Milagres de Natal

1 Os Fantasmas de Stanix


Notas iniciais
Eu espero que gostem da história,eu fiz ela com muito carinho e nos vemos nas notas finais.

Os Fantasmas de Stanix A noite fria e a forte ventânia lá fora dificultou o sono a vir,hoje é noite do dia 24/12,véspera de Natal,grandes coisas, pela cidade há muitas pessoas ansiosas pelo tão esperado dia de natal,comemorando e se preparando para os presentes que vão ganhar. Ainda não são meia-noite,mas preferiu recolher-se cedo para estar descansado para o cansativo dia que seria amanhã.

Não gosta do Natal,afinal é um feriado,e em feriados não se trabalha,e se não se trabalha é menos lucro e quanto menos lucro, menos dinheiro... Além disso,no Natal as pessoas estão mais pegajosas, mais felizes, mais falsas,elas estão mais tudo.

Seus pais morreram quando ele tinha 11 anos e desde então morou com sua Tia Margô,uma mulher fria que o ensinou sobre as coisas importantes da vida, como por exemplo que dinheiro e poder são coisas que estão diretamente ligadas e são as mais importantes para se viver, ela também o ensinou que o amor não existe e é uma mera invenção das pessoas para terem algo no que acreditar.

Amor,coisa tosca e sem sentido, as pessoas chamariam de amor o que sentiu por seus pais, ele diria que é carinho e afeto, por Tia Margô sentia admiração e respeito e certo carinho.

Tia Margô morreu a 3 anos o deixando sozinho, ele ainda tem parentes vivos mas tem pouco contato com eles, desde que seus pais morreram ele perdeu o contato com seus outros tios e tias,primos,família...

Em plenos 22 anos, Daniel Stanix, comanda a empresa automobilística de seus pais,ou melhor, dele. Começou na faculdade aos 17 anos antes da maioria dos outros adolescentes, sempre se esforçou a mais nos estudos e se empenhou em ter as melhores notas, com isso conseguiu pular algumas etápas.

É alto [1,87] e tem um corpo definido de academia sem exageros, os olhos azuis em sua pele clara contrastam perfeitamente com seus cabelos pretos,que são curtos e em um corte militar.

Se remexeu na cama incomodado com o barulho das janelas batendo,mas o barulho só aumentou até que acordou com o barulho alto da janela mais próxima batendo.O vento foi tão forte que soltou o trinco da janela,se levantou praguejando e foi até ela e a fechou.

Quando se virou para voltar a cama viu um menino que aparenta ter treze anos sentado em sua cama,loiro,olhos azuis e pequeno,pelo menos parece ser pequeno,está usando uma calça e blusa de um amarelo claro,se levantou ficando em pé em sua cama.

–Olá! Eu sou o fantasma do Natal passado,mas pode me chamar de Gáston, é mais fácil, é um prazer conhecer você! -O garoto pulou da cama para o chão,passou a mão pelos cabelos curtos e se aproximou de Daniel.

Daniel que estava parado em choque até o momento, suspirou passou a mão pelos cabelos olhou em volta do grande e luxuoso quarto e sem dizer nada voltou para a cama pensando ser apenas um sonho estranho.

Fechou os olhos por alguns segundos até sentir um peso em cima de si, virou-se, mas o peso não saiu de cima de si,abriu os olhos e pode ver o garoto sentado em cima de sua cintura.

–O que diabos eu andei tomando pra ter estas alucinações?- perguntou para sim mesmo, mas obteve uma resposta do garoto em cima de si.

–Oras ,não tomou nada- disse o garoto exasperado- Estou bem aqui, você está sentindo, veja -o garoto deu um leve pulo.

–Não estou não,você não estava aqui antes e não vai estar agora,e saia de cima de mim!

O garoto não se moveu nem um centímetro e ficou encarando-lhe, impaciente Daniel sentou-se e o colocou o garoto sentado ao seu lado na cama,depois levantou-se da cama,ficou de frente para Gáston e perguntou:

–O que diabos é você e o que você quer aqui? O garoto com cara inocente respondeu:

–Eu já disse,sou o espírito do Natal passado! -disse como se já tivesse dito isso mil vezes- E não deve ser tão difícil imaginar o que estou fazendo aqui! Você se lembra do sonho que teve noite passada? Com sua Tia ?

–Como você sabe que eu sonhei com ela? -perguntou Daniel espantado.- Foi só um sonho, não tem mais nada, foi só um sonho!

–Pare de tentar se enganar! Você sabe que não foi só um sonho, aquilo foi um aviso, um aviso que deve ser ouvido.

–Não faz sentido,não é real! -falou em um tom elevado Daniel.

–Eu estou aqui,eu sou real!- Gáston respondeu no mesmo tom.

