — Cirius pergunta.
"Mas é claro que podemos." — Èris diz.
"Vocês… Vocês ainda seriam meus amigos, se eu fosse outra pessoa ?" — Cirius pergunta, receoso.
"Como assim ?" — Mira pergunta.
"Marido não tá fazendo sentido. Marido é marido." — Luna diz.
"Por que está pensando isso ? Nós te amamos de qualquer forma." — Galadriell diz.
"É que…" — Cirius diz. Ele solta um suspiro. "Isso é uma coisa que eu venho pensando faz tempo, mas não consigo acreditar. Melhor dizendo, não QUERO acreditar."
"E o que é ?" — Marco pergunta.
"Pode desabafar o quanto quiser com a gente. Tu já é praticamente família." — Kaito diz.
"Muito obrigado, gente. Muito obrigado mesmo." — Cirius diz. "O problema é que, ultimamente, eu venho percebendo que, quanto mais forte eu fico, menos eu sou eu mesmo."
"Cirius, a gente não tá te entendendo." — Mira diz. "Como assim 'menos você' ?"
"É que eu descobri uma coisa sobre mim. Uma coisa que já estava na minha cara há muito tempo, mas eu nunca tinha parado pra perceber." — Cirius diz. "Eu consigo usar o Kekkai perfeitamente."
"Isso é uma coisa normal, eu também consigo." — Galadriell diz.
"Não é isso. Eu consigo usar todo Kekkai." — Cirius diz. "Olha só." — Ele respira fundo. Cirius desaparece em uma fumaça preta.
O grupo se assusta.
"Epa ! Só um segundinho aí ! Isso aí é meu !" — Kaito diz.
Cirius reaparece. "Exatamente."
"Como é que você consegue fazer isso ?" — Stella pergunta.
"Esse é o problema, eu não faço a mínima ideia." — Cirius diz. "Eu só preciso ver acontecer, treinar e, pronto, habilidade nova."
"Isso é incrível. Normalmente, demoram anos para se aprender uma técnica complexa, e você as aprende em meses." — Èris diz, maravilhada.
"Parando para pensar, você realmente aprendeu minha Lâmina Fantasma rapidamente. Mais rápido do que eu aprendi." — Galadriell diz.
"Por que não se sente contente com isso, Cirius ? Claramente é um dom extraordinário." — Marco diz.
"É, mas eu não consigo aperfeiçoar, nem nada do tipo." — Cirius diz. "Se eu imito o Kekkai do Kaito, por exemplo, fico invisível só por alguns segundos. Mais cedo, imitei o da Mira, mas não consigo ver tão longe. Essa minha técnica de criar pilares de chamas é uma imitação de um amigo meu. Até meu Ultimus Spiritus é uma cópia do Lunae Lamina do Claude. Além disso, eu também tentei imitar minha mãe, abrindo um portal. Mas só consigo ir alguns metros para a frente."
"Ainda não vejo o problema nisso." — Kaito diz. "Se eu conseguisse fazer tudo isso, ia sair por aí me exibindo."
"Eu acho muito legal que eu consiga fazer isso, mas poder fazer isso me deixa meio pra baixo." — Cirius diz. "Eu sou só uma imitação barata dos outros. Como é que vou saber quem eu mesmo sou, se só faço as coisas que os outros fazem ? E nem isso consigo fazer direito…"
"Heh, e eu achei que você era o príncipe de Ignis." — Stella diz.
"Isso não é legal !" — Luna diz, brava.
"Não é sobre quem, ou o que você é, o importante é o que te define. A pergunta que deveria estar se fazendo não é 'quem é Cirius', mas sim, 'o que define Cirius'." — Stella diz.
"O que me define ?" — Cirius pergunta, confuso.
Stella concorda com sua cabeça. "Exatamente. Você não deveria avaliar as perguntas que faz, deveria avaliar o raciocínio que te levou a essa pergunta. Esse é o verdadeiro Cirius."
