Military Post

27 Entre mãe e filha


Cap. XXVII – Entre mãe e filha

Riza ficou um tempo no quarto e depois de ouvir alguns passos de salto alto no corredor levantou, imaginava que fosse a mãe.

- Mãe?

A loura colocou a cabeça para fora da porta e viu a mãe que parou e a olhou.

- Oi, querida. O que foi? Achei que estava com seus amigos.

- Eu não fui com a cara dele no começo, achei-o arrogante e idiota, depois descobri que ele não era tão ruim, e agora eu não sei parque raios estou apaixonada, alguma coisa a declarar?

Lizandra riu, já tinha ouvido aquela história. Só que na dela a primeira impressão foi aos cinco anos resultando num chute na canela do garoto de dez.

- Vem comigo.

A mulher estendeu a mão para a filha e as duas seguiram para o sótão. Não era um lugar empoeirado, com ar de casa de fantasmas, era um lugar organizado, com objetos que não tinham lugar nos andares debaixo.

Lizandra mostrou um sofá a filha que sentou-se e foi até uma caixa de mogno. Abaixou-se, abriu a caixa e retirou uma pequena caixinha de cristal e foi até a filha.

- O que é isso?

- Algumas fotos antigas, talvez tenham uns quarenta anos, mas eu não confirmo isso.

Lizandra riu.

- Claro, claro.

- Bem... – ela retira a primeira foto – Essa sou eu e esse aqui com cara de chato é o seu pai. Foi a primeira vez que nos vimos.

- Quantos anos você tinha aqui?

- Cinco. Eu não me lembro com clareza desse dia, mas lembro que seu pai foi extremamente chato... Me irritou e eu chutei a canela dele.

Riza riu.

- E o que o vovô disse?

- Ele não soube, o que o seu pai diria? Que irritou uma menina que ele acabara de conhecer até fazê-la chutar sua canela?

- Eu acho que não.

- Com toda certeza não.

- Desde esse dia eu não gostei do seu pai. Nos vimos mais algumas vezes isoladas conformes os anos, só quando eu debutei e passei a ir as festas e jantares que passamos a nos ver mais regularmente.

- E você não gostava dele, certo?

- Nem um pouco. Richard sempre foi muito cheio de si, não era algo ofensivo, mas me irritava profundamente. Parecia sempre estar querendo mostrar para mim o quanto era demais...

- Hum...

- Quando eu entrei no exército, era secretária, seu avô achava que era só mais um capricho... Eu tinha dezesseis, naquela época não se exigia maioridades. – ela fez uma careta – Odeio essa expressão! Na minha época... É triste.

- Mãe! Você não tem cara de quarenta e cinco.

- Seis daqui dois meses.

- Não seja boba! E agora continue a história.

- Bem... Quase dois meses depois, eu já mostrava talento para o serviço militar e isso pisou no calo de muita gente por eu ser mulher e adivinhe assistente de quem eu virei?

- Do papai?

- Claro, seu avô sempre gostou dele e queria que ele me vigiasse. E não deu outra, a gente discutia horrores quando estávamos a sós. Mantínhamos certa compostura na presença de terceiros.

- Deixe-me adivinhar, o papai te mandava buscar cafezinho, água, escrever cartas... Nada que fizesse diferença.

- Isso. E eu ficava louca da vida, eu sabia três idiomas, estudava antropologia, atirava melhor do que qualquer soldado, combatia melhor... Enfim, eu podia fazer.

- E quando foi que ele resolveu te deixar trabalhar?

- Fizemos uma aposta, se eu o derrubasse e imobilizasse trabalharia, caso contrário sairia do exercito. – ela ri – E você já sabe quem ganhou, seu pai não se deu ao trabalho de levar a sério e acabou com uma grande dor nas costas.

- Legal, mas ainda não entendi a moral da história.

- Paciência, meu bem. Então eu comecei a namorar um amigo dele e nossa... Rich transformou minha vida num inferno. Ele sempre aparecia onde estávamos, arrumava pretextos para eu fazer hora extra, encheu os ouvidos do seu avô... E eu odiei ele mais do que qualquer coisa.