–Ela te disse que algo ia acontecer esta noite,que você teria uma chance, ela te disse para aproveita-lá e não é isso que você está fazendo.

–Eu não preciso de uma segunda chance,eu não preciso de nada!

Gáston suspirou e se levantou, e hora de mudar de estratégia.

–Você está com medo,não é? Do que pode ver,do que vai acontecer depois

. -Eu não estou com medo!

–Então porque não quer ir?

–Porque... porque... espera aí,ir aonde?

Gáston suspirou cansado e disse:

–Você é meio lerdo nao é?! -Daniel o olhou de modo feio- Natal passado,espírito... Eu estou aqui para te mostrar o Natal passado,e por falar nisso,nós já estamos atrasados, vamos logo.

Gáston pegou Daniel pela mão e então o levou em direção a um redemoinho horizontal amarelo que se formou sem que Daniel percebe-se, como foi pego de surpresa a vantagem estava a favor de Gáston e quando ele finalmente se deu conta de pra onde estava indo foi tarde demais,já estava rodando dentro do redemoinho.

Dentro do redemoinho se sentiu leve como nunca se sentirá antes,a sensação de flutuar foi uma das melhores situações já experimentadas em toda a sua vida. Se distraiu tanto que não percebeu o sorriso discreto na boca de Gáston. Só voltou a realidade quando caiu sentado no chão duro e frio.

Olhou para o alto e viu Gáston flutuando no ar e o olhando com cara de indagação:

–Você voa?! Espera, dane-se, você apareceu no meu quarto no meio da noite dizendo ser um espírito do Natal e me puxou para um redemoinho amarelo, voar é o de menos.

–Ainda bem que você já está se acostumando, agora vamos lá que não temos a noite toda.

–Vamos aonde?

Gáston apontou para uma enorme casa que atrás de Daniel,quando ela a viu ele arregalou os olhos e logo perguntou:

–A casa que eu morei com meu pais?-Mas Gáston já ia em direção a casa,dessa vez andando ao invés de flutuando, Daniel foi atrás dele, não demorou muito a alcança-lo. Eles andaram em silêncio, quando chegaram a perto da porta Gáston a atravessou, Daniel ficou alguns segundos esperando até que pensou "Porque não?" e tentou atravessa-la e conseguiu

. A primeira coisa que viu quando entrou lá dentro,foi uma versão mais nova de si mesmo correndo pela casa com uma capa de super héroi e sua mãe rindo correndo atrás do seu pequeno eu.

–Você era tão fofo,quantos anos você tinha? -Gáston se aproximou e perguntou, assustando Daniel.

–Eu tinha 8 anos,eu 'tava numa época de querer ser super-héroi.

Daniel observou sua mãe finalmente o pegar,então ela começou a fazer cosquinhas nele e não demorou a risadas encherem a casa,seu pai logo chegou e se juntou a "festa" que eles faziam. Mas as cena não durou muito, de repente em uma confusão de amarelo e eles estavem em outro lugar, dentro de outra casa, um lugar frio e sem nenhum sinal da época do ano que se encontravam.

–Que lugar é esse? -perguntou Gáston.

–A casa da Tia Margô-disse em um certo tom triste.

Nesse momento ouviram barulhos de conversas, Gáston logo foi ver quem era e o que estava acontecendo e Daniel, mesmo exitante, foi atrás. Eles pararam na porta e observaram a cena que se decorria.

–Você ainda tem que estudar,você ainda não fez todos os exercícios de hoje.

–Mas Titia,hoje é Natal,Ian me chamou pra ir até a casa dele,vai ter um almoço lá,a senhora também pode ir...

–Quantas vezes vou ter que dizer que você não pode sair! Você tem muitas coisas a estudar, ninguém consegue dinheiro e sucesso na vida saindo para almoçar com amigos!- interrompeu Tia Margô.

–Mas ...

–Mas nada,volte a estudar e sem reclamar. -Ela saiu,batendo e trancando a porta.

–Vamos embora.-disse Daniel sério.

–Eu sinto muito-Disse Gáston triste.

Deram uma última olhada na versão pequena do Daniel com olhos cheios de lágrimas enquanto escrevia no caderno. E então o amarelo tomou conta e quando se viu estava no quarto de novo.

–Eu realmente sinto muito,eu não devia ter te levado lá.-suspirou Gáston.- Quando foi aquele dia?

–Foi a dois natais depois que perdi meus pais; o primeiro Natal depois do acidente eu passei no hospital, eu estava no carro quando ele capotou, mas como eu estava no banco de trás o acidente não foi fatal pra mim. O próximo ano eu já estava morando com minha tia, naquele dia Ian havia me chamado para passar o dia na casa dele, mas eu tinha que estudar, eu me lembro que tentei sair escondido mais tarde quando Tia Margô dormia a tarde, mas ela acabou acordando...