"…Saquei…" — Cirius diz. "…Meu verdadeiro eu não é o destino, é o caminho que peguei para chegar até o destino… Faz sentido…"
"Eu, uh… Eu tenho de admitir, não tava esperando uma coisa dessas vir de alguém como você." — Kaito diz.
"Com licença !" — Stella diz, brava. "Como assim 'alguém como você' ?! O que está querendo insinuar ?!"
"N-Nada. Ehehehe..." — Kaito diz.
"Marido é alguém que depende dos outros, mas também consegue cuidar das coisas sozinho." — Luna diz.
"Alguém que sempre está lá para deixar as coisas melhores e se preocupar com todo mundo." — Mira diz.
"Uma pessoa que sempre protege os incapazes, sem pensar em si mesmo." — Galadriell diz.
"Alguém que jamais poderia ser reposto ou esquecido. Uma das pessoas mais carismáticas, radiantes e únicas que conheci em toda minha vida." — Èris diz.
"Além disso tudo, é um cara que curte meu humor fino e requintado. Esse é dos raros. Heh, e você ainda tem a coragem de dizer que é igual a todo mundo." — Kaito diz.
"É, vocês tem razão. Eu fiz isso tudo mesmo." — Cirius diz.
"Fez bem mais do que devia." — Mira diz.
Cirius fica animado. "Eu SOU único ! Eu sou o único líder dos Vigilantes dos Sete Amanheceres !"
Todos se desanimam imediatamente.
Cirius olha para todos, confuso. "O que foi ? Qual o problema ?"
"Não vamos usar esse nome ridículo." — Mira diz.
"M-Mas por que não ?" — Cirius diz.
"Cirius, não me leve a mal, mas é muito infantil." — Èris diz.
"E a gente não é nenhum time de heróis. Literalmente ninguém sabe da nossa existência. E, quem sabe, não se importa com ela." — Kaito diz.
"Mas… Mas…" — Cirius diz, triste.
"Luna gosta do nome." — Luna diz, sorrindo.
"Você não conta." — Cirius diz.
"Mas Luna gostou..." — Luna diz, triste.
"Ótimo. Agora que o clima ficou melhor, que tal irmos comer lá em cima ?" — Mira pergunta. "Você precisa repor as energias, e vai ser bom para passar o tempo, enquanto a esquisita aí não acorda."
"Quem vai ficar de olho nela ?" — Stella pergunta.
"Creio que não precisaremos vigiar Kara. Ela não escapará das cordas, e, mesmo que escape, terá de passar por nós de um jeito ou de outro." — Marco diz.
"Isso é verdade." — Èris diz.
"Então simbora, gente ! Tô afim de encher com comida boa !" — Cirius diz.
Todos vão embora. No corredor. Um pano igual a parede cai.
Violetta estava atrás desse pano. Ela entra na sala, pega uma garrafa de vinho e começa a se aproximar de Kara. "Você é uma das culpadas pelo papai não poder mais ser feliz. Ele não quer machucar você, mas eu não posso deixar gente ruim assim estragar Fiore." — Violetta levanta sua mão. "Isso acaba agora." — Ela para, quando ouve um chiado. "O que é que…" — Violetta vê um pouco de fumaça saindo de trás de Kara. "E-Essa não ! Eu preciso avisar o papai-" — Ela tenta sair do local, mas algo é jogado na porta, a fechando.
As cordas amarrando Kara se derretem. Ela joga um frasco no chão e se levanta. "Hah… Tanto esforço e dor só para descobrir o esconderijo inimigo. E, no final, acabou estando debaixo do nariz da madame. Ninguém desconfiaria dessa pocilga."
Violetta cai de costas, amedrontada. Ela aponta a garrafa para Kara. "P-Para trás !"
Kara dá um sorriso maléfico. Ela começa a caminhar na direção de Violetta. "Um corpo tão pequeno... Gostaria de descobrir quanto ácido sua carne aguenta, até que comece a derreter e seu sangue comece a borbulhar ?" — Kara lambe seus beiços e mostra suas presas. "Esse é um experimento que eu faço com todo prazer~ Aaahahaha !" — Sua risada maléfica acaba com o silêncio do local.
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