- Papai é osso duro, não como vocês não se mataram. É um mais teimoso que o outro, mas eu sempre pensei que você conheceu o papai aos quinze.

- Riza, antes disso a gente se via, não pode ser contado como conhecer! Mas terminando a história, um dia que eu tinha brigado com o Henry e fui andar pela cidade. Você conhece o vale que tem no final da cidade, ao sul?

- Conheço.

- Pois bem, eu fui lá pensar. É um lugar calmo e vazio. Fiquei lá muito tempo e o Rich apareceu lá... Eu comecei a atacá-lo sem motivo, sabe ele só tinha se sentado ao meu lado e eu jurava que ele iria começar a me irritar e soltei os cachorros em cima dele.

- E vocês brigaram de novo?

- Não. O Rich ouviu caladinho tudo e no final perguntou se eu tinha terminado. Então ele sorriu e a gente começou a conversar. Na verdade, só ele falava, eu jurava que a qualquer momento ele ia me “atacar”. Mas depois de um tempo, eu entrei no jogo e pela primeira vez eu dei uma chance.

- Hum...

- E sabe o que eu descobri?

- Nem imagino.

- Que tudo o que ele fazia, era para chamar minha atenção. Quando éramos crianças porque eu era uma menina mais nova que não ficou fascinada pelo menino mais velho. Mais tarde, porque eu nunca dei moral para ele em sentido nenhum... E depois da convivência, porque ele se achava invisível aos meus olhos.

- Você está dizendo que...?

- O Richard sempre quis uma chance para ser meu amigo, chance que eu nunca dei e que ele tentava conseguir me enchendo a paciência.

- Você acha que tudo o que o Roy quer é uma chance?

- Isso. Bem, pelo que vi, amigos vocês já são, então porque não dá uma chance a ele? Eu já te vi namorando... Ou você acha que eu não sabia dos seus namoros?

- Em tese?

- Eu sabia. – Lizandra sorri – E te vi dispensar muitos rapazes por medo de nós descobrirmos. – ela passa a mão no rosto da filha – Meu bem, a gente só quer o melhor para você. O casamento é uma estabilidade e queremos que case por isso. Mas isso não quer dizer que você precisa dispensar cada rapaz depois de um tempo por medo de nós acharmos que vai dar casamento.

- Mãe... Não era por isso.

- Eu e seu pai sabemos que apesar de nunca impormos nada, sempre jogamos nossas expectativas em cima de você. Por mais que você dissesse com todas as letras que não queria casar, que não iria ficar atrás de nós... Sempre esteve com você a certeza de que você se casaria, que faria tudo para merecer o sobrenome...

- Eu não quero terminar sozinha.

- Eu só quero te garantir, que não importa o que você escolher fazer, nós sempre vamos te apoiar. Claramente que queremos o que achamos melhor, menos doloroso... Não queríamos que você tivesse estado em Ishival e quase enlouquecemos quando vimos seu nome na lista de soldados.

- Pensei que vocês iriam me deserdar depois de lá. O papai deixou bem claro que não queria que eu fosse e que não importaria de mexer os pauzinhos para ignorarem o meu nome.

- O nosso bebê? Tudo o que queríamos era te ver de novo! Nunca ficaríamos sem você por vontade própria.

- Eu sei... – a loura sorri – E depois daquele dia na pedreira? Vocês ficaram amigos?

- Os melhores. E eu terminei com o Henry para poder ficar com seu pai. Pode dar certo.

- Do mesmo jeito que pode dar errado...

- Se sempre pensar assim, nunca fará nada na vida, meu anjo. Dê uma chance ao rapaz.

- Vocês gostaram mesmo dele, não é?

- Muito.

- E se eu acabar casada com outro?

- Vai ser uma pena. Mas eu duvido muito que isso vá acontecer.

- Eu odeio quando vocês usam esse tom de certeza!

- Bem, agora eu tenho que cuidar dos últimos detalhes da festa! É amanhã!!

- Empolgada, mamãe?