–Ninguém deve passar o Natal assim, eu realmente sinto muito e...

–Não sinta, está tudo bem- interrompeu Daniel- se eu não tivesse me esforçado hoje em dia eu não teria conseguido manter e aumentar a empresa da minha fámilia, sacrifícios são necessários.

Gáston soltou um suspiro triste e disse:

–Meu tempo aqui com você já terminou- então sorriu e completou- O espírito do Natal Presente daqui a pouco estará aqui,foi um prazer te conhecer,e lembre-se: O passado nos lembra o que aconteceu para aprender e evitar cometer erros que já fizemos ou já vimos serem feitos.

E então ele se foi,simplesmente se foi. Daniel, depois de sozinho, se sentiu estranho, qual é?! Espíritos de Natal, não, isso é filminho lição de moral demais pra Daniel. Foi a cozinha e bebeu um copo de água gelada enquanto tentava se convencer de que apenas estava sonhando.

Quando voltou para o quarto a primeira coisa que viu foi uma mulher,uns 17 centímetros mais baixa que ele, com cabelos castanhos cacheados na altura dos ombros em um vestido vermehlo brilhante na altura dos joelhos.Ela se virou e o olhou com um sorriso,ela tem franja e seus olhos são azuis e brilhantes, ela aparenta ter 25 anos.

–Olá!-ela disse.

–Deixe me adivinhar,você é o espírito do Natal Presente?

A moça sorriu de forma culpada e disse:

–É,sou eu,mas também me chamam de Annabelle.

–Você deve saber quem eu sou.Onde é que vamos agora?

–Melhore esse humor rapaz, é véspera de Natal!- sorriu de modo provocador o espírito do Natal Presente.- Nós temos muitas coisas a ver, então é melhor irmos logo.

De repente foi puxado para dentro de um redemoinho vermelho ,tão agrádavel quanto o outro, se deixou levar pela boa sensação de se estar ali e, de novo, só voltou a realidade depois de aterrizar no chão,dessa vez na neve.

Olhou em volta e não de cara não reconheceu o local, demorou um pouco até ver o lugar onde está, havia meses que não ia até aquele lugar. O apartamento que Ian divide com os namorado. Não é um lugar muito luxuoso mas é confortável e aconchegante.

Estavam no pequeno quarto de hóspedes, dirigiram-se para a sala de estarde onde ouviam barulhos de conversa e objetos. Na sala viram Ian, Andrew, seu namorado, Frederick e Amanda, Joseph, Melinda, Farrah e Dean .

–Eu ainda me pergunto como é que alguém pode confiar a Farrah uma tarefa como trazer a sobremesa principal, ela vai intoxicar a todos nós! -Disse Frederick.

–Ei, ei ,calma ai, eu nem cozinho tão mal assim!-defendeu-se Farrah.

–Desde o dia que você colocou açúcar na macarronada e pos fogo em uma ovo na frigideira eu não duvido de mais nada!-disse Melinda.

–E não se esqueça da vez que ela inventou de por gema de ovo no brigadeiro! — acrescentou Amanda.

–E da vez que ela jogou sal no suco e depois cismou que ferver ele ia tirar o gosto de sal... -disse Frederick

–Gente, parou com a palhaçada! A Farrah é uma cozinheira ruim mas é uma ótima amiga!- Disse Andrew entrando na brincadeira.

–Aff, eu desisto de vocês! Falam, falam, falam, mas no final não vai sobrar nem um pedaço de torta de Nozes para contar história- Disse Farrah cruzando os braços e levantando a cabeça, como quem diz,estou certa,bitch please.

–Não vai, até porque,torta não conta história!- Disse Joseph em um tom sério, fazendo todos rirem, inclusive Farrah -Gente,deixa a coitada se enganar, vamos mudar de assunto, como quando é que Melinda vai convidar a Aléxia pra sair...-disse Dean.

–Ei, eu não estou apaixonada!

–Ninguém disse que estava...

A bagunça ali na sala continuou, mas Annabelle e Daniel seguiram Andrew que ia até a cozinha.

Lá eles viram Ian mexendo no forno.

–Quando é que você vai se juntar a nós, o assunto agora é Melinda e sua paixão mal disfarçada.

Ian riu e disse:

–Só estou ajeitando algumas coisas por aqui, já estou indo.

Ian terminou de jogar o conteúdo que estava na concha em sua mão em um tabuleiro no forno,o fechou e então puxou Andrew para um beijo apaixonado. Joseph chegou na hora e os vendo juntos gritou para a sala "Eu disse que é só deixarmos eles sozinhos e eles já estão se pegando" e então escutou-se risos.

Daniel saiu dali se sentindo incomodado, afinal esse é o presente, está acontecendo em tempo real, seus amigos todos estão ali reunidos e ele não está, ele está sozinho, passando a véspera de Natal dormindo, ou era o que ele deveria estar fazendo.

