Millennium
1 One-shot
Notas iniciais
Eu estava sentado no sofá antes do ensaio, tentando incansavelmente tirar Millennium do Luna Sea da guitarra, mas eu começava a entender porque os senpais não tocavam aquela música ao vivo... Era extremamente complexa! Mas, quanto maior era o desafio, mais eu me animava a tentar vencê-lo!
Takanori apareceu, puxando Carolina pela mão, parecendo o vencedor máximo dentre os vencedores da Terra! Eu, que nunca acreditei em Akai Ito ou destino, não conseguia negar que eles tinham nascido um para o outro!
Logo atrás deles surgiu pela porta uma garota muito parecida com a Chibi, apesar da expressão facial das duas as distanciar bastante... Enquanto a namorada de Takanori sorria linda e graciosamente, a outra trazia uma melancolia que repuxava seus lábios; ela trazia os olhos voltados para baixo e sem brilho; todo o seu corpo demonstrava desconforto e irritação.
— Está é minha irmã, Sereny – Carolina apresentou-a e eu sorri por ter percebido a semelhança entre elas.
— Monique não veio hoje com você? – Yuu perguntou inquieto e, enquanto Carolina, Ruki e todos os outros riram, pude ver Sereny desviar o rosto com um suspiro.
— Ela teve de sair com a mãe dela! Mas desejou a todos um bom ensaio – Carolina tornou a sorrir e meus companheiros de banda riram da expressão de Aoi.
Ruki puxou a namorada para a poltrona e a sentou em seu colo. Enquanto isso, a irmã da garota foi para o lado oposto e se sentou sozinha. Larguei minha guitarra e fui até ela, me sentando ao seu lado. Ela não pareceu dar importância à minha aproximação.
— Yo! Sou Takashima Kouyou! Muito prazer em conhecê-la, Sereny-chan! – eu me apresentei amigável, tentando deixá-la confortável.
— Muito prazer – ela respondeu baixinho, me olhando minimamente e voltando os olhos para baixo.
— Quer dizer que você é a irmã da Chibi? – perguntei animado.
— Chibi? – ela perguntou, surpresa.
— É! É como chamamos sua irmã! Por causa do tamanho dela, sabe? – dei risada. – Mas, pelo que eu percebi, você é ainda menor do que ela, né? – ela pareceu aborrecida. – Só que não tem cara de chibi como ela! Você é muito séria pra ser considerada chibi!
Ela não pareceu se interessar pelo que eu falava. Alguma coisa nela me preocupava e eu me sentia responsável de alguma forma por ela e por sua tristeza.
— Você gosta de j-rock também? – tentei recomeçar a conversa.
— Não – ela respondeu, seca e parecia já ter se aborrecido de mim. Não deixei isso me desanimar.
— Então veio acompanhar sua irmã? – eu sorri para ela e sua expressão pareceu vacilar. Os olhos que voltou na minha direção não eram irritados, eram solitários.
— É – ela se limitou a dizer e tirou da bolsa um livro de capa preta.
— É muito legal da sua parte vir com ela! Eu espero que goste do ensaio!
— Por quê? – eu estranhei sua mudança repentina de tom. – Que diferença faz pra você o que eu penso?
— Eu ficaria muito feliz se você mudasse de opinião sobre j-rock por nossa causa! – tornei a sorrir, mas ela não pareceu se alterar pela minha resposta.
— Você nem me conhece, não dá a mínima se eu estou aqui ou não!
— Bom, isso não é verdade! Eu sei que você é escritora, sei que é a mais velha de três irmãos e que é muito responsável por isso, quase uma mãe! Sei que não gosta da sua irmã namorar Takanori e que está aqui hoje muito mais do que para acompanhar sua irmã! Você veio avaliar o território inimigo porque já usou todas as estratégias que conhece para tentar dissuadir Carolina! Você se sente sozinha e abandonada nessa situação e por isso não quer se aproximar de mais ninguém! Você se sentiu traída!
Ela não me olhou com surpresa, mas também não me esbofeteou como eu imaginava que faria.
— Bom, você está enganado a meu respeito! Eu só vim acompanhar minha irmã – e abriu o livro, dando o assunto por encerrado.
— Você sempre se fecha na sua redoma quando quer fugir do mundo? – indiquei o livro em suas mãos, desviando-lhe novamente a atenção. Alguma coisa me incomodava quando seus olhos davam mais importância a uma coisa que não fosse eu. Eu me sentia enciumado.
— Você é sempre inapropriado com as pessoas que acabou de conhecer? – ela rebateu.
— Não! Só quando me interesso realmente por alguém! – brinquei, mas ainda assim ela não pareceu baixar a guarda.
— Não vejo porque você iria gastar tanto tempo comigo, então... – ela voltou os olhos para o livro.
— Você parece realmente incomodada com toda essa situação, eu decidi vir até aqui e...
— Ser inconveniente? – ela me fez rir.
— Eu ia dizer quebrar seu gelo, mas parece que sua resposta se encaixa melhor...
— Não precisa ficar frustrado... Você não sabia onde estava se metendo... – eu gargalhei.
— É, eu não fazia ideia de que ia me deparar com uma Rainha de Gelo!
— Sou só uma dama de companhia... – ela terminou entristecida e eu senti vontade de apertá-la em meus braços.
— Com essa postura de durona? Você é minha Rainha de Gelo... Eu só vou ter de me esforçar pra derreter esse coraçãozinho...
— Não se dê a esse trabalho... Anos de inverno não desaparecem assim...
— Artistas são como cavaleiros...
— Se metem onde não são chamados em busca de glória para morrerem por algum motivo nobre e idiota? – eu ri novamente.
— Você não costuma acertar muito no jogo de completar frases, né?
— Nós estamos jogando? Desculpe, não estou fazendo de propósito... – ela disse sarcástica. – Você estava concentrado em alguma coisa mais importante antes... Pode voltar para o que estava fazendo...
— Já ouviu Luna Sea?
— Nunca – ela não pareceu interessada.
— Era o que eu estava tentando tocar... Mas preciso de mais tempo... É uma música realmente difícil... Mas é minha preferida!
— Hum... – ela desviou os olhos novamente para seu livro. – E sobre o que fala essa música?
— Sobre duas pessoas que já não podem mais esperar pra ficarem juntas. Que tempo demais já foi tirado de nós... – ela não disse nada. – Você parece alguém bastante reflexiva, não é mesmo?
— Acho que sou esse tipo de pessoa – ela respondeu, entediada.
— Parece alguém que foi muito magoada – ela permaneceu em silêncio e pareceu finalmente se concentrar no livro. – Vai voltar mais vezes? – eu perguntei, sem desistir.
— Provavelmente, não... – ela respondeu, fria, virando a página do livro.
— Eu gostaria muito que você voltasse! – disse, parecendo um pouco com uma criança a espera de um presente especial no dia do seu aniversário ou do Natal.
— E por quê? – ela perguntou, sem emoção nem parecer realmente interessada em minha resposta.
Eu me aproximei sutilmente dela e esperei que seu rosto se virasse para o meu, unindo nossos lábios num movimento rápido, sentindo a surpresa dela pela primeira vez desde que ela entrara por aquela porta. Eu sorri satisfeito e acariciei sua face, ligeiramente rosada, antes de me levantar para começar o ensaio.
— Porque eu quero muito me apaixonar por você!
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