- Muito mesmo!

- Que bom... Eu vou dar um voltinha.

- Vai lá... De preferência atrás de um certo rapaz.

- Mãe?!

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Riza encontrou a galera na sala de jogos, estavam no meio de uma partida de sinuca.

- Tá sumida, Riza!

- Tava com a minha mãe... Então, qual é a do jogo?

- Nada demais não.

- Sabe, eu tive uma idéia!

- Nem vem, Tay! Toda vez que você tem uma idéia alguém se lasca!

- Nossa, Riza! Ainda bem que somos amigas! Mas eu vou falar do mesmo jeito!

- Que seja...

- Que tal um torneiozinho? Eu e a Riza, contra o Roy e o Jean!

- Nem morta!

- Por que Riza? Com medo de perder?

- Para você? Nem em sonho!

- Então qual é o problema?

- Vou te desmoralizar!

- Eu só acredito vendo!

- Que bom que gosta de perder!

A loura pegou um taco.

- As nossas são as pares!

- hai!

Riza lançou para Tayane e deu um sorriso que a amiga entendeu como um recado. Elas começaram, Riza perdeu duas jogadas e Tayane três, o jogo já parecia decidido.

- É, parece que você fala muito, Riza-chan!

A loira deu um sorriso sarcástico e começou a jogar. Encassapou três com uma só tacada e passou a vez para Tayane que encassapou mais três.

Agora só faltava uma.

Riza olhou para Roy e deu um sorrisinho.

- É tão fácil ganhar de amadores.

Ela deu a última tacada e terminou o jogo.

Tay deu um pulinho e as duas fizeram uma espécie de cumprimento que parecia bem complicado.

- Onde vocês aprenderam a jogar assim?

- Se aprende a fazer cada coisa na academia militar...

- Calar a boca agora não seria má idéia, Tay.

- Yare, yare...

- Isso foi trapaça! Vocês duas se fizeram de jogadoras ruins só para passar a gente para trás!

- E vocês caíram! Não seja um mau perdedor, Roy!

Ela riu e saiu da sala, era hora do jantar!

Ele se apressou para caminhar ao lado dela.

- Você foi má!

- Ou será que você foi bobo?

- Eu acreditei na sua carinha de inocente!

- Você e muita gente! Olha para mim, você acredita mesmo que alguém acha que sou capaz de fazer alguma coisa de mal?

- Ninguém! Isso é propaganda enganosa, sabia?

- Claro! – ela sorriu –

- Então, preparada para amanhã?

- Roy, sabia que o meu dia estava indo muito bem até você se lembrar que amanhã eu vou ser jogada aos leões?

- Por que tem tanta fobia desses eventos sociais?

- Porque sempre aparecem um monte de caras chatos que acham que podem ser o mais novo genro dos meus pais e acham que eu devo me sentir honrada por isso. Ou talvez seja porque tem um monte de gente chata que fica me bajulando para eu falar bem para os meus pais... Ou ainda porque tem um monte de garotas que me odeiam porque os caras que elas queriam que dessem em cima delas para elas se sentirem honradas, ficam em cima de mim?

- Bons motivos.

- Mas isso é uma festa que seus pais vão dar só para os amigos próximos.

- Se fossem só os amigos próximos não dariam nem dez pessoas! Fora que eles precisam fazer uma boa imagem na sociedade, você deveria saber que essas festas são para isso, seus pais devem fazer coisas assim!

- Bem fazem, mas eu sempre gostei das festas.

- Nem imagino o motivo...

- Caramba! Você sempre pensa o melhor de mim, em?!

- E não é por isso? – ela ergue uma das sobrancelhas –

- Okay... Talvez um pouco! Mas eu adoraria ter um voto de confiança!

- Eu tento!

- Com mais vontade! Tenta com mais empenho!

- Eu vou tentar!

Continua...

Meus amores!

Aqui estou eu e espero que gostem e comentem!!

Os biscoitinhos ficam muito felizes, assim como eu!!!

E deem uma olhadinha na nova fic \"Jantar\".

Kiss kiss