Annabelle se aproximou e disse:

–Eles parecem estar se divertindo muito...

–É,se divertindo sem mim, nem ao menos me convidaram!

–Depois de anos te chamando para comemorações e você recusando eles cansaram. Porque te chamariam se você não vai ir mesmo?!

–É a obrigação deles me chamarem, depois de tudo que fiz por eles! Noites acordado repassando matéria que não foram entendidas para a prova doa dia seguinte, conselhos administrativos para seus empregos e teses... Eles são meus amigos!

–São? Porque não me parece que você sabia sobre a paixão clara de Melinda,nem me parece que você sabe que Ian pediu Andrew em casamento ou que Joseph esteve internado por uma forte gripe,também não me parece que você saiba que Amanda e Frederick vão ser pais ,Farrah começou a pós-graduação e Dean adotou um cachorrinho.

–Isso não é uma competição de quem sabe mais,eu estava ocupado, eu tenho que trabalhar e ver se os outros estão fazendo o certo enquanto eu termino minha pós!

–Há,não se chateie tanto por isso,eles também devem estar ocupados.- Disse Annabelle e começou a andar- Ainda temos mais coisas a ver...

Antes que pudesse seguir Annabelle o vermelho já o engolia.

Pararam em um prédio feio,escuro e frio.Annabelle se virou para ele deu um sorriso triste e fez sinal para que ele a seguisse. Ele a seguiu e entraram no apartamento de número 12. O lugar era tão frio quanto o corredor e apesar de ser limpo o lugar é pequeno e tem manchas de infiltração.

–Que lugar é esse?

–Você vai ver, venha.- Saíram do pequeno corredor no qual se encontravam e deram na sala/quarto. Daniel se surpreendeu ao ver ali Dylan, um garoto que estuda na mesma universidade que ele, mas o mais surpreendente foi ver ali um menino que aparenta 3 anos de idade.

–O quê?- indagou Daniel espantado olhando para Annabelle.

Mas sua pergunta não foi respondida,ao ínves de Annabellle dizer qualquer coisa ela apenas olhou para frente e nesse momento ouviu a voz de Dylan.

–Você sabe que tem que se agasalhar! Nós não queremos você doente não é?!

–Uhun papa.-deu um sorriso tímido o garoto- posso brincar agora?

–Pode,eu vou preparar o jantar,ok?

O menino acenou e correu até uma cama que havia no quarto e se sentou ali brincando com um carrinho barato .

–Esse é o lugar onde Dylan mora,e aqule menininho ali é seu filho,Noah.

Dylan é um rapaz que faz Pedagogia na mesma universidade que Daniel,eles tem duas aulas juntos, para azar de Dylan eles caíram na mesma dupla para fazer trabalho até o final do semestre, Daniel sempre cobrava mais de Dylan para fazer os trabalhos.

Como quase sempre anda de mau-humor não foi uma surpresa quando no dia em que Dylan se esqueceu de um atividade Daniel simplesmente perdeu o controle e acabou brigando com o garoto, chegando ao ponto grave de irem parar na reitoria. Dylan chorava enquanto Daniel acabava por fazer sua caveira para o diretor, ele não sabe como terminou pois pôde se retirar assim que terminou de dizer tudo de ruim que queria e podia.

Essa briga não aconteceu há muito tempo, na verdade, ela ocorreu a cinco semanas, desde então Dylan o evita o máximo que pode e só fala com o outro quando é de extrema importância

. -Porque ele ainda está acordado? Já não são horas de bebês estarem acordados.

–Agora são 10:46 da noite.- Disse Annabelle olhando um rélogio em seu pulso.

–Só isso? E pensei que agora fosse meia-noite, não é a essa hora que coisas assim acontecem?

–Você vê flmes demais- Revirou os olhos Annabelle.

Olhou em volta do lugar, viu que há mais infiltrações do que virá a primeira vista. A sala e o quarto são o mesmo lugar, há um sofá velho no meio do lugar virado para janela, atrás do sofá a uma cama de solteiro, que parece ser o melhor móvel de todo o lugar, um pouco ao lado do sofá a uma divisória para o que seria a cozinha, na cozinha tem uma pequena geladeira bastante velha e um pequeno fogão de duas bocas no balcão. Do lado oposto a cozinha tem uma porta, a única outra porta além da de entrada, provavelmente o banheiro

.­­ -Porque estamos aqui?

–Você pergunta demais, as respostas chegarão na hora certa.

Daniel bufou mas não disse mais nada.Viu o menino feliz brincando com seu carrinho, que agora percebeu, está quebrado.O menino é bochechudinho e fofo,tem cabelos castanhos,mas diferente do pai tem olhos azuis escuros, é pequenino e está vestindo um macacãozinho surrado com um caminhão de bombeiros, muito bonito.

Olhou para Dylan na cozinha e pensou como o lugar não parece combinar com ele. Dylan é até pequeno, tem 1,68 de altura, seu corpo é magro mas não tanto,tem até suas "curvas", tem cabelos lisos castanhos não tão escuros, e olhos castanhos chocolate, é um rapaz bonito e dependendo de como se olha até frágil e delicado.

–Noah, o jantar está pronto!- disse Dylan da cozinha. O menininho largou o carrinho e correu desajeitado até a cozinha.

Tinha uma pequena mesa velha e de aparência duvidosa com duas cadeiras na cozinha, o menino ergueu as mãos para o pai que o sentou em uma cadeira e depois voltou a mesa com um prato de macarrão, colocou-o na mesa e se sentou.

Observaram os dois comerem enquanto brincavam e riam.

–Essa é a ceia deles?-perguntou Daniel.

–Sim.

Não disse mais nada, apenas os viu terminarem de comer e depois Dylan levar Noah para o banheiro e voltarem com os dentes escovados. Dylan, colocou o pijama no filho e uma blusa de frio e também trocou sua roupa, pondo uma calça e blusa de moletom, uma roupa parecida com a sua, porém, suas roupas eram pretas e novas, enquanto as dele eram surradas e calça cinza e blusa vermelha.

–Papa- Chamou Dylan quando eles já estavam deitados e cobertos na cama.

–Oi, meu anjinho.

–Papai Noel vai me taze o cainho de contole remoto que eu pidi?-perguntou Noah com os olhinhos brilhando.

Dylan, olhou por sobre a cabeça de Noah e esperou um momento antes de responder.

–Olha,Papai Noel é um homem muito ocupado, e ele não vai ter tempo de te trazer o carrinho esse ano, mas ele prometeu que ano que vem ele vai dar seu máximo pra te trazer umcarrinho bem bonito!

–Então Papai Noel vai me dá maisi busa de fio? Ou o dedom mais quenti

. -Eu já te disse que ele está ocupado meu anjinho- respondeu Dylan com lágrimas nos olhos.

–Então eu não vo ganha pesente? Eu num fui um bom minimo? Dylan respirou fundo e fez de tudo para conter as lágrimas,então disse:

– Você foi sim Noah, mas acontece que as vezes Papai Noel tem que se preocupar com as crianças malvadas, pra elas aprenderem as serem boas.

–Então pa ganha pesente eu tenho que ser mau?

–Não meu amor, é só que você é um menino tão bonzinho que Papai Noel mesmo não tendo muito tempo vai vir aqui e deixar algo pra você.

–Então eu sou bom?

–Sim, você é bom e especial. E ele vai lembrar de você.

–Nosso tempo aqui acabou.- Disse Annebelle e então tudo ficou vermelho e ele estava de novo em seu quarto.

–Porque você me levou a casa dele, do Dylan?-perguntou Daniel um tanto incomodado.

–Você sabe o porque. Pare de negar o que você sente, isso nunca acaba bem.

Daniel suspirou e por um minuto ficou em silêncio encarando Annabelle, então perguntou:

–Aquele lugar não é bom para uma criança morar,não é um bom lugar pra ninguém morar... Porque ele vive lá, o que isso tem a ver comigo?

–Quando estava nos últimos meses de colegial Dylan engravidou, os pais dele não aceitaram que seu filho estivesse grávido e muito menos ele ser gay, então eles o expulsaram de casa.

"Como ele já tinha conseguido a bolsa de estudos ele ficou na casa de um amigo até a formatura, ele estava com 4 meses. Quando ele finalmente pegou o diploma ele veio pra cá com as economias que tinha, mas ele sabia que não ia poder ficar nos quartos da universidade, então ele arrumou um emprego e um local em conta pra ficar."

"Ele não conseguiu um trabalho que pagasse melhor,mas ele recebia o auxílio da universidade,mas ele parou de receber o auxílio há algum tempo e as coisas pioraram."

–Ele parou de receber o auxílio por minha culpa não é? Foi por isso que ele só tinha macarrão pro jantar e não pode comprar roupas melhores não é?

–Pare de fazer perguntas cujas respostas você já sabe!- responde Annabelle um pouco irritada.

–Eu não quis....

–Você quis sim! Se você não quisesse você não teria levado as coisas até a reitoria, você não teria armado um barraco por uma simples atividade!- Respirou fundo- Já estamos atrasados, eu já vou indo, mas antes me ouça: O passado já passou, mas o presente é o aqui agora, é o momento de mudar e aprender, escreva sua história de uma maneira que você vai querer ler mais tarde.

Disse isso e explodiu em uma confusão de tons e borboletas vermelhas.

–Como sempre dramática!

Virou-se na direção da voz e viu um homem de meia-idade, de cabelos ruivos e olhos pretos como a noite, ele usava uma sobretudo ver folha seca e uma calça escura quase preta.

–Espírito do Natal Futuro?

–Também conhecido como George,é um prazer te conhecer.

–Eu não tenho certeza se é um prazer te conhecer. George sorriu e apontou para um pouco adiante de Daniel formando um redemoinho verde escuro, George disse " Novatos primeiro" e Daniel entrou no redemoinho.

Diferente dos outros, esse redemoinho é mais gelado e menos confortável, nesse, o tempo pareceu durar horas. Sentiu alívio quando aterrizaram, mas não durou muito, olhou em volta e viu um lugar escuro e carregado.

–Que lugar é esse? -Perguntou Daniel.

George apontou um quadro, assim que Daniel o viu se espantou, aquele é o quadro que fica na sala de sua casa. Olhou para George e ele apenas levantou uma sobrancelha como se mostrasse o obvio.

–Eu moro aqui?

–Sim, essa é sua nova mansão, maior e mais imponente que aquela que morava antes.- respondeu George- Venha.

George foi até uma grande sala e Daniel o seguiu até lá, chocou-se com o que viu: Ele sentado em uma mesa bem farta, com comidas e bebidas de sobra, mas completamente sozinho.

–O que aconteceu?

–Finalmente conseguiu perguntar.

–Esse deveria ser um banquete de Natal, mas como você pode ver,ninguém quis vir. -George olhou para o Daniel sentado a cabeceira da mesa, suspirou e continuou — Seus amigos cada vez mais se afastaram e não viram porque vir a um Natal de um desconhecido, as pessoas que você convidou por "interesse" desmarcaram de última hora.

"Você ficou sozinho, não tem mais ninguém."

–E o Dylan? O que aconteceu com ele, eu chamei ele, não chamei?

George deu um sorriso triste e de repente estavam em um outro lugar, uma casa modesta mas melhor do que a última casa de Dylan.

–Eles moram aqui agora, -apontou para dentro da casa,e lá dentro viu o menino já mais crescido ,Dylan sentado perto dele e um homem mais velho.- Aquele homem é o marido de Dylan...

–Ele é o que? -perguntou um Daniel irritado.- Ele tem a idade para ser pai dele!

–Bem, o frio aumentou mas o salário de Dylan não, sem o auxílio da faculdade ele ficou cada vez mais endividado, até que Noah pegou uma pneumonia pelas péssimas condições da casa e Dylan foi ameaçado de perder a guarda dele.

" Esse homem já vinha dando em cima de Dylan a um tempo e quando ele fez a proposta de casamento ele teve que aceitar. Ele ganhou uma condição financeira melhor, uma casa boa e ajuda para cuidar de seu filho, mas ele teve que parar de ir a faculdade e a trabalhar."

"Você não pode ver por ele estar sentado, mas Dylan está de sete meses, faz 9 meses que ele deu a luz a uma menina, Isabella. Seu marido não gostou muito de ter tido uma menina, na verdade ele não gosta muito de ter que criar o filho de outro homem também e quando ele bebe, sempre, ele acaba descontando sua raiva no Dylan."

–Ele... ele o que? Eu não acredito!- De tudo que aconteceu em toda a noite o que mais o assutou foi o futuro de Dylan, ele é uma pessoa boa, não merece ter que passar por tudo isso.- Porque eu não fiz nada? Porque eu não faço nada?!

–Porque você faria?- Perguntou George levantando uma sobrancelha- Você mesmo adimitiu pra você que só sente tesão por ele e nada mais! Tia Margô disse que o amor não existe, ele só é uma desculpa; Então porque você se casaria com alguém pobre e que ainda por cima já tem filhos?

–Eu... Eu... Ele não merece isso,ele...

–Nada acontece por acaso, a vida é feita de escolhas, se as coisas estão assim hoje é porque nada foi feito para evita-las no passado.- George desviou o olhar da janela e olhou para Daniel que se viu forçado a encarar George também.- Tudo que é feito influencia diretamente no Futuro, cada escolha errada, cada decisão não feita, todas palavras mal ditas... O futuro é incerto e mutável, para alguns essas são qualidades, para outros são defeitos, faça dessas características o melhor pra você. Porque quanto mais você se afunda,mais difícil é sair do buraco.

Então ele sumiu e Daniel teve um rápido vislumbre da nova casa de Dylan, dele em sua nova casa sozinho a mesa e da festa de seus amigos, se divertindo, rindo, esquecidos dele...

E então de repente estava em sua cama, olhando para o teto assustado. Se levantou e olhou para o rélogio assustado, 00:00 hrs, o recomeço; não podia deixar aquele futuro se realizar, mas antes que pensasse em qualquer outra coisa ,caiu na cama e voltou a dormir.

Acordou de novo as 06:00 da manhã, mesmo tendo dormido, o sentimento de querer mudar não foi embora. Levantou-se e foi direto para o chuveiro, tomou um banho rápido, pegou uma roupa quialquer no guarda-roupa, um carro grande e saiu.

A primeira coisa que fez foi ir até o shopping,que por ainda ser muito cedo não estava aberto,por ser só 6:48 da manhã e não ter tomado café-da-manhã foi até uma padaria que fica ali por perto comer alguma coisa.

Chegando na padaria, pediu um misto e um copo de suco natural de limão, comeu seu pedido lentamente enquanto pensava na noite que passara, assim que terminou de comer ligou para Ian:

–Alô? -disse uma voz sonolenta do outro lado da linha.

–Ian?

–Daniel?- a voz passou de sonolenta para surpresa.- Aconteceu alguma coisa? 'Tá tudo bem com você? Aconteceu algo na empresa...

–Calma Ian, é manhã de Natal.- interrompeu sorrindo Daniel.

Escutou do outro lado da linha a voz rouca de Andrew perguntando o que aconteceu e Ian dizendo "O Daniel ficou doido".

–Eu sei que dia é hoje,mas porque diabos você está me ligando as 07:25 da manhã?

–Eu meio que acordei pra algumas coisas.-Sorriu Daniel.- Eu tava pensando se você gostaria de vir almoçar comigo hoje, você e o Andrew.

–Olha, eu realmente não esperava por um convite assim- disse Ian surpreso e pode ouvir Andrew perguntando "Que convite?".- Nós estamos indo para a casa dos meus pais, o resto da família vai estar lá,não é todo mundo sabe, mas quem mora por aqui e vai estar por lá, porque você não vem também? Tenho certeza que eles sentem saudades de você.

–Eu também sinto saudades deles. Se eu for eu vou posso levar mais duas pessoas?

–Sempre tem espaço pra mais gente.... Mas quem são essas pessoas? — riu do outro lado linha -Não vai me dizer que está namorando.

–Ainda não... Olha, eu tenho que ir. Mas se tudo correr bem eu vou encontrar vocês na casa dos seus pais, com mais um rapaz e um garotinho.

–Garotinho? -perguntou Ian curioso.

–É uma longa história,mas pra resumir eu 'to afim de um cara ai e ele tem um filho que deve ter uns três anos e que é uma gracinha fofa e bochechuda.

–O que diabos aconteceu com você — perguntou Ian espantado.

–Chame de milagre de Natal.- disse e desligou o telefone.

Voltou para o shopping que, felizmente, já aberto. Mesmo cedo o local já tem várias pessoas terminando suas compras de Natal. O primeiro lugar que foi, foi em uma loja de brinquedos, lá comprou primeiro um carrinho de controle remoto e depois vários outros brinquedos que pensou que o menino fosse gostar e como sabe que na família de Ian tem crianças também comprou alguns jogos e brinquedos que servem para todas as idades.

Saiu da loja com um carrinho cheio de brinquedos e os levou para o carro, que por sorte tem um grande porta-malas e é espaçoso, guardou os brinquedos e voltou para a parte de lojas do shopping.

Foi em uma loja de roupas e pediu para a vendedora o mostrar as roupas para meninos de aproximadamente três anos, escolheu as roupas que achou bonitas e que serviriam, por não ter mais onde segurar roupas as pagou,deixou no carro e voltou a loja.

Dessa vez comprou algumas roupas para Dylan, para que ele pudesse passar o Natal e comprou também um edredom e uma coberta anti-alérgica. Comprou também uma cadeirinha de bebê para carros. Se sentindo satisfeito pagou pelas compras e pode ir embora.

Pela praticidade e por ter ido cedo conseguiu sair do shopping as 09:30 hrs. Voltou para a casa com o carro cheio de compras. Chegando em casa trocou de roupa e separou em uma mochila coisas para passar o resto do dia na casa dos Star.

Separou todos os presentes que são para Noah e Dylan em duas sacolas e as colocou na parte traseira do carro ao invés do porta-malas, assim que fez isso se dirigiu para a casa de Dylan.

Estacionou em frente ao prédio que o garoto mora, pegou as sacolas e os cobertores fazendo malabarismo e com dificuldade trancou o carro e adentrou o prédio, com uma facilidade que não deveria existir, e se dirigiu aos apartamento 12.

Bateu a porta e esperou. Dylan abriu a porta e se assustou ficando sem saber o que fazer, demorou alguns segundos até que ele conseguisse dizer algumas coisa:

–O que é que você está fazendo aqui e como é que sabe onde moro?

–Vamos dizer que um passarinho me contou... — sorriu Daniel — Eu meio que abri os olhos e 'tô tentando resolver algumas coisas .

Nessa hora, Noah chegou até a porta e encarou Daniel com seus olhinhos curiosos e perguntou:

–Quem é você?

–Um amigo do seu pai.- Sorriu e se abaixou ao nível do menino.- Sabe de quem mais eu tambem sou amigo? — O menino negou com a cabeça.- De Papai Noel, e ele me disse que está muito ocupado e que não ia ter tempo para vir aqui te entregar seus presente e me pediu pra vir aqui por ele.

–Serio? — perguntou o menino com olhos curiosos.

–Serio!- respondeu Daniel trazendo a vista as sacolas que estavam no canto encostadas na parede e trazendo os cobertores. Ele entou na casa com as sacolas e colocou em cima da cama riu do menininho saltitante atrás dele olhando para as sacolas.

–Isso tudo é pra mim?

–Tem coisas pro seu papa também...

O menino soltou um grito excitado e correu para abrir os presentes. Enquanto olhava para Noah, sentiu seu ombro puxado e quando virou deu de cara com Dylan embasbacado e com os olhos cheios de água.

–Porque? — suspirou e enxugou duas lágrimas que escaparam- Eu não consigo entender o porque de você fazer isso tudo por nós, ou como você soube, por favor me explica. — fungou.

–Eu resolvi fazer o que eu já devia ter feito, olha, eu gosto de você, eu realmente gosto muito de você; desde a primeira aula que tivemos juntos... Digamos que eu tive um sonho ontem e ele me fez perceber que eu estou fazendo muitas escolhas erradas.

"Acho que eu mereço uma chance de ser feliz... E digamos que eu descobri que você está em uma situação não tão boa com uma intuição e se quiser considere um pedido de desculpas sobre a briga que tivemos aquela vez."

–Você gosta de mim?

–Eu diria que eu estou apaixonado como nunca estive antes.

Não esperava pelo que aconteceu, Dylan o beijou. Suas línguas dançavam juntas uma canção de desespero e sede. Se abraçaram e naquele momento só existia eles e mais nada no mundo.Quando terminaram o beijo, Dylan arfante sussurrou "Eu te desculpo" e deu um selinho rápido em Daniel.

Quando perceberam o silêncio que se encontravam olharam para onde Noah estava e viram o menino os olhando curioso e com a cabeça tombada.

–Quantos anos ele tem? -perguntou Daniel do nada.

–2 anos e 4 meses...

–Então as roupas que comprei vãos servir, ele é bem grandinho.

Dylan riu e foi até onde o menino estava e o pegou no colo e quando Noah perguntou se eles são "namolados" quem respondeu foi Daniel dizendo:

–Só depende do seu Papa...

–Isso é um pedido? -perguntou Dylan levantando as sobrancelhas.

–Sim, é.

–Eu acho que depois desse milagre de Natal a única resposta é sim.

–Então você aceita passar o dia de Natal comigo e com a família do meu melhor amigo?

–Eu não sei- disse Dylan exitante.

–Porque não?

–Eu não sei se eles vão reagir bem ao Noah e eu e -olhou pra baixo envergonhado e disse baixinho.- nós não temos roupas pra ir pra festas...

–Eles não são como eu era, eles não ligam pra quanto dinheiro você tem -deu-lhe um selinho — E vocês podem usar algumas das roupas que eu trouxe.

–Obrigado, talvez não seja tão ruim não é?! Não passar o Natal sozinho deve ser bom...

–Ótimo, então vai se arrumar e pega escova de dentes essas coisas pra gente ir. Deixa que eu arrumo o Noah.

Rapidamente eles estavam prontos e a caminho, mas em certo parte do percurso o carro ficou preso na neve...

–Droga, nós não vamos chegar... — disse Dylan.

Então a neve começou a derreter e Daniel viu "poeirinhas" amarelas,vermelhas e verdes. Ele sorriu e disse:

–Não se preocupe, nós vamos chegar, esse vai ser mais um milagre do Natal.

Notas finais
Milagre de Natal do Daniel: Perceber em tempo e mudar sua vida; Milagre de Natal do Dylan: Ganhar comida,roupas e brinquedos para se filho Milagre de Natal do Ian: Ganhar o amigo de volta Meu milagre de Natal: Conseguir postar essa história. Obrigada a todos que leram e comentaram, e/ou vão fazer isso.Eu adorei escrever essa história e espero que vocês tenha gostado ler.Ela foi inspirada em Barbie e os cânticos de Natal e Os Fantasmas de Scrooge.Tenho mais coisa pra escrever mas são 01:01 da manhã e estou cansada e com sono,eu concerto isso aqui depois,Feliz Natal e um ótimo Ano novo. Muitos e muitos yaois pra vocês.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!